<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134</id><updated>2011-04-22T03:44:27.509+01:00</updated><title type='text'>A Goela do Jacaré</title><subtitle type='html'>&lt;b&gt;Bem-vindo à Selva Urbana&lt;/b&gt;&lt;br&gt;onde o homem tem medo do próprio homem</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>151</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-1293051836265516265</id><published>2008-01-13T22:03:00.000Z</published><updated>2008-01-22T22:08:02.000Z</updated><title type='text'>E ISTO É SÓ O COMEÇO</title><content type='html'>Ao que parece, “&lt;a href="http://agoeladojacare.blogspot.com/2008/01/filha-da-me-de-todas-as-festas.html"&gt;&lt;strong&gt;a Filha da Mãe de todas as festas&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;” deu que falar no Bairro Alto. Conta a &lt;strong&gt;Juna&lt;/strong&gt; que, ao fazer hoje a barrela à minha choça, os solícitos negociantes do comércio de estupefacientes, eternamente estacionados à esquina do prédio, cochichavam entre si o assunto com os restantes vizinhos, apontando para a varanda e partilhando as peripécias da noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Boa tarde, &lt;strong&gt;vizinha&lt;/strong&gt;,” cumprimentaram eles afavelmente a minha amiga, numa tentativa de obter mais informações sobre a festa e especulando acerca do uso que aqui os novos locatários pretendem dar ao local. Mas a Juna, morenaça vistosa, habituada que está a ser galada todos os dias e endurecida por assédios constantes, debelou com polida mas mortal eficiência estas tímidas investidas, o que significa que os senhores traficantes não descobriram muito mais além do que já sabiam. E do que possivelmente lhes contaram os padeiros da &lt;strong&gt;Panificação de S. Roque&lt;/strong&gt; do Bairro Alto, que passaram na festa depois do trabalho, dado que a minha casa era o único local aberto no Bairro após as quatro da manhã (o que explica a &lt;strong&gt;enchente&lt;/strong&gt; a partir dessa hora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A avaliar pelo sucesso das festas que tenho organizado na minha nova habitação, estou a considerar seriamente se não devo continuar a viver na minha casa antiga e utilizar aqui a nova para a promoção destas pândegas semanais. A &lt;strong&gt;cobrar entradas&lt;/strong&gt;, claro. E a &lt;strong&gt;vender bebidas&lt;/strong&gt;. Depois de paga a renda, tudo o mais é &lt;strong&gt;lucro&lt;/strong&gt;. Só preciso de um bom nome para o espaço. Alguém sugeriu o “&lt;strong&gt;Festódromo da Atalaia&lt;/strong&gt;,” embora eu cá prefira mesmo e apenas “&lt;strong&gt;A Goela do Jacaré&lt;/strong&gt;.” Mas se o amigo leitor tiver outra sugestão, por favor, não deixe de alvitrar. Ofereço &lt;strong&gt;entrada grátis vitalícia&lt;/strong&gt; para as minhas festarolas àquele – ou àquela – que sugerir o nome mais interessante para o espaço. Portanto, esmere-se e... participe!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-1293051836265516265?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/1293051836265516265/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=1293051836265516265&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/1293051836265516265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/1293051836265516265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2008/01/e-isto-s-o-comeo.html' title='E ISTO É SÓ O COMEÇO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-2452923341918254496</id><published>2008-01-13T10:54:00.000Z</published><updated>2008-02-08T14:36:34.336Z</updated><title type='text'>A FILHA DA MÃE DE TODAS AS FESTAS</title><content type='html'>É quase meia-noite quando, depois de deixarmos o restaurante paquistanês onde decorreu o jantar de aniversário da &lt;strong&gt;Juna&lt;/strong&gt; (e onde me &lt;em&gt;parece&lt;/em&gt; que deitei abaixo uma garrafa de Borba &lt;strong&gt;&lt;em&gt;tout seul&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;), tomamos de assalto o meu aposento com vista para a Atalaia como um bando voraz de &lt;strong&gt;marabuntas&lt;/strong&gt; endiabradas. A minha amiga, uma das pessoas que mais elogiou o meu nobre barraco aquando do arraial de &lt;a href="http://agoeladojacare.blogspot.com/2008/01/me-de-todas-as-festas.html"&gt;&lt;strong&gt;Revelhão&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, babando-se perante o universo de possibilidades de &lt;strong&gt;rambóia desbragada&lt;/strong&gt; que a casota promete, aproveitou de imediato a ocasião do seu aniversário para requisitar o espaço para a celebração de tão honrada efeméride, ao que eu acedi de pronto. O que mais quero é rambóia desbragada na minha casa nova (creio que estou a adaptar-me &lt;strong&gt;demasiado bem&lt;/strong&gt; a esta bela vida de solteiro e &lt;em&gt;bon vivant&lt;/em&gt; em pleno Bairro Alto...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, a organização desta festa está longe da &lt;strong&gt;precisão de relojoeiro&lt;/strong&gt; com que foi preparado o Revelhão, e não fosse ter sobrado uma quantidade imensa de bebidas dessa magnífica farra, que eu gentilmente cedi à aniversariante, e os seus comparsas não teriam nada com que &lt;strong&gt;lubrificar as goelas&lt;/strong&gt;. Mas os marotos lá encontram entre as minhas prateleiras muito do que beber e ainda lhes sobra bastante para patinhar a pista de dança e pintalgar artisticamente as minhas entediantes paredes brancas. E não demora muito até a minha vizinha de baixo (que ainda não tinha tido o prazer de conhecer) me pedir de modo algo seco para controlar a &lt;strong&gt;selvajaria&lt;/strong&gt; que grassa no meu pouso. Ofereço-lhe o meu sorriso mais prestimoso e prometo-lhe uma noite na paz dos anjos, mas a festa está em ebulição, a casa enche a olhos vistos, e eu não conheço metade da malta que atulha o casebre e contribui tão abnegadamente para a instabilidade psicológica de quem quer dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as &lt;strong&gt;kizombas&lt;/strong&gt; começam a soar, eu encho-me de orgulho por verificar que são os &lt;strong&gt;meus amigos&lt;/strong&gt;, os mesmos que ensinei na noite de Revelhão, a dominar a pista de dança, liderados por &lt;a href="http://ojacareresponde.blogspot.com/2007/08/el-calamar-y-sus-muchachas.html"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;El Calamar&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, a esbanjar charme na pista de dança. Quem parece não gostar da cena é um dos amigos da Juna, o desagradável &lt;strong&gt;Sebastiudo&lt;/strong&gt;, que dá mostras de uma certa acrimónia para comigo depois da minha dança com a sua meiga namorada &lt;strong&gt;Dany&lt;/strong&gt;. Talvez o assunto me incomodasse, não fosse ter conhecimento que o rapazote passou a noite a distribuir &lt;strong&gt;apalpões&lt;/strong&gt; às minhas amigas. E, pouco depois, quase me vejo obrigado a pregar umas chapadas na fuça deste &lt;strong&gt;Sebastiudo Apalpatão&lt;/strong&gt;, na sequência de uma brincadeira cretina em que o sacripanta impediu a entrada no recinto ao meu amigo &lt;strong&gt;jOhn&lt;/strong&gt;. Não fosse termos sido separados imediatamente após uma breve troca de empurrões carinhosos e eu teria certamente &lt;strong&gt;defenestrado&lt;/strong&gt; o bandalho. Janela fora com ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teria sido engraçado vê-lo despenhar-se lá em baixo no &lt;strong&gt;carro de Polícia&lt;/strong&gt; entretanto estacionado à minha porta e convocado pela minha enervada vizinha. E enquanto eu recebo os agentes da autoridade, os meus alheados convivas dedicam-se a &lt;strong&gt;aquecer a pedra&lt;/strong&gt; na varanda do apartamento, justamente por cima da carreta da bófia. São quatro da madrugada quando, depois disto, despacho os amigos da Juna à vassourada, enquanto a casa é invadida por &lt;strong&gt;grupos de raparigas&lt;/strong&gt; atraídas da rua pela animação interior! E, colada a elas, uma horda excitada de mitragem do &lt;strong&gt;Prior Velho&lt;/strong&gt;, dispostos a &lt;strong&gt;pagar&lt;/strong&gt; (!) para usufruir de tão alegre serão. Mas antes que eu tenha tempo de ponderar essa pertinente questão, a Juna põe toda a gente na rua sob uma chuva de furiosos perdigotos. Livres de &lt;strong&gt;elementos indesejáveis&lt;/strong&gt;, o resto da noite – e o princípio da manhã – é passado só com a malta fixe, na &lt;strong&gt;Zona &lt;em&gt;Lounge&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, entre kizombas, bolo de aniversário, salame de chocolate e nozes e muita filosofia sobre &lt;strong&gt;sexo&lt;/strong&gt; (e muita inacção por parte do jOhn – mas isso é outra história...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Revelhão foi “a Mãe de todas as festas,” esta foi, sem dúvida, “&lt;strong&gt;a Filha da Mãe de todas as festas&lt;/strong&gt;.” E, enquanto espero pela “&lt;strong&gt;Filha Não Planeada da Jovem Mãe de 13 anos, Filha da Mãe de todas as festas&lt;/strong&gt;,” só posso dar-me por afortunado, pelas &lt;strong&gt;boas energias&lt;/strong&gt; de que a minha nova morada parece estar imbuída. É caso para dizer que “&lt;strong&gt;aqui vou ser feliz!&lt;/strong&gt;”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-2452923341918254496?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/2452923341918254496/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=2452923341918254496&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/2452923341918254496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/2452923341918254496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2008/01/filha-da-me-de-todas-as-festas.html' title='A FILHA DA MÃE DE TODAS AS FESTAS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-226005003079272756</id><published>2008-01-01T09:00:00.000Z</published><updated>2008-01-22T21:54:22.885Z</updated><title type='text'>A MÃE DE TODAS AS FESTAS</title><content type='html'>Foi há &lt;strong&gt;oito anos&lt;/strong&gt; atrás que organizei o meu primeiro &lt;strong&gt;Revelhão&lt;/strong&gt;, depois de requisitar para o efeito a casa de campo dos meus pais (a genial sugestão da minha irmã). Nesse modesto festim, compareceram apenas &lt;strong&gt;seis pessoas&lt;/strong&gt; (a contar comigo), mas a coisa acabou por ser um &lt;strong&gt;sucesso&lt;/strong&gt; porque deu conta certa de rapazes e raparigas e, portanto, houve &lt;strong&gt;marmelanço&lt;/strong&gt; para toda a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há &lt;strong&gt;quatro anos&lt;/strong&gt; atrás, organizei o meu primeiro Revelhão em conjunto com o &lt;strong&gt;jOhn&lt;/strong&gt;, como forma de inaugurar em grande a sua nova residência em Lisboa. Num acontecimento insólito, &lt;strong&gt;todos&lt;/strong&gt; os convites lançados foram aceites (com uma única excepção) e juntámos perto de &lt;strong&gt;vinte pessoas&lt;/strong&gt; no pequeno T1 do jOhn, numa magnífica folia que ficou para a História dos Grandes Folguedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, anunciei a realização de nada menos que “&lt;strong&gt;a Mãe de todas as festas&lt;/strong&gt;” de Passagem de Ano, como pretexto para inaugurar a minha recente aquisição imobiliária no &lt;strong&gt;Bairro Alto&lt;/strong&gt; com uma monumental farra. Da &lt;strong&gt;Comissão de Festas&lt;/strong&gt; fizeram parte, para além de mim (Presidente e Anfitrião), o &lt;strong&gt;jOhn&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Ballistic&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;SpunkMeister&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;PP&lt;/strong&gt; (que, ironicamente, não chegou a beneficiar dos esforços que teve, pois foi raptado pela sua mais-que-tudo para uma festa, enfim, &lt;strong&gt;menor&lt;/strong&gt;). E, em somente &lt;strong&gt;45 m2&lt;/strong&gt; de área totalmente restaurada de um andar em plena Rua da Atalaia, montámos um grandioso evento distribuído em duas áreas, o &lt;strong&gt;Palco Principal&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;Zona &lt;em&gt;Lounge&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, destinadas a receber &lt;strong&gt;mais de vinte pessoas&lt;/strong&gt; (quase &lt;strong&gt;trinta&lt;/strong&gt;, se contarmos ainda com aqueles que compareceram apenas para tomar um copo e depois seguiram para outras festas, enfim, &lt;strong&gt;menores&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Revelhão transforma-se num evento &lt;strong&gt;ESPECTACULAR&lt;/strong&gt;, com comida e bebida com fartura, muito boa disposição e dança até o Sol raiar, animada pelos infatigáveis DJs de serviço e pelo &lt;em&gt;workshop&lt;/em&gt; improvisado de &lt;strong&gt;Kizomba&lt;/strong&gt;, onde, secundado pela voluptuosa &lt;strong&gt;Piccolina&lt;/strong&gt;, ensino aos homens pés-de-chumbo presentes as técnicas do &lt;strong&gt;roça-roça com estilo&lt;/strong&gt; na pista de dança. O &lt;strong&gt;Dr. FX&lt;/strong&gt; tenta também ensinar uns passos de Salsa, mas não tem tanta adesão quanto eu – “&lt;strong&gt;Para quê&lt;/strong&gt; aprender Salsa,” diz o &lt;strong&gt;JotaPê&lt;/strong&gt; à guisa de explicação, “se já tive &lt;strong&gt;tudo o que queria&lt;/strong&gt; com a Kizomba?” E teve, de facto, pois as meninas presentes revelam incríveis aptidões para o sassarico. Em especial a doce &lt;strong&gt;Nicky&lt;/strong&gt;, que se mostra uma ardente e sensual dançarina – para além de muito lisonjeadora, fazendo questão de classificar a minha kizomba como &lt;strong&gt;superior&lt;/strong&gt; à dos melhores dançarinos cabo-verdianos que já experimentou! (E depois censuram-me por ser &lt;strong&gt;convencido&lt;/strong&gt;. Se, no fundo, a culpa é toda &lt;strong&gt;delas&lt;/strong&gt;, que não se cansam de me engordar o ego, essas marotas.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São precisamente &lt;strong&gt;nove da manhã&lt;/strong&gt; quando damos por oficialmente terminado o Revelhão, depois de um supimpa pequeno-almoço de &lt;strong&gt;camarão&lt;/strong&gt;. O resto do Bairro Alto, cambada de fracos!, já dorme há muito tempo. E, em jeito de remate, diz a Piccolina: “Adorei a festa, não podia ter começado 2008 de forma melhor! Temos de sair mais vezes, sempre adorei os teus amigos, muito boa onda!” Sem dúvida. São eles quem torna as ocasiões simples nestes &lt;strong&gt;momentos inesquecíveis&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-226005003079272756?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/226005003079272756/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=226005003079272756&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/226005003079272756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/226005003079272756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2008/01/me-de-todas-as-festas.html' title='A MÃE DE TODAS AS FESTAS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-5277127807335990077</id><published>2007-12-22T23:09:00.000Z</published><updated>2008-01-22T22:12:12.123Z</updated><title type='text'>O REVELHÃO É AQUI!</title><content type='html'>Para todos aqueles que me conhecem desde sempre...&lt;br /&gt;Família, amigos, colegas e conhecidos...&lt;br /&gt;Ou da &lt;strong&gt;FUCKuldade de ArquiTORTURA&lt;/strong&gt; de Lisboa...&lt;br /&gt;Ou das &lt;strong&gt;Danças de Salão&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;Ou das &lt;strong&gt;Colónias de Férias&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;Ou da &lt;strong&gt;Banda Desenhada&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;Ou de &lt;strong&gt;Ilustração&lt;/strong&gt; na FBAUL...&lt;br /&gt;Ou da &lt;strong&gt;Massagem Chinesa&lt;/strong&gt; no Nextart...&lt;br /&gt;Ou do &lt;strong&gt;Andanças&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;Ou do “&lt;strong&gt;Creoula&lt;/strong&gt;” (de Outubro de 2006)...&lt;br /&gt;Ou por intermédio de amigos comuns...&lt;br /&gt;Ou mesmo aqueles que não me conhecem e nem sequer se lembram minimamente de mim e estão neste momento a perguntar-se porque diabos receberam este convite...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta mensagem é para &lt;strong&gt;ti&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho por este meio convidar-te para &lt;strong&gt;a Mãe de todas as Festas&lt;/strong&gt; de Passagem de Ano! Estou a organizar um &lt;strong&gt;Grande Revelhão&lt;/strong&gt; para estrear com pompa e circunstância a minha nova residência, e gostava de contar com a &lt;strong&gt;TUA&lt;/strong&gt; presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa vai ser em grande, abrilhantada pelas mais afamadas modelos, actores e futebolistas nacionais e podemos contar com a melhor e mais variada selecção musical de sempre, com conhecidos nomes da praça a animar o serão pela noite adentro até ver raiar o Sol! Vamos ter &lt;strong&gt;concertos&lt;/strong&gt; musicais com bandas nacionais e internacionais de renome, &lt;strong&gt;dançarinas&lt;/strong&gt; exóticas, &lt;strong&gt;animação&lt;/strong&gt; circense, &lt;strong&gt;espectáculo&lt;/strong&gt; pirotécnico e fogo de artifício, &lt;strong&gt;barraquinhas&lt;/strong&gt; de comes e bebes, tatuagens e planeamento familiar, espectáculos de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;strip tease&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, e uma imponente &lt;strong&gt;grua&lt;/strong&gt; de 20 metros! E tudo, &lt;strong&gt;TUDO&lt;/strong&gt;, num amplo T1 de &lt;strong&gt;45 m2&lt;/strong&gt; em plena Rua da Atalaia, no &lt;strong&gt;Bairro Alto&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O esquema é simples: eu forneço o espaço, a música e a certeza de uma &lt;strong&gt;EXCELENTE&lt;/strong&gt; noite e tu só tens que trazer a tua &lt;strong&gt;boa disposição&lt;/strong&gt; e... &lt;strong&gt;comes e bebes&lt;/strong&gt;! Podes convidar quem tu quiseres, &lt;strong&gt;sem excepções&lt;/strong&gt; (até a avó, se quiseres, e ela estiver aí para as curvas), desde que venhas fornecido de comida e bebida para alimentar a ti e a quem conseguires arrastar contigo. Claro que o manjar é para partilhar entre todos (a piada está toda aí, claro), mas basta a cada um contar com o seu próprio estômago, e teremos víveres para a noite inteira (e, com sorte, para o dia seguinte, como retribuição para os pobres coitados que depois vão ter que alombar com a barrela).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para comparecer nesta festa, agradeço que confirmes a tua presença. Como já disse, podes convidar quem quiseres, &lt;strong&gt;quantos mais melhor&lt;/strong&gt;! E caso surja alguma questão acerca de algum aspecto que aches mais pertinente, não hesites em contactar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijos e abraços para todas e todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, até lá,... um &lt;strong&gt;Feliz Natal&lt;/strong&gt;!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-5277127807335990077?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/5277127807335990077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=5277127807335990077&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/5277127807335990077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/5277127807335990077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2007/12/o-revelho-aqui.html' title='O REVELHÃO É AQUI!'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-7001107059727912162</id><published>2007-12-03T21:28:00.000Z</published><updated>2008-01-03T14:32:59.554Z</updated><title type='text'>... MAS ELAS TÊM-NA (MUITO) PIOR!</title><content type='html'>Depois de tudo o que aprendi recentemente acerca das relações sociais no Japão por intermédio da &lt;strong&gt;Mie&lt;/strong&gt;, começo a perceber muito claramente porque é que uma rapariga bonita como ela aproveita todas as ocasiões que tem (e que os yenes arduamente ganhos lhe proporcionam) para abandonar a sua ilha no outro extremo do globo e mandar-se sozinha para o nosso cantinho à beira-mar plantado. O calor latino que ela aqui encontra deve ser um &lt;strong&gt;bálsamo&lt;/strong&gt; para a frieza nipónica a que está habituada. Apesar de tudo, “&lt;em&gt;old habits die hard&lt;/em&gt;,” e todo o seu comportamento se revela inequívoco testemunho dos costumes, educação e mentalidade da cultura em que foi criada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio, por exemplo, que a adorável menina não está acostumada a ser alvo da mais pequena deferência, atenção ou consideração por parte do género masculino na sua vida social. O conceito de &lt;strong&gt;cavalheirismo&lt;/strong&gt; é-lhe absolutamente alienígena e olha para mim como se eu fosse de outro planeta sempre que me adianto para lhe abrir uma porta e lhe cedo a passagem. E incomoda-me um bocado o seu hábito de caminhar na rua submissamente &lt;strong&gt;atrás&lt;/strong&gt; de mim. Decido elucidá-la: “Aqui em Portugal, homens e mulheres são &lt;strong&gt;iguais&lt;/strong&gt; – têm os mesmos direitos e deveres. Caminham &lt;strong&gt;lado a lado&lt;/strong&gt;. Não deves &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; andar atrás de um homem. Quando o fazes, estás a subverter as regras mais basilares da interacção entre géneros – com prejuízo &lt;strong&gt;para ti&lt;/strong&gt;. Se tanto, os homens é que devem &lt;strong&gt;fazer fila&lt;/strong&gt; atrás de uma mulher bela como tu. Estás a perceber?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não, não percebe. E rejeita liminarmente a noção de ser bela. “Mas és,” insisto eu, “És bela e inteligente e corajosa.” Ela não quer acreditar. Mas eu justifico (os meus elogios são de graça, mas nunca são gratuitos): “Inteligente, sim, porque tens sede de conhecimento por coisas novas. É a primeira vez que conheço um japonês que sabe &lt;strong&gt;falar português&lt;/strong&gt; e, ainda por cima, &lt;strong&gt;tão bem&lt;/strong&gt;! E corajosa, sim, porque não hesitas em viajar &lt;strong&gt;sozinha&lt;/strong&gt; para um país onde não conheces ninguém.” Mas ela rejeita a ideia: “Não, meu português é muito mau. E não sou bonita nada. Se eu for bonita devo ter &lt;strong&gt;namorado&lt;/strong&gt; agora. Mas até agora ninguém convidou-me para beber na fora pessoalmente. Acho que sou &lt;strong&gt;antipática&lt;/strong&gt; e homens preferem mulheres &lt;strong&gt;mais novas&lt;/strong&gt;. Por isso estou sozinha e viajo sozinha.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens japoneses são é uma cambada de encalhados! Mas podem dar-se por satisfeitos, porque as mulheres japonesas são &lt;strong&gt;muito piores&lt;/strong&gt; que eles! Desde tenra idade, são induzidas a submeter-se, a rebaixar-se, a depreciar-se (ainda mais que o habitual para qualquer mulher normal). E depois as gajas ficam todas inquinadas da cabeça (mais que o habitual, lá está). Aos &lt;strong&gt;25 anos&lt;/strong&gt; de idade têm de estar casadas, caso contrário, são mal vistas pela sociedade – como é o caso da minha amiga, com os seus 29 anos. E como as aparências são tudo na austera sociedade japonesa, elas andam tão desesperadas que os gajos nem têm que se esforçar para as sacar. E, pelo que a Mie conta, eles não se esforçam &lt;strong&gt;mesmo nada&lt;/strong&gt; (nem sequer sabem como fazê-lo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: para um Jacaré como eu, o Japão seria um &lt;strong&gt;manancial de gajas&lt;/strong&gt;. E, de facto, tenho essa confirmação quando, já perto do final da agradável tarde passada na companhia da bela menina, ela me pergunta se já visitei o seu país. Respondo que não, mas que o vou fazer um dia e que não me importava sequer de ir para lá trabalhar. “A dar aulas de &lt;strong&gt;Português&lt;/strong&gt;,” acrescento a rir. Ela aprova a ideia, porque os raros cursos de Português que existem no Japão são ministrados por... &lt;strong&gt;brasileiros&lt;/strong&gt;! “E depois,” acrescenta, “as japonesas iam &lt;strong&gt;gostar muito&lt;/strong&gt; de ti.” Eu rio-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando eu voltar a Portugal, na Primavera,” continua ela, de olhos no chão, “talvez nós vamos passear mais, ou jantar, ou beber café...” Com toda a certeza, afirmo, o prazer será todo meu. “E se algum dia fores ao Japão,” conclui ela, evitando ainda o meu olhar, “podes ficar sempre &lt;strong&gt;na minha casa&lt;/strong&gt;.” Ah, marota da japonesita! O Ocidente está a fazer-lhe bem, caramba! Palonços dos gajos japoneses, “dá Deus nozes a quem não tem dentes...” de &lt;strong&gt;Jacaré&lt;/strong&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-7001107059727912162?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/7001107059727912162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=7001107059727912162&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/7001107059727912162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/7001107059727912162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2007/12/mas-elas-tm-na-muito-pior.html' title='... MAS ELAS TÊM-NA (MUITO) PIOR!'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-7703045636826158749</id><published>2007-12-03T20:23:00.000Z</published><updated>2008-01-03T14:28:46.933Z</updated><title type='text'>ELES NÃO A TÊM (NADA) FÁCIL...</title><content type='html'>Passo a tarde na companhia de &lt;strong&gt;Mie&lt;/strong&gt;, uma japonesa que conheci há dois dias, de visita a Portugal. Sentados à nossa frente na carruagem de metro, um jovem casal troca muitos beijos carinhosos, enquanto, a meu lado, a minha mais recente amiga esconde a cara e esboça um sorriso de embaraço. Segundo ela, as manifestações afectivas no Japão dão-se &lt;strong&gt;exclusivamente&lt;/strong&gt; a portas fechadas, na intimidade do lar ou, mais rigorosamente, “no quarto.” Diz a menina que &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; viu os pais beijarem-se e que mesmo pais e filhos só trocam beijos durante a infância dos rebentos. “Quer dizer que não cumprimentas os teus pais com beijos?,” pergunto eu. “Nããããão!,” e ela mostra-se chocada, “Somente &lt;strong&gt;vénia&lt;/strong&gt;.” Em toda a vida social japonesa, quer em família, entre amigos ou colegas, as pessoas cingem-se à vénia. “Às vezes, com amigas, também &lt;strong&gt;abraço&lt;/strong&gt;, sim,” rectifica ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora beijocar os pais, isso é que não! E ela parece-me até um pouco &lt;strong&gt;enojada&lt;/strong&gt; quando eu revelo que beijo os meus sempre que os vejo. Ou que os vejo todas as semanas. “&lt;strong&gt;Todas&lt;/strong&gt; as semanas?! Mas &lt;strong&gt;porquê&lt;/strong&gt;?!” Não reprimo uma gargalhada ao responder-lhe o óbvio: “Ora, porque eles &lt;strong&gt;gostam&lt;/strong&gt; de mim!” Mas, ao que parece, isso é um exagero absurdo para a rapariga. Afinal, os seus pais também gostam dela mas chega-lhes perfeitamente o seu encontro &lt;strong&gt;anual&lt;/strong&gt; para matar saudades, quando a menina se ausenta da gigantesca capital nipónica para os visitar uns dias à terrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro hábito que não existe no Japão é o de receber pessoas em casa própria. Diz a rapariga que não costuma visitar as suas amigas nos seus lares porque “&lt;strong&gt;elas têm namorado&lt;/strong&gt;.” Mas mesmo ela, que é descomprometida, não convida amigos para o seu apartamento. Portanto, ao que tudo indica, os japoneses fazem uma distinção &lt;strong&gt;radical&lt;/strong&gt; entre a vida pública e a privada. E sendo que o lar é o templo por excelência da administração da vida íntima, é impensável (para eles) deixar invadir esse restrito círculo por pessoas &lt;strong&gt;exteriores&lt;/strong&gt; a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Conta lá, então,” pergunto eu com curiosidade, “como fazem os japoneses para &lt;strong&gt;namorar&lt;/strong&gt;.” Ela pensa um pouco antes de responder: “Primeiro, vamos a &lt;strong&gt;bar de solteiros&lt;/strong&gt;, onde conhecemos um ao outro e conversamos um pouco. Depois, se gostarmos um do outro, combinamos encontro para conversar mais.” “E dar &lt;strong&gt;beijinhos&lt;/strong&gt;, claro,” atiro eu. “Nããããão!,” escandaliza-se ela, “Beijinhos não! Só conversa. E depois, outro encontro.” “E &lt;strong&gt;beijinhos&lt;/strong&gt;,” insisto eu. “Não! Mais conversa. Depois, outro encontro.” “E beijinhos?...” (Já perdi a esperança.) “Não! Beijinhos só depois de &lt;strong&gt;muitos&lt;/strong&gt; encontros. Depois de &lt;strong&gt;conhecer bem&lt;/strong&gt;.” “Ah bom! Então é &lt;strong&gt;ao contrário&lt;/strong&gt; de Portugal,” digo eu. “Aqui, quando começas a conhecer bem outra pessoa, já &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; a queres beijar.” A menina está baralhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim, é importante beijar &lt;strong&gt;logo no início&lt;/strong&gt;,” explico eu, “quando ambos &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; se conhecem e estão mutuamente &lt;strong&gt;iludidos&lt;/strong&gt; acerca do outro. Se cometem o &lt;strong&gt;erro&lt;/strong&gt; de se conhecer bem, está tudo estragado, porque acabam por &lt;strong&gt;perder o interesse&lt;/strong&gt; mútuo. Ficam &lt;strong&gt;amigos&lt;/strong&gt;. E depois vai cada um para seu lado sem sequer ter tido a oportunidade – e a consolação – de ferrar um bocadinho o dente enquanto andavam iludidos.” Mas estes conceitos já são lá muito à frente para os costumes amorosos da minha adorável amiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Triste vida, a japonesa. Calculo que uma cultura com uma educação destas torne a vida afectiva &lt;strong&gt;deveras complicada&lt;/strong&gt; aos infortunados solteiros que procuram consorte. Porque se lhes são interditas as manifestações de afecto em locais públicos mas também não estão à vontade para receber pessoas na intimidade do próprio lar, que &lt;strong&gt;outras&lt;/strong&gt; alternativas lhes restam, para além de gastar o tempo todo em &lt;strong&gt;conversas e vénias&lt;/strong&gt; respeitosas e inúteis? Pobres japoneses. A continuar assim, entram sem dúvida em &lt;strong&gt;vias de extinção&lt;/strong&gt;. Por outro lado, não admira que o país do Sol Nascente seja a potência económica que é. Pois, se não podem amar livremente, nada mais resta a essa gente infeliz que abjurar as suas frustrações amorosas... no &lt;strong&gt;trabalho&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-7703045636826158749?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/7703045636826158749/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=7703045636826158749&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/7703045636826158749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/7703045636826158749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2007/12/eles-no-tm-nada-fcil.html' title='ELES NÃO A TÊM (NADA) FÁCIL...'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-7045787162923822730</id><published>2007-11-22T22:59:00.001Z</published><updated>2008-02-17T23:03:21.100Z</updated><title type='text'>ESCLARECIMENTO</title><content type='html'>Saibam, meus amigos, que sofrer por amor &lt;strong&gt;não é&lt;/strong&gt; ter o coração despedaçado e arrancado do peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É algo &lt;strong&gt;muito pior&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ter o coração &lt;strong&gt;queimado&lt;/strong&gt;. E de tal maneira cozinhado que fica &lt;strong&gt;em sangue&lt;/strong&gt; por dentro e &lt;strong&gt;calcinado&lt;/strong&gt; por fora, com uma grossa crosta negra, purulenta, que impossibilita a passagem – quer para dentro, quer para fora – de qualquer sentimento amoroso. Porém, o coração mutilado &lt;strong&gt;permanece&lt;/strong&gt; sempre no peito. E há que &lt;strong&gt;aguentar&lt;/strong&gt; viver com ele nesse estado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-7045787162923822730?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/7045787162923822730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=7045787162923822730&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/7045787162923822730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/7045787162923822730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2007/11/esclarecimento.html' title='ESCLARECIMENTO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-2905555295342256256</id><published>2007-08-28T23:06:00.000+01:00</published><updated>2008-01-09T11:51:56.597Z</updated><title type='text'>DICIONÁRIO PORTUGUÊS-CHECO PORTUGALSKO-ČESKÝ SLOVNÍK</title><content type='html'>Apresento em seguida o resultado de &lt;a href="http://www.ojacareresponde.blogspot.com/2007/08/el-calamar-y-sus-muchachas.html"&gt;dez intensos dias&lt;/a&gt; passados no &lt;a href="http://www.folkfaro.com/"&gt;&lt;strong&gt;FoIkFaro&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, o Festival Internacional de Danças FoIcIóricas de Faro, na companhia do simpático &lt;a href="http://www.dylen.cz/"&gt;&lt;strong&gt;Grupo FoIcIórico DyIeň&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, de KarIovy Vary, &lt;strong&gt;República Checa&lt;/strong&gt;. Inclui transcrição fonética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PARA O DIA-A-DIA:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Oi! / Olá!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ahoj! / Čabas!&lt;br /&gt;[A-&lt;strong&gt;hói&lt;/strong&gt;! / Tchá-&lt;strong&gt;báss&lt;/strong&gt;!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bom dia!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dobrý den!&lt;br /&gt;[Dô-&lt;strong&gt;brí&lt;/strong&gt; dên!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bom dia (manhã)!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dobré ráno!&lt;br /&gt;[Dô-brê &lt;strong&gt;‘rá&lt;/strong&gt;-nô!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Boa noite!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dobrou noc!&lt;br /&gt;[Dô-&lt;strong&gt;brou&lt;/strong&gt; nots!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como estás? Tudo bem.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jak se máš? Mám se dobře.&lt;br /&gt;[Yak sê mash? &lt;strong&gt;Má&lt;/strong&gt;-me sê &lt;strong&gt;dô&lt;/strong&gt;-brjê.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bons sonhos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sladké sny.&lt;br /&gt;[Slat-&lt;strong&gt;quê&lt;/strong&gt; sni.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sim.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ano (jo).&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Á&lt;/strong&gt;-nô (iô).]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ne.&lt;br /&gt;[Né.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por favor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Prosím.&lt;br /&gt;[Prô-&lt;strong&gt;síme&lt;/strong&gt;.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Obrigado(a).&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Děkuji.&lt;br /&gt;[Djê-&lt;strong&gt;ku&lt;/strong&gt;-iu.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Toca a andar.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Jedem.&lt;br /&gt;[Yé-&lt;strong&gt;déme&lt;/strong&gt;.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vamos a despachar!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Šup šup!&lt;br /&gt;[Shup-shup!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PARA O AMOR:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;És uma rapariga muito bonita.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ty jsi fakt pekná holka.&lt;br /&gt;[Tê sê fâkt &lt;strong&gt;pêc&lt;/strong&gt;-nâ &lt;strong&gt;hol&lt;/strong&gt;-gâ.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;És boa.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ty jsi kočka.&lt;br /&gt;[Tê sê &lt;strong&gt;côtch&lt;/strong&gt;-kâ.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dança comigo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Zatancuj si se mnou.&lt;br /&gt;[Zá-tan-&lt;strong&gt;tsui&lt;/strong&gt; si sê mnou.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Beija-me!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Polib mě!&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Pô&lt;/strong&gt;-lip mniê!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amo-te!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Miluji tě!&lt;br /&gt;[Mi-&lt;strong&gt;lu&lt;/strong&gt;-iu tchiê!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Meu amor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Má lásko.&lt;br /&gt;[Má &lt;strong&gt;láss&lt;/strong&gt;-kô.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Possui-me aqui e agora.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pomiluj mě tady a teď.&lt;br /&gt;[Pó-mi-&lt;strong&gt;lúi&lt;/strong&gt; mniê &lt;strong&gt;tá&lt;/strong&gt;-di à tedch.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fode comigo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Zašukej si se mnou.&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Zá&lt;/strong&gt;-shu-quei si sê mnou.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PARA A BEZANA:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu quero cerveja e rápido!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já chci pivo a rychle!&lt;br /&gt;[Yá re-&lt;strong&gt;tsi&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;pí&lt;/strong&gt;-vô à &lt;strong&gt;‘ri&lt;/strong&gt;-rr-lé!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Saúde!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Na zdraví!&lt;br /&gt;[Ná &lt;strong&gt;zdrá&lt;/strong&gt;-vi!]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ressaca.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Kocovina.&lt;br /&gt;[Cô-tsô-&lt;strong&gt;ví&lt;/strong&gt;-ná.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qualquer bebida alcoólica usada para sair da ressaca.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vyprošťovák.&lt;br /&gt;[Vi-&lt;strong&gt;prôsh&lt;/strong&gt;-tchô-vak.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os três níveis do bêbedo.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nachcat se / Na káry / Na sračky.&lt;br /&gt;[Ná-rr-&lt;strong&gt;tsat&lt;/strong&gt; sê / Ná &lt;strong&gt;ká&lt;/strong&gt;-ri / Ná &lt;strong&gt;sratch&lt;/strong&gt;-qui.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prisão para bêbedos.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Záchytka.&lt;br /&gt;[Zá-&lt;strong&gt;rrít&lt;/strong&gt;-ká.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PARA O INSULTO:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Beija-me o cu (a pila, o caralho).&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Polib mi prdel (štencla, čůráka).&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Pô&lt;/strong&gt;-lip mi pr-&lt;strong&gt;del&lt;/strong&gt; (sh-&lt;strong&gt;tên&lt;/strong&gt;-si-lá, &lt;strong&gt;tchú&lt;/strong&gt;-rá-ká).]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pila e bolas pequenas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Štencl a kuličky.&lt;br /&gt;[Sh-&lt;strong&gt;tên&lt;/strong&gt;-sil à cu-&lt;strong&gt;lítch&lt;/strong&gt;-qui.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pila, caralho.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Štencl, kokot, čůrák.&lt;br /&gt;[Sh-&lt;strong&gt;tên&lt;/strong&gt;-sil, &lt;strong&gt;cô&lt;/strong&gt;-côt, &lt;strong&gt;tchú&lt;/strong&gt;-rák.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cona.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Píča.&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Pí&lt;/strong&gt;-tchá.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Puta.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Kurva.&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Cúr&lt;/strong&gt;-vá.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Raios!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sakra!&lt;br /&gt;[&lt;strong&gt;Sâ&lt;/strong&gt;-crâ!]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-2905555295342256256?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/2905555295342256256/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=2905555295342256256&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/2905555295342256256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/2905555295342256256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2008/08/dicionrio-portugus-checo-portugalsko.html' title='DICIONÁRIO PORTUGUÊS-CHECO &lt;br&gt;PORTUGALSKO-ČESKÝ SLOVNÍK'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-883209171253904146</id><published>2007-01-18T19:25:00.000Z</published><updated>2008-12-09T10:01:29.946Z</updated><title type='text'>PELA LEI DO MENOR ESFORÇO</title><content type='html'>“Tenho &lt;strong&gt;boas&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;más&lt;/strong&gt; notícias,” diz-me o &lt;strong&gt;jOhn&lt;/strong&gt; ao telefone. “As notas da frequência de Sociologia foram uma &lt;strong&gt;derrocada de negas&lt;/strong&gt;. A &lt;strong&gt;Tita&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;Deia&lt;/strong&gt; tiveram &lt;strong&gt;4 valores&lt;/strong&gt;! A professora está furiosa! E o exame de recuperação é já este Sábado, ou seja, &lt;strong&gt;depois de amanhã&lt;/strong&gt;.” Eu rio-me. Sou o palhaço que adora ver o circo a arder. “Bem, a verdade é que não tinha grande fé nessa frequência,” respondo. “Não tinha a minha &lt;strong&gt;caneta da sorte&lt;/strong&gt; no dia do teste, pá...” “Espera lá,” diz o jOhn, “ainda falta a boa notícia (&lt;strong&gt;para ti&lt;/strong&gt;): tu passaste com 10 valores. Portanto, não precisas de fazer o exame de Sábado, pá. &lt;strong&gt;Eu&lt;/strong&gt; é que preciso, que tive 8.” Eu rio-me &lt;strong&gt;com gosto&lt;/strong&gt;. Sou o palhaço que adora ver o circo a arder – a uma distância segura da tenda, claro. “Seu cabrãozeco!” atira o jOhn, “Não vais às aulas e consegues sempre safar-te em exame!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, desta vez, safei-me com uma nota muito sofrível. Bom foi no ano passado, quando passei à cadeira de Recuperação Arquitectónica com &lt;strong&gt;15 valores&lt;/strong&gt;. Quem ficou lixada com isso foi a &lt;strong&gt;Sassita&lt;/strong&gt;. E com razão, diga-se de passagem. Ela, tal como o resto da turma, teve o &lt;strong&gt;triplo&lt;/strong&gt; do trabalho que eu e o &lt;strong&gt;sextuplo&lt;/strong&gt; da preocupação, fora o tempo investido a aturar as conflituosas colegas de grupo o ano inteiro, para fazer o &lt;strong&gt;trabalho prático&lt;/strong&gt; anual que contava para &lt;strong&gt;metade&lt;/strong&gt; da nota final da cadeira. E eu? Eu ignorei olimpicamente o trabalho prático e apostei tudo no &lt;strong&gt;exame (escrito) de recurso&lt;/strong&gt;. Fui às aulinhas teóricas, fiz a frequência (para me inteirar do conteúdo dos testes) e, como previsto, &lt;strong&gt;chumbei&lt;/strong&gt; em época normal. Por &lt;strong&gt;falta de entrega&lt;/strong&gt; do trabalho. E depois? Safei-me &lt;em&gt;in extremis&lt;/em&gt; na época de recurso. Tirei 15 valores no exame e fui aprovado com melhor nota que a Sassita e o mínimo de trabalho e preocupação. E uma fracção dos conhecimentos que deveria ter assimilado nessa cadeira, porque me esquivei de toda a vertente prática do programa. Viva o sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/RgfnlcHJNxI/AAAAAAAAABg/1by8122hmH8/s1600-h/Calvin+-+Estou+Livre.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/RgfnlcHJNxI/AAAAAAAAABg/1by8122hmH8/s400/Calvin+-+Estou+Livre.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5046256537879262994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Eu pertenço àquela raça de estudante que prefere os testes escritos aos trabalhos práticos. Não que considere o teste escrito, como ferramenta de avaliação de conhecimentos, mais eficiente e fiável do que o trabalho prático. Conhecendo as limitações de ambos os sistemas e as maroscas de que o pessoal se socorre para falsear resultados, tanto num caso como noutro, devo dizer que tenho dúvidas sobre qual dos métodos de avaliação será mais desajustado e enganoso. Mas eu sou &lt;strong&gt;preguiçoso&lt;/strong&gt; e prefiro gastar uns &lt;strong&gt;dias&lt;/strong&gt; ocupado com um teste do que uns &lt;strong&gt;meses&lt;/strong&gt; com um trabalho. &lt;strong&gt;Sofro menos&lt;/strong&gt; e o resultado é mais imediato. Por isso, desde que descobri que, com apenas &lt;strong&gt;um único&lt;/strong&gt; exame escrito por cadeira, consigo evitar grande parte do trabalho prático do curso de Arquitectura – e, em muitos casos, com melhores resultados –, não quero outra coisa. Já me livrei ligeiramente de uma carrada de cadeiras que, de outro modo, teriam sido muito dolorosas de levar a bom termo. Só tenho pena de não poder adoptar totalmente este sistema porque, em certas cadeiras (as mais importantes), o exame de recurso consiste na entrega de todos os trabalhos práticos desenvolvidos ao longo do ano, ao invés de teste escrito. A essas, não há como escapar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas onde fica a &lt;strong&gt;qualidade de ensino&lt;/strong&gt; no meio desta falcatrua? Porque deste modo, bem vistas as coisas, corro o risco de me formar em Arquitectura com um nível de conhecimentos adquiridos &lt;strong&gt;muito inferior&lt;/strong&gt; ao que supostamente deveria ter. Isso incomoda-me? Chateia-me? Claro que não. Em primeiro lugar, não espero &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; vir a exercer depois de me formar. Já dediquei à Arquitectura demasiado tempo desta minha vida (e das próximas). Em segundo lugar, a &lt;em&gt;trapaça&lt;/em&gt; é &lt;strong&gt;legal&lt;/strong&gt;. E quem sou &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; para pôr em causa todo o sistema de avaliação da Faculdade de Arquitectura de Lisboa? Assumo que quem o concebeu tem &lt;strong&gt;razões sólidas&lt;/strong&gt; para acreditar que um único exame escrito substitui &lt;strong&gt;um ano inteiro&lt;/strong&gt; de laboriosos trabalhos práticos. Por último, e a avaliar pela minha faculdade, o sistema de Ensino Superior português é uma &lt;strong&gt;anedota&lt;/strong&gt;, está entregue à bicharada e totalmente desajustado da realidade do mundo de trabalho. Talvez me engane, mas não creio estar a perder agora algo que me vá fazer falta mais tarde na vida profissional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-883209171253904146?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/883209171253904146/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=883209171253904146&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/883209171253904146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/883209171253904146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2007/01/pela-lei-do-menor-esforo.html' title='PELA LEI DO MENOR ESFORÇO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/RgfnlcHJNxI/AAAAAAAAABg/1by8122hmH8/s72-c/Calvin+-+Estou+Livre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-8753029023307348654</id><published>2006-12-25T15:30:00.000Z</published><updated>2008-12-09T10:01:30.059Z</updated><title type='text'>A MELHOR PRENDA DESTE NATAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/RcnwsPAv70I/AAAAAAAAABU/UQMaW2ovNn4/s1600-h/Jacarezinho+Voador.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028815101670453058" style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/RcnwsPAv70I/AAAAAAAAABU/UQMaW2ovNn4/s400/Jacarezinho+Voador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras para quê? Não é lindo, o meu Jacarezinho Voador? Só uma namorada se lembraria de uma coisa destas. Ela estraga-me com mimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-8753029023307348654?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/8753029023307348654/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=8753029023307348654&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/8753029023307348654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/8753029023307348654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/12/melhor-prenda-deste-natal.html' title='A MELHOR PRENDA DESTE NATAL'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/RcnwsPAv70I/AAAAAAAAABU/UQMaW2ovNn4/s72-c/Jacarezinho+Voador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-1028396496797018838</id><published>2006-12-15T23:59:00.000Z</published><updated>2008-12-09T10:01:30.221Z</updated><title type='text'>UM DIA O CASAMENTO VEM ABAIXO</title><content type='html'>Revejo na televisão o filme “&lt;strong&gt;Um Dia a Casa Vem Abaixo&lt;/strong&gt;” (“The Money Pit,” de Richard Benjamin). Há vinte anos, este clássico fazia parte dos filmes que qualquer criança de 10 anos tinha &lt;strong&gt;obrigação&lt;/strong&gt; de conhecer, entre “&lt;strong&gt;Os Caça-Fantasmas&lt;/strong&gt;,” as sagas do “&lt;strong&gt;Regresso ao Futuro&lt;/strong&gt;” e do &lt;strong&gt;Indiana Jones&lt;/strong&gt; (em especial “&lt;strong&gt;O Templo Perdido&lt;/strong&gt;,” por causa da cena do banquete de sopa de olhos e sobremesa de miolos de macaco), “&lt;strong&gt;Top Gun – Ases Indomáveis&lt;/strong&gt;,” o “&lt;strong&gt;Karate Kid – Momento da Verdade&lt;/strong&gt;,” a “&lt;strong&gt;Academia de Polícia&lt;/strong&gt;” (particularmente o terceiro episódio, responsável pela formação da equipa mais famosa e representativa da série), “&lt;strong&gt;Dança Comigo&lt;/strong&gt;” (ou “Dirty Dancing,” especialmente amado entre as meninas – embora também eu achasse, já na altura, aquelas danças altamente apelativas. E &lt;strong&gt;pornográficas&lt;/strong&gt;) e, naturalmente, a epopeia da “&lt;strong&gt;Guerra das Estrelas&lt;/strong&gt;” (tirando “O Império Contra-ataca.” É sabido que é o mais dark da trilogia original, mas, para os putos, tem falta de &lt;strong&gt;Ewoks&lt;/strong&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao filme em causa, a aventura começa quando o casal Anna Crowley e Walter Fielding (a irritante &lt;strong&gt;Shelley Long&lt;/strong&gt; e o sempre divertido &lt;strong&gt;Tom Hanks&lt;/strong&gt;) compra uma magnífica mansão por uma pechincha. Com extrema felicidade os pombinhos mudam-se para a sua nova residência e deitam mãos aos pequenos trabalhos de reparação que a moradia necessita: aquele degrauzito manhoso da escadaria. Mas cedo a alegria (e não só) desmorona, à medida que os &lt;em&gt;pequenos reparos&lt;/em&gt; se multiplicam numa &lt;strong&gt;carga de trabalhos&lt;/strong&gt; – e o tal degrauzito manhoso se converte na &lt;strong&gt;derrocada total&lt;/strong&gt; da escadaria. E da porta de entrada. E da banheira. E até de uma árvore do jardim. Sem falar da explosão do circuito eléctrico nem da canalização que expele uma lama nauseabunda digna de um filme de terror em nome próprio. É nessa altura que os nossos heróis decidem recorrer à &lt;strong&gt;artilharia pesada&lt;/strong&gt;, dando início a uma dança espinhosa com empreiteiros sem escrúpulos e inspectores irascíveis, no intuito de salvar a habitação. Com resultados diametralmente opostos ao pretendidos, claro, enquanto a diversão do espectador aumenta na medida em que a desditosa casa cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rcnu8_Av7zI/AAAAAAAAABI/bKSKc_6JStM/s1600-h/The+Money+Pit.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028813190410006322" style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rcnu8_Av7zI/AAAAAAAAABI/bKSKc_6JStM/s320/The+Money+Pit.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apertados de massas, Anna apela ao ex-marido, o maestro Max Beissart (&lt;strong&gt;Alexander Godunov&lt;/strong&gt;, o implacável Karl do “&lt;strong&gt;Assalto ao Arranha-Céus&lt;/strong&gt;” – outro filme pertencente à lista lá de trás), vendendo-lhe os bens que ganhara com o divórcio (ou seja, primeiro rapina o rapaz e depois vende-lhe o produto do roubo. É de mestre!). Mas Max aproveita que Walter está ausente da cidade em trabalho, seduz a rapariga, leva-a a jantar, embebeda-a e &lt;strong&gt;trungas&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;need I say more?&lt;/em&gt;)! Confrontada posteriormente pelo inseguro Walter, Anna mente. Ele insiste, promete ser compreensivo, e ela mente mais. Ele insiste muito e ela mente ainda e sempre. Só mais tarde, roída pelos remorsos, decide contar a verdade. Walter, naturalmente, mostra-se aborrecido (“&lt;em&gt;&lt;strong&gt;YOU WHORE!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;”). E a espertalhona da gaja, aproveitando a deixa, dá uma de &lt;strong&gt;ofendida&lt;/strong&gt; – porque ele não está a ser nada compreensivo, ao contrário do que prometera –, chama-o de &lt;strong&gt;hipócrita&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;chauvinista&lt;/strong&gt; e expulsa-o do quarto. E o invertebrado sai. No dia seguinte, Anna continua amuada e &lt;strong&gt;recusa-se&lt;/strong&gt; a falar com Walter. Faz sentido. É naturalíssimo, atendendo a que isto se passa num país em que o próprio sistema de Justiça funciona nestes termos: “&lt;em&gt;Oops&lt;/em&gt;, esquecemo-nos de ler os direitos a este maroto quando o apanhámos em flagrante. Agora temos que o libertar. Ai ai, que pouca sorte! Bem, fica para a próxima. É só esperar que ele viole e mate &lt;strong&gt;outra&lt;/strong&gt; criancinha. Afinal, a falta foi &lt;strong&gt;nossa&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então que Max revela a Anna que a tal noite de sexo entre eles &lt;strong&gt;nunca acontecera&lt;/strong&gt;; ela é que estava &lt;strong&gt;bêbeda demais&lt;/strong&gt; na noite em causa para ter consciência do que tinha ou não acontecido entre ambos e ele aproveitara o facto para distorcer a verdade (e confesse lá, amigo leitor, que também se deixou enganar com aquele “trungas” lá atrás, não foi?). Mesmo assim, ela decide &lt;strong&gt;não contar&lt;/strong&gt; a verdade a Walter: “Ele não me perdoaria e eu não lhe perdoo por isso.” (E eu desafio alguém a encontrar aqui uma migalha de lógica plausível. Estaria ela ofendida por Walter ter duvidado da sua fidelidade? Que cabra hipócrita! &lt;strong&gt;Ela própria&lt;/strong&gt; foi a primeira a acreditar que o tinha encornado! E só não o fez porque o arrogante Max foi um &lt;strong&gt;cavalheiro&lt;/strong&gt; e decidiu não se aproveitar da beberrona.) Mas, previsivelmente, é o frouxo Walter quem acaba por dar o braço a torcer no final. É ele quem volta a rastejar para a gaja a dizer que &lt;strong&gt;não se importa&lt;/strong&gt; que ela tenha dormido com Max: “Estou &lt;strong&gt;feliz&lt;/strong&gt; que tenhas dormido com ele, porque agora sei o quanto te amo. Foi a &lt;strong&gt;melhor coisa&lt;/strong&gt; que nos podia ter acontecido.” Ora ainda bem que gostaste, seu cornudo em potência. Casa-te já com a gaja e terás &lt;em&gt;&lt;strong&gt;provas de Amor&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; dessas &lt;strong&gt;todos os dias&lt;/strong&gt; da tua vida. &lt;strong&gt;Várias&lt;/strong&gt; por dia, se quiseres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apetece-me vomitar. Preocupa-me sobremaneira vir a descobrir em adulto que certos filmes adorados na infância e tidos como &lt;strong&gt;inocentes&lt;/strong&gt; afinal tresandam a morais carunchosas e pervertidas. Porque, na minha inocente meninice, eu papava incautamente esta merda às colheradas... e &lt;strong&gt;lambia os beiços!&lt;/strong&gt; Sinto-me traumatizado (e não é de hoje!). Preciso de rever urgentemente o “&lt;strong&gt;RoboCop&lt;/strong&gt;” e o “&lt;strong&gt;Exterminador Implacável&lt;/strong&gt;” para restaurar a fé nos filmes da minha infância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-1028396496797018838?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/1028396496797018838/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=1028396496797018838&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/1028396496797018838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/1028396496797018838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/12/um-dia-o-casamento-vem-abaixo.html' title='UM DIA O CASAMENTO VEM ABAIXO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rcnu8_Av7zI/AAAAAAAAABI/bKSKc_6JStM/s72-c/The+Money+Pit.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-4717502614132844180</id><published>2006-12-10T15:11:00.000Z</published><updated>2007-02-07T14:34:58.744Z</updated><title type='text'>VAMOS AO CIRCO!</title><content type='html'>Assisto ao &lt;strong&gt;Circo de Natal&lt;/strong&gt; do Coliseu dos Recreios. É uma tradição familiar. Exceptuando uma ou outra falta de presença ocasional, todos os anos cá estamos. Especialmente desde o nascimento do meu &lt;strong&gt;sobrinho&lt;/strong&gt;, primeiro digno representante da nova geração da família, há pouco mais de 4 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, confesso que o Circo nunca me cativou por aí além. Nem quando era um puto reguila (mentira, que eu sempre fui um miúdo sossegadito). O &lt;strong&gt;único motivo&lt;/strong&gt; que me levava – e leva ainda hoje – ao circo são os graciosos e torneados &lt;strong&gt;corpos das &lt;em&gt;partenaires&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; dos artistas, a sua pujança a ameaçar rebentar pelas costuras os trajes ridiculamente justos. Porque, fora isso... pouco se safa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para começo de conversa, detesto números de &lt;strong&gt;animais amestrados&lt;/strong&gt;. Acho os leões demasiado indolentes, os répteis demasiado drogados, os cães demasiado patéticos, os macacos demasiado insultados, os ursos demasiado surrados, os elefantes demasiado doentes. E todos demasiado &lt;strong&gt;ridículos e infelizes&lt;/strong&gt;. Como o &lt;strong&gt;camelo&lt;/strong&gt; que, certa vez, me impingiram. Era a &lt;strong&gt;estrela mais brilhante&lt;/strong&gt; de toda a companhia nesse ano, apregoado aos sete ventos como a maior maravilha do mundo circense! Pois, na prática, o ruminante bicho, de bossas bambas, entrou no recinto, deu uma volta à pista e voltou a sair. E palmas para o camelo! (Palmas mas é para os &lt;em&gt;camelos&lt;/em&gt;, que pagaram bilhete para ver este logro descarado.) Noutra ocasião, tive a infelicidade de assistir a um número de gatos amestrados. “&lt;strong&gt;Gatos amestrados?!&lt;/strong&gt;” espantou-se a minha irmã, “Mas os gatos &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; se amestram!” Ah não que não se amestram! É colocá-los em situações de &lt;strong&gt;vida ou morte&lt;/strong&gt; e logo temos espectáculo! Uma corda pendurada ao alto, um gato aferrado à corda, ateia-se fogo à ponta inferior da corda e é ver o gato a trepar por ali acima feito Tarzan. E palmas para o bichano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estas e outras, o &lt;strong&gt;único&lt;/strong&gt; circo que eu admiro é o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.cirquedusoleil.com/"&gt;Cirque du Soleil&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. É o único que eu conheço que conseguiu restituir o fulgor às artes circenses pela integração de outras formas de arte performativa como a Dança, o Teatro e a Música, transcendendo o formato tradicional do Circo (adeus bicharada e adeus mestres de cerimónias irritantes) e transformando o todo num &lt;strong&gt;espectáculo total&lt;/strong&gt; que, este sim, vale muito a pena apreciar. E não só pelas gajas boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, tirando esta excepção à regra, a arte circense já não é o que era. O Circo, nos seus moldes tradicionais, &lt;strong&gt;morreu&lt;/strong&gt;. Há largo tempo que está bem morto (nem sei porque insistem em exumar, de ano a ano, o fedorento cadáver). No tempo dos nossos avós, sim, aquilo era outra coisa. Os artistas de circo eram considerados &lt;strong&gt;super-humanos&lt;/strong&gt;, devido às suas extraordinárias habilidades físicas e artísticas. Não é por acaso que o &lt;strong&gt;Super-Homem&lt;/strong&gt; usa as cuecas sobre os &lt;em&gt;collants&lt;/em&gt; – o seu uniforme (e o de tantos outros super-heróis) foi inspirado no vestuário dos artistas de circo, os &lt;strong&gt;verdadeiros&lt;/strong&gt; super-homens (e mulheres) dos anos 30. Porém, hoje em dia, habituados que estamos a todo o tipo de aptidões extraordinárias – do &lt;strong&gt;Matrix&lt;/strong&gt; ao &lt;strong&gt;Star Wars&lt;/strong&gt;, passando pelo &lt;strong&gt;Dragon Ball&lt;/strong&gt; –, &lt;strong&gt;quem&lt;/strong&gt; é que ainda fica de queixo caído perante um gajo coberto de maquilhagem e purpurinas, vestido de &lt;em&gt;collants&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;maillot&lt;/em&gt; de lantejoulas, capaz de pôr uma perna às costas e coçar a orelha com o dedo grande do pé? Sejamos francos: para ver coisas destas não preciso ir ao circo. Basta-me ver na televisão (ou na Internet) um &lt;em&gt;videoclip&lt;/em&gt; do &lt;strong&gt;Marilyn Manson&lt;/strong&gt;, que fico muito bem servido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso afirmo que o Circo morreu. E não admira. De facto, quem precisa do circo, quando o mundo real já tem muito de Circo, com super-heróis, palhaços e aberrações para todos os gostos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-4717502614132844180?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/4717502614132844180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=4717502614132844180&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/4717502614132844180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/4717502614132844180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/12/vamos-ao-circo.html' title='VAMOS AO CIRCO!'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-4320829578822690794</id><published>2006-11-26T21:01:00.000Z</published><updated>2008-12-09T10:01:30.360Z</updated><title type='text'>REQUIESCAT IN PACE JUANITA</title><content type='html'>A minha Juanita &lt;strong&gt;morreu&lt;/strong&gt;. Pior que isso, a minha bela Juanita morreu por &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt; culpa. Fui descuidado e deixei-a cair. Partiu o pescoço. Não voltará a cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quase trinta anos de existência, nunca tive qualquer formação musical – exceptuando, é claro, os dois anos de &lt;strong&gt;Educação Musical&lt;/strong&gt; na Escola Preparatória (dos quais restaram, se tanto, alguns rudimentos de notação musical). Nunca soube tocar nenhum instrumento musical e sempre encarei isso como uma enorme &lt;strong&gt;lacuna&lt;/strong&gt; na minha formação pessoal. Então, há cerca de um ano atrás, apostado em colmatar essa falha, decidi finalmente inscrever-me numa Escola de Música, para aprender a tocar &lt;strong&gt;guitarra clássica&lt;/strong&gt;. Teria preferido a &lt;strong&gt;bateria&lt;/strong&gt;, mas a mensalidade era mais alta, além da aula semanal ser mais curta, portanto, optei pela guitarra (mas não desisti da bateria – é um projecto que fica para segundas núpcias). Foi assim que conheci aquele que acabou por se tornar um dos meus melhores amigos actualmente: &lt;strong&gt;The Most Unspeakable Creature&lt;/strong&gt;, o meu professor de guitarra (um puto simpático e entusiástico cerca de &lt;strong&gt;dez anos&lt;/strong&gt; mais novo que eu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante sensivelmente o primeiro mês de aulas, enquanto não me decidia a comprar uma guitarra, andei a averiguar entre os meus amigos se algum me cedia uma, para eu poder praticar fora das aulas. Não tive qualquer sucesso. Mesmo aqueles que tinham &lt;strong&gt;duas e três&lt;/strong&gt; guitarras – entre clássicas e eléctricas – inventavam as desculpas mais esfarrapadas para se escusarem ao meu pedido. Logo cheguei à conclusão que a guitarra estava incluída no rol de coisas que não se emprestam nem ao melhor amigo, logo depois da &lt;strong&gt;escova-de-dentes&lt;/strong&gt; e da &lt;strong&gt;namorada&lt;/strong&gt;. Foi então que me decidi. Visitei algumas lojas, averiguei preços e comprei-a: a minha bela &lt;strong&gt;Admira® Juanita&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Ra4tu1Mym-I/AAAAAAAAAAw/Fj3dSSFGuLQ/s1600-h/Admira+Juanita.jpg"&gt;&lt;img style="margin:0px auto 10px; cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Ra4tu1Mym-I/AAAAAAAAAAw/Fj3dSSFGuLQ/s320/Admira+Juanita.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tampo em pinheiro-do-Oregon, as ilhargas e o fundo em sapelli, o braço em mogno africano, a escala e o cavalete em ovengkol, os carrilhões de afinação niquelados, umas curvas femininas extremamente sensuais e uma voz cheia, clara e vibrante, a bela Juanita deixou-me completamente rendido ao seu &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.admira.es/"&gt;charme espanhol&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; desde o primeiro momento em que a soube &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt;. Além das suas qualidades físicas, ela sempre teve um grande &lt;strong&gt;valor sentimental&lt;/strong&gt; associado, pois simbolizou a minha iniciação no mundo da Música. Ela marca o ponto de viragem que divide a minha existência em dois períodos: &lt;strong&gt;a.M.&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;d.M.&lt;/strong&gt; (antes e depois da Música). Esteve comigo desde as minhas primeiras notas, os meus primitivos acordes. Aprendi com ela, evoluí com ela. E guardava a ideia romântica de a ter comigo para &lt;strong&gt;toda a vida&lt;/strong&gt; e poder dizer aos meus netos, quando fosse já velhinho (rebarbado, como o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/b/bd/Muten-Rôshi_photo.jpg/200px-Muten-Rôshi_photo.jpg"&gt;Tartaruga Genial&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;), que tinha sido com ela que tudo tinha começado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enfim, não estava destinado. Por isso, aqui fica a digna &lt;strong&gt;homenagem&lt;/strong&gt; à minha bela Juanita. Se é verdade que guitarras há muitas, não o é menos que a carga simbólica associada a um objecto pode potenciar a sua importância para além do valor material. Para os outros, é apenas um bocado de madeira, facilmente substituível. Mas, para mim, além de tudo o que referi atrás, representa sobretudo a confirmação de que uma pessoa nunca é velha demais para perseguir os seus sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-4320829578822690794?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/4320829578822690794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=4320829578822690794&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/4320829578822690794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/4320829578822690794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/11/requiescat-in-pace-juanita.html' title='&lt;em&gt;REQUIESCAT IN PACE&lt;/em&gt; JUANITA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Ra4tu1Mym-I/AAAAAAAAAAw/Fj3dSSFGuLQ/s72-c/Admira+Juanita.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-264261436749512151</id><published>2006-10-21T16:05:00.000+01:00</published><updated>2008-12-09T10:01:30.631Z</updated><title type='text'>O PIRATA JACARÉ</title><content type='html'>Estou de regresso a Lisboa, após um total de &lt;strong&gt;142 horas de navegação&lt;/strong&gt;, traduzidas em &lt;strong&gt;510 milhas percorridas&lt;/strong&gt; em &lt;strong&gt;4 dias de viagem&lt;/strong&gt; a bordo do “&lt;a href="http://www.marinha.pt/creoula/"&gt;Creoula&lt;/a&gt;” (mais dois dias de estada em Cádiz).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da viagem curta, foi uma semana muito intensa, em que tive a oportunidade de viver como um &lt;strong&gt;verdadeiro marinheiro&lt;/strong&gt;. Dormitei no convés, feito um lagartão ao Sol; auxiliei o Oficial de Quarto na ponte, aborrecendo-o com perguntas idiotas sobre a navegação do navio; dormi num catre estreito, partilhando a camarata com outros 20 marmanjos; puxei o lustro aos “&lt;strong&gt;amarelos&lt;/strong&gt;” (elementos de latão de que são feitas diversas peças do navio, desde o resguardo da bússola magnética aos corrimões, alguns puxadores e muitas malaguetas); lavei panelões na cozinha, e partilhei o meu semi-digerido almoço de massinha de peixe com os golfinhos do Atlântico; aprendi a laçar uma quantidade imensa de nós (e já os esqueci todos); tomei banho numa cabine de ducha dançante; dei uma mãozinha no leme; fiquei uma hora de vigia, à clemência da chuva e do vento da madrugada, sentado na retranca da polaca (é uma &lt;strong&gt;vela&lt;/strong&gt;, não uma gaja), sobre o casinhoto da máquina do ferro; voltei a polir “amarelos;” lancei uma &lt;strong&gt;nova moda&lt;/strong&gt;, ao calçar um All Star® &lt;strong&gt;de cada cor&lt;/strong&gt; (pois o pé direito ficara ensopado durante a escovagem do convés, nas limpezas da manhã); e ainda tive tempo para enviar uma carta ao meu &lt;strong&gt;amigo secreto&lt;/strong&gt;. E tudo isto só na viagem &lt;strong&gt;de ida&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E na volta? Limpei as zonas comuns da coberta, dançando com a esfregona na camarata masculina; lustrei mais “amarelos” (por esta altura, até já dava &lt;em&gt;workshops&lt;/em&gt; de limpeza de “amarelos”); estive de servido no rancheiro, a lavar loiça e a servir refeições (e por pouco não regurgitei os filetes do jantar no mesmo prato em que comi); voltei a escrever ao meu amigo secreto (e a outros &lt;strong&gt;não tão secretos&lt;/strong&gt;); participei na faina geral de mastros, a puxar cabos para içar as velas do navio (para ganhar estabilidade no temporal); uivei ao vento, empoleirado no gurupés com outros dois, a gozar o carrossel improvisado pela ondulação e a apanhar com as ondas no focinho, até um dos oficiais nos repreender e acabar com a brincadeira parva; disse adeus aos golfinhos; voltei ao rancheiro, e aproveitei para surripiar dois talheres com a inscrição “&lt;strong&gt;Marinha de Guerra&lt;/strong&gt;” (&lt;em&gt;souvenirs&lt;/em&gt; de viagem); ajudei na concepção e construção de um &lt;strong&gt;colete salva-vidas artesanal&lt;/strong&gt;; atulhei o meu amigo secreto de cartas; voltei à faina geral de mastros, na incipiente madrugada da última noite, puxando cabos e ferrando o pano do contra-traquete, açoitado pela chuva e pelo vento no alto do casinhoto, com risco de cair e partir os costados nos dóris, estacionados logo abaixo; e enchi a pança com &lt;strong&gt;pão com chouriço&lt;/strong&gt; na última ceia, já completamente adaptado ao balanço do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mau tempo que apanhámos na viagem de regresso empurrou-nos de tal modo para o destino que acabámos por passar essa última noite já fundeados na foz do Tejo, frente à &lt;strong&gt;Praça do Comércio&lt;/strong&gt;. Foi magnífico acordar na última manhã e ser presenteado com a majestosa imagem de Lisboa vista do Tejo, não obstante o tempo tristonho e chuvoso. Eram 10:00h de sexta-feira, 20 de Outubro, quando o “Creoula” atracou finalmente na &lt;strong&gt;Base Naval do Alfeite&lt;/strong&gt;, em Almada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o ano há mais. Pelo menos, os meus companheiros de aventura mostraram muito entusiasmo em organizar &lt;strong&gt;outra viagem&lt;/strong&gt; para o próximo ano. Até &lt;strong&gt;Barcelona&lt;/strong&gt;. É tentador... Vamos a ver se pega. Até lá, bom, vou fazendo por me acostumar de novo à &lt;strong&gt;vida em terra&lt;/strong&gt;. É que o meu metabolismo habituou-se &lt;strong&gt;mesmo&lt;/strong&gt; à ondulação do mar! Esta manhã, ao acordar, julguei estar de volta ao “Creoula,” pois a cama não parava de balançar! E quando me levantei, para proceder às abluções matinais, não consegui evitar caminhar aos zigue-zagues pelo corredor afora. Toda a casa ondeava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi divertido à brava! Vou encarar isto como a minha iniludível consagração como marinheiro. E assim, confirmada que está a minha costela de pirata, aqui apresento a minha &lt;strong&gt;bandeira pessoal&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rae4vlMym9I/AAAAAAAAAAk/I_ey-B-9SZM/s1600-h/Jolly+Jack.jpg"&gt;&lt;img style="margin:0px auto 10px; cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rae4vlMym9I/AAAAAAAAAAk/I_ey-B-9SZM/s320/Jolly+Jack.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5019183437306829778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamo-lhe &lt;strong&gt;Jolly Jack&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Yar, matey!&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-264261436749512151?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/264261436749512151/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=264261436749512151&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/264261436749512151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/264261436749512151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/10/o-pirata-jacar.html' title='O PIRATA JACARÉ'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rae4vlMym9I/AAAAAAAAAAk/I_ey-B-9SZM/s72-c/Jolly+Jack.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-5162875999079047818</id><published>2006-10-17T21:49:00.000+01:00</published><updated>2008-12-09T10:01:30.775Z</updated><title type='text'>N.T.M. “CREOULA”</title><content type='html'>Após dois dias de viagem por mar, a bordo do “&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.marinha.pt/creoula/"&gt;Creoula&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;,” chegada a &lt;strong&gt;Cádiz&lt;/strong&gt;, às 10:00h de segunda-feira, 16 de Outubro. O “Creoula” é um veleiro, mais precisamente um lugre de quatro mastros. Com 36,0 m de altura por 67,4 m de comprimento de fora a fora e envergando pano latino em todos os mastros, o navio foi construído no início de 1937 (o que significa que tem &lt;strong&gt;69 anos&lt;/strong&gt; de idade!) e lançado à água a 10 de Maio desse mesmo ano, realizando ao todo &lt;strong&gt;37 campanhas&lt;/strong&gt; de pesca de bacalhau nos mares gelados da &lt;strong&gt;Terra Nova&lt;/strong&gt; e da &lt;strong&gt;Gronelândia&lt;/strong&gt; até 1973.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram tempos lixados, esses. Cada campanha durava cerca de &lt;strong&gt;seis meses&lt;/strong&gt;, em que os pescadores permaneciam isolados em mares inóspitos e gelados, longe de casa e da família. O dia de trabalho do pescador de bacalhau durava &lt;strong&gt;vinte horas&lt;/strong&gt; (!), parte passado na pesca à linha, no &lt;strong&gt;dóri&lt;/strong&gt; (pequena embarcação individual de fundo chato) – com o risco constante de se perder no mar, devido aos nevoeiros repentinos –, e parte passado de volta ao navio-mãe, na árdua tarefa de &lt;strong&gt;escalar e salgar&lt;/strong&gt; o bacalhau. E, para cúmulo, durante todos esses meses, só se comia... &lt;strong&gt;bacalhau&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após sair de actividade, o navio foi recuperado e, em 1987, entregue ao Ministério da Defesa Nacional e classificado como &lt;strong&gt;Navio de Treino de Mar&lt;/strong&gt; (N.T.M.), “para apoio na formação de pescadores e possibilitar a vivência de jovens com o mar.” Durante o embarque, os instruendos (51 no máximo, fora o Director de Treino), orientados pela guarnição do navio (intencionalmente reduzida a menos de 40 elementos), têm a oportunidade de “participar activamente no dia-a-dia da vida a bordo de um grande veleiro e na sua condução em alto mar,” desempenhando “todas as &lt;strong&gt;tarefas da vida de bordo&lt;/strong&gt;, desde as de auxiliar directo do Oficial de Quarto a navegar até às inevitáveis limpezas diárias e aos trabalhos de copa e cozinha,” em quartos de trabalho de 4 horas, que alternam com períodos de descanso de 12 horas (bem diferente de antigamente, hã?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando surgiu a oportunidade de embarcar no “Creoula,” numa viagem de seis dias a Cádiz, não hesitei. Era uma experiência que eu &lt;strong&gt;não podia&lt;/strong&gt; deixar passar, a ocasião ideal para pôr à prova a &lt;strong&gt;costela de pirata&lt;/strong&gt; que eu sempre acreditei ter. Já me via a trepar aos mastros feito um lobo-do-mar sazonado e a escovar o convés com uma escova-de-dentes carcomida. Ah, a vida no mar! (Para meu desalento, logo no &lt;em&gt;briefing&lt;/em&gt; inicial, ainda antes de zarpar, foi comunicado que a subida aos mastros era &lt;strong&gt;proibida&lt;/strong&gt;. Desmancha-prazeres!) Não desmerecendo dos antigos marinheiros, a minha única apreensão era o &lt;strong&gt;enjoo&lt;/strong&gt;. Nunca fui de enjoar em quaisquer transportes, quer terrestres, aéreos ou marítimos (o barco para o Barreiro conta?), mas uma &lt;strong&gt;excepção&lt;/strong&gt;, ocorrida há mais de quatro anos numa visita à Berlenga, só não deu em gregório porque a viagem de barco foi &lt;strong&gt;curta&lt;/strong&gt;, apesar de galopante. Tive sorte. Ainda assim, decidi prescindir de comprimidos e &lt;a href="http://www.bastosviegas.com/medical/detalhe_fot.php?ler=1421&amp;cod_cat=58"&gt;pulseiras&lt;/a&gt; (!) contra o enjoo no “Creoula.” Que eu saiba, não consta que os piratas tomassem essas mariquices...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cedo descobri que &lt;strong&gt;toda a gente&lt;/strong&gt; enjoa no mar. Até os marinheiros (e os piratas). Assim, também eu tive o meu &lt;strong&gt;baptismo gregoriano&lt;/strong&gt;. Um jacto laranja do que tinha sido o almoço de massinha de peixe, despejado para o Atlântico, logo no &lt;strong&gt;segundo dia&lt;/strong&gt; de viagem. Depois aprendi. Evitar alimentos de demorada digestão, evitar encher demasiado a pança – ou andar com ela vazia (sempre é melhor vomitar &lt;strong&gt;comida&lt;/strong&gt;, do que regurgitar &lt;strong&gt;bílis&lt;/strong&gt;). E recolher ao beliche sempre que me sentia mais agoniado (deitado, o balanço do mar não enjoa, &lt;strong&gt;embala&lt;/strong&gt;. É um mimo!). Entretanto, o meu corpo deve ter-se habituado, porque, mesmo em terra firme, sinto-me como se estivesse em pleno alto mar. Tenho o sentido de equilíbrio todo desregulado. É divertido à brava!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirando esse episódio, a viagem fez-se bem. Ontem aproveitei para passear pela cidade de Cádiz, mas confesso que o burgo não me cativa por aí além. Talvez seja do tempo cinzento e chuvoso, mas acho estes espanhóis do sul muito sorumbáticos. E &lt;strong&gt;feios&lt;/strong&gt;. Nada a ver com &lt;em&gt;las españolitas muy guapas&lt;/em&gt; que pululavam por &lt;strong&gt;Santiago de Compostela&lt;/strong&gt;, aquando da minha &lt;a href="http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/06/santiago-de-compostela.html"&gt;última visita&lt;/a&gt;, há dois anos. Ou com &lt;em&gt;les mignonnes filles françaises&lt;/em&gt; que encontrei às pazadas em &lt;strong&gt;Montpellier&lt;/strong&gt;, no ano passado (a propósito, &lt;strong&gt;Flogger&lt;/strong&gt;, temos que lá voltar. “&lt;strong&gt;L’ Enchanthé&lt;/strong&gt;” – e as &lt;strong&gt;gémeas&lt;/strong&gt; – esperam por nós!). Seja como for, a cidade não deixa de ser bonita quando observada &lt;strong&gt;do alto&lt;/strong&gt;, como se pode comprovar pela foto abaixo, tirada da recém-restaurada &lt;strong&gt;Torre de Poniente&lt;/strong&gt;, na &lt;strong&gt;Catedral de Cádiz&lt;/strong&gt;. Procurando bem, vêem-se no canto superior direito os quatro esbeltos mastros do “Creoula,” atracado no porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rae4OVMym8I/AAAAAAAAAAY/Nxq97PksrKk/s1600-h/Torre+de+Poniente+(Catedral+de+C%C3%A1diz)+-+Vista+Norte.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rae4OVMym8I/AAAAAAAAAAY/Nxq97PksrKk/s400/Torre+de+Poniente+(Catedral+de+C%C3%A1diz)+-+Vista+Norte.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5019182866076179394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Preparo-me agora para deixar Cádiz. Zarpamos amanhã de manhã e tudo indica que vamos apanhar &lt;strong&gt;mau tempo&lt;/strong&gt; no regresso a Lisboa. A médica de bordo já alertou toda a gente para começar a tomar os comprimidos para o enjoo esta mesma noite. Mas eu decidi &lt;strong&gt;ignorar&lt;/strong&gt; o aviso. Há quem me ache &lt;strong&gt;corajoso&lt;/strong&gt; e quem me ache &lt;strong&gt;inconsciente&lt;/strong&gt;. A todos digo: “Se enjoar, enjoei. Se vomitar, vomitei. Mas quero viver esta experiência com &lt;strong&gt;tudo&lt;/strong&gt; a que tenho direito. &lt;em&gt;Hardcore.&lt;/em&gt;” Ademais, acredito que o meu metabolismo é capaz de se adaptar à vida no mar &lt;strong&gt;sem&lt;/strong&gt; a ajuda de drogas e estou disposto a prová-lo. Daqui a três dias saberei a resposta. Desejem-me boa viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-5162875999079047818?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/5162875999079047818/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=5162875999079047818&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/5162875999079047818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/5162875999079047818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/11/ntm-creoula.html' title='N.T.M. “CREOULA”'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_V4L4YgI4NmI/Rae4OVMym8I/AAAAAAAAAAY/Nxq97PksrKk/s72-c/Torre+de+Poniente+(Catedral+de+C%C3%A1diz)+-+Vista+Norte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-116532608179648467</id><published>2006-10-14T08:30:00.000+01:00</published><updated>2007-02-08T01:19:52.641Z</updated><title type='text'>E EU ESTOU LÁ!</title><content type='html'>“Se queres uma experiência nova, viver a bordo de um navio, adquirir conhecimentos sobre o mar, &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.marinha.pt/creoula/"&gt;EMBARCA NESTA AVENTURA&lt;/a&gt;...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/82/355/1600/91911/Aventura%20Creoula.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/82/355/400/361100/Aventura%20Creoula.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os participantes são integrados na guarnição do navio, onde deverão desempenhar as tarefas diárias da vida a bordo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;vigilância,&lt;br /&gt;leme,&lt;br /&gt;confecção do rancho,&lt;br /&gt;limpeza,&lt;br /&gt;manutenção do material,&lt;br /&gt;assistência e auxílio na condução de motores,&lt;br /&gt;operação de equipamentos electrónicos,&lt;br /&gt;etc.&lt;/strong&gt;”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-116532608179648467?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/116532608179648467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=116532608179648467&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116532608179648467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116532608179648467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/10/e-eu-estou-l.html' title='E EU ESTOU LÁ!'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-116532528819740398</id><published>2006-10-13T19:22:00.000+01:00</published><updated>2007-02-08T01:23:49.920Z</updated><title type='text'>PLANETA DORME</title><content type='html'>O segundo caso exemplificativo da espantosa &lt;strong&gt;falta de profissionalismo&lt;/strong&gt; que grassa no mundo do trabalho neste nosso país é tão cómico que toca as raias do absurdo. Se acaso o leitor está minimamente integrado no mundo da dança em Lisboa, certamente já ouviu falar da associação &lt;strong&gt;Planeta Dança&lt;/strong&gt;, responsável pela &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.1001dancas.org/"&gt;Escola das 1001 Danças&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, sediada no &lt;a href="http://www.ateneulisboa.pt/site/main.asp"&gt;Ateneu Comercial de Lisboa&lt;/a&gt; (Rua das Portas de Santo Antão, 110). Esta escola, como o próprio nome indica, orgulha-se de apresentar uma gama de aulas dos mais diversos estilos de dança. Do Tango Argentino à Salsa, das Danças de Salão ao Hip-Hop, das Danças Orientais às Africanas, das Danças Europeias às Brasileiras, não há dúvida que eles oferecem um &lt;strong&gt;planeta de dança&lt;/strong&gt; a quem o queira descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cérebro por trás desta iniciativa é um gordalhão desgrenhado e antipático chamado &lt;strong&gt;Joaquim Ambrósio&lt;/strong&gt; (ele há pais com um sentido de humor lixado), mais conhecido no mundo artístico por &lt;strong&gt;Kim&lt;/strong&gt; (como se imagina, o K é uma tentativa – gorada – de dar um certo estilo a um diminutivo banal. O resultado é um nome de &lt;strong&gt;gaja&lt;/strong&gt;. Que ideia infeliz. Mais valia ter assumido o Q, que até tem mais a ver com a figura, digamos, &lt;strong&gt;rotunda&lt;/strong&gt; da personagem). A sua notável pança, que, desconfio, apenas os suspensórios impedem que se derrame, espapaçada, no chão, é uma implícita afirmação de que este Kim &lt;strong&gt;é&lt;/strong&gt;, sem dúvida, &lt;strong&gt;o próprio&lt;/strong&gt; Planeta Dança. O planeta &lt;strong&gt;inteiro&lt;/strong&gt;. Ora, tal como o grotesco bandulho do homem, a associação tem vindo a crescer bastante, afirmando-se actualmente como uma referência de vulto na área da dança em Lisboa. Como consequência, atravessa actualmente um período de &lt;strong&gt;reestruturação&lt;/strong&gt; e, por esse motivo, está a recrutar colaboradores (em regime de voluntariado ou então não) para diversas áreas – de administração, dança, &lt;em&gt;design&lt;/em&gt; e informática. Logo que tomei conhecimento do facto, enviei o meu &lt;em&gt;curriculum vitae&lt;/em&gt;, apresentando-me disponível – e experiente – em mais que uma área. &lt;em&gt;Et voilà!&lt;/em&gt; Na segunda-feira passada, recebi um telefonema do Sr. Planeta Dança &lt;em&gt;himself&lt;/em&gt; e marcámos uma reunião para o dia seguinte. &lt;strong&gt;Em sua casa.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia aprazado, sou recebido por um amarrotado Joaquim Ambrósio que parece ter despertado no preciso momento em que eu toquei à porta – apesar de eu ter ligado meia hora antes a confirmar o encontro. Enverga uma camisa vasta como uma &lt;strong&gt;tenda&lt;/strong&gt; (daquelas iglu, para 4 pessoas) e está descalço. Cumprimenta-me com o telemóvel colado à orelha, falando no seu característico tom inexpressivo e económico e, sem me consignar sequer um segundo olhar, deixa-me especado no vestíbulo, enquanto passarinha pela casa, numa tentativa vã de pôr ordem no desmazelo reinante. Quinze minutos depois, quando eu já começo a acreditar ter-me tornado &lt;strong&gt;invisível&lt;/strong&gt;, o repolhudo homem parece ter finalmente encontrado as condições ideais para iniciar a reunião. Após quase uma hora de conversa (muito interrompida por constantes telefonemas), fico a saber que o rechonchudo está cansado de carregar sozinho o planeta no bucho e precisa de repartir o fardo. Ou melhor, precisa de quem faça o &lt;strong&gt;trabalho braçal&lt;/strong&gt;, para ele se dedicar apenas à &lt;strong&gt;supervisão&lt;/strong&gt;. Precisa de quem organize a papelada, desenvolva novos projectos e divulgue as actividades, gira contactos, monte uns computadores, desenhe uns cartazes e trate do &lt;em&gt;site&lt;/em&gt;, dê umas aulitas de dança e alombe com uns caixotes se necessário for. Tudo por uma &lt;strong&gt;quantia módica&lt;/strong&gt;, que os fundos são escassos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora eu não estou propriamente interessado em trabalhar por amor à camisola (ainda que a dita cuja albergue 4 pessoas, mais mochilas). Afinal, o primeiro passo para uma pessoa ver o seu trabalho valorizado é &lt;strong&gt;fazer-se pagar&lt;/strong&gt; por ele. Mas sempre quero ver até onde é que isto vai. Pois qual não é o meu espanto quando, esgotado o latim do adiposo indivíduo e após alguns bocejos de fazer corar um leão marinho, o gordimamas &lt;strong&gt;adormece&lt;/strong&gt; à minha frente! Em plena entrevista! Só faltou ressonar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É escusado dizer que fugi dali assim que pude. Se já antes eu não gramava o seboso tipo, agora ainda tenho uma imagem mais &lt;strong&gt;gordurosa&lt;/strong&gt; dele. O gajo que me perdoe. Admiro o trabalho que ele desenvolve na área da dança, a sério, mas &lt;strong&gt;não quero&lt;/strong&gt; trabalhar com ele. Ele, no entanto, disse que me ligava. Já passaram três dias e ainda nada. Rezo para que tenha &lt;strong&gt;perdido&lt;/strong&gt; o meu contacto...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-116532528819740398?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/116532528819740398/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=116532528819740398&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116532528819740398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116532528819740398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/10/planeta-dorme.html' title='PLANETA DORME'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-116532481706169360</id><published>2006-10-13T17:13:00.000+01:00</published><updated>2006-12-05T13:21:43.836Z</updated><title type='text'>VIDA DE PROFESSOR... NOT!</title><content type='html'>Quanto mais me embrenho no mundo do trabalho, mais me apercebo da inacreditável &lt;strong&gt;falta de profissionalismo&lt;/strong&gt; que grassa por esse país afora. Nesta última semana, passei por &lt;strong&gt;duas&lt;/strong&gt; situações que ilustram bem a minha afirmação e que me permito partilhar com o paciente leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da semana passada, fui contactado por uma associação (que irá permanecer anónima) para dar &lt;strong&gt;aulas de Inglês&lt;/strong&gt; no 1.º Ciclo do Ensino Básico. Os meus conhecimentos de Inglês são equivalentes ao grau &lt;strong&gt;Proficiency&lt;/strong&gt; de Cambridge (é o mais alto, &lt;em&gt;baby&lt;/em&gt;!), mas o meu certificado, infelizmente, não é reconhecido pelo Ministério da Educação, o que me incapacita para o cargo de professor. Porém, a tal associação está mesmo à rasca com falta de professores e aceita-me com a condição que eu rectifique a situação o mais rapidamente possível, ou seja, realizando o exame correspondente no &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.britishcouncil.org/portugal.htm"&gt;British Council&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, que me conferirá a qualificação necessária. “E começas a dar aulas na próxima &lt;strong&gt;segunda-feira&lt;/strong&gt;.” Até perco o fôlego. “Segunda-feira?! Mas... hoje é &lt;strong&gt;sexta&lt;/strong&gt;! Eu nunca dei aulas de Inglês! Nem sei por onde começar...” &lt;em&gt;Not a problem.&lt;/em&gt; “Nós damos-te &lt;strong&gt;formação&lt;/strong&gt;. Podemos segurar as coisas por &lt;strong&gt;dois ou três dias&lt;/strong&gt;, até tu estares preparado.” Ena! Dão-me esse tempo &lt;strong&gt;todo&lt;/strong&gt; para me preparar? Estou muito mais descansado. É que já começava a sentir-me como se me fossem atirar &lt;strong&gt;nu&lt;/strong&gt; aos leões. Mas afinal não. Afinal tenho um &lt;strong&gt;palito&lt;/strong&gt; para me defender. Fixe. Assim sendo, sou posto em contacto com a pessoa responsável pela formação, com a qual acerto o horário das aulas, e que me marca uma reunião para segunda-feira com os outros professores. Em &lt;strong&gt;Santa Iria de Azóia&lt;/strong&gt;, concelho de &lt;strong&gt;Loures&lt;/strong&gt;. E é assim que eu descubro &lt;strong&gt;onde&lt;/strong&gt; vou trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia aprazado, assim que chego à reunião (após mais de &lt;strong&gt;duas horas&lt;/strong&gt; em transportes públicos), passam-me o meu &lt;em&gt;dossier&lt;/em&gt; de professor para as mãos com a seguinte informação: “Tu vais ficar na Escola n.º 5. Sabes onde é? Tens aula às 16:30h.” Digo-lhes que deve haver um engano e explico-lhes a minha situação. Estão surpreendidos: “Porque não avisaste logo que ainda precisas de receber formação?” “Foi a &lt;strong&gt;primeira coisa&lt;/strong&gt; que fiz,” replico eu. “Agora, se essa informação não chegou até aqui, é &lt;strong&gt;outro&lt;/strong&gt; problema.” Pedem-me um momento. E, após um curto telefonema: “Tens razão. Desculpa lá esta confusão. Isto tem andado um caos. Hoje começam as aulas e temos tido professores a ligar-nos &lt;strong&gt;hoje&lt;/strong&gt; a dizer para &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; contarmos com eles. Aqueles que ligam, claro...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa mesma noite, telefonam-me para averiguar da minha disponibilidade para &lt;strong&gt;outro&lt;/strong&gt; horário. Recuso. E explico: “Eu gasto mais de &lt;strong&gt;três horas&lt;/strong&gt; em deslocações de ida e volta para Santa Iria. Não tenho disponibilidade para lá ir &lt;strong&gt;todos os dias&lt;/strong&gt; da semana para dar apenas &lt;strong&gt;uma hora&lt;/strong&gt; de aula. No horário acordado inicialmente, só vou &lt;strong&gt;três vezes&lt;/strong&gt; por semana, para dar sempre &lt;strong&gt;duas horas&lt;/strong&gt;. Assim, rentabilizo o meu tempo.” Do outro lado da linha, um choradinho: “Sabes, é que &lt;strong&gt;este&lt;/strong&gt; horário é que nos dava &lt;strong&gt;meeesmo&lt;/strong&gt; jeito...” Sou inflexível: “Para mim, &lt;strong&gt;esse&lt;/strong&gt; horário está &lt;strong&gt;fora de questão&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois, na quarta-feira passada, tinha agendado um encontro com a responsável pela formação. Uma hora antes do combinado, contacto-a. Ela parece confusa: “Tinham-me dito que já &lt;strong&gt;não estavas interessado&lt;/strong&gt;...” Digo que deve haver um engano e explico que não me interessa é o horário que me querem impingir. Ela pede-me um momento. E, pouco depois: “Desculpa, eu não sabia que o horário tinha sido alterado. Infelizmente, o horário antigo &lt;strong&gt;deixou de existir&lt;/strong&gt;. E, assim sendo...” “... Isto fica &lt;strong&gt;sem efeito&lt;/strong&gt;,” completo eu. “Até uma nova oportunidade,” remata ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso arrumado. E eu respiro de &lt;strong&gt;alívio&lt;/strong&gt;. Confesso que já me estava a irritar a (des)organização desta associação. Nem eles se entendem entre si! Imagino o que será trabalhar nestes moldes... Enfim, tudo está bem quando acaba bem (para &lt;strong&gt;mim&lt;/strong&gt;). A minha vontade de ir trabalhar para Loures era &lt;strong&gt;mínima&lt;/strong&gt; e duvido que o ordenado – que não foi sequer mencionado! – compensasse. Não me admira nada que os outros professores tenham decidido abandonar &lt;strong&gt;em massa&lt;/strong&gt; o navio...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-116532481706169360?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/116532481706169360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=116532481706169360&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116532481706169360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116532481706169360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/10/vida-de-professor-not.html' title='VIDA DE PROFESSOR... &lt;em&gt;NOT!&lt;/em&gt;'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-116286172684087127</id><published>2006-10-08T15:02:00.000+01:00</published><updated>2006-11-07T01:08:46.866Z</updated><title type='text'>OS RICOS E OS POBRES</title><content type='html'>Almoço em casa da minha doce namorada. Na televisão, após a emissão das notícias, estreia o novo &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt; da TVI: “&lt;strong&gt;Pedro, o Milionário&lt;/strong&gt;.” Aqui, um betinho qualquer é transformado em &lt;strong&gt;milionário&lt;/strong&gt;, com direito a &lt;strong&gt;herdade&lt;/strong&gt; com terras a perder de vista, um enorme &lt;strong&gt;solar&lt;/strong&gt; ao fundo de uma alameda arborizada, &lt;strong&gt;cavalos&lt;/strong&gt; de raça e &lt;strong&gt;carro desportivo&lt;/strong&gt;, um &lt;strong&gt;mordomo&lt;/strong&gt; cheio de &lt;em&gt;spleen&lt;/em&gt; e ainda aulas de &lt;strong&gt;dança&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;equitação&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;etiqueta e boas maneiras&lt;/strong&gt;, para ensinar o menino bem a comportar-se na sua nova pele de menino rico. A sua missão é escolher &lt;strong&gt;uma princesa&lt;/strong&gt; – que o ame por quem é e não pelo seu dinheiro – de entre um grupo de &lt;strong&gt;14 pretendentes&lt;/strong&gt; seleccionadas pela produção. Elas, contudo, não fazem ideia que ele é um príncipe encantado &lt;strong&gt;fajuto&lt;/strong&gt;, de fabricação televisiva. Estão lá para viver um conto de fadas &lt;strong&gt;na pele&lt;/strong&gt; (com direito a &lt;strong&gt;&lt;em&gt;jackpot&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; a rivalizar o Euro Milhões, pois claro). No final, porém, o nosso príncipe de pechisbeque terá de revelar toda a verdade à sua escolhida. Nessa altura, saberemos se o poder do amor suplanta o dinheiro e a mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É notório como o canal televiso está apostado em vender um verdadeiro &lt;strong&gt;conto de fadas&lt;/strong&gt;, com direito a todos os melosos &lt;em&gt;clichés&lt;/em&gt; da praxe. Logo o comprova a cena em que as candidatas a princesa são recebidas à chegada à mansão pelo solteirão mais apetecível da TVI. Imaginem isto: elas, expectantes, graciosamente dispostas frente à imponente fachada do solar, quando surge o distinto rapaz, ao dorso do seu &lt;strong&gt;nobre corcel&lt;/strong&gt;, a trote pela alameda acima, emoldurado pela viçosa folhagem do arvoredo e com honras de acção reproduzida em câmara lenta e banda sonora épica de &lt;strong&gt;galã de telenovela venezuelana&lt;/strong&gt;. Eu lanço uma imprecação de incredulidade – a manipulação é tão &lt;strong&gt;descaradamente óbvia&lt;/strong&gt; que toca as raias do &lt;strong&gt;ofensivo&lt;/strong&gt;! No entanto, para minha maior incredulidade (ou talvez não), logo os corações das meninas se derretem! Algumas confessam-se mesmo &lt;strong&gt;extasiadas&lt;/strong&gt; perante a sublime imagem. Pela minha parte, não tenho dúvidas: as mulheres são enganadas pelos homens &lt;strong&gt;porque querem&lt;/strong&gt;. E ainda dizem que “&lt;em&gt;money can’t buy love&lt;/em&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após aquilo que constitui a primeira prova das meninas, chega a fatídica hora da primeira &lt;strong&gt;eliminatória&lt;/strong&gt;. A tarefa do delicado príncipe é escolher 9 meninas do grupo de pretendentes para prosseguir para a fase seguinte. Como bons telespectadores que somos, a minha namorada e eu vamos dando as nossas opiniões sobre quem achamos que fica ou salta fora. “Esta tem &lt;strong&gt;cara de drogada&lt;/strong&gt;; já foste.” “Esta tem um &lt;strong&gt;sorriso simpático&lt;/strong&gt;; fica.” “Esta é esquelética e tem &lt;strong&gt;ar de sonsa&lt;/strong&gt;; adeus.” “Esta é bem &lt;strong&gt;gira&lt;/strong&gt;; fica.” “Mas esta é feia; salta.” E depois, reparando melhor, “Afinal, não. Tem um belo &lt;strong&gt;par de mamas&lt;/strong&gt;; fica.” A minha namorada mostra-se chocada: “O quê?! &lt;strong&gt;Só&lt;/strong&gt; porque tem um bom par de mamas, fica?!” Eu justifico: “&lt;strong&gt;Por si só&lt;/strong&gt;, o par de mamas não a leva até à final, mas para passar a primeira eliminatória é &lt;strong&gt;mais que suficiente&lt;/strong&gt;. Além disso, há lá outras gajas &lt;strong&gt;piores&lt;/strong&gt;. Fica.” Ficou. E, curiosamente as minhas previsões acertaram, de um modo geral, na &lt;em&gt;mouche&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito da selecção de parceiras amorosas, refiro casualmente o sistema por mim desenvolvido para o mesmo fim, exposto no texto intitulado “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/let-games-begin.html"&gt;Let The Games Begin&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;,” de 13 de Outubro de 2004 (que convido agora o leitor a reler), explicando por alto a sua estrutura à minha namorada. “Ah, mas comigo tu não fizeste nada disso,” comenta ela, com um sorriso. “Isso é o que tu pensas,” digo eu. “O quê?!” O seu sorriso esvaece. “Mas tu nunca viste nenhuma foto minha em &lt;strong&gt;biquini&lt;/strong&gt;, por exemplo!... Bem, a verdade é que não precisaste, porque me viste de biquini &lt;strong&gt;na praia&lt;/strong&gt;... E, sim, antes de começarmos a namorar, saímos juntos bastantes vezes, com os meus amigos, com os teus, a sós... Ah! Seu &lt;strong&gt;sacana&lt;/strong&gt;! Afinal já tinhas &lt;strong&gt;tudo programado&lt;/strong&gt; desde o princípio! E eu não dei por nada!” Eu rio-me. No campo da sedução amorosa, um gajo tem que proceder sempre como quem &lt;strong&gt;não quer&lt;/strong&gt; a coisa. O sucesso da caçada depende todo da &lt;strong&gt;subtileza&lt;/strong&gt; do caçador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especialmente quando um gajo &lt;strong&gt;não tem&lt;/strong&gt; uma herdade com cavalos, criados e afins.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-116286172684087127?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/116286172684087127/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=116286172684087127&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116286172684087127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116286172684087127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/10/os-ricos-e-os-pobres.html' title='OS RICOS E OS POBRES'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-116241074569979683</id><published>2006-09-19T19:48:00.000+01:00</published><updated>2006-11-22T18:51:06.833Z</updated><title type='text'>O RISO DA ROSA</title><content type='html'>Decorre o ano de 1327. Numa abadia beneditina situada nos Alpes italianos reúnem-se em confronto os teólogos do &lt;strong&gt;Papa João XXII&lt;/strong&gt; e os representantes máximos da &lt;strong&gt;Ordem Franciscana&lt;/strong&gt;. O assunto em discussão é a pregação dos Franciscanos, que chamam a Igreja à &lt;strong&gt;pobreza evangélica&lt;/strong&gt; e à renúncia ao poder temporal, no que são apoiados pelo &lt;strong&gt;Imperador Luís II da Baviera&lt;/strong&gt;, que defende a separação entre Igreja e Estado e a subordinação daquela a este. Pelo seu lado, o ambicioso pontífice, interessado em manter a posição de poder e riqueza da Igreja, preconiza exactamente o contrário: uma Igreja monárquica, hierárquica e de poder divino, congregando em si a autoridade eclesiástica e civil. É na eminência do confronto teológico entre as duas potências que se desenrola “&lt;strong&gt;O Nome da Rosa&lt;/strong&gt;,” o aclamado romance de &lt;strong&gt;Umberto Eco&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história começa quando um monge franciscano inglês, &lt;strong&gt;Guilherme de Baskerville&lt;/strong&gt;, e o seu jovem aprendiz &lt;strong&gt;Adso de Melk&lt;/strong&gt;, um monge beneditino alemão, chegam à abadia italiana, no intuito de preparar a recepção às delegações eclesiásticas. À chegada, porém, Guilherme é imediatamente informado da recente e obscura &lt;strong&gt;morte&lt;/strong&gt; de um dos monges copistas e encarregado de investigar o sucedido. Esta é a primeira de &lt;strong&gt;sete&lt;/strong&gt; mortes que irão transtornar a abadia nos sete dias seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Guilherme, logo se torna aparente que a comunidade monacal se encontra &lt;strong&gt;dividida&lt;/strong&gt; entre aqueles a favor da &lt;strong&gt;livre circulação do conhecimento&lt;/strong&gt; e aqueles contra. De facto, a abadia assume-se como a orgulhosa detentora de uma das maiores e mais completas &lt;strong&gt;bibliotecas&lt;/strong&gt; da cristandade. Porém, o acesso a ela é interdito e mesmo a consulta à colecção é rigorosamente condicionada. Este ocultismo deve-se ao facto de aí estarem arquivados inúmeros compêndios escritos por autores pagãos, judeus e árabes, bem como diversos registos de heresias – leituras pouco adequadas ao leitor comum, sob pena de o influenciar com &lt;strong&gt;ideias subversivas&lt;/strong&gt;, levando-o, eventualmente, a contestar o dogmatismo religioso. &lt;strong&gt;Informação é Poder&lt;/strong&gt; e, para muitos, a maneira lógica de conservar o poder é reter a informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais perigoso de entre estes livros é o segundo volume da “&lt;strong&gt;Poética&lt;/strong&gt;” de &lt;strong&gt;Aristóteles&lt;/strong&gt;, onde o Sábio faz uma apologia do &lt;strong&gt;Riso&lt;/strong&gt; e suas virtudes. Apesar de julgado perdido o livro, isso não impede os estudiosos monges de discutir o tema. Guilherme e o velho cego &lt;strong&gt;Jorge de Burgos&lt;/strong&gt; defrontam-se em acaloradas discussões sobre a permissibilidade do riso e, enquanto Guilherme o encara como algo “próprio do homem, sinal da sua racionalidade” e meio de lidar com as vicissitudes da vida, Jorge define-o como “fonte de dúvida” e defende que o riso não deve ser livremente permitido aos “simples” como meio para afrontar a adversidade do dia-a-dia, sob pena de vir a ser usado como arma para desacreditar a própria Igreja. O riso aniquila o medo e “sem medo não pode haver fé.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É curioso como certas polémicas são intemporais. Numa esfera mais prosaica e muito mais contemporânea, o tema do Riso é um que me opõe ao meu pai há vários anos. Para ele, um &lt;strong&gt;homem &lt;/strong&gt;(a)&lt;strong&gt; sério&lt;/strong&gt; deve manter sempre uma imagem e uma posição sérias se quiser “&lt;strong&gt;vencer na vida&lt;/strong&gt;.” São constantes, ainda hoje, as suas críticas à minha apresentação e modo de vestir, à maneira como vivo a minha vida, indícios claros de que encaro o mundo demasiado &lt;strong&gt;levianamente&lt;/strong&gt;. Tal como Jorge de Burgos, o meu pai representa um modo de pensar preconceituoso que acredita que rir é próprio de indivíduos &lt;strong&gt;irreverentes e pouco fiáveis&lt;/strong&gt;. Indivíduos que insistem – inconsciente ou (pior ainda) conscientemente – em não compreender que a &lt;strong&gt;vida é dura&lt;/strong&gt; e não está para brincadeiras. Indivíduos que insistem em &lt;strong&gt;fugir&lt;/strong&gt; aos problemas e responsabilidades da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erro crasso. Rir, pelo contrário, é estar &lt;strong&gt;dolorosamente ciente&lt;/strong&gt; dos problemas e responsabilidades da vida. É estar &lt;strong&gt;mortalmente certo&lt;/strong&gt; da caducidade da vida. E saber que, perante a fatalidade, mais vale dar uma gargalhada e desdramatizar. É que, ao menos, não se ganham &lt;strong&gt;rugas&lt;/strong&gt; na testa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-116241074569979683?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/116241074569979683/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=116241074569979683&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116241074569979683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/116241074569979683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/09/o-riso-da-rosa.html' title='O RISO DA ROSA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115937902719914157</id><published>2006-08-06T00:41:00.000+01:00</published><updated>2006-10-20T13:34:03.970+01:00</updated><title type='text'>A MENINA DANÇA?</title><content type='html'>Saudações, caros amigos! Mesmo de férias e afastado do bulício e da canseira da vida quotidiana, este Jacaré não podia sair de cena sem reservar algum tempo para dedicar aos seus fiéis leitores. Assim sendo, cá estou eu para lhes falar, ainda e sempre, de &lt;strong&gt;mulheres&lt;/strong&gt; (como não podia deixar de ser). E, aproveitando a presente conjuntura, em que me vos dirijo directamente de &lt;strong&gt;Carvalhais&lt;/strong&gt;, em pleno &lt;strong&gt;Andanças&lt;/strong&gt; – o &lt;strong&gt;Festival Internacional de Danças Populares&lt;/strong&gt;, já na sua &lt;a href="http://www.pedexumbo.com/site2005/site_and06/andancas2006_home.htm"&gt;11.ª edição&lt;/a&gt; –, nada mais apropriado que falar também de... &lt;strong&gt;Dança&lt;/strong&gt; (como também não podia deixar de ser).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é de um modo geral sabido, o género feminino tem uma particular &lt;strong&gt;adoração&lt;/strong&gt; pela Dança. É genético: elas gostam de &lt;strong&gt;dançar&lt;/strong&gt; assim como eles gostam de... &lt;strong&gt;futebol&lt;/strong&gt;, por exemplo. Ou de &lt;strong&gt;carros&lt;/strong&gt;. Obviamente, falo em termos &lt;strong&gt;gerais&lt;/strong&gt;, pois existem sempre as &lt;strong&gt;excepções&lt;/strong&gt; que confirmam a regra. Eu, por exemplo, sou uma dessas excepções. Devo ser, sem dúvida, um dos &lt;strong&gt;piores&lt;/strong&gt; espécimens do meu sexo: ligo pouco ao futebol e ainda menos a carros. Muito provavelmente, é por essa razão que sou &lt;strong&gt;obcecado&lt;/strong&gt; por mulheres – a dedicação que deveria estar repartida por &lt;strong&gt;três&lt;/strong&gt; áreas de interesse distintas está inteiramente congregada em apenas &lt;strong&gt;uma&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que diz respeito à Dança, porém, nunca fui grande entusiasta de discotecas. Sempre achei que &lt;strong&gt;qualquer idiota&lt;/strong&gt; é capaz de abanar o corpo ao som repetitivo de música de martelinhos, bastando para isso apenas um &lt;strong&gt;estômago forte&lt;/strong&gt;, para suportar o som. Mas dançar um &lt;strong&gt;tango&lt;/strong&gt;, uma &lt;strong&gt;valsa&lt;/strong&gt;... Dirigir-se a uma rapariga e convidá-la – “a menina dança?” – e depois guiá-la num tango intenso ou numa valsa rodopiante... &lt;strong&gt;Isso&lt;/strong&gt; já não é para &lt;strong&gt;qualquer&lt;/strong&gt; idiota! É para um idiota... &lt;strong&gt;que saiba&lt;/strong&gt;! E como eu queria ser um &lt;strong&gt;idiota sabichão&lt;/strong&gt;, iniciei-me nas &lt;strong&gt;Danças de Salão&lt;/strong&gt; (caramba, até rimou!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quase &lt;strong&gt;nove anos&lt;/strong&gt; que eu pratico Danças de Salão. E desde que comecei a praticar que a minha vida social mudou de maneira radical. Assim que comento &lt;em&gt;casualmente&lt;/em&gt;, numa qualquer conversa, que sou praticante de Danças de Salão, logo brilham os olhos à interlocutora a que me dirijo – e sei de imediato que já estou a subir na sua consideração, &lt;strong&gt;independentemente&lt;/strong&gt; dela própria dançar ou não, pois mesmo a menina que não dança, &lt;strong&gt;gostaria&lt;/strong&gt; de o fazer ou, pelo menos, experimentar (é genético, já disse!). Porque é que qualquer menina admira um rapaz que dança? Porque a Dança está intimamente ligada ao &lt;strong&gt;sentimento&lt;/strong&gt;, o que aos olhos delas significa que o rapaz que dança é um rapaz com maior &lt;strong&gt;sensibilidade&lt;/strong&gt; que os demais. E &lt;strong&gt;sensualidade&lt;/strong&gt;, já que a Dança também desenvolve um maior à-vontade com o próprio corpo. Além disso, devido a todos os &lt;strong&gt;preconceitos&lt;/strong&gt; que os gajos têm em relação à Dança, são &lt;strong&gt;raros&lt;/strong&gt; os rapazes que dançam (e &lt;strong&gt;ainda mais raros&lt;/strong&gt; aqueles que o fazem &lt;strong&gt;bem&lt;/strong&gt;), o que os torna ainda mais &lt;strong&gt;extraordinários&lt;/strong&gt; aos olhos delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os gajos, contudo, Danças de Salão é coisa de &lt;strong&gt;maricas&lt;/strong&gt;. E, bem, sejamos sinceros: se certas &lt;strong&gt;aves raras&lt;/strong&gt; que um gajo vê nos campeonatos – aqueles dançarinos &lt;strong&gt;magricelas&lt;/strong&gt; com a fronha besuntada de &lt;strong&gt;base&lt;/strong&gt;, o cabelo &lt;strong&gt;lambidinho&lt;/strong&gt;, a roupinha justa cravejada de &lt;strong&gt;lantejoulas&lt;/strong&gt;, a camisa aberta até ao &lt;strong&gt;umbigo&lt;/strong&gt;, as calças puxadas até aos &lt;strong&gt;sovacos&lt;/strong&gt; e os sapatos de &lt;strong&gt;tacão alto&lt;/strong&gt;, a fazerem todos aqueles &lt;strong&gt;floreados&lt;/strong&gt; com as mãos e a &lt;strong&gt;sacudir a anca&lt;/strong&gt; para cá e para lá – não são &lt;strong&gt;rabetas&lt;/strong&gt;, esforçam-se bastante para os imitar!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, não me chateia &lt;strong&gt;minimamente&lt;/strong&gt; quando um gajo qualquer me deita &lt;em&gt;aquele&lt;/em&gt; olhar e, veladamente lançando a dúvida sobre a minha inclinação sexual, pergunta: “Danças de Salão?! Mas... isso não é assim um bocado... &lt;strong&gt;maricas&lt;/strong&gt;?...” Concordo sempre sem hesitar: “Então não é! Aquilo é uma &lt;strong&gt;paneleirice&lt;/strong&gt; pegada! Dar à anca?! Homem que é homem &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; dá à anca! Isso é &lt;strong&gt;coisa de rabiló&lt;/strong&gt;!” E o meu interlocutor, normalmente, ri-se. Ri-se porque não percebe que a mim me interessa que ele &lt;strong&gt;continue&lt;/strong&gt; a pensar desse modo. Porque é por &lt;strong&gt;essa&lt;/strong&gt; razão que há sempre &lt;strong&gt;muito mais&lt;/strong&gt; mulheres que homens nas Danças de Salão. E “em terra de cegos...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115937902719914157?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115937902719914157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115937902719914157&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937902719914157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937902719914157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/08/menina-dana.html' title='A MENINA DANÇA?'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115937860131824899</id><published>2006-07-15T23:59:00.000+01:00</published><updated>2006-11-01T19:47:47.163Z</updated><title type='text'>UMA ARGOLADA DE MESTRE</title><content type='html'>Após a visita ao Salão Internacional Erótico de Lisboa, ponho-me de imediato a caminho de &lt;strong&gt;Carcavelos&lt;/strong&gt;, onde a minha amiga &lt;strong&gt;Sandrine&lt;/strong&gt; apresenta esta noite o &lt;strong&gt;sarau anual&lt;/strong&gt; da sua escola de &lt;strong&gt;Danças de Salão&lt;/strong&gt;. Conheço a Sandrine há alguns anos e, com o tempo, fui também conhecendo os seus alunos – em especial &lt;strong&gt;as alunas&lt;/strong&gt; –, pelo que sou infalivelmente convocado para estes eventos. E eu gosto de honrar sempre estes convites com a minha presença. O sarau em si, mais coisa menos coisa, é &lt;strong&gt;o mesmo&lt;/strong&gt; todos os anos – até já conheço de cor o discurso da Sandrine que, mais coisa menos coisa, é &lt;strong&gt;também&lt;/strong&gt; o mesmo todos os anos (a velha história da excelência na dança se conquistar com muito &lt;strong&gt;sangue, suor e lágrimas&lt;/strong&gt;, blá blá blá). Mas gosto de ver os progressos feitos pelos seus alunos de ano para ano e, acima de tudo, gosto do &lt;strong&gt;baile&lt;/strong&gt; que normalmente se segue ao sarau. Porque as suas meninas primam todas pela &lt;strong&gt;beleza e sensualidade&lt;/strong&gt; e porque são &lt;strong&gt;esplêndidas dançarinas&lt;/strong&gt;. Bom... e também porque todas elas, sem excepção, adoram dançar comigo e se mostram sempre tão férteis em elogios à minha pessoa (o que, naturalmente, muito me agrada e contribui em larga medida para eu ter o &lt;strong&gt;ego gigantesco&lt;/strong&gt; que tenho).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos alunos da Sandrine com quem me dou melhor é o &lt;strong&gt;Mestre Maco&lt;/strong&gt;. Conhecemo-nos no último Carnaval e, assim que começámos a falar de &lt;strong&gt;gajas&lt;/strong&gt;, entendemo-nos de imediato. O Mestre Maco é um tipo porreiro, calmo, bem educado. Segundo aquilo que, um dia, me confidenciou, parece haver entre ele e a &lt;strong&gt;JLo&lt;/strong&gt; (também aluna da Sandrine) uma certa &lt;strong&gt;tensão&lt;/strong&gt;. Tensão que ele não compreende totalmente, visto que a rapariga tão depressa o espicaça com facécias picantes como, logo a seguir, lhe dá para trás se ele lhe responde à letra. Do meu ponto de vista, quer-me parecer que ao rapaz não desagradaria &lt;strong&gt;saltar à tanga&lt;/strong&gt; da menina (tanga essa que lhe assenta com muita graça, diga-se de passagem). Contudo, pelo que conheço da JLo, acredito que ela se considere num &lt;strong&gt;campeonato superior&lt;/strong&gt; ao do meu amigo. Tem apenas 20 anos, mas já é uma &lt;strong&gt;predadora&lt;/strong&gt;, uma &lt;strong&gt;provocadora inata&lt;/strong&gt;, e está habituada a possuir o que deseja. Sabe que não precisa de se esforçar para ter um rol de pretendentes à perna e, portanto, dá-se ao luxo de &lt;strong&gt;escolher&lt;/strong&gt; o que quer comer. Ela até pode achar piada em &lt;em&gt;flirtar&lt;/em&gt; com o Mestre Maco (como com tantos outros gajos), mas pobre dele se quiser &lt;strong&gt;algo mais&lt;/strong&gt;. Conhecendo o paladar dela, não creio que ele satisfaça as suas &lt;strong&gt;exigências pessoais&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, portanto, com um certo agrado que, no baile desta noite, vejo o meu bom amigo acompanhado de uma &lt;strong&gt;bela desconhecida&lt;/strong&gt;. Faz-lhe bem consignar as suas atenções a &lt;strong&gt;outros&lt;/strong&gt; alvos que não a JLo, pois esse é um caso perdido (para ele). E, de facto, o rapaz parece muito dedicado a esta nova menina, dado que não a larga durante toda a noite. Percebo porquê: ela é um &lt;strong&gt;piteuzinho&lt;/strong&gt; – baixinha, de formas voluptuosas, cabelo dourado, aspecto cândido e muito bonita. No geral (e tendo em conta o &lt;strong&gt;meu&lt;/strong&gt; paladar), bem mais encantadora que a JLo, atrevo-me mesmo a afirmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da noite, agarro o Mestre Maco e puxo-o de lado: “Então conta lá, ela é a tua &lt;strong&gt;nova namorada&lt;/strong&gt;?” Ele parece perdido: “O quê? Quem?...” “&lt;strong&gt;Ela!&lt;/strong&gt;” e, mui disfarçadamente, faço sinal com a cabeça. Ele olha ostensivamente para ela. Depois olha para mim, muito sério. “Ela é a minha &lt;strong&gt;irmã&lt;/strong&gt;.” Pé na argola, mas tento recompor-me: “Epá, essa era a minha suposição seguinte. É bonita a tua irmã, parabéns!” Sempre sério, ele continua: “Ela tem &lt;strong&gt;15 anos&lt;/strong&gt;.” Eu gelo. Agora é que meti água a sério! Enquanto gaguejo, ele apresenta-nos. Opto por abrir o jogo – quando apanhado em falso, a melhor saída é sempre a &lt;strong&gt;sinceridade&lt;/strong&gt;. E, de facto, ela oferece-me um belo sorriso argênteo e mostra-se divertida (e nada melindrada) com a minha &lt;em&gt;gaffe&lt;/em&gt;. Deve ter-lhe causado &lt;strong&gt;boa impressão&lt;/strong&gt; o meu &lt;strong&gt;brio&lt;/strong&gt; na pista de dança e ela foi com a minha cara. Feitas as contas, até me safei bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, uma vez que ela não namora com o meu amigo (incesto?!), da próxima vez convido-a a dançar a &lt;strong&gt;tarrachinha&lt;/strong&gt; e, nhac!, ferro-lhe o dente. Ela é novinha, sim, mas dá-lhe mais &lt;strong&gt;dois ou três anos&lt;/strong&gt;... Bom, vá lá, ano e meio. &lt;em&gt;Okay&lt;/em&gt;, nove meses. Três semanas, pronto. Enfim, um dia. &lt;strong&gt;Amanhã&lt;/strong&gt; já está bem boa para trincar (é assim a Vida, Mestre Maco. Elas crescem tão depressa, não é?...).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115937860131824899?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115937860131824899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115937860131824899&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937860131824899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937860131824899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/07/uma-argolada-de-mestre.html' title='UMA ARGOLADA DE MESTRE'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115937809670151708</id><published>2006-07-15T22:37:00.000+01:00</published><updated>2006-10-04T15:14:04.570+01:00</updated><title type='text'>II SALÃO INTERNACIONAL ERÓTICO DE LISBOA</title><content type='html'>Visito o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.salaoerotico.com/"&gt;Salão Internacional Erótico de Lisboa&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; (em exibição no Pavilhão 1 da &lt;strong&gt;FIL&lt;/strong&gt; até amanhã). Mas venho &lt;strong&gt;contrariado&lt;/strong&gt;. Não fosse a insistência do &lt;strong&gt;Barrelas&lt;/strong&gt; e não teria metido cá os pés este ano. No ano passado também cá estive, movido pelo sexo e pela novidade. Afinal, era a &lt;strong&gt;primeira vez&lt;/strong&gt; que o Salão Erótico visitava terras lusas! Mas, este ano, perdida a &lt;strong&gt;novidade&lt;/strong&gt;, resta-me apenas o &lt;strong&gt;sexo&lt;/strong&gt;. E sexo pelo sexo não me move. Sou &lt;strong&gt;preguiçoso&lt;/strong&gt;. Se não tiver um &lt;strong&gt;móbil emocional&lt;/strong&gt;, o sexo só pelo sexo cansa-me. Aborrece-me. Porém, sabendo que, se eu me cortasse, o mais provável era o Barrelas deixar de ir – “Mas vou lá fazer o quê &lt;strong&gt;sozinho&lt;/strong&gt;?! Aquilo é fixe é se formos &lt;strong&gt;em grupo&lt;/strong&gt;, p’rá galhofa!” –, lá decidi aceder. Só para lhe dar essa alegria. (Às vezes, sou mesmo coração mole.) No entanto, em jeito de &lt;strong&gt;protesto&lt;/strong&gt;, cheguei atrasado. &lt;strong&gt;Duas horas.&lt;/strong&gt; Prolonguei (propositadamente) um café com a bela &lt;strong&gt;Matie&lt;/strong&gt; muito para lá do tolerável e deixei o pobre Barrelas à seca todo esse tempo. Não me orgulho do que fiz. Mas fi-lo. (Às vezes, sou mesmo sacana.) Todavia, ele recebe a minha justificação com o sorriso mais cândido do mundo: “‘Tá na boa; foi por uma &lt;strong&gt;boa causa&lt;/strong&gt;.” Eu suspiro – é por estas e por outras que eu &lt;strong&gt;não podia&lt;/strong&gt; dar o corte a este gajo. Ele é bom tipo. Não merece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos ao que interessa. Ao entrar no pavilhão, não consigo evitar sentir que fui &lt;strong&gt;defraudado&lt;/strong&gt;. De facto, à primeira vista, o célebre Salão Erótico não causa grande impressão. Não passa de um conjunto &lt;strong&gt;disperso&lt;/strong&gt; de &lt;em&gt;stands&lt;/em&gt; que mal ocupa metade do enorme pavilhão (e este ano parece ainda mais pobre que o ano passado). Quem conhece a &lt;strong&gt;Feira Internacional de Artesanato&lt;/strong&gt;, por exemplo, capaz de atestar &lt;strong&gt;vários&lt;/strong&gt; pavilhões até se tornar impossível um gajo mexer-se lá dentro nas alturas de maior afluência, não pode deixar de se perguntar se o sexo &lt;strong&gt;realmente&lt;/strong&gt; vende assim tanto quanto se afirma. Porque o Salão Erótico resume-se à presença de uma ou outra produtora e/ou distribuidora de &lt;strong&gt;filmes porno&lt;/strong&gt;, um ou outro &lt;strong&gt;&lt;em&gt;strip club&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;sex shops&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; em barda (isto, sim, parece vender muito) e, finalmente, toda uma panóplia de outros serviços que gravitam à volta deste universo, como a associação &lt;strong&gt;Abraço&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;Liga Portuguesa Contra a SIDA&lt;/strong&gt;, um &lt;strong&gt;tatuador&lt;/strong&gt;, um &lt;strong&gt;massagista&lt;/strong&gt; e ainda as &lt;strong&gt;Publicações Europa-América&lt;/strong&gt; (onde se pode adquirir – com desconto de feira – literatura especializada, com destaque para o recentemente publicado &lt;a href="http://www.amazon.com/Make-Love-Like-Porn-Star/dp/0060539097"&gt;livro&lt;/a&gt; da &lt;em&gt;pornstar&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.clubjenna.com/"&gt;Jenna Jameson&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;!). Em suma, o Salão Erótico limita-se a oferecer o &lt;strong&gt;clássico&lt;/strong&gt;: espectáculos de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;strip&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;&lt;em&gt;table dance&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;sexo ao vivo&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;luta na lama&lt;/strong&gt; (que de lama só tem o nome), exibições &lt;strong&gt;alternativas&lt;/strong&gt; (de sexo &lt;em&gt;gay man-on-man&lt;/em&gt;, sado-maso, essas coisas), &lt;strong&gt;audições&lt;/strong&gt; para actores (nem queiram saber as vergonhas que certos gajos estão dispostos a passar em público), sessões de &lt;strong&gt;autógrafos&lt;/strong&gt; com as estrelas e pouco mais. Quem cá vem para &lt;strong&gt;isto&lt;/strong&gt;, não vem enganado. Mas quem, como eu, vem à espera de encontrar algo de &lt;strong&gt;inovador&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;inesperado&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;imaginativo&lt;/strong&gt; e minimamente &lt;strong&gt;interessante&lt;/strong&gt;, volta &lt;strong&gt;frustrado&lt;/strong&gt;. Como é possível, pergunto eu, que um campo tão rico e cheio de potencialidades como o Sexo seja tão pobremente explorado? Estou a ver que ainda vou ter que ser &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; a inovar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa propriamente dita, quem a faz são as &lt;strong&gt;&lt;em&gt;strippers&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e as &lt;strong&gt;&lt;em&gt;pornstars&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. É mesmo só por &lt;strong&gt;elas&lt;/strong&gt; que um gajo vai ao Salão. Para as ver lascivas e nuas, meneando provocadoramente as curvas em cima de um par de botas de salto pontiagudo bem alto, a trepar pelo varão acima (o varão &lt;strong&gt;de &lt;em&gt;strip&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, meus amigos! Embora também haja disso, para quem não se importe de baixar as calcinhas &lt;strong&gt;em público&lt;/strong&gt;), ou a lamberem-se umas às outras e a enfiar grandes &lt;em&gt;dildos&lt;/em&gt; coloridos. É verdade que um gajo tem de lutar contra um &lt;strong&gt;mar de pervertidos rebarbados&lt;/strong&gt; de máquina fotográfica em punho para, tal como eles (embora motivado por um sentimento puramente &lt;strong&gt;estético&lt;/strong&gt;, bem entendido), conseguir imortalizar determinada peça coreográfica de elevado nível técnico na memória do cartão SD de &lt;strong&gt;1 Gigabyte&lt;/strong&gt; comprado de propósito para o evento (boa, Barrelas!); e é verdade que, com apenas uma fracção desse esforço, um gajo obtém fotos eróticas de muito maior qualidade na Internet; mas também é verdade que é qualquer coisa de &lt;strong&gt;electrizante&lt;/strong&gt; estar na presença de verdadeiras &lt;strong&gt;profissionais&lt;/strong&gt; na arte do Sexo &amp; Sensualidade, vê-las actuar &lt;strong&gt;ao vivo&lt;/strong&gt; e poder fazer-se fotografar abraçado a elas – a propósito, ainda guardo com devoção a foto que tirei com a sensual &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.salaoerotico.com/galeria/galeria-gabi-5.htm"&gt;Gabi&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;strip clubs&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Passerelle&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Photus&lt;/strong&gt;) no ano passado. Caramba, que mulher tão bela (quanto badalhoca)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/400/SIEL2.3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;br /&gt;Não consigo evitar pensar naquela gentalha mesquinha (e, certamente, invejosa) que afirma com raiva ser o circuito pornográfico degradante para o género feminino. &lt;strong&gt;Degradante!&lt;/strong&gt; Pois nunca na minha vida vi o género feminino ser tão &lt;strong&gt;adorado, idolatrado, desejado e venerado&lt;/strong&gt; como no Salão Erótico! Basta olhar a chusma de seguidores babosos e de olhos vidrados, ansiosos por satisfazer os mais absurdos caprichos de qualquer uma daquelas virtuosas senhoras por uma réstia da sua atenção. É &lt;em&gt;isto&lt;/em&gt; o &lt;strong&gt;aviltamento&lt;/strong&gt; do género?... Talvez o problema resida nas &lt;strong&gt;causas&lt;/strong&gt; que as tornam adoradas. Mas haverá lá causa mais &lt;strong&gt;nobre&lt;/strong&gt; do que ser &lt;strong&gt;fonte de prazer&lt;/strong&gt; para o próximo? Muitos homens – se não &lt;strong&gt;todos&lt;/strong&gt; – bem podem agradecer por aliviar a tomatada à conta do trabalho de tão abnegadas (e esforçadas) raparigas. É muito gajo &lt;strong&gt;feliz&lt;/strong&gt; e isso é de &lt;strong&gt;aplaudir&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu admiro muito estas nobres mulheres. Contudo, não gasto (muito) tempo a admirar os seus &lt;strong&gt;corpos&lt;/strong&gt; (guardo isso para quando quiser bater punhetas em casa). Mais que habituada a hipnotizar a assistência até ao embrutecimento com a nua opulência do seu corpo coleante está qualquer &lt;em&gt;stripper&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;pornstar&lt;/em&gt;. É o seu &lt;strong&gt;trabalho&lt;/strong&gt;. Por isso, quando uma destas meninas se desnuda à minha frente, eu fixo os seus &lt;strong&gt;olhos&lt;/strong&gt;. E garanto-lhe, caro leitor, que isso me faz distinguir do resto da carneirada embasbacada. Por muito inatingíveis que aparentem ser estas &lt;strong&gt;Deusas do Sexo&lt;/strong&gt;, lá no íntimo, são sempre e apenas &lt;strong&gt;mulheres&lt;/strong&gt; (com tudo aquilo que o género tem de bom e de mau), e mesmo a &lt;em&gt;stripper&lt;/em&gt; ou a &lt;em&gt;pornstar&lt;/em&gt; gosta de se sentir desejada por &lt;strong&gt;algo mais&lt;/strong&gt; que a sua carne. Se os homens se deixam seduzir pelo físico, as mulheres deixam-se seduzir pelo &lt;strong&gt;sentimento&lt;/strong&gt;. E os olhos são as &lt;strong&gt;janelas&lt;/strong&gt; para o sentimento. No fundo, é como diziam, e bem, os &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.clawfinger.net/"&gt;Clawfinger&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;: “&lt;em&gt;If you want my body, than just make love to my mind.&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao abandonar a FIL, sei que o melhor do Salão Erótico é isto: a constatação – e confirmação – de que &lt;strong&gt;&lt;em&gt;girls will always be girls&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Isso e as &lt;strong&gt;centenas de fotos&lt;/strong&gt; que levo para casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115937809670151708?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115937809670151708/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115937809670151708&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937809670151708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937809670151708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/07/ii-salo-internacional-ertico-de-lisboa.html' title='II SALÃO INTERNACIONAL ERÓTICO DE LISBOA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115937664053798034</id><published>2006-07-08T19:55:00.001+01:00</published><updated>2006-09-27T18:54:11.170+01:00</updated><title type='text'>ALL ABOUT MATIE</title><content type='html'>Estou no &lt;strong&gt;Ateneu Comercial de Lisboa&lt;/strong&gt;, a participar no &lt;strong&gt;Dia Tropical&lt;/strong&gt;. Durante toda a tarde decorrem diversos &lt;em&gt;workshops&lt;/em&gt; de dança, desde a Salsa ao Forró, passando pelas Danças Africanas, e eu cá estou, a abrir o apetite para o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.pedexumbo.com/site2005/site_and06/andancas2006_home.htm"&gt;Andanças 2006&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, já a apenas &lt;strong&gt;23 dias&lt;/strong&gt; de distância (ah, que ansiedade!). Contudo, este Dia Tropical está a ter pouca adesão – apesar de, felizmente, haver mais gajas que gajos – e, assim, o evento acaba por adquirir um tom mais familiar. O meu amigo &lt;strong&gt;Doctor FX&lt;/strong&gt; também respondeu à chamada e trouxe consigo a sua amiga &lt;strong&gt;Luluzinha&lt;/strong&gt;. Eu convidei a &lt;strong&gt;Matie&lt;/strong&gt;, que está interessada em conhecer o mundo da Dança. E eu em dar-lho a conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o &lt;em&gt;workshop&lt;/em&gt; de &lt;strong&gt;Funaná&lt;/strong&gt;, ministrado pelo &lt;strong&gt;Cazuza&lt;/strong&gt;, o Doctor FX aproveita para me agradecer por ter levado a Matie, dando-me um vigoroso aperto de mão: “Ela é uma rapariga &lt;strong&gt;mesmo muito interessante&lt;/strong&gt;!” Eu sorrio. Confesso que já esperava uma reacção destas da sua parte. Há cerca de dois meses, por ocasião do seu (muito bem frequentado) jantar de aniversário, eu congratulei-o &lt;strong&gt;a ele&lt;/strong&gt; pela sua cada vez mais &lt;strong&gt;invejável selecção de amigas&lt;/strong&gt;, pelo que ele se mostrou muito lisonjeado. Ora, eu sabia que o gajo havia de querer retribuir o cumprimento – e ele sabia bem que oportunidades não lhe iam faltar para o fazer. O que certamente não esperava é que eu lhe desse uma razão &lt;strong&gt;tão forte&lt;/strong&gt;. E o gajo logo se aviou, puxando-a para dançar sempre que eu a largava, prodigalizando elogios, e sacando-lhe os contactos, na perspectiva de combinar programas futuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz hoje precisamente &lt;strong&gt;três meses&lt;/strong&gt; que eu conheci a Matie, no jantar de aniversário do meu amigo &lt;strong&gt;jOhn&lt;/strong&gt;. Ela apareceu na companhia do primo do jOhn, o namorado (que, entretanto, já ardeu), e a beleza exuberante da sua &lt;strong&gt;juba leonina&lt;/strong&gt; e dos seus serenos &lt;strong&gt;olhos verdes&lt;/strong&gt; imediatamente atraiu a atenção de todos os gajos presentes. Curiosamente, foi &lt;strong&gt;comigo&lt;/strong&gt; que ela passou grande parte dessa noite (se não toda) à conversa – apesar de eu não merecer qualquer mérito pelo sucedido. Beneficiei apenas da inesperada coincidência da doce menina gostar de &lt;strong&gt;desenhar&lt;/strong&gt; e partilhar comigo a paixão pela &lt;strong&gt;Ilustração&lt;/strong&gt; e pela &lt;strong&gt;Banda Desenhada&lt;/strong&gt;. Algo que, convenhamos, é &lt;strong&gt;altamente incomum&lt;/strong&gt; no género feminino. Com o decorrer dessa conversa, descobrimos outras coincidências ainda mais espantosas, como o facto de sermos praticamente &lt;strong&gt;vizinhos&lt;/strong&gt; e termos frequentado &lt;strong&gt;a mesma escola&lt;/strong&gt; secundária, separados por apenas &lt;strong&gt;um ano&lt;/strong&gt; de idade. Como é natural, logo trocámos contactos e, desde então, temos mantido uma relação de crescente proximidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o meu grande amigo Doctor FX tivesse tido a preocupação de se informar minimamente sobre isto (e bastava ter-me perguntado), provavelmente teria pensado duas vezes &lt;strong&gt;antes&lt;/strong&gt; de se atirar à miúda à &lt;strong&gt;campeão&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Don’t get me wrong&lt;/em&gt;, não é que me sinta &lt;strong&gt;ameaçado&lt;/strong&gt; por ele. Não sinto. Na verdade, dá-me até um certo &lt;strong&gt;orgulho&lt;/strong&gt; vê-lo actualmente tão desenrascado com as mulheres e saber que &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; o influenciei nesse campo. E tão-pouco me sinto &lt;strong&gt;traído&lt;/strong&gt;. De facto, o homem age tão &lt;strong&gt;abertamente&lt;/strong&gt; que mui dificilmente poderia entrever aqui uma tentativa para &lt;strong&gt;me&lt;/strong&gt; prejudicar ou passar a perna. Não, não o acho sacana. Mas acho-o, isso sim, &lt;strong&gt;burro&lt;/strong&gt;. Por ter fechado os olhos à &lt;strong&gt;óbvia constatação&lt;/strong&gt; que eu estou no lance há mais tempo e que, dadas as circunstâncias, o gajo não tem grandes hipóteses. E é &lt;strong&gt;duplamente&lt;/strong&gt; burro, porque devia ter aprendido essa lição &lt;strong&gt;à primeira&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vale é que somos amigos e eu sei que esta é – e sempre foi – a sua maneira de ser. Eu poderia até explicar-lhe que a Matie está na &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt; onda e poupar-lhe alguns dissabores futuros. Mas não me apetece. Não sou assim &lt;strong&gt;tão&lt;/strong&gt; compreensivo. E ele precisa de mais umas &lt;strong&gt;cabeçadas&lt;/strong&gt; para aprender. &lt;strong&gt;De vez.&lt;/strong&gt; Além disso, quem sou eu para dizer que o pobre rapaz não tem hipóteses? “Enquanto há vida, há esperança,” certo? Por isso, &lt;em&gt;bring it on! And may the best man win.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115937664053798034?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115937664053798034/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115937664053798034&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937664053798034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937664053798034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/07/all-about-matie_08.html' title='&lt;em&gt;ALL ABOUT MATIE&lt;/em&gt;'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115937599351857550</id><published>2006-07-02T07:38:00.001+01:00</published><updated>2006-09-27T18:44:23.963+01:00</updated><title type='text'>MEU PAR FAVORITO</title><content type='html'>Estou em &lt;strong&gt;Coimbra&lt;/strong&gt;, de visita à minha querida prima &lt;strong&gt;Douradinha&lt;/strong&gt;. Vamos à discoteca &lt;strong&gt;Via Latina&lt;/strong&gt; e já passa das duas da manhã quando nos encontramos com a &lt;strong&gt;Ruiva&lt;/strong&gt; (que já não é ruiva), vinda de propósito da Figueira da Foz, onde dá aulas de dança, para se juntar a nós na noitada. À entrada, o porteiro mira atentamente a Ruiva, vestida num estilo &lt;strong&gt;Hip-Hop Primavera/Verão 2006&lt;/strong&gt;. “Hoje é noite &lt;strong&gt;africana&lt;/strong&gt;,” avisa ele. Que é para não haver confusões. Ela sabe. Mas o gajo não parece muito convencido disso e olha para nós com ar de quem tem a certeza que estes três copinhos de leite vão enganados. Porém, ele já cumpriu mais que o seu dever, portanto, manda de lá os cartões de consumo e deixa-nos passar. No interior, a noite parece ainda não ter começado e apenas dois ou três pares se esfregam aqui e ali na pista de dança. Mas eu tenho &lt;strong&gt;duas meninas&lt;/strong&gt; à minha conta e não posso deixar os meus créditos por mãos alheias. Portanto, deito mãos ao trabalho e danço alternadamente com ambas. No entanto, em breve recebo &lt;strong&gt;&lt;em&gt;auxílio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; para esta tarefa. A &lt;strong&gt;concorrência&lt;/strong&gt; numa discoteca africana é &lt;strong&gt;feroz&lt;/strong&gt; e os pretos não têm qualquer pudor em catar as miúdas &lt;strong&gt;todas&lt;/strong&gt; para dançar (até a &lt;strong&gt;sua&lt;/strong&gt;, leitor!) antes que um tipo tenha tempo de perguntar se “a menina dança?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi bem essa lição da &lt;strong&gt;primeira vez&lt;/strong&gt; que estive numa discoteca africana (na memorável noite de 11 de Outubro de 2003). Fui ao &lt;strong&gt;En’ Clave&lt;/strong&gt;, a convite da minha amiga &lt;strong&gt;Sarita&lt;/strong&gt; e um grupo de amigos (e &lt;strong&gt;amigas&lt;/strong&gt;) dela. Na altura, eu mal sabia dançar kizomba, não conhecia aquela gente e, para cúmulo, não tinha os dentes de Jacaré &lt;strong&gt;afiados&lt;/strong&gt; como tenho hoje. Assim, passei metade da noite &lt;strong&gt;abancado&lt;/strong&gt;. Era ver os pretos a sacar as miúdas todas mesmo nas minhas barbas. E, entretanto, eu criava raízes. Contudo, em vez de desanimar, aproveitei o ensejo para &lt;strong&gt;observar&lt;/strong&gt; a concorrência a dançar. E &lt;strong&gt;aprender&lt;/strong&gt;. Em pouco tempo, estava já a sacar as miúdas aos pretos e a dançar kizomba como eles! A Sarita e a sua irmã &lt;strong&gt;Susanita&lt;/strong&gt; ficaram pasmadas com a incrível evolução da minha kizomba em apenas &lt;strong&gt;uma noite&lt;/strong&gt;. E, para ser sincero, também &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; fiquei. Isto só prova que um gajo &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; deve desanimar em situações desfavoráveis. Porque até as situações mais negras têm &lt;strong&gt;vantagens&lt;/strong&gt;. Um homem inteligente só tem que as encontrar e tirar delas o máximo partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No presente caso, contudo, a concorrência é &lt;strong&gt;bem-vinda&lt;/strong&gt;. Impossibilitado de dançar com a Ruiva e a Douradinha &lt;strong&gt;ao mesmo tempo&lt;/strong&gt; (ou de me dividir em dois), até prefiro que, enquanto estou ocupado com uma das meninas, a outra dance com outros gajos, para não apanhar seca. Não obstante, a Douradinha não parece muito interessada em fazê-lo. “Há ali um gajo que só anda à roda, sempre para o mesmo lado,” diz ela, exasperada. “Estes tipos só querem é &lt;strong&gt;roça-roça&lt;/strong&gt;, quase não se mexem do mesmo sítio.” Eu protesto: “Eu também roço-roço!” “Mas tu danças pelo salão todo, é muito mais &lt;strong&gt;divertido&lt;/strong&gt;,” replica ela. A Ruiva concorda: “O modo de dançar &lt;strong&gt;deles&lt;/strong&gt; faz-me lembrar as nossas kizombas no &lt;strong&gt;Andanças&lt;/strong&gt;, mas aquelas do &lt;strong&gt;último dia&lt;/strong&gt;, às tantas da madrugada, quando já mal nos aguentamos de pé, por causa do cansaço da semana toda, e queremos à viva força dançar &lt;strong&gt;só mais uma&lt;/strong&gt;, mas estamos praticamente a dançar &lt;strong&gt;a dormir em pé&lt;/strong&gt;!” “Ah, as nossas &lt;strong&gt;kizombas &lt;em&gt;au ralenti&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;!,” rio-me eu. E ela continua: “Por isso é que o centro da pista, onde &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; danças,” e aponta para mim, “fica sempre vazio quando sais da pista – eles não o preenchem.” “Ah, mas isso é por &lt;strong&gt;respeitinho ao Jacaré&lt;/strong&gt;,” contesto eu. “Em terra de jacarés, o &lt;strong&gt;Jacaré Voador&lt;/strong&gt; é &lt;strong&gt;Rei&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é que tenha a presunção de ser o melhor dançarino do mundo. Sei que sou &lt;strong&gt;bom dançarino&lt;/strong&gt; (e tenho &lt;strong&gt;obrigação&lt;/strong&gt; disso, pois já o faço há mais de &lt;strong&gt;8 anos&lt;/strong&gt;), mas sei também que mais importante que a técnica ou o roça-roça é o &lt;strong&gt;sentimento&lt;/strong&gt; que se põe na dança. Quando danço, faço por oferecer um &lt;strong&gt;bom momento&lt;/strong&gt; à mulher com quem estou. Quero, acima de tudo, que ela se &lt;strong&gt;divirta&lt;/strong&gt;. E faço questão que saiba que, nesse momento, &lt;strong&gt;toda&lt;/strong&gt; a minha atenção é &lt;strong&gt;dela&lt;/strong&gt;. É daqui, sem dúvida, que advém o meu sucesso na pista de dança (e não só). Que depois me faz merecer elogios como este outro da bela Ruiva: “É mágico dançar contigo! Por isso é que és o meu par favorito!” E ela lá deve saber do que fala, já que é &lt;strong&gt;professora de dança&lt;/strong&gt;. E, acima de tudo, é &lt;strong&gt;mulher&lt;/strong&gt;. Ah, pois é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115937599351857550?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115937599351857550/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115937599351857550&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937599351857550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115937599351857550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/07/meu-par-favorito_02.html' title='MEU PAR FAVORITO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115279402028161783</id><published>2006-06-09T23:59:00.000+01:00</published><updated>2006-07-17T12:40:08.480+01:00</updated><title type='text'>CABRA PRESUNÇOSA</title><content type='html'>“Três meninas esperam por ti esta noite no &lt;strong&gt;Barrio Latino&lt;/strong&gt; para dança séria.” Assim rezava a  mensagem de telemóvel do meu distinto amigo &lt;strong&gt;Joe Mars&lt;/strong&gt;, requisitando a minha presença para uma noite de &lt;strong&gt;Salsa &amp; Kizomba&lt;/strong&gt; no conhecido bar do Parque das Nações. Respondi à convocatória e convidei ainda o nosso amigo &lt;strong&gt;Barrelas&lt;/strong&gt; a juntar-se a nós. Três gajos para três gajas – conta certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só ao chegar ao local me apercebo do meu &lt;strong&gt;erro&lt;/strong&gt;. As três meninas – &lt;strong&gt;Vedinha&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Matinha&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Ivinha&lt;/strong&gt; – convidaram outros amigos, entre eles um trio &lt;strong&gt;londrino&lt;/strong&gt;, actualmente de visita ao nosso país. Mas o pior é que o Barrelas e estas meninas... &lt;em&gt;&lt;strong&gt;don’t mix&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;. Diz o Joe Mars que “a opinião delas acerca dele é &lt;strong&gt;rastejante&lt;/strong&gt;.” E o sentimento parece ser &lt;strong&gt;recíproco&lt;/strong&gt;. De acordo com as lamentações do Barrelas, que aproveita o ensejo para me pôr ao corrente de toda a suja história, as ditas meninas parecem achar-se &lt;strong&gt;boas demais&lt;/strong&gt; para o nível de dança (e creio que não só) do meu amigo. Depois, umas bocas mais azedas delas numa ou noutra ocasião elevaram e acabaram por firmar as antipatias de lado a lado. “Se eu soubesse que as ‘três meninas’ eram &lt;strong&gt;estas gajas&lt;/strong&gt;,” conclui o meu amigo, “não tinha vindo.” Que argolada! Apanhado no meio deste imbróglio, vejo-me agora obrigado a agradar a gregos e troianos. Não quero deixar mal o meu amigo, mas também não quero, &lt;strong&gt;por associação&lt;/strong&gt;, contrair a malquerença das amigas do Joe. E o Barrelas monopoliza a minha atenção de tal modo que a Matinha não se coíbe de mandar bocas, alegando que o local é para &lt;strong&gt;dançar&lt;/strong&gt;, não para conversar. Dirige-se a &lt;strong&gt;mim&lt;/strong&gt;, claro; não creio que queira dançar com o Barrelas. Mas tinha mais sucesso comigo se, ao invés de mandar bocas estúpidas para o ar, me &lt;strong&gt;convidasse&lt;/strong&gt; directamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, sejamos objectivos. É inegável que o Barrelas possui uma tremenda &lt;strong&gt;falta de ritmo e coordenação motora&lt;/strong&gt;, o que faz dele um dançarino algo... &lt;strong&gt;modesto&lt;/strong&gt;. Mas o homem lá vai compensando a falta de jeito com muito esforço e perseverança. É verdade que nunca será um &lt;strong&gt;dançarino de topo&lt;/strong&gt;, mas sabe desenvencilhar-se em qualquer baile e é isso que lhe importa. Como pessoa, é verdade que o rapaz é um bocado &lt;strong&gt;colas&lt;/strong&gt; e tem o desconfortável hábito de invadir o espaço pessoal de uma pessoa, mas é um gajo porreiro, bem intencionado – por vezes até &lt;strong&gt;ingénuo&lt;/strong&gt; – e está &lt;strong&gt;muito longe&lt;/strong&gt; de ser &lt;strong&gt;conflituoso&lt;/strong&gt;. Por isso, acho difícil acreditar que o pobre tipo tenha contribuído &lt;strong&gt;consciente&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;propositadamente&lt;/strong&gt; para esta desavença. Desconfio mais &lt;strong&gt;delas&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de dançar um pouco com a Vedinha e a Matinha, apercebo-me com algum pasmo que, não obstante a presunção, as meninas são &lt;strong&gt;fracas dançarinas&lt;/strong&gt;. A Vedinha não consegue &lt;strong&gt;manter-se no ritmo&lt;/strong&gt; da música e a cínica Matinha, apesar de até dançar benzito, passa o tempo todo com &lt;strong&gt;ar de frete&lt;/strong&gt; – o que é, no mínimo, mal educado. Quanto à Ivinha, que me parece ser a mais &lt;strong&gt;humilde&lt;/strong&gt; das três meninas (seguida pela Vedinha, que até é simpática), é também a única com quem acabo por não dançar. Porque, depois dos dois trambolhos, decido dedicar todo o meu tempo à &lt;strong&gt;Jo&lt;/strong&gt;, uma das meninas do trio londrino. Além de ser de longe &lt;strong&gt;mais bonita&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;mais simpática&lt;/strong&gt;, a Jo revela-se uma &lt;strong&gt;excelente dançarina&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;excelente pessoa&lt;/strong&gt;. Muito vivaz, divertida e meiga, ela cobre-me de elogios, beijos e agradecimentos após cada dança. Consequentemente, todo eu me desdobro em atenções para com ela. “&lt;strong&gt;Comigo&lt;/strong&gt;, ele não dançou &lt;strong&gt;assim&lt;/strong&gt;,” queixa-se a Matinha ao Joe. “Convida-o para dançar outra vez,” sugere ele. “Não, &lt;strong&gt;ele&lt;/strong&gt; é que tem de me convidar,” replica ela, orgulhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabra! Bem pode esperar &lt;strong&gt;sentada&lt;/strong&gt; que eu a convide! E há-de morrer com &lt;strong&gt;calos no cu&lt;/strong&gt; de tanto esperar. Não tenho paciência para gajas com a mania que cabe aos homens o &lt;strong&gt;dever&lt;/strong&gt; de fazer tudo para as agradar. Se ela fosse &lt;strong&gt;gira e boa&lt;/strong&gt;, ainda lhe perdoava a arrogância anacrónica. Mas a gaja não vale &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt;! Tem lá razões para se fazer de cara! E, para cúmulo, ainda se dá ao luxo de ser &lt;strong&gt;insolente&lt;/strong&gt; para um tipo como o Barrelas! A gaja devia era pôr os olhos na bela Jo, que é uma excelente dançarina e isso não a impede de ser &lt;strong&gt;delicada&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;elogiosa&lt;/strong&gt; para todos à sua volta. No que depende de mim, gajas como a Matinha só merecem &lt;strong&gt;indiferença&lt;/strong&gt;. A ver se morrem de despeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115279402028161783?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115279402028161783/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115279402028161783&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115279402028161783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115279402028161783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/06/cabra-presunosa.html' title='CABRA PRESUNÇOSA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115050759106938880</id><published>2006-05-14T21:12:00.000+01:00</published><updated>2007-01-15T17:15:08.152Z</updated><title type='text'>A SEXUALIDADE DA SANTA CLARA</title><content type='html'>Até a emissão de quinta-feira passada do programa “&lt;strong&gt;A Revolta dos Pastéis de Nata&lt;/strong&gt;,” eu nunca ouvira falar da &lt;strong&gt;Ana Santa Clara&lt;/strong&gt;. Ao que parece, a dita senhora escreve regularmente uma crónica para o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.correiomanha.pt/"&gt;Correio da Manhã&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; onde discorre sobre as &lt;strong&gt;relações entre géneros&lt;/strong&gt;, tema que igualmente constitui o teor do seu livro intitulado “&lt;strong&gt;‘não esperes por mim para jantar’&lt;/strong&gt;” e que, como o leitor bem sabe, coincide com o meu campo de interesse e reflexão. Tendo essa afinidade com a senhora, foi, portanto, com muita atenção que acompanhei a sua participação no referido programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Santa Clara é uma quarentona que, embora não sendo propriamente feia, compensa a falta de beleza com fértil &lt;strong&gt;espirituosidade&lt;/strong&gt;. Adoptando uma postura muito aberta em relação à interacção entre homens e mulheres, ela apregoa alguns lemas engraçados (sem dúvida fruto da sua experiência de vida), tal como “os homens são como os doces: é preciso provar para saber se são bons” (eis uma &lt;strong&gt;boa desculpa&lt;/strong&gt; para saltar inconscientemente – mas sem remorsos – para a espinha de tudo o que mexe) ou “já que um homem não me faz vir, ao menos que me faça rir” (cara senhora, homem aliviado &lt;strong&gt;já tem o que quer&lt;/strong&gt;, não lhe interessa fazer rir nem a uma hiena. As piadas foram &lt;strong&gt;antes&lt;/strong&gt; da queca. “A brincar, a brincar, o macaco foi ao cu à mãe,” nunca ouviu dizer? Espero que tenha aproveitado para rir nessa altura, porque depois da trancada já vai &lt;strong&gt;tarde&lt;/strong&gt;) e ainda “homem que não é cavalheiro, não volta a ser cavaleiro” (“não volta a ser.” Essa é boa. Quer dizer que &lt;strong&gt;qualquer bicho careta&lt;/strong&gt; tem direito a, pelo menos, &lt;strong&gt;uma oportunidade&lt;/strong&gt;. Que não se diga que a senhora não é democrática). É só rir. Mais uma gaja bem iludida, pensei eu. Contudo, não querendo ser acusado de tirar conclusões precipitadas, achei por bem deitar um olho ao tal &lt;strong&gt;livro&lt;/strong&gt; da dita senhora, no sentido de averiguar se as suas palavras valem sequer o &lt;strong&gt;papel&lt;/strong&gt; em que são impressas. Procurei-o numa livraria e, após analisar o índice e ler uma ou outra passagem para me inteirar do conteúdo, retirei as minhas conclusões, que agora partilho com o leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tema é a &lt;strong&gt;infidelidade masculina&lt;/strong&gt; – tema clássico e recorrente que tira o sono a muitas mulheres, que a ele dedicam grandes paranóias e obsessões (bastas vezes justificadas, conceda-se). “Com este livro,” diz a autora, “as amantes vão aprender a exigir todos os direitos que têm e as mulheres a descobrir as carecas dos seus maridos.” Em pouco mais de &lt;strong&gt;300 páginas&lt;/strong&gt; (escritas a letras garrafais, para não cansar os olhos – nem o cérebro), e adoptando a heterónima &lt;strong&gt;Maria Moira&lt;/strong&gt; (a sua prima “executiva sem tempo nem pachorra para casar, que prefere homens em &lt;em&gt;part-time&lt;/em&gt;”), a autora propõe-se ensinar as mulheres, sejam elas as legítimas ou as ilegítimas, a tirar o &lt;strong&gt;maior proveito&lt;/strong&gt; possível da infidelidade. O livro está dividido em 4 capítulos: I – &lt;strong&gt;Manual Didáctico da Amante&lt;/strong&gt;; II – &lt;strong&gt;Exemplos Práticos&lt;/strong&gt; (uma edificante colecção de casos verídicos); III – &lt;strong&gt;Regulamento de Utilização das Mulheres de Recreio&lt;/strong&gt; (uma proposta de legislação dos Direitos, Deveres e Limitações das várias partes envolvidas, “resumo de toda a teoria e prática apresentados nos dois capítulos anteriores”); e IV – &lt;strong&gt;Identificação das Espécies&lt;/strong&gt; (que formam o triângulo amoroso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tal livrito não deixa de ter a sua piada. Porém, parte da &lt;strong&gt;premissa errada&lt;/strong&gt; de ser o homem o &lt;strong&gt;único culpado&lt;/strong&gt; pela infidelidade, pois é quem &lt;strong&gt;engana&lt;/strong&gt; as pessoas com quem se envolve. A esposa limita-se a ser “desatenta” e a amante a “aproveitar.” Erro crasso. Pior: erro sexista, que apenas perpetua os &lt;strong&gt;preconceitos&lt;/strong&gt; vigentes entre géneros, contribuindo para a &lt;strong&gt;pobre comunicação&lt;/strong&gt; na relação entre homens e mulheres. Pasmo com este disparate que certas senhoras advogam de procurar &lt;strong&gt;lucrar&lt;/strong&gt; com a infidelidade, ao invés de evitar compactuar de todo com este negócio sórdido. Saibam que as relações amorosas são o resultado da interacção de &lt;strong&gt;duas&lt;/strong&gt; (ou mais) pessoas e raras são as vezes em que a totalidade da culpa cabe apenas a uma delas. Enquanto houverem esposas que não dão a &lt;strong&gt;devida atenção&lt;/strong&gt; aos maridos, e &lt;strong&gt;mercenárias&lt;/strong&gt; sem qualquer pejo em envolver-se com homens comprometidos, tornando-se &lt;strong&gt;cúmplices&lt;/strong&gt; no engano (e &lt;strong&gt;traidoras&lt;/strong&gt; do seu género), haverá infidelidade masculina. O homem infiel será sempre o maior culpado, concedo. Mas aqui &lt;strong&gt;ninguém&lt;/strong&gt; é santinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115050759106938880?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115050759106938880/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115050759106938880&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115050759106938880'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115050759106938880'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/05/sexualidade-da-santa-clara.html' title='A SEXUALIDADE DA SANTA CLARA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115050655405891603</id><published>2006-05-11T23:58:00.000+01:00</published><updated>2006-06-17T02:09:14.073+01:00</updated><title type='text'>A HOMOSSEXUALIDADE DOS PASTÉIS</title><content type='html'>Assisto à 30.ª emissão (olha que belo número!) do programa “&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.revoltadospasteisdenata.blogspot.com/"&gt;A Revolta dos Pastéis de Nata&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;,” na 2:. Tema: “&lt;strong&gt;A homossexualidade ainda é um tema Durex?&lt;/strong&gt;” Convidados: &lt;strong&gt;Ana Santa Clara&lt;/strong&gt;, autora do livro “&lt;strong&gt;‘não esperes por mim para jantar’&lt;/strong&gt;” (o que aparentemente faz dela uma colega escritora dedicada ao mesmo campo de interesse que aqui o Jacaré), e &lt;strong&gt;Jorge Correia Campos&lt;/strong&gt;, um daqueles larilas muito requintados que, há uns tempos atrás, davam aulas ao bom – mas &lt;strong&gt;matarruano&lt;/strong&gt; – chefe de família português no programa “&lt;strong&gt;Esquadrão G&lt;/strong&gt;,” na SIC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que nunca gastei muito do meu tempo com os “Pastéis.” Gosto dos &lt;em&gt;sketches&lt;/em&gt;, porque têm um humor algo &lt;strong&gt;corrosivo&lt;/strong&gt; que me agrada (e com o qual me identifico), mas confesso não ter grande paciência para as entrevistas. Lá o &lt;strong&gt;Luís Filipe Borges&lt;/strong&gt;, o gajo da bóina que apresenta o programa, até é um tipo com piada que manda umas bocas giras e pertinentes. Mas o nível humorístico demasiado &lt;strong&gt;ameno&lt;/strong&gt; das entrevistas não chega ao gozo &lt;strong&gt;provocador&lt;/strong&gt; dos &lt;em&gt;sketches&lt;/em&gt; e, desse modo, o programa peca, no meu entender, por alguma &lt;strong&gt;falta de coerência&lt;/strong&gt;. Eu compreendo que o entrevistador tenha alguns pruridos em arrimar umas bujardas mais potentes aos seus convidados em directo para a televisão nacional. Porém, alguns com certeza mereciam ser &lt;strong&gt;achincalhados&lt;/strong&gt; em público e o programa só tinha a &lt;strong&gt;ganhar&lt;/strong&gt; com isso. Ganhava coesão de conjunto. E &lt;strong&gt;audiência&lt;/strong&gt;, claro. Afinal, o povo gosta é de &lt;strong&gt;pancadaria&lt;/strong&gt;. Ainda que seja somente verbal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da emissão de hoje, o entrevistador dá a palavra a uma espectadora no estúdio, &lt;strong&gt;Rita Paulos&lt;/strong&gt;, da associação &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.ex-aequo.web.pt/"&gt;rede ex aequo&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, que afirma, em género de nota conclusiva, existirem estudos que provam ser a homossexualidade o resultado de &lt;strong&gt;predeterminação genética&lt;/strong&gt;. Agarrando-se a esta afirmação como uma beata à Bíblia, a Santa Clara vai mais longe e assevera fervorosamente que “as pessoas &lt;strong&gt;têm&lt;/strong&gt; que meter isto na cabeça! Está &lt;strong&gt;mais do que provado&lt;/strong&gt; que a homossexualidade é uma questão genética! &lt;strong&gt;Não é uma opção!&lt;/strong&gt;” E logo &lt;strong&gt;António Serzedelo&lt;/strong&gt;, presidente da &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.opusgay.org/"&gt;Opus Gay&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, e também espectador no estúdio, lhe corta secamente a palavra, alegando que a convidada “está enganada,” não havendo nenhum estudo conclusivo nesse sentido, apenas teorias. A mulher fica atarantada, sem compreender bem o porquê do tom ríspido da resposta do outro. Mas a Rita vem em seu socorro, voltando a insistir que, apesar de “não haver provas cabais,” a maricada &lt;strong&gt;não escolhe&lt;/strong&gt; ser larilas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bonito. Andam os &lt;em&gt;gays&lt;/em&gt; a lutar há anos pelo seu direito à &lt;strong&gt;diferença&lt;/strong&gt; e à &lt;strong&gt;livre escolha&lt;/strong&gt; e vêm estas gajas, cheias de boas intenções, afirmar categoricamente que esta não é uma questão de escolha, mas sim de &lt;strong&gt;genes&lt;/strong&gt;. Não acham curioso que seja o homem da Opus Gay quem precisamente contesta as suas afirmações? Pelo seu lado, o Correia Campos nem pia. Ambos sabem que a &lt;strong&gt;última coisa&lt;/strong&gt; que devem fazer é escudar-se atrás desta teoria (independentemente dela vir ou não a provar-se definitiva mais tarde), pois isso é meio caminho andado para passarem a ser encarados pela sociedade como coitadinhos &lt;strong&gt;deficientes&lt;/strong&gt;. No final, isto tudo só vem revelar que, a despeito de todo o liberalismo apregoado, estas mulheres – heterossexuais, presumo eu –, bem lá no fundo, encaram os homossexuais como &lt;strong&gt;aleijadinhos de cromossomas defeituosos&lt;/strong&gt;. E depois admiram-se que os rabilós se virem contra elas quando elas os estão a &lt;em&gt;ajudar&lt;/em&gt; na sua luta pela causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, eu só tenho pena que a polémica tenha estalado apenas no final do programa. Gastaram o tempo todo com a &lt;strong&gt;conversa de chacha&lt;/strong&gt; e os &lt;strong&gt;chavões politicamente correctos&lt;/strong&gt; do costume e logo quando as coisas começam a ficar interessantes é que tiveram de terminar a emissão. E, pior de tudo, sem sequer um mísero &lt;strong&gt;&lt;em&gt;show&lt;/em&gt; lésbico&lt;/strong&gt; para animar! Caramba, um tema destes era a desculpa &lt;strong&gt;perfeita&lt;/strong&gt; para passar umas imagens quentes de duas miúdas giras e boas enroscadas uma na outra! Mas fizeram-no? Claro que não. E ainda acham que são irreverentes. Cambada de maricas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115050655405891603?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115050655405891603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115050655405891603&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115050655405891603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115050655405891603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/05/homossexualidade-dos-pastis.html' title='A HOMOSSEXUALIDADE DOS PASTÉIS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-115031110608521658</id><published>2006-05-07T12:34:00.000+01:00</published><updated>2006-06-14T19:51:46.403+01:00</updated><title type='text'>PARABÉNS AO JACARÉ</title><content type='html'>Hoje completo uns preenchidos &lt;strong&gt;30 anos&lt;/strong&gt; de vida! Alegria! Felicidade! Boa disposição!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre que acrescento mais um ano à minha soma etária, gosto de olhar para o passado e fazer o balanço àquela porção de existência que ficou para trás das costas, comparando aquilo que &lt;strong&gt;fui&lt;/strong&gt; com aquilo que &lt;strong&gt;sou&lt;/strong&gt;, e projectando aquilo que &lt;strong&gt;tenciono ser&lt;/strong&gt;. E é sempre com desbragado regozijo que chego à feliz conclusão que, tal como um bom vinho, me torno &lt;strong&gt;cada vez melhor&lt;/strong&gt; com o passar dos anos. Melhor como homem, melhor como pessoa, melhor como ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presunçoso? Talvez o seja. Mas gosto de pensar que não é por acaso que, por vezes, aqueles que me conhecem decidem agraciar-me com mimos como este da bela &lt;strong&gt;Sassita&lt;/strong&gt;: “tu tens um &lt;strong&gt;ego enorme&lt;/strong&gt;. Mas o pior é que &lt;strong&gt;tens razões&lt;/strong&gt; para isso. E &lt;strong&gt;mereces&lt;/strong&gt; todos os elogios que continuamente te fazem.” Aproveito o ensejo para lançar daqui os meus sinceros agradecimentos a todos os meus amigos e familiares que me estimam e amam, que não se coíbem de mo fazer sentir todos os dias e que, no fundo, tornam esta vida numa maravilhosa e gratificante experiência que merece ser vivida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquele que é, com certeza, o &lt;strong&gt;mais justo merecedor&lt;/strong&gt; dos mais sentidos agradecimentos, pois é ele, sem qualquer dúvida, o &lt;strong&gt;principal responsável&lt;/strong&gt; por aquilo que hoje sou com todo o orgulho... sou &lt;strong&gt;eu mesmo&lt;/strong&gt;. Analisando esta última década de vida, reconheço que &lt;strong&gt;muita coisa&lt;/strong&gt; mudou em mim. Há uma década atrás, eu não passava de um &lt;strong&gt;&lt;em&gt;nerd&lt;/em&gt; virgem encalhado&lt;/strong&gt;, com insegurança a mais e auto-estima a menos. Não tinha postura, não tinha presença, não tinha estilo. E, pior ainda, não tinha conversa, não tinha experiência, não tinha &lt;em&gt;savoir faire&lt;/em&gt;. Em suma, não tinha qualquer interesse. As minhas qualidades resumiam-se ao facto de ter nascido com um belo par de &lt;strong&gt;olhos claros&lt;/strong&gt; e ser um rapaz &lt;strong&gt;simpático, inteligente e civilizado&lt;/strong&gt;, fruto da educação recebida. Restava-me ainda o talento para o desenho, mas desenganem-se aqueles que pensam que isso é excelente para engatar gajas. O “Titanic” é só tretas! Mais saída têm os &lt;strong&gt;fotógrafos&lt;/strong&gt; que os desenhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, tive que me &lt;em&gt;recriar&lt;/em&gt;. Se não estava satisfeito com o que via ao espelho, logo trabalhei no sentido de alterar a situação. Não perdi tempo a choramingar nem a sentir pena de mim próprio.  Não gostava do meu aspecto? Mudei de roupa e de óculos. Cortei o cabelo, deixei crescer a pêra (e vice-versa). Não sabia como relacionar-me com as pessoas à minha volta? Experimentei o &lt;strong&gt;Teatro&lt;/strong&gt;. Tirei um curso de &lt;strong&gt;Animadores de Colónias de Férias&lt;/strong&gt;. Dediquei-me aos &lt;strong&gt;&lt;em&gt;chats&lt;/em&gt; da Internet&lt;/strong&gt;, conheci dezenas de raparigas, combinei encontros e saí com miúdas até encher a pança. Não tinha tacto com as raparigas? Aprendi a &lt;strong&gt;dançar&lt;/strong&gt;. Aprendi a fazer &lt;strong&gt;massagens&lt;/strong&gt;. E, entretanto, observei, analisei, meditei e tirei as &lt;strong&gt;minhas&lt;/strong&gt; conclusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso deixar de referir o quanto aprendi só de ver actuar o &lt;strong&gt;PP&lt;/strong&gt;, meu grande amigo e &lt;strong&gt;mentor&lt;/strong&gt; em questões de mulheres, diplomado com distinção na &lt;strong&gt;Arte do Engate&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;cheers, mate!&lt;/em&gt;). Porém, enquanto este gajo parece ter &lt;strong&gt;nascido&lt;/strong&gt; com a arte, eu tive que a pesquisar, estudar, experimentar, trabalhar e desenvolver. Em suma, tive que percorrer um caminho que me obrigou a defrontar obstáculos e a ultrapassá-los, permitindo-me aprender a identificar os &lt;strong&gt;problemas&lt;/strong&gt; e a extrair as &lt;strong&gt;soluções&lt;/strong&gt; que, hoje em dia, partilho com os não tão experientes. E daqui nasceu o &lt;strong&gt;Jacaré Voador&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que o Jacaré deve a sua existência ao meu percurso de vida, também é verdade que eu devo parte daquilo que sou hoje ao Jacaré. Por outras palavras, se a minha experiência de vida o influencia, também ele influencia a minha vivência. E este aniversário é, sem dúvida, o culminar de todo esse desenvolvimento e maturação. Mais ainda, é a justa – e merecida – &lt;strong&gt;homenagem&lt;/strong&gt; do homem à sua criação. E da criação ao homem, pois um e outro se fizeram mutuamente. É por isso que brindo a estes 30 anos de vida! &lt;strong&gt;Longa vida ao Jacaré Voador!...&lt;/strong&gt; E venham mais trinta!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-115031110608521658?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/115031110608521658/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=115031110608521658&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115031110608521658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/115031110608521658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/05/parabns-ao-jacar.html' title='PARABÉNS AO JACARÉ'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-114596924381034462</id><published>2006-04-14T01:42:00.000+01:00</published><updated>2007-01-17T14:26:22.338Z</updated><title type='text'>CAMPEÃO CABRÃO</title><content type='html'>“&lt;a href="http://www.hbo.com/sixfeetunder/"&gt;&lt;strong&gt;Sete Palmos de Terra&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;” (“Six Feet Under,” no original), a galardoada série para televisão – vencedora de Globos de Ouro® e Emmys® às pazadas – que relata o dia-a-dia da &lt;strong&gt;família Fisher&lt;/strong&gt;, que dirige uma &lt;strong&gt;funerária&lt;/strong&gt;, é da autoria de &lt;strong&gt;Alan Ball&lt;/strong&gt;, responsável pelo argumento do fabuloso “&lt;a href="http://www.dreamworks.com/ab/"&gt;&lt;strong&gt;American Beauty&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;,” de &lt;strong&gt;Sam Mendes&lt;/strong&gt; (pelo qual também recebeu um Oscar®). Actualmente, a nossa &lt;strong&gt;2:&lt;/strong&gt; exibe &lt;strong&gt;pela segunda vez&lt;/strong&gt; a quarta fornada de episódios, o que, muito provavelmente, significa que se prepara (finalmente!) para passar a quinta – e última – série desta telenovela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornei-me espectador assíduo de “Sete Palmos de Terra” a partir da &lt;strong&gt;terceira&lt;/strong&gt; temporada, &lt;a href="http://www.hbo.com/sixfeetunder/episode/season3/episode29.shtml"&gt;&lt;strong&gt;episódio 29&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, quando, absolutamente por acaso, apanhei a estreia da personagem &lt;strong&gt;Olivier Castro-Staal&lt;/strong&gt; (protagonizada por Peter Macdissi), o novo professor de arte da ruiva Claire. Autoritário, arrogante e opinativo, o artista Olivier Castro-Staal é um tipo detestável que fala alto e manda bocas lindas como “a dor é &lt;strong&gt;boa&lt;/strong&gt; para um artista,” ou “um artista &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; questiona o seu &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; a experimentar tudo o que o mundo tem para oferecer” ou ainda, a melhor de todas, “[uma obra de arte] é boa quando imediatamente me faz querer &lt;strong&gt;vomitar&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de execrável, o homem assume-se como um &lt;strong&gt;excelente&lt;/strong&gt; professor de arte, provocando e forçando os seus alunos a ir além dos seus limites como artistas. E é exactamente essa aparente contradição que torna a personagem interessante. No fundo, o gajo é como o &lt;strong&gt;Mourinho&lt;/strong&gt;: um cabrão arrogante que se pode dar ao luxo de o ser e a quem ninguém se atreve a apontar o dedo porque, acima de tudo, o tipo é um &lt;strong&gt;excelente profissinal&lt;/strong&gt;. E &lt;strong&gt;vence&lt;/strong&gt;, calando assim a boca a todos os seus detractores. &lt;em&gt;Gotta love that!&lt;/em&gt; Pode-se detestar o homem até à náusea, mas há que se lhe reconhecer o valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, com o decorrer dos episódios, e ao contrário do Mourinho, o intratável Olivier Castro-Staal acaba por se revelar nada mais que um &lt;strong&gt;frustrado amargurado&lt;/strong&gt; que nunca conseguiu validar as expectativas criadas enquanto jovem artista – uma única obra reconhecida e, depois, o &lt;strong&gt;declínio&lt;/strong&gt;. Por isso, vinga-se nos alunos, fazendo-lhes a vida negra. Tal como ele diz à Claire: “Foste minha aluna e assistente. Agora és &lt;strong&gt;concorrência&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os argumentistas da série lá entenderam acabar com o protagonismo insolente de uma das mais interessantes personagens (e uma das minhas favoritas) com este desfecho tão... &lt;strong&gt;convencional&lt;/strong&gt;. Consequentemente, nesta quarta série, o papel do arrogante Castro-Staal não passa de uma prestação altamente secundária: o de mero &lt;strong&gt;fornicador&lt;/strong&gt; da cabra velha, psicótica e vingativa que é a Margaret (Joanna Cassidy), mãe da Brenda (Rachel Griffiths). Que digo eu, “secundária”? Terciária, &lt;strong&gt;quaternária&lt;/strong&gt;! E é pena. É triste ver uma personagem que já foi tão grande reduzida a tão pouco. Resta-me esperar que o Mourinho continue a vencer no futebol. Por isso, aqui fica o meu apoio: &lt;strong&gt;Mourinho, amigo, o Jacaré está contigo!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-114596924381034462?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/114596924381034462/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=114596924381034462&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114596924381034462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114596924381034462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/04/campeo-cabro.html' title='CAMPEÃO CABRÃO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-114596888818465349</id><published>2006-04-14T01:11:00.000+01:00</published><updated>2006-04-25T13:50:45.166+01:00</updated><title type='text'>“GRINDING THE CORN”</title><content type='html'>Assisto a “&lt;a href="http://www.hbo.com/sixfeetunder/"&gt;&lt;strong&gt;Sete Palmos de Terra&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;,” uma das séries para televisão que mais aprecio actualmente e das raras que sigo com alguma regularidade. No episódio desta noite (n.º 48 da quarta série), justamente intitulado “&lt;a href="http://www.hbo.com/sixfeetunder/episode/season4/episode48.shtml"&gt;&lt;strong&gt;Grinding the Corn&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;,” a jovem &lt;strong&gt;Claire&lt;/strong&gt; (Lauren Ambrose), membro mais novo da família Fisher (à excepção da plácida bebé Maya, que não conta, porque a sua contribuição para a acção se limita a um ou outro arrulho e alguns sorrisos inocentes), vê a sua reputação sexual abalada quando a sua despeitada &lt;strong&gt;ex-namorada Edie&lt;/strong&gt; (a deliciosa &lt;strong&gt;Mena Suvari&lt;/strong&gt;, repescada do magnífico “American Beauty,” de Sam Mendes) divulga entre os colegas da universidade que a pobre Claire &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; atingiu um orgasmo na vida. De imediato surge o seu colega e amigo &lt;strong&gt;Jimmy&lt;/strong&gt; (Peter Facinelli), que se voluntaria para proporcionar o tão almejado (mas fugidio) orgasmo à pequena Claire, revelando que “ouviu falar de uma &lt;strong&gt;nova técnica&lt;/strong&gt; que gostaria de pôr em prática.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, uns meros cinco episódios antes, este mesmo Jimmy já tentara levar a dita menina às estrelas... &lt;strong&gt;falhando olimpicamente&lt;/strong&gt;. A coisa murchou (literalmente) assim que o par se enfiou debaixo dos lencóis e ele perguntou à rapariga o que &lt;strong&gt;queria&lt;/strong&gt; que ele fizesse. Ela, inibida, não foi capaz de dar uma resposta e o nosso campeão... &lt;strong&gt;encalhou&lt;/strong&gt;. A justificação do desajeitado rapaz: “Se não me disseres o que queres que eu faça, &lt;strong&gt;como&lt;/strong&gt; esperas que te satisfaça?...” Ela encolheu os ombros e o grande pascácio, à falta de um pouco de imaginação e iniciativa, deixou-se ficar. &lt;em&gt;Fade out.&lt;/em&gt; (Comentário do Jacaré: “&lt;strong&gt;Faz-te homem&lt;/strong&gt;, seu prepúcio frouxo! É preciso &lt;strong&gt;desenhar-te um mapa&lt;/strong&gt; para dares com o &lt;strong&gt;El Dorado&lt;/strong&gt;, ou quê?! Gajos como tu não são dignos nem dos &lt;strong&gt;calos&lt;/strong&gt; da própria mão! Se é que os tens!! Aposto que bates punheta &lt;strong&gt;de luvas&lt;/strong&gt;, ó caraças!!!” Fim de citação.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, regressado e subitamente transformado num inopinado &lt;strong&gt;guru do sexo&lt;/strong&gt;, o jovem Jimmy monta a menina no seu foguetão de bolso e leva-a a ver as estrelas. Findo o acto, a grande revelação: “Esta técnica chama-se ‘&lt;strong&gt;moer o milho&lt;/strong&gt;’ [&lt;em&gt;grinding the corn&lt;/em&gt;, no original]. Sabes quando se usa um &lt;strong&gt;pilão&lt;/strong&gt; e um &lt;strong&gt;almofariz&lt;/strong&gt; para moer o milho? Bom, então imagina que, em vez de se friccionar a cabeça do pilão de encontro ao fundo do almofariz, se fricciona o &lt;strong&gt;cabo&lt;/strong&gt; de encontro às &lt;strong&gt;paredes&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cai-me o queixo. &lt;strong&gt;Esta&lt;/strong&gt; é que é a &lt;em&gt;nova&lt;/em&gt; técnica?! Porra, não admira que a pobre Claire andasse a &lt;strong&gt;jejum de orgasmos&lt;/strong&gt;! Estes américas dão um nome da tanga a uma coisa tão básica quanto uma &lt;strong&gt;estimulação clitoriana&lt;/strong&gt; e pensam que descobriram a pólvora?! Que cambada de incompetentes! Aprendem uma &lt;strong&gt;técnica&lt;/strong&gt;, uma &lt;strong&gt;fórmula&lt;/strong&gt;, um mero &lt;strong&gt;procedimento mecânico&lt;/strong&gt;, e já se julgam os gurus da cena! E, no fundo, não percebem &lt;strong&gt;como&lt;/strong&gt; nem &lt;strong&gt;porquê&lt;/strong&gt; que as coisas funcionam como funcionam. Corja de ineptos sem o mínimo préstimo e completamente falhos de engenho e arte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a mim, parece-me &lt;strong&gt;óbvio&lt;/strong&gt; que, pressionando o fuste do &lt;em&gt;pilão&lt;/em&gt; (ou pilinha, isso agora depende de cada qual) contra as paredes do &lt;em&gt;almofariz&lt;/em&gt;, ou seja, a zona &lt;strong&gt;anterior&lt;/strong&gt; da vagina, se consegue uma estimulação directa do &lt;strong&gt;clítoris&lt;/strong&gt; (assumindo que todos sabem &lt;strong&gt;o que é&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;onde&lt;/strong&gt; o encontrar, claro), daí advindo maior prazer para a mulher. Além disso, a fricção do mangalho nessa zona proporciona também uma maior estimulação da área mais &lt;strong&gt;sensível&lt;/strong&gt; da vagina da mulher, localizada bem perto da entrada, logo &lt;strong&gt;atrás&lt;/strong&gt; do meato urinário. Outra técnica utilizada para a &lt;strong&gt;estimulação vaginal&lt;/strong&gt; (já que o pessoal gosta tanto de fórmulas) é enfiar &lt;strong&gt;apenas a cabeça&lt;/strong&gt; do bastão na vagina e retirá-la de seguida, repetindo-se o procedimento as vezes que se quiser. Esta técnica tem a vantagem de proporcionar também um enorme prazer para o homem, já que estimula directamente a &lt;strong&gt;glande&lt;/strong&gt; (não recomendado para aqueles que têm dificuldade em controlar a ejaculação).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, antes de irem a correr pôr em prática estes ensinamentos, lembrem-se que &lt;strong&gt;técnica sem sentimento&lt;/strong&gt; não passa de &lt;strong&gt;acto maquinal&lt;/strong&gt; desprovido de &lt;strong&gt;essência&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;significado&lt;/strong&gt;. E, para a próxima vez, ao invés de olharem só para os bonequitos do “&lt;strong&gt;Kama Sutra&lt;/strong&gt;,” experimentem &lt;strong&gt;lê-lo&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-114596888818465349?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/114596888818465349/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=114596888818465349&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114596888818465349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114596888818465349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/04/grinding-corn.html' title='“&lt;em&gt;GRINDING THE CORN&lt;/em&gt;”'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-114596793770448559</id><published>2006-03-30T23:59:00.000+01:00</published><updated>2007-01-12T15:45:46.340Z</updated><title type='text'>UM DIA NA VIDA DO JACARÉ VOADOR</title><content type='html'>9:00h – &lt;a href="http://www.fa.utl.pt/"&gt;&lt;strong&gt;FUCKuldade de ArquiTORTURA&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; de Lisboa, Alto da Ajuda. Curso de Arquitectura, 5.º e (finalmente!) último ano. Duas horas teóricas de Recuperação Arquitectónica, seguidas de duas horas práticas de Estruturas II. Este até é um dos mais toleráveis dias da semana, porque os professores de ambas as cadeiras são competentes e acabam por transmitir algum interesse pela matéria aos alunos. Não que eu tenha interesse em aprender seja o que for nesta instituição. Aquilo que eu precisava de aprender aqui já aprendi há muitos anos: que os arquitectos são uma cambada de &lt;strong&gt;fideputas narcisistas, arrogantes, mesquinhos e vingativos&lt;/strong&gt; com quem não quero ter o mínimo contacto quando finalmente me formar. Não sou nada a favor de limpezas étnicas ao velho estilo nazi, mas quando penso em arquitectos (especialmente na nossa classe nacional) vacilo um pouco nas minhas convicções. &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; médio. Há uma ou outra miúda interessante, mas são todas &lt;strong&gt;arquitectas em potência&lt;/strong&gt; – &lt;em&gt;need I say more?&lt;/em&gt; Abra-se uma excepção para a minha colega &lt;strong&gt;Sassita&lt;/strong&gt;, uma bela morenita que, além de não gostar de Arquitectura, cozinha que é um regalo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13:00h – Cantina Universitária. Hora de almoço. A cantina é um deleite para os olhos, com os seus &lt;strong&gt;rebanhos pululantes&lt;/strong&gt; de jovens universitárias. Com a chegada da Primavera e as raparigas cada vez mais desnudas, só apetece &lt;strong&gt;comer&lt;/strong&gt;, o que é perfeito para o local em causa. Mas hoje, entre a aula que se prolongou para além da hora e a reunião ao princípio da tarde, o Jacaré só tem tempo para ver as vistas. &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; estratosférico! – em quantidade e qualidade. A melhor hora do dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14:30h – Editora &lt;a href="http://www.cavalodeferro.com/"&gt;&lt;strong&gt;Cavalo de Ferro&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, Bairro Alto. Fui convidado para ilustrar uma colecção de livros sobre dança que a Cavalo de Ferro pretende publicar. Na reunião de hoje, sou apresentado ao escritor, que se mostra muito entusiasmado com os meus rabiscos. Temos &lt;strong&gt;uma semana&lt;/strong&gt; para preparar uma maqueta do projecto para apresentar aos possíveis compradores. Isto significa que vou ter (mais) uma semana bastante ocupada... &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; baixo. Só &lt;strong&gt;uma&lt;/strong&gt; das três raparigas presentes é minimamente interessante. Ironicamente, é a que tem cara de menos amigos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16:00h – “&lt;a href="http://www.aulas-musica.com/"&gt;&lt;strong&gt;Lugar da Música&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;,” Benfica. Aula de &lt;strong&gt;guitarra clássica&lt;/strong&gt;. Ando desde Dezembro a aprender a tocar. &lt;strong&gt;The Most Unspeakable Creature&lt;/strong&gt;, o meu professor (e já um grande amigo), diz que ainda me hei-de revelar um &lt;strong&gt;virtuoso da guitarra&lt;/strong&gt;, porque aprendi em 4 meses o que a esmagadora maioria das pessoas leva o dobro ou o triplo do tempo a aprender. Infelizmente, a minha evolução tem abrandado nas últimas semanas, porque quase não tenho tido tempo para praticar, devido ao intenso trabalho dentro e fora da faculdade. &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; muito baixo. A única rapariga da aula deve ter uns &lt;strong&gt;12 aninhos&lt;/strong&gt;, portanto está ainda muito verde. Mas já vai tocando qualquer coisita...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noutras tardes, tenho ainda aulas de &lt;strong&gt;Danças de Salão&lt;/strong&gt; (nos Anjos) e dou aulas de &lt;strong&gt;Geometria Descritiva&lt;/strong&gt; num Centro de Explicações (em Queluz). &lt;strong&gt;Factor gajas &lt;/strong&gt;(aula de dança)&lt;strong&gt;:&lt;/strong&gt; bom em quantidade, mas tudo material usado. &lt;strong&gt;Factor gajas &lt;/strong&gt;(explicações)&lt;strong&gt;:&lt;/strong&gt; médio, com tendência a bom. Se continuar assim, a minha explicanda de 16 anos há-de tornar-se uma mulher muito interessante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19:00h – Num dia normal, estaria a esta hora no &lt;strong&gt;emprego&lt;/strong&gt;, nas Amoreiras. Mas hoje estou de folga. E por isso estou no &lt;strong&gt;Castelo de Pirescoxe&lt;/strong&gt;, em Santa Iria de Azóia, Loures. Durante a quinzena passada, foi este o local que albergou &lt;strong&gt;a minha primeira exposição de Banda Desenhada e Ilustração&lt;/strong&gt;, em conjunto com a exposição foto/gráfica do grupo &lt;strong&gt;Embrionário&lt;/strong&gt;, a que pertence o meu amigo &lt;strong&gt;jOhn&lt;/strong&gt;. Hoje é dia de desmontagem, após o que foi considerado pela organização do evento como “um grande sucesso.” Entre os muitos elogios que recebemos destaco o da assistente do Vereador, que considerou o nosso trabalho de “elevada qualidade e profissionalismo.” Para aqueles que visitaram a minha exposição, os meus sentidos agradecimentos. Espero que tenham gostado. Para os que não visitaram, hão-de haver outras oportunidades. Deixo-lhes aqui o cartaz, para que vejam bem o nível da coisa. Catita, hã? &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; nulo. Desmontagem é trabalho p’a gajo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/Convite.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/400/Convite.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;20:00h – Atelier do &lt;strong&gt;Embrionário&lt;/strong&gt;, Praça da Alegria. Paragem obrigatória para depositar o material retirado da exposição. &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; continua nulo. Mas o jOhn começa a parecer apetitoso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21:00h – Restaurante “&lt;strong&gt;O Sapador&lt;/strong&gt;,” Santos. Jantar de ano. Não obstante a meia hora de atraso, o jOhn e eu somos dos primeiros a chegar ao local. E eu estou esgalgado de fome, que hoje nem tive tempo para almoçar! Dos cerca de 150 alunos que constituem as cinco turmas do ano, apenas &lt;strong&gt;um terço&lt;/strong&gt; comparece à chamada para o grande jantar de ano. Quanto à cambada de coninhas que decidiu ficar em casa, espero que se estejam a divertir neste momento, de volta da maqueta de Projecto (mariconços!). &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; elevado e com tendência a melhorar (jOhn, &lt;em&gt;you’re off the hook&lt;/em&gt;). Podem ser arquitectas em potência, sim, mas estas meninas ainda têm &lt;strong&gt;vida social&lt;/strong&gt;, como o prova o facto de terem alinhado no jantar, em vez de ficarem em casa a atrofiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23:00h – Num dia normal, estaria a esta hora a sair do emprego, depois de um dia preenchido. N’ “O Sapador,” porém, o jantar atinge agora o seu auge. De barriga cheia e após uns belos copázios de &lt;strong&gt;sangria&lt;/strong&gt;, não há dúvida que este pessoal está muito mais &lt;strong&gt;&lt;em&gt;interactivo&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; excelente, a todos os níveis. Passo parte do jantar à conversa com uma &lt;strong&gt;Maggie&lt;/strong&gt; (turma D), ex-bailarina com um sotaque portuense muito sensual (desde o namoro com a &lt;strong&gt;Ruiva&lt;/strong&gt;, acho piada a raparigas com sotaque tripeiro, não há nada a fazer), mas a pequena &lt;strong&gt;Sara&lt;/strong&gt; (turma B) é que me encanta. &lt;em&gt;Petite&lt;/em&gt; e muito fofinha, apetece abraçar e dar beijinhos. Obviamente, não lhe faltam &lt;em&gt;cães&lt;/em&gt; aos tornozelos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1:00h – Bar do teatro “&lt;strong&gt;A Barraca&lt;/strong&gt;,” Santos. Concerto de Jazz. Após o jantar, o grupo de comensais fragmentou-se e dispersou, seguindo cada fracção a sua especial inclinação noctívaga. Aceitando a sugestão da pequena Sara, resolvi alinhar com o grupo que veio ao Jazz. Nem conheço a banda, mas os tipos são bons! Ou isso, ou já tenho demasiado álcool no sangue e tudo me parece maravilhoso. &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; apesar da divisão do grupo, o nível de qualidade mantém-se, pois não faltam miúdas giras no concerto. Bom, ou isso, ou tenho &lt;strong&gt;mesmo&lt;/strong&gt; demasiado álcool no sangue...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3:00h – Paço de Arcos, Oeiras. Chegada a casa. Vou finalmente poder descansar este corpo, depois de mais um dia intenso em que andei a correr Lisboa e arredores. E amanhã segue a contradança. &lt;strong&gt;Factor gajas:&lt;/strong&gt; agora, só em sonhos (depois de analisar sem qualquer pudor raparigas impúberes e classificar como “material usado” amigas que me são queridas, abstenho-me de comentar sobre a única mulher presente que resta. Convenhamos, é a minha &lt;strong&gt;mãe&lt;/strong&gt;! Há limites! Até mesmo para um Jacaré). Ora boa noite e até amanhã!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-114596793770448559?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/114596793770448559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=114596793770448559&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114596793770448559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114596793770448559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/03/um-dia-na-vida-do-jacar-voador.html' title='UM DIA NA VIDA DO JACARÉ VOADOR'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-114536866871161218</id><published>2006-02-21T01:30:00.000Z</published><updated>2006-04-25T13:33:38.643+01:00</updated><title type='text'>PARABÉNS À “GOELA”!</title><content type='html'>Completam-se hoje &lt;strong&gt;dois anos&lt;/strong&gt; de existência d’ “&lt;strong&gt;A Goela do Jacaré&lt;/strong&gt;.” Aquilo que começou como uma experiência, uma brincadeira... continua a ser apenas uma experiência, uma brincadeira. Mas é uma brincadeira que, muito francamente, eu não esperava que tivesse a &lt;strong&gt;adesão&lt;/strong&gt; que tem. E o facto é que, não obstante o Jacaré ter interrompido a sua publicação durante todo o ano de 2005, os seus fiéis leitores – e leitoras – não deixaram de visitar regularmente a morada tão bem decorada em busca de novas doses de &lt;strong&gt;reptilínea sabedoria e iluminação&lt;/strong&gt;. Do mesmo modo, não foram poucos os adeptos – e as adeptas – a procurar-me directamente para me questionar sobre o motivo do Jacaré ter deixado de publicar, exortando-me insistentemente no sentido de regressar à escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todas essas pessoas, a todos os fiéis leitores e leitoras que se divertem com os meus textos e me elogiam a escrita, que dizem que “sempre serve para distrair quando não tenho nada para fazer lá no emprego” e me pedem sempre mais e que, no fundo, não deixam que “A Goela” pare, vão &lt;strong&gt;os meus agradecimentos&lt;/strong&gt;. É uma honra saber que, entre o &lt;strong&gt;trabalho&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;pornografia&lt;/strong&gt; na Net, essas pessoas ainda reservam uns minutinhos do seu preenchido horário para dar uma espreitadela aos devaneios deste Jacaré. São esses tarad... quer dizer, essas pessoas que dão sentido a este &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; e evitam que esta publicação se torne numa triste prática narcisista e masturbatória de um Jacaré com um ego inflaccionado. Em conclusão, se “A Goela” está de parabéns, também os seus leitores e leitoras, em grande justiça, o estão. Por isso, cantemos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Parabéns à ‘Goela’&lt;br /&gt;Nesta data querida&lt;br /&gt;Muitas felicidades&lt;br /&gt;Muitos anos de vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje é dia de festa&lt;br /&gt;Cantam as nossas almas&lt;br /&gt;Para a bela d’ ‘A Goelaaaaa’ (do Jacaré! Nhac-nhac!)&lt;br /&gt;Uma salva de palmaaaaaaaaas!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado, muito obrigado a todos! E agora que o caro leitor – ou leitora (torna-se cada vez mais pertinente fazer esta distinção, pois as minhas leitoras são &lt;strong&gt;cada vez mais e melhores&lt;/strong&gt;) – já perdeu alguns bons minutos (que nunca mais vai recuperar!) a ler isto, aponte lá o rato para a Barra de Endereços e escreva o que lhe vou ditar: &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.badassteens.com"&gt;www.badassteens.com&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;. E, pronto, volte lá para a sua rotina diária. Divirta-se!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-114536866871161218?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/114536866871161218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=114536866871161218&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114536866871161218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114536866871161218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/02/parabns-goela.html' title='PARABÉNS À “GOELA”!'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-114002025938262707</id><published>2006-02-12T11:32:00.000Z</published><updated>2006-02-15T16:18:36.650Z</updated><title type='text'>NAÇÃO DE EMPATAS</title><content type='html'>Apanho o autocarro para o emprego. Estou &lt;strong&gt;atrasado&lt;/strong&gt;. Pouco antes de me apear, um casal idoso entra no autocarro e, vagarosamente (que o corpo já não dá para mais), avança até ao fundo, onde encontra lugar sentado: ela – &lt;strong&gt;Empata n.º 1&lt;/strong&gt; – no banco atrás de mim, e ele – &lt;strong&gt;Empata n.º 2&lt;/strong&gt; – ao meu lado. Ao ver o homem sentar-se tão tremulamente, antevejo complicações de imediato, mas, estupidamente, permaneço sentado, ao invés de aproveitar o ensejo para abandonar o lugar antes que o cota me bloqueie o acesso à saída. Mal adivinho eu que, por esta altura, já estão as peças colocadas de tal modo no tabuleiro que me será impossível evitar o seu &lt;strong&gt;ataque combinado&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na paragem seguinte, levanto-me para sair enquanto o cota espera que o corredor desimpeça, para me poder dar passagem. Atrás de mim, a sua velha esposa também se levanta, para deixar sair a matrona sentada ao seu lado, e, vendo lugares vazios mais à frente, dirige-se de imediato para eles, seguindo a matrona e acabando por ficar &lt;strong&gt;entalada&lt;/strong&gt; no corredor com o cota, que entretanto se levantara. Quando a matrona atinge a porta de saída, todos aqueles que se queriam apear do autocarro naquela paragem já o fizeram. À excepção do &lt;strong&gt;Jacaré&lt;/strong&gt;! Só após forçar o seu corpo no corredor estreito é que a taralhouca da velha repara que eu pretendo sair e, muito atarantada, &lt;strong&gt;volta para trás&lt;/strong&gt; (!), entalando novamente o cota e, mais uma vez, entupindo a passagem. Quando finalmente me livro do par de araras tontas, soa o aviso de fecho de portas. Nesse momento, entra em cena o &lt;strong&gt;Empata n.º 3&lt;/strong&gt;: um puto mitroso, de boné chunga na cabeça e uma argola dourada em cada orelha, acabado de entrar no autocarro e que, furando rapidamente até ao fundo do autocarro, me barra a passagem mesmo à boca do corredor. As portas do autocarro fecham-se. Peço licença ao puto mitra e, ao mesmo tempo, grito ao condutor para voltar a abrir a porta de trás. Não me ouve. Chego (&lt;strong&gt;por fim!&lt;/strong&gt;) à porta. Volto a gritar ao condutor. Não me ouve. Logo a seguir, vejo a paisagem a deslizar ao lado do autocarro. Só nessa altura reparo no &lt;strong&gt;Empata n.º 4&lt;/strong&gt;, a conversar animadamente com o condutor, e distraindo-o dos apelos do pobre rapaz que queria sair na paragem anterior. &lt;em&gt;Porca miseria!&lt;/em&gt; Mas esta gente está toda conluiada ou quê?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ao fazer as minhas deslocações diárias de transportes públicos pela área de Lisboa que me apercebo bem da quantidade de &lt;strong&gt;empatas&lt;/strong&gt; que atravancam o mundo. Gente totalmente inconsciente do &lt;strong&gt;espaço&lt;/strong&gt; que ocupa no globo e sem qualquer consideração por quem se move à sua volta. Desde gajos que se passeiam pela rua em &lt;strong&gt;rotas e velocidades erráticas&lt;/strong&gt;, que estacam subitamente e &lt;strong&gt;invertem a marcha&lt;/strong&gt; sem sequer olhar quem vem atrás e que param à conversa mesmo no meio do caminho até malta que força gananciosamente a entrada no metro ou no comboio, impedindo quem está dentro de sair, ele há &lt;strong&gt;de tudo&lt;/strong&gt;. Esta gente parece preferir os espaços de circulação mais &lt;strong&gt;apertados e apinhados&lt;/strong&gt; e torna-se uma dor de cabeça quando se junta em &lt;strong&gt;grupo&lt;/strong&gt;. Se os inconscientes e distraídos são uma praga irritante, o pior mesmo são os &lt;strong&gt;velhos&lt;/strong&gt;, em especial aqueles que a Vida azedou (e as &lt;strong&gt;tias&lt;/strong&gt;). Para além de problemas óbvios de &lt;strong&gt;locomoção&lt;/strong&gt; devido à provecta idade, eles pisam, empurram, dão encontrões, furam filas e fazem-se de parvos ou vítimas quando chamados à razão (além do que, muitas vezes, também &lt;strong&gt;cheiram mal&lt;/strong&gt;). Exigem os direitos que lhes são devidos e os que não são e agem como se toda a gente tivesse que pagar pela partida que o Tempo lhes pregou ao roubar-lhes a juventude. Essa &lt;strong&gt;raiva reprimida&lt;/strong&gt; contra a Humanidade em geral, aliada ao imenso &lt;strong&gt;tempo livre&lt;/strong&gt; que têm disponível torna-os um &lt;strong&gt;perigo&lt;/strong&gt; a não menosprezar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio mesmo ser esta espécie uma verdadeira &lt;strong&gt;ameaça nacional&lt;/strong&gt;, não só directamente responsável por empatar o ritmo de desenvolvimento da nação, como também indirectamente responsável pelos elevados níveis de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;stress&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; no país e consequente perturbação do nível de &lt;strong&gt;qualidade de vida&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;perda de produtividade&lt;/strong&gt; que lhe está associada. Portanto, faço daqui um apelo ao Governo português para que tome &lt;strong&gt;medidas efectivas&lt;/strong&gt; em relação a este problema. Mas... que digo eu? Os maiores empatas estão no Governo! Pois sim! E depois queixam-se que o país está de tanga...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-114002025938262707?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/114002025938262707/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=114002025938262707&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114002025938262707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114002025938262707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/02/nao-de-empatas.html' title='NAÇÃO DE EMPATAS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-114002074137673596</id><published>2006-02-11T23:28:00.000Z</published><updated>2006-02-15T16:25:41.383Z</updated><title type='text'>DANÇA COMIGO</title><content type='html'>Estreia esta noite “&lt;strong&gt;Dança Comigo&lt;/strong&gt;,” o novo programa da &lt;strong&gt;RTP1&lt;/strong&gt; para os serões de Sábado. Com apresentação da bela &lt;strong&gt;Catarina Furtado&lt;/strong&gt; (mesmo grávida, a mulher é &lt;strong&gt;deliciosa&lt;/strong&gt;, caramba!), o programa é, como o nome revela, dedicado à &lt;strong&gt;Dança&lt;/strong&gt;. Eis como a coisa funciona: &lt;strong&gt;quatro Celebridades&lt;/strong&gt; pés-de-chumbo (esta semana cabe ao futebolista &lt;strong&gt;Dani&lt;/strong&gt;, à jornalista &lt;strong&gt;Dina Aguiar&lt;/strong&gt;, à modelo &lt;strong&gt;Sofia Aparício&lt;/strong&gt; e ao actor &lt;strong&gt;Vítor de Sousa&lt;/strong&gt; dar corda aos sapatos) são convidadas a cada semana para aprender &lt;strong&gt;três estilos de dança&lt;/strong&gt; distintos, com uns professores todos cromos e premiadíssimos. Depois, no programa &lt;strong&gt;ao vivo&lt;/strong&gt; de Sábado à noite, as Celebridades, cada uma aparelhada com o professor ou professora que lhe deu aulas, competem duas a duas em duas danças diferentes (Sofia &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; Vítor no &lt;strong&gt;Tango&lt;/strong&gt; e no &lt;strong&gt;Cha-cha-cha&lt;/strong&gt;; Dani &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; Dina na &lt;strong&gt;Rumba&lt;/strong&gt; e no &lt;strong&gt;Jive&lt;/strong&gt;) e, finalmente, os vencedores dessa eliminatória competem juntos na &lt;strong&gt;semi-final&lt;/strong&gt; (Sofia &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; Dani no &lt;strong&gt;Disco&lt;/strong&gt;). O apuramento dos dançarinos é feito por um painel de &lt;strong&gt;três jurados residentes&lt;/strong&gt; (João Baião, Marco di Camilis e São José Lapa) e &lt;strong&gt;um convidado&lt;/strong&gt; (esta semana, Ana Bola), à excepção da semi-final que é sujeita a &lt;strong&gt;votação do público&lt;/strong&gt;. O vencedor da semi-final da sessão fica apurado para uma &lt;strong&gt;Grande Final&lt;/strong&gt; a realizar posteriormente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dado o meu interesse pela Dança, confesso ter sido com uma certa ansiedade que me predispus a assistir a este programa, mas a verdade é que esperava ver competir &lt;strong&gt;dançarinos a sério&lt;/strong&gt;, e não “celebridades” pernetas! É a &lt;strong&gt;primeira desilusão&lt;/strong&gt;. Não tenho paciência para estes programas televisivos feitos para as figuras públicas. Quer dizer, os gajos produzem, realizam, apresentam e, não contentes com isso, ainda participam nos programas que fazem. Portanto, fica tudo em família – lançam os foguetes, correm a apanhar as canas e fazem a festa toda &lt;strong&gt;entre eles&lt;/strong&gt;. E estúpido é o Zé Povinho, que &lt;strong&gt;paga&lt;/strong&gt; p’a comer esta merda. Porque a mim enjoa-me ver esta gente bem a convidar-se mutuamente para os programas uns dos outros e depois passar o tempo todo numa troca constante de galhardetes entre eles: “Tu és maravilhosaaa!” “Ah, não, &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; é que és maravilhosooo!” “Não, não, tu és &lt;strong&gt;muito mais&lt;/strong&gt; maravilhosa que eeeeeu!” “Nem pensar, tu és &lt;strong&gt;tããããão&lt;/strong&gt; maravilhoso!” “Não, és &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt;!” “Não, &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt;!” “Tu!” “Tu, tu!” “Tuuu!” “Ai, então somos &lt;strong&gt;todos&lt;/strong&gt; maravilhosos!” “Aaaaai, &lt;strong&gt;isso&lt;/strong&gt; é que é uma maravilhaaaaa!” É mas é um &lt;strong&gt;vómito&lt;/strong&gt;! Blaaarhg!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Segunda desilusão&lt;/strong&gt;: como todos os concursos televisivos portugueses, aquilo é paleio a mais e acção a menos. Bem espremidinho, o programa deve ter, se tanto, uns &lt;strong&gt;20% dançados&lt;/strong&gt;. E tão mal dançados, caramba! O que nos leva à &lt;strong&gt;terceira desilusão&lt;/strong&gt;: a qualidade das coreografias é dolorosamente fraca! Porque, de facto, &lt;strong&gt;dói&lt;/strong&gt; olhar para aquela pobreza! O coreógrafo responsável é um italiano com ar de rabeta chamado &lt;strong&gt;Marco di Camilis&lt;/strong&gt; que, além dessa, acumula ainda a função de jurado (pergunto-me até que ponto não haverá aí um certo &lt;strong&gt;conflito ético&lt;/strong&gt;...). Sei por experiência própria que as coreografias concebidas para &lt;strong&gt;exibição&lt;/strong&gt; contam sempre com uma grande dose de &lt;strong&gt;encenação&lt;/strong&gt; e até algum &lt;strong&gt;teatro&lt;/strong&gt;, mas a verdade é que, se tirarmos isso, resta muito pouca dança &lt;strong&gt;a sério&lt;/strong&gt; neste programa. Assim, dos 20% dançados, descemos para uns &lt;strong&gt;5% de dança a sério&lt;/strong&gt;. E se a isso juntarmos a falta de experiência dos participantes, temos... enfim, temos &lt;strong&gt;quase nada&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: apesar de tudo, o mérito todo do programa cabe mesmo é às &lt;strong&gt;celebridades pés-de-chumbo&lt;/strong&gt;. Porque, para quem não sabe dançar pevas, fazer um exibição televisiva a nível nacional e ao vivo com apenas &lt;strong&gt;4 horas de ensaios durante três dias&lt;/strong&gt; (o que perfaz apenas 4 horas de ensaio por dança) é obra! Para quem percebe minimamente do assunto, eles não fazem grandes dançarinos, é certo, mas aguentam-se à bronca. E isso é de aplaudir. Embora não justifique gastar mais do meu tempo (ainda por cima aos &lt;strong&gt;Sábados à noite&lt;/strong&gt;!) a seguir o programa. No máximo, sou capaz de deitar um olhinho uma vez por outra, para ver dançar a &lt;strong&gt;Tânia&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;Tatiana&lt;/strong&gt;, as duas professoras de dança do programa. Ver bailar aqueles &lt;strong&gt;corpos bem torneados e coleantes&lt;/strong&gt;, apertados nos seus &lt;strong&gt;vestidinhos diáfanos&lt;/strong&gt;, faz-me recordar porque razão adoro o mundo da dança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-114002074137673596?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/114002074137673596/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=114002074137673596&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114002074137673596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/114002074137673596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/02/dana-comigo.html' title='DANÇA COMIGO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-113934333796178581</id><published>2006-01-07T20:08:00.000Z</published><updated>2006-02-07T20:15:37.976Z</updated><title type='text'>ELES É QUE A TÊM FÁCIL</title><content type='html'>Estou de visita ao &lt;strong&gt;Porto&lt;/strong&gt;, a convite da &lt;strong&gt;Nocas&lt;/strong&gt;, uma amiga minha que conheci há ano e meio em Carvalhais, em pleno &lt;strong&gt;Andanças&lt;/strong&gt;, e já não via desde o Verão passado. Esta noite, juntamente com a minha querida prima &lt;strong&gt;Douradinha&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;Ruiva&lt;/strong&gt;, vamos dançar ao &lt;strong&gt;Cais de Gaia&lt;/strong&gt; – que, segundo sei, são as &lt;strong&gt;Docas&lt;/strong&gt; (de Alcântara) cá da Morconlândia. Sempre quero ver como são as betas tripeiras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é para mais daqui a bocado. Por agora, enquanto a Nocas e a Douradinha se preparam para a &lt;em&gt;night&lt;/em&gt; Gaiense (ou será Gaieta? Ou talvez Gaiata?), eu converso no Messenger com a &lt;strong&gt;Miana&lt;/strong&gt;, amiga da Nocas que também conheci na mesma ocasião. A Miana está actualmente a terminar o secundário nos &lt;strong&gt;E.U.A.&lt;/strong&gt;, mais precisamente em &lt;strong&gt;Michigan&lt;/strong&gt;. Assim, como é natural, o teor da nossa conversa acaba por versar maioritariamente as suas experiências na terra do Tio Sam. E, apesar de desiludida, o que a menina tem para contar é deveras interessante. Ora escute, caro leitor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tudo aquilo que se vê nos filmes americanos, os &lt;em&gt;jocks&lt;/em&gt; e as &lt;em&gt;cheerleaders&lt;/em&gt;, assim é a realidade,” afirma ela. “Tal e qual como nos filmes?” pergunto eu. “Sem tirar nem pôr.” E manda fotografias, a comprovar a veracidade das suas palavras. “Os rapazes são muita &lt;strong&gt;broncos&lt;/strong&gt;! Para já, não sabem dançar” – aprovado, aprovado!, homem inteligente &lt;strong&gt;tem&lt;/strong&gt; que saber dançar. “E depois são &lt;strong&gt;burros&lt;/strong&gt; e só se interessam por &lt;strong&gt;armas e caça&lt;/strong&gt;!” A minha prima estranha. Eu rio-me: “Esses gajos são mas é &lt;strong&gt;&lt;em&gt;rednecks&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;!” “Precisamente!” responde a Miana, “é isso mesmo que eles são: &lt;em&gt;rednecks&lt;/em&gt;.” (A propósito, alguém viu o “&lt;strong&gt;Bowling for Columbine&lt;/strong&gt;,” do Michael Moore? Ah pois é!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao apreciar as fotos que a nossa amiga nos envia, a Douradinha salienta o contraste entre a sua indumentária e a das raparigas americanas: “Olha lá, Miana, és tu que és demasiado &lt;strong&gt;friorenta&lt;/strong&gt; para esse clima ou são elas que têm os &lt;strong&gt;calores&lt;/strong&gt;?!” “As americanas são umas &lt;strong&gt;badalhocas&lt;/strong&gt;!” atira ela. E sucintamente explica como, em terras americanas, não há nada mais &lt;strong&gt;banal e disseminado&lt;/strong&gt; que a prática da &lt;strong&gt;felação&lt;/strong&gt;. Qualquer rapariga aos &lt;strong&gt;11 anos&lt;/strong&gt; já chupa como uma &lt;strong&gt;profissional de Monsanto&lt;/strong&gt;. E, aos &lt;strong&gt;13 anos&lt;/strong&gt;, já oferece (todos) os seus favores em qualquer vão de escada. “O objectivo máximo de uma rapariga é arranjar um homem, por isso, dá-se logo toda, para que ele goste dela e não a deixe.” (Bom, e temos de confessar que existe um certo encanto neste &lt;em&gt;American way&lt;/em&gt;...) Por uma questão de curiosidade, pergunto-lhe se, à semelhança da felação para os homens, também a &lt;strong&gt;cunilíngua para as senhoras&lt;/strong&gt; é moda corrente. “Nem pensar! Aqui, os gajos não têm que fazer nada! &lt;strong&gt;Eles mandam&lt;/strong&gt; e elas fazem &lt;strong&gt;tudo&lt;/strong&gt; para os agradar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caramba, o que é que um Jacaré como eu não faria numa terra destas! Conclusão: avaliando pelas fotos da minha amiga, as badalhocas camones são uns &lt;strong&gt;belos nacos&lt;/strong&gt; – e se é verdade que todas elas começam a chupar aos 11 anos, isso significa que, no final do secundário, já têm cerca de &lt;strong&gt;7 anos de experiência brochista&lt;/strong&gt;! Bom, está decidido: vou mudar-me para a América! Agora já percebo porque lhe chamam “&lt;em&gt;the Land of Opportunity&lt;/em&gt;”!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-113934333796178581?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/113934333796178581/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=113934333796178581&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/113934333796178581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/113934333796178581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2006/01/eles-que-tm-fcil.html' title='ELES É QUE A TÊM FÁCIL'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-113948309509926499</id><published>2004-12-25T22:58:00.000Z</published><updated>2006-02-09T11:04:55.113Z</updated><title type='text'>É NATAL, É NATAL!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Adoro o Natal!&lt;/strong&gt; Sempre adorei, desde puto. E adoro tudo: as &lt;strong&gt;canções natalícias&lt;/strong&gt;, as &lt;strong&gt;iluminações e decorações&lt;/strong&gt; das ruas e das montras das lojas, o &lt;strong&gt;reunir da família&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;convívio&lt;/strong&gt; entre primos e tios e as &lt;strong&gt;obscenas comezainas&lt;/strong&gt; que duram horas, as mesas repletas de &lt;strong&gt;doces&lt;/strong&gt; que, só de ver, um gajo até fica enjoado, o decorar o &lt;strong&gt;Pinheiro&lt;/strong&gt; e montar o &lt;strong&gt;Presépio&lt;/strong&gt; (independentemente das minhas próprias convicções religiosas – ou falta delas), o ir ao &lt;strong&gt;circo&lt;/strong&gt; (deleitar os olhos nos corpos torneados das &lt;strong&gt;trapezistas&lt;/strong&gt;, bem apertados nos seus minúsculos fatinhos), e até mesmo o &lt;strong&gt;tempo frio e invernoso&lt;/strong&gt; (e logo eu, que nasci num clima tropical e detesto o frio – ou não fosse um &lt;strong&gt;Jacaré&lt;/strong&gt;)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordo-me bem da &lt;strong&gt;ansiedade&lt;/strong&gt; crescente e esmagadora que em criança sentia, juntamente com os meus &lt;strong&gt;irmãos, primas e amigos&lt;/strong&gt;, com o aproximar da meia-noite do dia 25 de Dezembro, a hora designada para o desembrulhar das prendas. Recordo-me bem de contar as intermináveis horas com insuportável impaciência, inventando mil e um estratagemas, brincadeiras e actividades que nos mantivessem ocupados e, por milagre, fizessem o tempo esgotar-se &lt;strong&gt;mais rapidamente&lt;/strong&gt;. Recordo-me também, já mais velhos, das visitas de grupo nocturnas ao sombrio e afastado &lt;strong&gt;cemitério&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;Sobrainho dos Gaios&lt;/strong&gt;, a aldeola natal da minha mãe, onde era hábito passarmos as férias. E atravessar nervosamente o cemitério de uma ponta a outra (e de volta), em magote muito compacto, vendo braços e cabeças de &lt;strong&gt;cadáveres putrefactos&lt;/strong&gt; a espreitar por trás de cada túmulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após esta prova de coragem, lá íamos nós, impando de felicidade, a correr para casa, para abrir o molho de prendas que nos esperava aos pés da Árvore de Natal. Ao bater da meia-noite e nem &lt;strong&gt;um segundo&lt;/strong&gt; mais cedo! Neste ponto éramos de um &lt;strong&gt;rigoroso e absoluto&lt;/strong&gt; escrúpulo: desembrulhar e revelar as prendas &lt;strong&gt;antes&lt;/strong&gt; da hora marcada era implicitamente tido entre nós como &lt;strong&gt;sacrilégio&lt;/strong&gt;. Porque destruía a &lt;strong&gt;magia do Natal&lt;/strong&gt;. Portanto, e contrariamente ao que é corrente, os meus pais nunca sentiram a necessidade de &lt;strong&gt;esconder&lt;/strong&gt; as prendas para evitar que os filhos as abrissem antes da hora. Nós, como qualquer miúdo, bem nos reuníamos à volta delas, a rebentar de curiosidade, apalpando, abanando, cheirando e conjecturando acerca daquilo que o papel de embrulho escondia. Mas a fita-cola era &lt;strong&gt;sagrada&lt;/strong&gt; e não podia ser violada. E quando acontecia um de nós saber de fonte segura (ou seja, por confidência dos pais) o conteúdo da prenda do irmão, este recusava-se terminantemente a deixar que lhe fosse revelado, tapando com força os ouvidos e gritando a plenos pulmões, para evitar que lhe estragassem a &lt;strong&gt;surpresa&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bons tempos! E é bom verificar que, dessa altura para hoje, pouco mudou. Obviamente, já não sofro da ansiedade impaciente que sofria quando era puto. Mas, e daí, as prendas há muito que deixaram de ter a &lt;strong&gt;importância&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;profusão&lt;/strong&gt; desses tempos. Contudo, mesmo sabendo que não me livro da &lt;strong&gt;água-de-colónia&lt;/strong&gt; e do &lt;strong&gt;par de meias&lt;/strong&gt; da praxe, é com a maior das alegrias que desembrulho todos os anos o meu pequeno quinhão de prendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma coisa, contudo, que eu abomino no Natal: os &lt;strong&gt;fundamentalistas do espírito Natalício&lt;/strong&gt; (e outras criaturas, oportunistas e hipócritas, que acham que estes sentimentalismos baratos ficam sempre bem) que, todos os anos, lamentam a suposta &lt;strong&gt;perda de significado&lt;/strong&gt; do Natal devido à &lt;strong&gt;febre consumista&lt;/strong&gt;. Dizem que o Natal é tempo de &lt;strong&gt;dar&lt;/strong&gt; e irritam-se porque, cada vez mais, “dar” é sinónimo de “&lt;strong&gt;comprar&lt;/strong&gt;.” Pobres seres de vistas curtas, que ainda se negam a encarar o &lt;strong&gt;óbvio&lt;/strong&gt;. Na nossa sociedade consumista, comprar é &lt;strong&gt;lei&lt;/strong&gt;. Toda a nossa vida é passada a comprar. Porém, o Natal é das escassas ocasiões em que deixamos de olhar para o próprio umbigo e compramos, não para nós, mas para &lt;strong&gt;os outros&lt;/strong&gt;. E é &lt;strong&gt;aí&lt;/strong&gt; que reside o espírito Natalício: no facto de, pelo menos nesta altura, pensarmos também &lt;strong&gt;um pouco&lt;/strong&gt; nos &lt;strong&gt;outros&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem que seja apenas para decidir a &lt;strong&gt;cor&lt;/strong&gt; das meias que se pretende oferecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-113948309509926499?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/113948309509926499/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=113948309509926499&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/113948309509926499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/113948309509926499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/12/natal-natal.html' title='É NATAL, É NATAL!'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-111996798080804721</id><published>2004-11-24T17:37:00.000Z</published><updated>2005-06-28T15:13:00.816+01:00</updated><title type='text'>EMPREGADO DO MÊS</title><content type='html'>Trabalho há (quase) uma mão cheia de anos numa loja de centro comercial. Em &lt;em&gt;part-time&lt;/em&gt;. O salário é uma miséria, claro, mas chega para o que eu quero: pagar a faculdade e ser &lt;strong&gt;economicamente independente&lt;/strong&gt;. Faço tudo o que gosto e ainda me sobra guito para prestar &lt;strong&gt;assistência financeira&lt;/strong&gt; aos amigos mais desfavorecidos. Aliás, quando penso nos cerca de &lt;strong&gt;mil e quinhentos contos&lt;/strong&gt; que tenho emprestados, chego à conclusão que devia era enveredar pela carreira de &lt;strong&gt;agiota&lt;/strong&gt; – ficava rico! Embora me baste ter o suficiente para poder levar sem problemas a vida que eu gosto. Ser rico exige demasiadas &lt;strong&gt;responsabilidades&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;preocupações&lt;/strong&gt; e eu abomino o &lt;em&gt;stress&lt;/em&gt;. Prezo muito a minha sanidade física e mental. Prefiro &lt;strong&gt;usar&lt;/strong&gt; o dinheiro do que &lt;strong&gt;ser usado&lt;/strong&gt; por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que gosto do meu emprego, actividade de um modo geral bastante relaxada, onde as responsabilidades e preocupações são reduzidas. Passo o tempo sozinho na loja, sem colegas para me incomodar e sem grande trabalho que me ocupe. Tenho televisão para me entreter e computador para trabalhar (onde, a propósito, escrevo “&lt;strong&gt;A Goela&lt;/strong&gt;”). Tempo para mim não me falta, especialmente nesta altura de &lt;strong&gt;recessão económica&lt;/strong&gt;, em que a clientela é pouca. A grande vantagem, contudo, decorre do facto do emprego me manter afastado do lar durante as horas em que a minha família a ele retorna após o dia de trabalho – a minha presença em casa, como é muito mais &lt;strong&gt;rara&lt;/strong&gt;, tornou-se também muito mais &lt;strong&gt;desejada&lt;/strong&gt;. E, de facto, desde que trabalho que os meus pais aprenderam a &lt;strong&gt;dar mais valor&lt;/strong&gt; às ocasiões em que estou com eles, em vez de gastarem esse tempo a censurar-me por causa das minhas opções de vida. Por último, e para rematar, há ainda o bónus da &lt;strong&gt;paisagem&lt;/strong&gt;. É comum ouvir, quando recebo na loja a visita de algum amigo: “Jacaré, a tua loja é um &lt;strong&gt;espectáculo&lt;/strong&gt;! É só &lt;strong&gt;gajas boas&lt;/strong&gt; a desfilar em frente à montra!” E é verdade. Por vezes, gosto de imaginar que &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; é que sou o &lt;strong&gt;cliente&lt;/strong&gt;, a avaliar o material exposto na montra de uma loja: “Olhe, embrulhe-me aquela &lt;strong&gt;ruiva&lt;/strong&gt;, por favor. É para levar. E aquela loira, é verdadeira ou &lt;strong&gt;imitação&lt;/strong&gt;? Por acaso, não tem um número &lt;strong&gt;menor&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;menos beta&lt;/strong&gt;, não?...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo são rosas e também neste emprego há desvantagens. Num centro comercial, feriados e fins-de-semana são dias de trabalho como os outros. Não se fica em casa a dormir só porque é Domingo. E depois, claro, há a &lt;strong&gt;clientela&lt;/strong&gt;. Caprichosa como só ela. Atender o público é tarefa exigente que requer uma &lt;strong&gt;paciência&lt;/strong&gt; a toda a prova. Especialmente quando se trata de atender os clientes mais insuportáveis: os &lt;strong&gt;arrogantes&lt;/strong&gt; (que tratam o vendedor como se fosse um mísero insecto), os &lt;strong&gt;burros&lt;/strong&gt; (que têm a língua mais rápida que o pensamento, memória curta e uma incapacidade olímpica em compreender os conceitos mais simples) e os &lt;strong&gt;indecisos&lt;/strong&gt; (os empata-fodas da vida, gentalha desprezível a quem reservo o meu mais acerado ódio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência ensinou-me, porém, que um &lt;strong&gt;sorriso&lt;/strong&gt; e alguma &lt;strong&gt;simpatia&lt;/strong&gt; é meio caminho andado para uma interlocução agradável e gratificante para ambas as partes envolvidas. São essas as armas que uso. E são extremamente &lt;strong&gt;eficazes&lt;/strong&gt;. A prová-lo – se é que isso prova alguma coisa – está o resultado da &lt;strong&gt;avaliação&lt;/strong&gt; das lojas efectuada no início do mês pela administração do centro comercial, por intermédio do “&lt;strong&gt;Cliente Mistério&lt;/strong&gt;” (que não passa de um &lt;strong&gt;espião&lt;/strong&gt; a soldo da administração, e disfarçado sob a aparência de um banal cliente, cujo objectivo é avaliar – muitas vezes, mal e porcamente, convém referi-lo – a prestação dos comerciantes do centro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez desde que aqui trabalho, sou eu o apanhado. Mas passo o teste com &lt;strong&gt;distinção&lt;/strong&gt;. As considerações do “Cliente Mistério” sobre a minha pessoa qualificam-me como “muito &lt;strong&gt;simpático&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;prestativo&lt;/strong&gt;” e revelador de “&lt;strong&gt;muito bons conhecimentos&lt;/strong&gt; em Atendimento e/ou Técnicas de Venda,” entre outros louvores que não sei se mereço. Pontuação obtida: &lt;strong&gt;95,0%&lt;/strong&gt;. Arrasador!... Terei algum mérito, sem dúvida, mas a sensação que me dá é que este “Cliente Mistério” era uma &lt;strong&gt;gaja&lt;/strong&gt; que se deixou encantar pelos meus &lt;strong&gt;olhos claros&lt;/strong&gt;. Ou então um &lt;em&gt;gay&lt;/em&gt; que gostou do meu &lt;strong&gt;cu&lt;/strong&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-111996798080804721?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/111996798080804721/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=111996798080804721&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111996798080804721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111996798080804721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/empregado-do-ms.html' title='EMPREGADO DO MÊS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-111477169036279462</id><published>2004-11-23T23:51:00.000Z</published><updated>2005-04-30T18:15:12.296+01:00</updated><title type='text'>“ESTAMOS AGORA SÓS”</title><content type='html'>Estamos na França pré-revolucionária. A &lt;strong&gt;Marquesa de Merteuil&lt;/strong&gt; “ressuscita” o seu amante &lt;strong&gt;Visconde de Valmont&lt;/strong&gt; para uma peculiar &lt;em&gt;soirée&lt;/em&gt; em que os pratos fortes são os corpos de uma jovem pura e virgem – &lt;strong&gt;Cécile de Volanges&lt;/strong&gt; – e de uma fidelíssima mulher casada – &lt;strong&gt;Madame de Tourvel&lt;/strong&gt; –, guarnecidos com bastante sedução, falsidade, volúpia, manipulação... e corrupção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma enorme mesa com capacidade para &lt;strong&gt;30 pessoas&lt;/strong&gt; – para além dos dois actores (e encenadores), &lt;strong&gt;André Amálio&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Joana Furtado&lt;/strong&gt;, com lugar em ambas as cabeceiras – convida os espectadores a tomar parte da acção. A mesa está posta e o seu tampo revestido a chapas de metal polido reflecte a fila de &lt;strong&gt;máscaras&lt;/strong&gt; com que os espectadores ocultam as suas faces. Os dois actores, movimentando-se à volta da mesa e mesmo &lt;strong&gt;sobre&lt;/strong&gt; ela, contracenam um com o outro, mudando de pele e assumindo à vez as diferentes personagens que se sucedem em cada cena. Servem vinho, carne, pão. Eu como, eu bebo. &lt;strong&gt;À saúde!&lt;/strong&gt; Bebamos, enquanto somos testemunhas dos jogos de sedução, falsidade e manipulação a que Valmont e Merteuil se entregam – e com que ambos se deleitam na ligação que os une –, corrompendo os corpos – e as &lt;strong&gt;almas&lt;/strong&gt; – da jovem Volanges e da senhora de Tourvel. “A &lt;strong&gt;falsidade&lt;/strong&gt; é quase sempre um meio certo de triunfar,” Marquês de Sade &lt;em&gt;dixit&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/AgoraSos.jpg'&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisto à peça “&lt;strong&gt;Estamos Agora Sós&lt;/strong&gt;,” em cena na &lt;strong&gt;Casa d’ Os Dias da Água&lt;/strong&gt; (no 175 da Rua D. Estefânia, em Lisboa) até amanhã. É um espectáculo baseado em “&lt;strong&gt;Quarteto&lt;/strong&gt;,” de &lt;strong&gt;Heiner Müller&lt;/strong&gt;, peça escrita a partir da tradução de &lt;strong&gt;Heinrich Mann&lt;/strong&gt; da obra “&lt;strong&gt;As Ligações Perigosas&lt;/strong&gt;,” de &lt;strong&gt;Choderlos de Laclos&lt;/strong&gt;, publicada em &lt;strong&gt;1782&lt;/strong&gt; – e tantas vezes adaptada, nomeadamente para cinema e televisão. Uma simples pesquisa na Net revelará que já foram feitas nada menos que &lt;strong&gt;dez&lt;/strong&gt; (!) adaptações desta obra, umas mais, outras menos fiéis, e das quais destaco cinco: “&lt;strong&gt;Les Liaisons Dangereuses&lt;/strong&gt;,” de Roger Vadim, em 1959; “&lt;strong&gt;Dangerous Liaisons&lt;/strong&gt;,” de Stephen Frears, em 1988 (com Glenn Close, John Malkovich e Michelle Pfeiffer – provavelmente a mais conhecida e &lt;strong&gt;melhor&lt;/strong&gt; adaptação); “&lt;strong&gt;Valmont&lt;/strong&gt;,” de Milos Forman, em 1989 (com Annette Bening e Colin Firth); “&lt;strong&gt;Cruel Intentions&lt;/strong&gt;,” de Roger Kumble, em 1999 (com a &lt;em&gt;caçadora de vampiros&lt;/em&gt; Sarah Michelle Gellar); e “&lt;strong&gt;Les Liaisons Dangereuses&lt;/strong&gt;,” de Josée Dayan, em 2003 (com Catherine Deneuve, Rupert Everett e Nastassja Kinski). É caso para dizer que estamos sempre a comer &lt;strong&gt;o mesmo&lt;/strong&gt;, só o &lt;strong&gt;acompanhamento&lt;/strong&gt; é que muda. Mal sabia o Choderlos (e que raio de nome vem a ser este, caramba?! Os pais deviam &lt;strong&gt;detestá-lo&lt;/strong&gt;! Tudo indica que foi uma criança &lt;strong&gt;não desejada&lt;/strong&gt;)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisto hoje a esta peça por intermédio da minha irmã e do meu cunhado, que estiveram envolvidos no projecto em causa (em trabalho de bastidores). Especialmente &lt;strong&gt;ele&lt;/strong&gt;, que foi o responsável pelo &lt;em&gt;design&lt;/em&gt; do &lt;strong&gt;material gráfico&lt;/strong&gt; para a peça (cartaz, folhetos e postais) e, posteriormente, me convidou para trabalhar com ele nesse campo. No final, o meu trabalho acabou por não ser usado (pelo menos, nesta fase), contudo, o meu nome aparece na &lt;strong&gt;ficha técnica&lt;/strong&gt;, o que me faz sentir uma certa &lt;strong&gt;ligação&lt;/strong&gt; a este projecto. De &lt;strong&gt;primos afastados&lt;/strong&gt;, ou assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive ainda o privilégio de assistir, há duas ou três semanas atrás, ao último &lt;strong&gt;ensaio assistido&lt;/strong&gt; da peça. Na ocasião, uma cromita &lt;em&gt;freak&lt;/em&gt; pseudo-intelectual também presente considerou o momento mais alto da peça a cena em que Valmont corrompe a jovem Volanges. Contrariando-a, eu professei, alto e bom som, a minha opinião de que o momento mais elevado era, não esse, mas sim a cena em que Valmont corrompe a fidelíssima senhora de Tourvel. Por razões &lt;strong&gt;óbvias&lt;/strong&gt;: corromper uma fiel (e convicta) mulher casada é exercício muito mais &lt;strong&gt;exigente&lt;/strong&gt; (e gratificante) que corromper uma jovem virgem a rebentar de lascívia, “algo já tão visto e banalizado,” rematei. “E já estás tão &lt;strong&gt;habituado&lt;/strong&gt; a isso, não é?” atirou Joana Furtado, a actriz. Toda a gente riu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela nem sequer me conhecia. Como diabos adivinhou?...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-111477169036279462?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/111477169036279462/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=111477169036279462&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111477169036279462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111477169036279462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/estamos-agora-ss.html' title='“ESTAMOS AGORA SÓS”'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-111150849688918433</id><published>2004-11-23T14:15:00.000Z</published><updated>2005-03-22T16:21:36.893Z</updated><title type='text'>OPERAÇÃO?</title><content type='html'>Estou de volta ao &lt;strong&gt;Hospital Egas Moniz&lt;/strong&gt; para uma consulta de &lt;strong&gt;Urologia&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;– Então, diga-me lá como é que isso está, – pergunta o meu &lt;strong&gt;médico urologista&lt;/strong&gt;, o Doutor &lt;strong&gt;José Luís Barreto&lt;/strong&gt;, com a sua cara habitual de &lt;em&gt;couldn’t care less&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;– Bem... continuo sem conseguir urinar, – respondo eu.&lt;br /&gt;– Por &lt;strong&gt;cima&lt;/strong&gt; ou por &lt;strong&gt;baixo&lt;/strong&gt;? – rosna o homem, – Tem que especificar!&lt;br /&gt;Hesito perante a rudeza inesperada do homem. Mas este gajo está armado em parvo? Que eu saiba, “mijar” é pela &lt;strong&gt;pila&lt;/strong&gt; e não pelo cateter! Além disso, se eu porventura não conseguisse &lt;em&gt;mijar&lt;/em&gt; pelo cateter, de certeza que não estava tão descansado da vida, ó esperteza saloia!&lt;br /&gt;– Por baixo, &lt;strong&gt;claro&lt;/strong&gt;, – replico, civilizadamente.&lt;br /&gt;– Então não sai &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt; por baixo?&lt;br /&gt;– Não. Quer dizer, vai sempre saindo qualquer coisa, que eu sinto, mas --&lt;br /&gt;– Que é isso de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;sentir&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;? &lt;em&gt;Sente&lt;/em&gt;, &lt;strong&gt;como&lt;/strong&gt;? &lt;em&gt;Sente&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;o quê&lt;/strong&gt;?&lt;br /&gt;– Bom, durante o dia, nos meus afazeres diários --&lt;br /&gt;– Ou à noite, a &lt;strong&gt;dormir&lt;/strong&gt;. É em &lt;strong&gt;sonhos&lt;/strong&gt; que você &lt;em&gt;sente&lt;/em&gt;, não é? Só pode ser.&lt;br /&gt;É que o gajo está &lt;strong&gt;mesmo&lt;/strong&gt; armado em parvo! Cretino do caraças! Mas, desta vez, não me fico e...&lt;br /&gt;– Espere lá! Se eu &lt;strong&gt;sinto&lt;/strong&gt; umas gotas a sair ao longo do dia e depois vejo as cuecas &lt;strong&gt;manchadas&lt;/strong&gt; é porque está &lt;strong&gt;necessariamente&lt;/strong&gt; a sair &lt;em&gt;alguma coisa&lt;/em&gt;, não é?&lt;br /&gt;O médico esboça um esgar céptico.&lt;br /&gt;– Não necessariamente. Seja como for, umas gotas pouco interessam. Tem é que haver &lt;strong&gt;jacto&lt;/strong&gt;. Jacto! &lt;strong&gt;Isso&lt;/strong&gt; é que conta. Você tem que &lt;strong&gt;ver&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Sentir&lt;/em&gt; não é nada.&lt;br /&gt;– Bom, jacto não há. É como lhe disse.&lt;br /&gt;– Não há jacto.&lt;br /&gt;– Não.&lt;br /&gt;– Bom.&lt;br /&gt;Por momentos, o médico rabisca algo num papel. Pausa. Subitamente, levanta os olhos para mim:&lt;br /&gt;– Claro que já se apercebeu que vai ter de ser &lt;strong&gt;operado&lt;/strong&gt;, não é?&lt;br /&gt;– Eu já calculava, sim.&lt;br /&gt;– Já passaram mais de dois meses desde o acidente e ainda nada... Mas, vamos fazer uma &lt;strong&gt;uretrografia&lt;/strong&gt;, antes de marcarmos a operação. E, segundo o resultado do exame, logo decidimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abandono o consultório com uma mistura de sentimentos contraditórios. Apesar de não querer ir à faca, quero muito ver este problema de obstrução urinária resolvido de uma vez por todas, portanto... acho que até estou &lt;strong&gt;feliz&lt;/strong&gt; por tudo isto se resolver em breve. Contudo, há algo que me desagrada cada vez mais nesta situação: o facto de estar a desenvolver uma &lt;strong&gt;intensa antipatia&lt;/strong&gt; pelo médico, que, consequentemente, abala a &lt;strong&gt;confiança&lt;/strong&gt; que nele deposito. É verdade que nada posso afirmar sobre as suas &lt;strong&gt;aptidões clínicas&lt;/strong&gt;, pois careço de dados em que fundamentar a minha opinião, contudo, como &lt;strong&gt;ser humano&lt;/strong&gt;, o raio do homem é uma &lt;strong&gt;nódoa&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mania que o tipo tem de tratar os pacientes como se fossem &lt;strong&gt;atrasados mentais&lt;/strong&gt;! Concedo que seja psicologicamente desgastante passar o dia inteiro a ouvir os queixumes de pessoas que não conseguem mijar direito, mas, caramba!, se o gajo não tem &lt;strong&gt;paciência&lt;/strong&gt; para o fazer, que &lt;strong&gt;desista&lt;/strong&gt; da Medicina, que diabo! Eu não tenho que o aturar, mais ao seu mau humor e às suas &lt;strong&gt;frustrações sexuais&lt;/strong&gt; (pois é &lt;strong&gt;óbvio&lt;/strong&gt; que o seu mau humor deriva de grandes problemas de ordem sexual).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer-me cá parecer que, antes de toda esta aventura acabar, ainda vou ter que me chatear a sério com o médico... O gajo que insista em tratar-me como um atrasado mental e vai ver como o Jacaré &lt;strong&gt;morde&lt;/strong&gt;. Muita sorte teve ele por eu não lhe ter afinfado um &lt;strong&gt;pontapé nas canelas&lt;/strong&gt; por baixo da mesa – e depois atirado-lhe à cara que era tudo um &lt;strong&gt;sonho&lt;/strong&gt; dele: “Você tem que &lt;strong&gt;ver&lt;/strong&gt;. Sentir não é &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt;.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-111150849688918433?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/111150849688918433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=111150849688918433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111150849688918433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111150849688918433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/operao.html' title='OPERAÇÃO?'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-111150807998363854</id><published>2004-11-18T23:59:00.000Z</published><updated>2005-03-22T16:14:39.993Z</updated><title type='text'>FREAK SHOW: O REGRESSO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Alarme!&lt;/strong&gt; O meu cateter urinário &lt;strong&gt;entupiu&lt;/strong&gt;! Desde que tenho a ligação directa à bexiga, que vaza automaticamente a minha urina para um saco à medida que a bexiga enche, não tenho vontade de mijar (a menos, claro, que o tubo seja pressionado ou dobrado, impedindo o normal fluir da urina). Assim, quando, ao princípio da noite, me apercebo de uma crescente &lt;strong&gt;vontade de mijar&lt;/strong&gt;, apesar do saco de urina permanecer vazio, e os esforços na casa-de-banho resultam infrutíferos (&lt;strong&gt;dois&lt;/strong&gt; canais para mijar e &lt;strong&gt;nenhum&lt;/strong&gt; a funcionar!), chego à conclusão que é boa hora para correr para o hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São cerca das onze horas da noite quando entro de rompante na &lt;strong&gt;Sala de Urgências&lt;/strong&gt; do &lt;strong&gt;Hospital S. Francisco Xavier&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Circo de Aberrações&lt;/strong&gt; onde passei a minha &lt;strong&gt;primeira noite&lt;/strong&gt; após o acidente em Setembro passado. Como de costume, as macas alinhadas ao longo da parede à minha direita estão ocupadas com doentes e acidentados padecentes dos males mais diversos. Os médicos e enfermeiras presentes movem-se com aparente &lt;strong&gt;indiferença&lt;/strong&gt; perante o desfile de sofrimento que lhes passa continuamente pelas mãos e pelos olhos e &lt;strong&gt;ninguém&lt;/strong&gt; acusa a minha presença, a saltitar nervosa e desesperadamente de um pé para o outro à entrada da sala. Interpelada por mim, uma médica sentada a uma secretária – uma &lt;strong&gt;tiazorra gorda&lt;/strong&gt;, cheia de cachuchos nos dedos e inolvidável pela sua &lt;strong&gt;total inacção&lt;/strong&gt; perante o sofrimento (e o trabalho) alheio – aponta-me outro médico – o gajo que efectivamente labuta ali. Veredicto do homem: &lt;strong&gt;lavagem à bexiga&lt;/strong&gt;. “Se isso não resultar,” acrescenta ele para a enfermeira de serviço (uma bela morenita chamada Sandra), “é necessário levá-lo para a &lt;strong&gt;Sala de Pequenas Cirurgias&lt;/strong&gt;, para lhe &lt;strong&gt;substituirem o cateter&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a enfermeira trata dos pacientes que me precedem, passo um mau bocado de atormentado saltitar – sinto a bexiga a rebentar, tenho &lt;strong&gt;dores horríveis&lt;/strong&gt; naqueles músculos que um gajo contrai para controlar a ejecção de urina e há muito que apertar a pila e torcer as pernas deixou de produzir qualquer efeito de alívio. “Doutor, quando é que me atendem?” pergunto ao médico, “Olhe que eu &lt;strong&gt;rebento&lt;/strong&gt;!” “Não rebenta nada,” ri-se ele. “Diz isso porque não é &lt;strong&gt;você&lt;/strong&gt;,” resmungo eu, entredentes. É então que, num súbito momento de lucidez no meio da minha agonia, me apercebo que eu só sofro de dores porque estou a fazer força para &lt;strong&gt;evitar&lt;/strong&gt; mijar. Sou mesmo um grande idiota! Eu estou &lt;strong&gt;entupido&lt;/strong&gt;! Eu &lt;strong&gt;não consigo&lt;/strong&gt; mijar! Logo, &lt;strong&gt;não preciso&lt;/strong&gt; de fazer força para não mijar! Posso muito bem relaxar os músculos e deixar-me ir! Mas... e se, de repente, &lt;strong&gt;desentupo&lt;/strong&gt; e acabo por me mijar todo pelas pernas abaixo?... Caramba, mas, ao menos, desentupo &lt;strong&gt;de vez&lt;/strong&gt;! Ficaria &lt;strong&gt;bem feliz&lt;/strong&gt; por acabar encharcado e a patinhar numa &lt;strong&gt;poça de mijo&lt;/strong&gt; se, ao menos, desentupisse de vez!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resoluto e instantaneamente calmo, relaxo os músculos. Com uma pontada de dor junto à próstata, sinto a urina fluir com uma contracção da bexiga, e depois... &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt;. Apenas alguma dor junto à &lt;strong&gt;glande&lt;/strong&gt; e, finalmente, a urina &lt;strong&gt;reflui&lt;/strong&gt;, de volta à bexiga. Enfim, alívio. Ainda tenho a bexiga inchada, mas já não sinto dores porque estou completamente relaxado. Respiro fundo e, com a minha paz de espírito finalmente restaurada, posso recostar-me e observar o que se passa à minha volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noto que o cheiro nauseabundo que paira no ar provém dos pés do rapaz da cara salpicada de &lt;strong&gt;sangue&lt;/strong&gt; deitado na maca ao meu lado. Numa das macas da parede oposta, um outro rapaz conversa com o médico – aparentemente, caiu enquanto andava de bicicleta, bateu com a cabeça e &lt;strong&gt;perdeu a memória&lt;/strong&gt;. Ele há cenas lixadas! Entretanto, a relativa calma da sala é dissolvida pela chegada de uma maca que transporta um homem de meia idade em estado de &lt;strong&gt;fúria&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;gritar&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;insultar&lt;/strong&gt; o pessoal médico e todo o Sistema Nacional de Saúde. São precisas várias pessoas para o agarrar enquanto lhe administram uma injecçãozita para o acalmar. É o &lt;strong&gt;momento alto&lt;/strong&gt; da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto observo calmamente o que se passa à minha volta, reparo com alguma surpresa que o meu saquinho de mijo está um pouco mais &lt;strong&gt;cheio&lt;/strong&gt;. Que surpresa!, parece que o cateter começou aos poucos a drenar a urina. E, de facto, quando chega a minha vez de ser atendido, a enfermeira morenita que procede à lavagem da bexiga chega à conclusão que o cateter está a &lt;strong&gt;funcionar devidamente&lt;/strong&gt;. Ela usa uma seringa enorme (já &lt;a href="http://agoeladojacare.blogspot.com/2004_09_01_agoeladojacare_archive.html#109976368505458194"&gt;minha conhecida&lt;/a&gt;), para injectar água, através do cateter, para a bexiga – “Agora, relaxe, que Isto pode provocar-lhe uma &lt;strong&gt;sensação incómoda&lt;/strong&gt;.” Ao entrar no meu corpo, a água &lt;strong&gt;refresca-me&lt;/strong&gt; o baixo ventre como se me estivesse a ser derramada sobre a pele. &lt;em&gt;Feels good!&lt;/em&gt; Além disso, a enfermeira é muito &lt;strong&gt;meiga&lt;/strong&gt; e eu sinto-me maravilhosamente nas suas mãos prestáveis e carinhosas. Entretanto, ouço o meu nome ser chamado pelo altifalante: “Dirija-se à Sala de Urgências, por favor.” Mas esta gente está maluca? Eu &lt;strong&gt;já&lt;/strong&gt; cá estou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalizada a lavagem, o saco de urina enche rapidamente. Poucos minutos depois, os seus &lt;strong&gt;dois litros&lt;/strong&gt; de capacidade estão quase atingidos. Enquanto espero, ouço o meu nome ser chamado mais &lt;strong&gt;duas&lt;/strong&gt; vezes. Finalmente, faço sinal na direcção da tiazorra gorda e apresento-me. “É &lt;strong&gt;você&lt;/strong&gt;?... Já podia ter dito! Estou farta de o chamar!” Nessa altura, aparece o meu &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;, preocupado porque ouviu o meu nome ser chamado na sala de espera e receia que eu ainda não tenha sido atendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu já estou despachado e, depois da tiazorra conferenciar com o médico acerca do meu caso, e ele com a enfermeira, decidem deixar-me voltar à minha vida. Umas últimas recomendações do médico: “Beba &lt;strong&gt;muita água&lt;/strong&gt;, para a sua urina continuar assim clarinha e não &lt;strong&gt;infectar&lt;/strong&gt;. E, caso a urina fique turva, consulte o seu médico de família, para ele lhe receitar &lt;strong&gt;antibióticos&lt;/strong&gt;, está certo?” &lt;em&gt;Okay, okay, I know the drill.&lt;/em&gt; Estou a tornar-me um especialista em &lt;strong&gt;problemas urinários&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quase &lt;strong&gt;meia-noite&lt;/strong&gt; quando abandono o Circo de Aberrações, &lt;strong&gt;aliviado&lt;/strong&gt; porque o problema se resolveu facilmente. Só não estou mesmo &lt;strong&gt;feliz&lt;/strong&gt; porque não tive oportunidade de pedir o &lt;strong&gt;número&lt;/strong&gt; à bela enfermeira Sandra. Bom, na verdade, até tive, mas pareceu-me de &lt;strong&gt;mau gosto&lt;/strong&gt; fazê-lo durante a &lt;strong&gt;lavagem da bexiga&lt;/strong&gt;. Chamem-me antiquado, mas não achei a conjuntura nada &lt;strong&gt;romântica&lt;/strong&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-111150807998363854?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/111150807998363854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=111150807998363854&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111150807998363854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111150807998363854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/freak-show-o-regresso.html' title='&lt;em&gt;FREAK SHOW&lt;/em&gt;: O REGRESSO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-111150714529300504</id><published>2004-11-16T15:52:00.000Z</published><updated>2005-03-22T16:23:15.436Z</updated><title type='text'>A GUERRA DO MARFIM</title><content type='html'>Passam duas semanas desde que a &lt;strong&gt;Evita&lt;/strong&gt;, a minha melhor amiga, deixou o nosso país com destino à &lt;strong&gt;Costa do Marfim&lt;/strong&gt;, onde reside actualmente com o seu noivo &lt;strong&gt;Françiú&lt;/strong&gt;. Ou onde &lt;strong&gt;residia&lt;/strong&gt; até recentemente, para ser mais exacto. É que, entretanto, rebentou a &lt;strong&gt;guerra&lt;/strong&gt; lá na terra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Protectorado francês desde 1842, a Costa do Marfim torna-se parte da &lt;strong&gt;Federação Francesa da África Ocidental&lt;/strong&gt; em 1904. Meio século depois, o país torna-se uma &lt;strong&gt;república&lt;/strong&gt; dentro da Comunidade Francesa e, em 1960, ganha a &lt;strong&gt;independência&lt;/strong&gt;, sob o governo do presidente &lt;strong&gt;Felix Houphouet-Boigny&lt;/strong&gt;, líder do &lt;strong&gt;PDCM&lt;/strong&gt; (Partido Democrático da Costa do Marfim) e mentor da independência marfinense (o &lt;strong&gt;Xanana&lt;/strong&gt; lá do burgo, portanto – ou talvez o contrário, tendo em conta que o revolucionário timorense recebeu o Prémio &lt;strong&gt;Felix Houphouet-Boigny para a Paz&lt;/strong&gt; em 2003).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante mais de &lt;strong&gt;três décadas&lt;/strong&gt;, Houphouet-Boigny governa com mão de ferro um sistema unipartidário, tornando o país um dos mais economicamente estáveis e desenvolvidos da África Ocidental. Porém, o poder colonial francês nunca abandona totalmente a Costa do Marfim. De protectorado, o país torna-se um &lt;strong&gt;estado cliente&lt;/strong&gt;, com vários cidadãos franceses a dominar sectores estratégicos da economia marfinense (os simpáticos franciús, a ajudarem os pretinhos a gerir o próprio país – e a fazerem &lt;strong&gt;bué guito&lt;/strong&gt; à conta deles, está bem de ver). Em 1993, a morte de Houphouet-Boigny, coincidente com o &lt;strong&gt;declínio da economia&lt;/strong&gt; local em função da queda dos preços dos produtos agrícolas, abre caminho a uma &lt;strong&gt;crise institucional&lt;/strong&gt; que leva a uma luta pelo poder entre as facções políticas do país (ou seja, morre o velho e a família anda à bulha pela herança).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Golpes de estado&lt;/strong&gt; marcam a sucessão política na década de 90 e é no ano de 2000, após eleições fraudadas pelo general &lt;strong&gt;Robert Guei&lt;/strong&gt; (que foge do país ameaçado pela revolta popular), que &lt;strong&gt;Laurent Gbagbo&lt;/strong&gt;, actual presidente da Costa do Marfim, alcança o poder. Surgem de imediato conflitos no país entre os partidários cristãos de Gbago no Sul e os rebeldes muçulmanos do Norte, seguidores de &lt;strong&gt;Alassane Ouattara&lt;/strong&gt; (político muçulmano proibido cinco anos antes de participar nas eleições para a presidência por ser natural de &lt;strong&gt;Burkina Faso&lt;/strong&gt;, que já pertenceu à Costa do Marfim). Em 2001, a &lt;strong&gt;Amnistia Internacional&lt;/strong&gt; denuncia violações dos direitos humanos pelo governo, acusado de &lt;strong&gt;executar&lt;/strong&gt; 57 rebeldes após a campanha presidencial do ano anterior.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É iniciada uma &lt;strong&gt;política de contenção&lt;/strong&gt; do confronto, que negoceia a divisão do poder pelos diversos partidos políticos do país. Contudo, já este ano, tanto os partidários de Ouattara como o próprio PDCM abandonam o governo, acusando Gbagbo de desrespeitar o acordo e de desestabilizar o processo de paz. A &lt;strong&gt;ONU&lt;/strong&gt;, vendo o conflito agravar-se, envia tropas para o país. E, de facto, a guerra civil estala com um ataque da Força Aérea marfinense a uma base rebelde, que mata 9 &lt;strong&gt;soldados franceses da Força de Paz&lt;/strong&gt; e fere 31. A França, comandada por um ultrajado &lt;strong&gt;Jacques Chirac&lt;/strong&gt;, retalia e arrasa completamente a Força Aérea da Costa do Marfim (ou seja, &lt;strong&gt;todos&lt;/strong&gt; os &lt;strong&gt;três&lt;/strong&gt; caças e &lt;strong&gt;cinco&lt;/strong&gt; helicópteros da era soviética que os gajos para lá tinham)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incitados à xenofobia pelos meios de comunicação (controlados pelo governo), partidários de Gbagbo protestam furiosamente contra a França e, numa onda de ódio e violência, atacam e saqueiam residências e propriedades francesas. Cerca de &lt;strong&gt;sete mil estrangeiros&lt;/strong&gt; (um deles a minha amiga Evita) deixam apressadamente o país, sob a protecção das tropas francesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os interessados em conhecer o testemunho de alguém que viveu na pele toda a situação – alguém prestes a casar e iniciar uma nova vida na Costa do Marfim, e que, de súbito, vê os seus planos de vida futura gorados –, a minha amiga conta todas as suas aventuras (e desventuras) no &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt; entitulado “&lt;strong&gt;as minhas experiências&lt;/strong&gt;,” em &lt;a href="http://www.primeiramulher.blogspot.com"&gt;www.primeiramulher.blogspot.com&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-111150714529300504?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/111150714529300504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=111150714529300504&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111150714529300504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/111150714529300504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/guerra-do-marfim.html' title='A GUERRA DO MARFIM'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110666037636689868</id><published>2004-11-16T14:28:00.000Z</published><updated>2006-02-09T11:20:32.113Z</updated><title type='text'>ATOMIC TA2</title><content type='html'>Há uns tempos atrás, o meu amigo &lt;strong&gt;Misfit&lt;/strong&gt; pediu-me que fizesse um desenho para uma &lt;strong&gt;tatuagem&lt;/strong&gt; para ele. Prontamente, acedi. Não foi esta a primeira vez que me pediram desenhos para tatuagens. Há quatro anos atrás, o &lt;strong&gt;Fortes&lt;/strong&gt; (tudo &lt;strong&gt;em cima&lt;/strong&gt;, rapaz? Tudo &lt;strong&gt;rijo&lt;/strong&gt; contigo?) também me fez o mesmo pedido: queria um &lt;strong&gt;diabinho&lt;/strong&gt;, com pinta de &lt;strong&gt;bebé maroto&lt;/strong&gt;. Ou seja, motivo de &lt;strong&gt;gaja&lt;/strong&gt;. As gajas é que acham piada a mariquices dessas. Mas eu concedi. E concretizei, duplamente (como se pode admirar mais abaixo, naquela que foi a minha primeira obra totalmente colorida no computador).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/640/Diabinhos.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Diabinhos.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o gajo nunca chegou a tatuar nenhum dos meus diabos. “Têm demasiado &lt;strong&gt;detalhe&lt;/strong&gt;,” disse. Ao invés, optou por tatuar uma &lt;strong&gt;rosa vermelha&lt;/strong&gt; no tornozelo. &lt;em&gt;Muy maricón&lt;/em&gt;, sem dúvida. Mas, e daí, o que é que se poderia esperar de um tipo que foi criado pela mãe e pela avó, sem qualquer referência masculina? Uma amiga minha (cuja identidade permanecerá anónima), que chegou a andar (brevemente) com ele, contou-me que o gajo sofria de &lt;strong&gt;ejaculação precoce&lt;/strong&gt; (quando não tinha &lt;strong&gt;impotência&lt;/strong&gt;) e que vivia agarrado às saias da mãe. Eu até aposto que foi a mãe quem meteu o bedelho no assunto da tatuagem: “Ai, filho, um diabo, que horror! Mas agora o meu querido rebento vai andar o resto da vida com um &lt;strong&gt;demónio infernal&lt;/strong&gt; tatuado na sua pura pele de alabastro? Não, filhote, nem pensar. Olha, que tal se tatuasses... uma &lt;strong&gt;flor&lt;/strong&gt;! Hã? Não era muito mais bonito? Uma &lt;strong&gt;rosa vermelha&lt;/strong&gt;! Ou então... uma &lt;strong&gt;pomba branca&lt;/strong&gt;, da Paz! O que achas, meu amor?” “Oh, mamã, gostei tanto dessa ideia da rosa! Tens razão (como sempre). É isso mesmo que eu vou fazer. E quando tiver mais dinheiro, tatuo a pomba branca aqui na &lt;strong&gt;nádega direita&lt;/strong&gt;, que achas?” “Oh, querido! Que ideia deliciosa! Depois disso, terei &lt;strong&gt;ainda mais&lt;/strong&gt; gosto ao mudar-te as fraldinhas!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah ah! Bom, chega de gozo. Ao contrário dessa florzinha de estufa (que espero que &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; veja este &lt;em&gt;blog&lt;/em&gt;), o Misfit vai &lt;strong&gt;mesmo&lt;/strong&gt; tatuar um desenho meu, que pode ser apreciado na imagem mais abaixo – a ideia original é do Misfit, a composição e o desenho são meus e a arte-final, ou seja, o sombreado, é do “&lt;strong&gt;Master Showman&lt;/strong&gt;” &lt;strong&gt;João&lt;/strong&gt;, o tatuador (que ficou bastante impressionado com o meu &lt;em&gt;portfolio&lt;/em&gt; de desenhos – “Isto tem muita saída,” diz ele, apontando para os meus diabinhos, “As &lt;strong&gt;raparigas&lt;/strong&gt; adoram estes motivos.” Estás a ouvir isto, ó Fortes?...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/640/Ta2.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Ta2.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos na &lt;strong&gt;Atomic Tattoo Studio&lt;/strong&gt;, em Lisboa (com &lt;em&gt;site&lt;/em&gt; em &lt;a href="http://www.atomic-tattoostudio.com"&gt;www.atomic-tattoostudio.com&lt;/a&gt;) e, sentado a uma mesa de luz, o João copia o meu desenho para o &lt;strong&gt;decalque&lt;/strong&gt;, enquanto o Misfit se prepara, rapando os pêlos do braço. Pouco depois, o desenho do decalque é transferido para o braço do meu amigo que, enquanto espera que o desenho seque, me pede que fotografe a obra à medida que evolui o processo de tatuagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a primeira vez que vejo uma tatuagem ser feita &lt;em&gt;in loco&lt;/em&gt;. O João começa por tatuar as principais &lt;strong&gt;linhas de contorno&lt;/strong&gt; do desenho, guiando-se pelo decalque. Fica assim com um &lt;strong&gt;esboço geral&lt;/strong&gt; que, gradualmente, vai firmando com traços cada vez mais fortes, até chegar ao desenho final. As sombras são adicionadas no fim, e do mesmo modo progressivo. É um processo demorado e de crescente afirmação, no qual são usadas &lt;strong&gt;várias&lt;/strong&gt; máquinas, com pontas de diferentes &lt;strong&gt;espessuras&lt;/strong&gt;, que são molhadas em pequenos recipientes cheios de tinta de diferentes &lt;strong&gt;intensidades&lt;/strong&gt;, para criar as diversas gradações da mancha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se sangra muito? Um pouco, sim. Mas a Vida é isso mesmo – &lt;strong&gt;sangue&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;suor&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;lágrimas&lt;/strong&gt;. Aqui, o sangue é do Misfit, o suor é do João e as lágrimas... Bom, neste caso, &lt;strong&gt;não há&lt;/strong&gt; lágrimas. O Misfit é o único que está em posição de choramingar um bocadito, mas o gajo é um calmeirão que já sobreviveu a muitas tatuagens para agora se pôr com histerismos. Talvez as coisas fossem diferentes, caso fosse o &lt;strong&gt;Fortes&lt;/strong&gt; no seu lugar... Da próxima vez que o encontrar, não me posso esquecer de lhe perguntar se ele &lt;strong&gt;chorou&lt;/strong&gt; quando fez a tatuagem da rosa. Aceito apostas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110666037636689868?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110666037636689868/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110666037636689868&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110666037636689868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110666037636689868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/atomic-ta2.html' title='&lt;em&gt;ATOMIC TA2&lt;/em&gt;'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110665951846653879</id><published>2004-11-13T23:10:00.000Z</published><updated>2006-02-08T22:40:35.246Z</updated><title type='text'>ARRUMAÇÕES</title><content type='html'>Passo o dia em &lt;strong&gt;arrumações&lt;/strong&gt;. O dia &lt;strong&gt;inteiro&lt;/strong&gt;. Contrariamente ao que é habitual, abdico de aproveitar a minha folga numa qualquer actividade de lazer com algum bom amigo ou amiga boa, para passar o dia inteiro encafuado em casa em arrumações. Devo estar a ficar &lt;strong&gt;doente&lt;/strong&gt;! Doente não por ficar todo o dia fechado em casa em arrumações, mas doente por me sentir &lt;strong&gt;tão bem&lt;/strong&gt; ao final do dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que o meu quarto estava um verdadeiro &lt;strong&gt;pandemónio&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Roupa&lt;/strong&gt; lavada e engomada amontoada por todo o lado e à espera (alguma já há uns &lt;strong&gt;meses&lt;/strong&gt;!) de ser finalmente arrumada, &lt;strong&gt;livros&lt;/strong&gt; empilhados em torres periclitantes, sempre crescentes, cuja construção foi iniciada por alturas da última &lt;strong&gt;Feira do Livro&lt;/strong&gt; (e, raios!, que só agora noto que lombada do “&lt;strong&gt;Arctic-Nation&lt;/strong&gt;,” da série “&lt;strong&gt;Blacksad&lt;/strong&gt;,” está estragada! Porra! Devia ter tido mais atenção quando o comprei), &lt;strong&gt;CDs&lt;/strong&gt; avulso (já nem me lembrava deste CD dos &lt;strong&gt;Kerbdog&lt;/strong&gt;. Devo tê-lo ouvido umas duas vezes...), montes de papelada e &lt;strong&gt;cartas&lt;/strong&gt; por abrir desde o final do Verão (contas de hospitais – “Queira responder em &lt;strong&gt;10 dias úteis&lt;/strong&gt;”?! Ah! Que gozo do caraças! Onde é que isso já vai! –, extractos bancários – ena!, o banco enviou-me há uns meses um novo cartão MultiBanco, para substituir o antigo, engolido por uma máquina duas semanas antes... Que atencioso da parte deles –, bilhetes usados de cinema e de bailes – &lt;strong&gt;12 de Março&lt;/strong&gt; no Mercado da Ribeira? Eu lembro-me desta noite! Foi quando conheci a &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.agoeladojacare.blogspot.com/2004_05_01_agoeladojacare_archive.html#108384206102929464"&gt;loira gira das mamas grandes&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;!), alguns &lt;strong&gt;desenhos&lt;/strong&gt; amarrotados e muito &lt;strong&gt;pó&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do dia, apesar de sujo e coberto de ácaros, sinto-me &lt;strong&gt;orgulhoso&lt;/strong&gt; de mim mesmo pela gigantesca tarefa de arrumação que levei a bom termo. Para o olho destreinado, o quarto parece estar, mais grolho, menos grolho, na mesma. No entanto, para mim, está &lt;strong&gt;completamente&lt;/strong&gt; diferente! A roupa lavada está toda arrumada (a roupa suja costumo colocá-la de imediato para lavar – pouco arrumado serei, concedo, mas &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; desorganizado e &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; um suíno!), a papelada arquivada ou posta para reciclar (consoante a sua validade), os CDs arrumados e os livros... bom, esses continuam &lt;strong&gt;por arrumar&lt;/strong&gt;. Já não estão empilhados, porque não quero vir a encontrá-los um dia todos derrubados e amachucados no chão. Mas o facto é que não tenho sítio onde os guardar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que dá morar numa casa onde todos os ocupantes adoram ler. Já não há espaço para colocar mais livros. Até temos que andar &lt;strong&gt;de lado&lt;/strong&gt; no corredor, porque o espaço está todo atravancado com estantes sobrelotadas e perigosamente inclinadas. Uma vez, há pouco mais de um ano, mandei uma brutal &lt;strong&gt;marrada&lt;/strong&gt; numa das estantes, que me saltou ao caminho a coberto do negrume da noite de Verão. Rasguei o sobrolho e até vi estrelas! Depois, tive que inventar uma história mirabolante sobre ter sido apanhado em flagrante delito por um &lt;strong&gt;marido cornudo&lt;/strong&gt;, para justificar o penso rápido colocado sobre a sobrancelha direita (pois convenhamos que a verdade é uma triste, &lt;strong&gt;triste&lt;/strong&gt; história, totalmente indigna de um gajo do meu calibre e com a minha reputação). Só tive pena de não ter ficado com uma bela e notória &lt;strong&gt;cicatriz&lt;/strong&gt;. Mas recebi alguns comentários engraçados de uma ou outra amiga, que me disseram que eu ficava giro com o penso na testa, com pinta de &lt;strong&gt;menino traquina&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas divago. Voltando às arrumações, o engraçado das ditas é que, apesar de serem uma canseira e consumirem uma quantidade absurda de tempo, produzem um sentimento agradável de &lt;strong&gt;realização&lt;/strong&gt; numa pessoa quando o trabalho está concluído. De facto, não há momento em que um gajo sente ser mais &lt;strong&gt;lícito&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;merecedor&lt;/strong&gt; desperdiçar tempo sem fazer nada do que depois de arrumada a casa. Até a própria &lt;strong&gt;vida&lt;/strong&gt; parece mais organizada. Mais eficiente. Mais leve. Prontinha a levantar voo. Como se o futuro nos reservasse um universo de &lt;strong&gt;oportunidades&lt;/strong&gt;, cada uma melhor que a precedente. Por isso, não me admirava se amanhã recebesse uma proposta irrecusável de emprego no estrangeiro ou adquirisse uma dinheirama astronómica por herança ou, talvez, conhecesse um par de &lt;strong&gt;gémeas boazonas e malucas&lt;/strong&gt;, que não se importassem de partilhar o namorado. Venha o que vier, que a minha vida está arrumadinha e a postos para tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110665951846653879?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110665951846653879/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110665951846653879&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110665951846653879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110665951846653879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/arrumaes.html' title='ARRUMAÇÕES'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110665846182657623</id><published>2004-11-09T13:02:00.000Z</published><updated>2005-01-25T13:45:50.786Z</updated><title type='text'>ONE DOWN, ONE TO GO</title><content type='html'>De manhã cedo, tenho consulta de &lt;strong&gt;Ortopedia&lt;/strong&gt; no Hospital de Sant’ Ana, na Parede. A minha &lt;strong&gt;última&lt;/strong&gt; consulta de Ortopedia. Combino ir com o meu amigo &lt;strong&gt;PP&lt;/strong&gt;, que me oferece boleia e companhia, mas ele atrasa-se. “Está um trânsito do caraças; já me estou a passar! Estou a dez minutos da tua casa, mas, por este andar...” E, de facto, passa quase &lt;strong&gt;hora e meia&lt;/strong&gt; do combinado quando ele finalmente aparece, com os nervos em farrapos por causa do trânsito. Independentemente da validade da sua desculpa, eu poderia estar chateado por estar tão atrasado para a minha consulta. Mas não vale a pena. Este gajo está sempre “a sair &lt;strong&gt;agora mesmo&lt;/strong&gt; daqui” ou “a &lt;strong&gt;cinco minutos&lt;/strong&gt; daí” e não é raro deixar as pessoas a secar &lt;strong&gt;eternidades&lt;/strong&gt; à sua espera. Porém, após mais de &lt;strong&gt;dez anos&lt;/strong&gt; de amizade com alguém assim, certos comportamentos são considerados como &lt;strong&gt;feitio&lt;/strong&gt;, e não como &lt;strong&gt;defeito&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, o facto de chegar tão atrasado à consulta tem as suas consequências positivas. “Estávamos à &lt;strong&gt;sua&lt;/strong&gt; espera,” diz-me uma das enfermeiras, quando me identifico junto ao balcão. À &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt; espera?! Mas isso denota &lt;strong&gt;interesse&lt;/strong&gt; da parte do hospital pelo meu caso e eu estou &lt;strong&gt;habituado&lt;/strong&gt; a ser tratado pelo Serviço Nacional de Saúde como se não importasse mais que um mísero &lt;strong&gt;pintelho&lt;/strong&gt;! Contudo, a enfermeira direcciona-me prontamente para a &lt;strong&gt;sala de radiografias&lt;/strong&gt;, recomendando-me que me despache, pois “a doutora tem de ir para o Hospital S. Francisco Xavier daqui a pouco.” E, de facto, na sala de radiografias, sou imediatamente despachado, passando à frente de toda a gente que aguarda a sua vez na sala de espera. Enquanto me tiram a radiografia à clavícula direita, as enfermeiras perguntam-me como estou de saúde, e se ainda ando com o &lt;strong&gt;cateter&lt;/strong&gt;. Estou siderado! Não venho cá há um mês e ainda se &lt;strong&gt;lembram&lt;/strong&gt; de mim?! Agora sinto-me realmente comovido! Agradeço os desejos de melhoras e, com a nova radiografia na mão, levam-me a correr para o consultório, onde me espera a minha médica. Mais uma vez, entro directamente, passando à frente da malta na sala de espera. Que serviço bestial! Uma coisa destas só é possível num hospital com uma logística tão bem estruturada e eficaz como este, que é, de longe, o &lt;strong&gt;hospital mais eficiente e organizado&lt;/strong&gt; de todos os que tenho visitado ao longo desta minha odisseia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/640/RX%20-%20Clavcula%203.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/RX%20-%20Clavcula%203.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao olhar para a radiografia, a minha simpática doutora exclama que tenho uma “consolidação muito &lt;strong&gt;exuberante&lt;/strong&gt;,” o que se pode apreciar pela bela imagem acima, que mostra uma &lt;strong&gt;auréola de osso&lt;/strong&gt; a envolver o ponto da clavícula anteriormente fracturado. Mas é normal, pois os topos do osso fracturado ficaram &lt;strong&gt;sobrepostos&lt;/strong&gt; ao solidificar. “Não há problema nenhum,” garante-me a doutora, “daqui a &lt;strong&gt;um ano&lt;/strong&gt;, essa bola enorme irá desaparecer, pois o corpo tem tendência a &lt;strong&gt;eliminar&lt;/strong&gt; o excedente de osso, até encontrar a &lt;strong&gt;configuração original&lt;/strong&gt; do osso que partiu.” Assombroso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O ombro tem-lhe dado algum problema?” pergunta a doutora. Respondo que, de vez em quando, me &lt;strong&gt;dói&lt;/strong&gt;. “Isso é natural, e eu digo-lhe porquê,” responde ela, “quando o osso fracturou, os &lt;strong&gt;nervos&lt;/strong&gt; dessa zona também ficaram &lt;strong&gt;danificados&lt;/strong&gt;. Agora que o osso consolidou, também os nervos se regeneraram e, como são novos, estão mais &lt;strong&gt;sensíveis&lt;/strong&gt;, o que lhe provoca alguma dor quando há mudanças de temperatura, devido à humidade. Agora, o seu ombro funciona como um &lt;strong&gt;barómetro&lt;/strong&gt;, e bem melhor que o do meteorologista!” “Ah,” replico eu, “é como alguns &lt;strong&gt;velhos&lt;/strong&gt;, que predizem as mudanças de tempo conforme lhes doem as articulações!” A médica ri-se: “Exactamente! Alguns velhotes fazem isso, sim senhor. Quanto a si, também vai ficar assim por uns bons &lt;strong&gt;anos&lt;/strong&gt;.” Que potência! Também vou ser um &lt;strong&gt;cota vidente&lt;/strong&gt;! O corpo humano é uma máquina fantástica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de me dar o seu cartão, para qualquer eventual problema futuro, a médica despede-se definitivamente de mim, desejando-me boa sorte e &lt;strong&gt;boas danças&lt;/strong&gt;. E, pouco depois, sentado com o PP na cobertura do moinho de maré da praia de Carcavelos, a curtir o Sol de Inverno, sinto-me mais aliviado. A clavícula já está arranjada, é um problema a menos. Agora, só me falta &lt;strong&gt;mijar&lt;/strong&gt;!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110665846182657623?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110665846182657623/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110665846182657623&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110665846182657623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110665846182657623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/one-down-one-to-go.html' title='&lt;em&gt;ONE DOWN, ONE TO GO&lt;/em&gt;'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110545572110949660</id><published>2004-11-03T23:53:00.000Z</published><updated>2005-01-11T15:51:49.156Z</updated><title type='text'>“SIN CITY”</title><content type='html'>Leio o livro “&lt;strong&gt;Sin City: Mulher Fatal&lt;/strong&gt;” (“Sin City: A Dame To Kill For,” no original), segundo volume da série “&lt;strong&gt;Sin City&lt;/strong&gt;” (publicado em português pela &lt;strong&gt;Devir&lt;/strong&gt;), do grande mestre da BD americana &lt;strong&gt;Frank Miller&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/720/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(capa).jpg'&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Dwight McCarthy&lt;/strong&gt; é um homem torturado por um passado violento e obscuro, que ganha a vida a fotografar maridos infiéis para um detective privado sem escrúpulos. Um dia (ou antes, uma &lt;strong&gt;noite&lt;/strong&gt; – pois em Sin City parece ser sempre noite), &lt;strong&gt;Ava Lord&lt;/strong&gt;, o antigo amor da sua vida e a mulher responsável pela sua desgraça, contacta-o e pede-lhe ajuda. Segundo ela, &lt;strong&gt;Damien Lord&lt;/strong&gt;, o milionário com quem se casou (e por quem abandonou Dwight), é um homem de gostos &lt;strong&gt;distorcidos&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;perversos&lt;/strong&gt;, que encontra prazer em fazer &lt;strong&gt;torturar&lt;/strong&gt; a sua própria mulher pelo seu guarda-costas &lt;strong&gt;Manute&lt;/strong&gt;. Cedendo ao sentimento que, não obstante todos os seus esforços, ainda nutre por Ava, Dwight decide ajudá-la (&lt;em&gt;what a sucker!&lt;/em&gt;), contando para isso com a preciosa ajuda do brutamontes &lt;strong&gt;Marv&lt;/strong&gt; (o herói do primeiro volume da série). Assim começará uma viagem dolorosa e cheia de revelações imprevistas para Dwight, que culminará numa sangrenta &lt;strong&gt;vingança&lt;/strong&gt; (estas coisas terminam sempre em &lt;em&gt;vendettas&lt;/em&gt; terríveis, claro – olho por olho, dente por dente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não contarei o resto da história, para não estragar o gozo de quem esteja interessado em ler o livro – coisa que recomendo vivamente. Ao invés disso, e para aguçar o apetite de quem não conhece a série “Sin City,” aqui deixo algumas imagens desta &lt;strong&gt;genial&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;magnífica&lt;/strong&gt; obra da 9.ª Arte. Apreciem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.015).jpg'&gt;&lt;br /&gt;O careca é &lt;strong&gt;Dwight McCarthy&lt;/strong&gt;, o nosso homem, fotógrafo de trancadas ilícitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.180).jpg'&gt;&lt;br /&gt;A boa da &lt;strong&gt;Ava&lt;/strong&gt;. É por estas e por outras que um homem se deixa perder...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.111).jpg'&gt;&lt;br /&gt;Dwight e Ava num momento de tensão (e o que não faltam nesta história são momentos de tensão – e de &lt;strong&gt;tesão&lt;/strong&gt;, também).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.162).jpg'&gt;&lt;br /&gt;... Que dizia eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.070).jpg'&gt;&lt;br /&gt;“Portou-se muito mal, Sra. Lord. O patrão vai querer que eu a castigue.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/630/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.104).jpg'&gt;&lt;br /&gt;“Foste &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; o cabrão que bateu no &lt;strong&gt;meu amigo&lt;/strong&gt;!” O &lt;strong&gt;Marv&lt;/strong&gt; é perito em cirurgia plástica &lt;strong&gt;sem&lt;/strong&gt; anestesia – “Não o matei. Aliás, nem sequer o estropiei. Seis meses no hospital, no máximo. Tirei-lhe foi um olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.152a).jpg'&gt;&lt;br /&gt;Escoltadas pela pequena &lt;strong&gt;Miho&lt;/strong&gt;, as &lt;strong&gt;gémeas&lt;/strong&gt; entram em cena. Elas controlam a &lt;strong&gt;cidade velha&lt;/strong&gt;, antro de prostituição onde nem os polícias ousam entrar. O leitor mais atento com certeza reconhecerá nelas &lt;strong&gt;Goldie&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;Wendy&lt;/strong&gt;, personagens principais do primeiro volume da série (o sortudo do Marv comeu as duas – mas, infelizmente, não ao mesmo tempo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.166).jpg'&gt;&lt;br /&gt;Os dois detectives encarregados do assassínio de &lt;strong&gt;Damien Lord&lt;/strong&gt; investigam o paradeiro de Dwight nos bares rascas pejados de bêbedos do costume. Nesta cena, a acção cruza-se com a história do primeiro volume (aquela &lt;strong&gt;cara retalhada&lt;/strong&gt; do Marv é inolvidável).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/630/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.167).jpg'&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nancy&lt;/strong&gt;, &lt;em&gt;stripper&lt;/em&gt; no bar da Josie. “A Nancy tem um anjo da guarda. Mais de dois metros de músculos e violência em estado bruto chamados Marv.” (O Marv é o gajo que domina e o resto é conversa!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.159b).jpg'&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;senhoria&lt;/strong&gt; do Dwight depõe na esquadra: “O Sr. McCarthy era um bom inquilino. Pagava sempre a renda a tempo. Era sossegado e educado. Até arranjava coisas do prédio sem lhe pedirem. Se fez alguma coisa de mal, não consigo imaginar o que seja.” Apreciem a expressividade da imagem. O Frank Miller não sabe desenhar só gajas boas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.198).jpg'&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;You talkin’ to &lt;strong&gt;me&lt;/strong&gt;?!...&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Sin%20City%20-%20Mulher%20Fatal%20(p.199).jpg'&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Go ahead, punk. Make my day.&lt;/em&gt;” A vingança do Manute será terrível! Olho por &lt;strong&gt;olho&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;strong&gt;filme&lt;/strong&gt;, dirigido por &lt;strong&gt;Robert Rodriguez&lt;/strong&gt; e pelo próprio Miller, deve estar aí a rebentar. Segundo sei, conta ainda com a participação de &lt;strong&gt;Quentin Tarantino&lt;/strong&gt; como realizador convidado. Por norma, não sou apreciador de transposições da Banda Desenhada para o Cinema – porque tendem a ser redutoras, simplistas, limitadas e, regra geral, nada abonatórias para as obras que as inspiraram –, mas este é com certeza um filme que eu &lt;strong&gt;não vou perder&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110545572110949660?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110545572110949660/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110545572110949660&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110545572110949660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110545572110949660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/11/sin-city.html' title='“SIN CITY”'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110489344218692963</id><published>2004-10-30T23:54:00.000+01:00</published><updated>2005-01-05T02:52:39.486Z</updated><title type='text'>“BEFORE SUNSET – ATÉ AO ANOITECER”</title><content type='html'>Pelo segundo dia consecutivo, assisto ao filme “&lt;strong&gt;Before Sunset&lt;/strong&gt;,” de Richard Linklater. Ontem, após um jantar e cinema na companhia da minha amiga &lt;strong&gt;Evita&lt;/strong&gt;, do &lt;strong&gt;Ti&lt;/strong&gt; e da sua esposa &lt;strong&gt;Fifi&lt;/strong&gt;, vi-me constrangido a abandonar a sala de projecção antes do final do filme, depois da Evita ter recebido a triste notícia da &lt;strong&gt;morte&lt;/strong&gt; do seu cão na Costa do Marfim, no dia anterior ao seu regresso à dita terra. Apesar dos meus companheiros confessarem algum alívio por abandonar a sala de cinema prematuramente, eu tive realmente pena de perder a conclusão do filme. Contudo, não podia ser de outra maneira: a Evita estava inconsolável com a morte do seu &lt;strong&gt;Bolinha&lt;/strong&gt; (paz à sua pequena alma canina!) e eu, como seu melhor amigo, não podia ignorar a sua dor e deixá-la desamparada. Mas regresso hoje ao cinema, para ver a conclusão que ontem me fugiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É impossível falar de “Before Sunset” sem referir “&lt;strong&gt;Before Sunrise&lt;/strong&gt;,” do mesmo realizador. Filme de 1995, conta a história de &lt;strong&gt;Céline&lt;/strong&gt; (a encantadora Julie Delpy) e &lt;strong&gt;Jesse&lt;/strong&gt; (Ethan Hawke), dois jovens que se conhecem numa viagem de comboio na Europa, ela com destino a Paris e ele de regresso aos Estados Unidos. Chegados a &lt;strong&gt;Viena&lt;/strong&gt; (da Áustria), decidem desembarcar para “&lt;em&gt;check out the town&lt;/em&gt;,” antes de seguirem cada qual o seu caminho no dia seguinte. Assim, os dois passam a noite a passear pela cidade, conversando sobre tudo e sobre nada e, no fundo, apaixonando-se um pelo outro. Na manhã seguinte, no momento de despedida, ao invés de trocarem telefones ou moradas, decidem voltar a encontrar-se naquele mesmo lugar daí a &lt;strong&gt;seis meses&lt;/strong&gt;. “&lt;em&gt;Au revoir.&lt;/em&gt;” &lt;em&gt;The end.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Before%20Sunset.jpg'&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, passam &lt;strong&gt;nove anos&lt;/strong&gt;. Tanto no cinema, como na vida real. Em “&lt;strong&gt;Before Sunset&lt;/strong&gt;,” Jesse é agora um &lt;strong&gt;escritor&lt;/strong&gt; famoso, de passagem por Paris para promover o seu livro, que conta a história de dois jovens que se conhecem num comboio, passam a noite juntos em Viena e se separam no dia seguinte com a promessa de se reencontrar daí a seis meses – a &lt;strong&gt;sua&lt;/strong&gt; história, no fundo. E é no decorrer de uma pequena conferência de imprensa na livraria &lt;strong&gt;Shakespeare &amp; Co.&lt;/strong&gt;, horas antes de apanhar o avião de regresso aos Estados Unidos, que Jesse &lt;strong&gt;reencontra&lt;/strong&gt; Céline. Juntos, abandonam a livraria, para um café e dois dedos de conversa – que se estende pelo filme inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui e ali, na sala de cinema, uma ou outra pessoa dormita. E aqueles que não dormem, estão com certeza a apanhar uma &lt;strong&gt;seca monumental&lt;/strong&gt;. Afinal, este não é um filme romântico &lt;strong&gt;convencional&lt;/strong&gt;. Tal como no primeiro filme, os protagonistas gastam o tempo todo a conversar, sobre tudo e sobre nada. Banalidades, filosofias, curiosidades, revelações. Confissões. São 80 minutos só de &lt;strong&gt;conversa&lt;/strong&gt;. Nada de sexo. Nem um beijo para amostra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, e ao contrário do pessoal que enche a sala, cuja opinião não deve diferir muito da dos meus companheiros de ontem, eu &lt;strong&gt;adoro&lt;/strong&gt; o filme. Vibro do início ao fim e precisamente por ser um filme romântico que não se guia pelas gastas e previsíveis fórmulas convencionais do género. Além disso, é um filme que vai de encontro à &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt; ideia de romantismo. Vi uma vez, não sei onde, um pai aconselhar ao seu filho que se casasse com uma mulher com quem sentisse prazer em &lt;strong&gt;conversar&lt;/strong&gt;. Dizia o cota sabedor que “o tempo leva tudo: a beleza, o cabelo, a tesão. E quando tiverem perdido tudo e forem ambos &lt;strong&gt;velhos caquéticos&lt;/strong&gt; com os pés para a cova, é bom que tenham prazer em conversar um com o outro, pois é só &lt;strong&gt;isso&lt;/strong&gt; que vos vai restar.” E não há dúvida que a Céline e o Jesse gostam de conversar um com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conselho do Jacaré: &lt;strong&gt;a não perder&lt;/strong&gt;, mas apenas por espíritos &lt;strong&gt;elevados&lt;/strong&gt; que procuram e desejam algo mais das suas relações amorosas e da vida. Os outros, por favor não gastem dinheiro com este filme quando podem ir ver outras coisas mais de acordo com o seu limitado nível de sensibilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110489344218692963?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110489344218692963/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110489344218692963&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110489344218692963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110489344218692963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/before-sunset-at-ao-anoitecer.html' title='“BEFORE SUNSET – ATÉ AO ANOITECER”'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110489236824924410</id><published>2004-10-30T23:25:00.000+01:00</published><updated>2005-01-25T13:51:26.673Z</updated><title type='text'>+ MASCARADAS</title><content type='html'>“Então e tu,” pergunta o Sky, “estás &lt;strong&gt;mascarado à Gendô&lt;/strong&gt;, com essa barbinha?” O Ballistic, a quem é dirigida a pergunta, nega com veemência. Não o mostra, mas eu percebo imediatamente que o gajo ficou picado. Sem se aperceber disso, o Sky tocou num ponto sensível. Convém esclarecer desde já, para quem não percebe nada disto, que o Gendô (ou Ikari Gendô) é uma das personagens principais da série “&lt;strong&gt;Evangelion&lt;/strong&gt;,” uma das mais famosas obras de referência de &lt;em&gt;manga&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;anime&lt;/em&gt; (Banda Desenhada e Animação japonesas) e, coincidentemente, um dos maiores objectos de culto do Ballistic. Ou seja, em boa verdade, e por muito que o Ballistic o tente negar, todos sabemos que não é por &lt;strong&gt;acaso&lt;/strong&gt; que ele tem aquele corte de barba. Todos sabemos, mas calamos. Excepto o Sky, que também tem uma grande boca e pouca sensibilidade, pois devia saber que não se fazem perguntas destas a &lt;strong&gt;fanáticos&lt;/strong&gt; (&lt;em&gt;oops!&lt;/em&gt; Desculpa, Ballistic, não era isto que eu queria dizer. Eu queria dizer &lt;strong&gt;obcecado&lt;/strong&gt;. &lt;em&gt;Oops!...&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto nos passeamos pela exposição de Banda Desenhada da Amadora, o Ballistic ainda vai a remoer no assunto: “Mascarado à Gendô! Pfff!” Eu rio-me: “Tem calma, Ballistic. A verdade é que o Sky até &lt;strong&gt;tem&lt;/strong&gt; um bocado de &lt;strong&gt;razão&lt;/strong&gt;. Tu estás &lt;strong&gt;mesmo&lt;/strong&gt; mascarado à Gendô, com essa barbinha.” E acrescento, antes que o gajo se chateie também comigo: “Mas não te preocupes, pá, que não és o único. Aliás, olha à tua volta: &lt;strong&gt;toda a gente está mascarada!&lt;/strong&gt;” Ele não percebe onde quero chegar. “Olha bem para &lt;strong&gt;mim&lt;/strong&gt;. Porque é que tu achas que eu ando de gabardina preta, pá? Isto é influência do &lt;strong&gt;Matrix&lt;/strong&gt;. No fundo, eu estou mascarado à Matrix, pá! Tal como aquele metaleiro ali, todo de preto e gabardina até aos pés. Matrix, sem dúvida. E ali o casalinho de góticos? São &lt;strong&gt;vampiros&lt;/strong&gt;, vê-se logo.” O Ballistic ri-se. “E olha ali aqueles três gajos...” Agora o meu amigo está baralhado: “Mas esses gajos não estão mascarados de nada...” “Aí é que te enganas!” replico eu, “Olha lá bem para eles... Não é &lt;strong&gt;óbvio&lt;/strong&gt;? Estão mascarados de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;nerds&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;!” Gargalhadas. “E aquelas pitinhas ali ao fundo?” pergunto eu. Desta vez o Ballistic não se deixa ficar: “Estão mascaradas de &lt;strong&gt;betas&lt;/strong&gt;!” É só rir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho é pena de só agora me ter apercebido disto! Caso contrário, ter-me-ia juntado ao grupo dos &lt;em&gt;cosplayers&lt;/em&gt;! Porque, caramba, se é para andar mascarado, mais vale &lt;strong&gt;assumi-lo&lt;/strong&gt; e fazê-lo &lt;strong&gt;como deve ser&lt;/strong&gt;! Por isso, já decidi: o Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora do próximo ano pode certamente contar com &lt;strong&gt;mais um&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;cosplayer&lt;/em&gt; – o &lt;strong&gt;Jacaré Voador&lt;/strong&gt;! Até já sei qual vai ser a personagem que vou assumir... Esqueçam lá os &lt;em&gt;mangas&lt;/em&gt; e os &lt;em&gt;animes&lt;/em&gt;! O Jacaré vai encarnar um gajo tão &lt;em&gt;bad motherfucker&lt;/em&gt; que é capaz de mandar um pontapé nos tomates do Songoku e deixá-lo a contorcer-se de agonia no chão, a guinchar como uma menina! &lt;em&gt;Cosplayers&lt;/em&gt;, preparem-se, que vem aí o &lt;strong&gt;Marshal Law&lt;/strong&gt;!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/720/MarshalLaw.jpg'&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois logo vos mostro, ó cambada de exibicionistas frouxos, &lt;strong&gt;como&lt;/strong&gt; se &lt;em&gt;estabelece contacto&lt;/em&gt; com a multidão... na base da &lt;strong&gt;porrada&lt;/strong&gt;! &lt;em&gt;Fear and Loathing!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-me encerrar (finalmente!) este assunto das mascaradas, não sem antes deixar uma sugestão ao meu nobre leitor. Caro amigo, assim que tiver uma oportunidade, ligue-se à Internet, aceda ao motor de busca da sua preferência e digite “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;cosplay&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;” na caixa de procura. Depois, divirta-se a dar uma vista de olhos nos &lt;em&gt;sites&lt;/em&gt; que lhe aparecerem à frente. Garanto-lhe uns bons momentos de sonoras &lt;strong&gt;gargalhadas&lt;/strong&gt;. Muito nos rimos o Ballistic e eu madrugada adentro, a gozar com as tristes figuras de certas criaturas mais &lt;strong&gt;adiposas&lt;/strong&gt;, a tentarem fazer-se passar por esbeltas personagens de &lt;em&gt;anime&lt;/em&gt;. Há pessoas que não têm noção nenhuma do ridículo... Mas ainda bem, caso contrário o mundo seria bem mais aborrecido para os outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110489236824924410?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110489236824924410/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110489236824924410&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110489236824924410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110489236824924410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/mascaradas.html' title='+ MASCARADAS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110489176861791860</id><published>2004-10-30T21:15:00.000+01:00</published><updated>2005-01-05T02:22:48.616Z</updated><title type='text'>MASCARADAS</title><content type='html'>Ao chegar ao Festival de Banda Desenhada da Amadora, acompanhado dos meus amigos &lt;strong&gt;Ballistic&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;mARco&lt;/strong&gt;, encontro de imediato caras conhecidas: o &lt;strong&gt;Sky&lt;/strong&gt; (vestido de preto da cabeça aos pés, como é usual nestas ocasiões, segundo o mARco) e o &lt;strong&gt;cunhinha&lt;/strong&gt; – que, por fim, conheço pessoalmente e que, tal como eu esperava, é um tipo porreiro (cabeçudo, mas porreiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sky é todo entusiasmo e agitação, a pairar em volta de uma comitiva deveras peculiar, reunida em magote à entrada do recinto. É uma cambada de gente estranhamente vestida, com trapos de cortes esquisitos e cores berrantes que não combinam, e exibindo cabeleiras espetadas multicores, dignas de qualquer bom &lt;strong&gt;Super Guerreiro do Espaço&lt;/strong&gt;. E de facto, ao olhar com maior atenção, apercebo-me (não sem algum horror) que reconheço algumas daquelas estranhas personagens... da &lt;strong&gt;televisão&lt;/strong&gt; (ou do monitor)! Isto só pode significar uma coisa: hoje é dia de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;cosplay&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ingénuo leitor não sabe o que é &lt;em&gt;cosplay&lt;/em&gt;? No fundo, é uma grande &lt;strong&gt;mascarada&lt;/strong&gt;. O Sky mostra-se ofendido: “&lt;em&gt;Mascarada&lt;/em&gt;?! Isto não é nenhuma &lt;em&gt;mascarada&lt;/em&gt;! Isto é &lt;strong&gt;&lt;em&gt;COSPLAY&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, pá!...” (Eu e a minha grande boca de Jacaré! Mal cheguei e já estou a ofender as pobres pessoas à minha volta...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;em&gt;cosplay&lt;/em&gt; é uma actividade praticada por devotos fãs (&lt;em&gt;otakus&lt;/em&gt;, sem qualquer dúvida), que desenham e criam as próprias fantasias, para &lt;strong&gt;encarnar&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;representar&lt;/strong&gt; as suas personagens favoritas de &lt;em&gt;manga&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;anime&lt;/em&gt; e jogos de computador. &lt;em&gt;Cosplay&lt;/em&gt; é um acrónimo de “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;costume play&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;,” ou seja, e como o próprio nome indica, &lt;em&gt;costume&lt;/em&gt; = &lt;strong&gt;vestimenta&lt;/strong&gt; e &lt;em&gt;play&lt;/em&gt; = &lt;strong&gt;representação&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;actuação&lt;/strong&gt;. Este é, obviamente, o significado erudito. Porque &lt;em&gt;cosplay&lt;/em&gt; também pode ser, muito literalmente, &lt;em&gt;costume&lt;/em&gt; = &lt;strong&gt;disfarce de fantasia&lt;/strong&gt; e &lt;em&gt;play&lt;/em&gt; = &lt;strong&gt;brincadeira&lt;/strong&gt;. Ou seja, e por outras palavras, &lt;strong&gt;palhaçada&lt;/strong&gt;. Deixo ao leitor a escolha da interpretação que mais lhe aprouver. Eu cá já fiz a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estou a ser injusto. Porque o &lt;em&gt;cosplay&lt;/em&gt; nem sequer é &lt;strong&gt;digno&lt;/strong&gt; de ser classificado como palhaçada. É que os palhaços, pelo menos, &lt;strong&gt;esforçam-se&lt;/strong&gt; para entreter o público. O que não acontece com os &lt;em&gt;cosplayers&lt;/em&gt;. O mARco diz-me que, de vez em quando, eles encenam umas “lutazinhas bué ridículas” entre eles para animar a malta, mas, pelo que me é dado observar, não vejo uma única destas criaturas a esforçar-se minimamente para estabelecer o mais pequeno contacto com a multidão espectadora (e expectante). Limitam-se a andar no meio dela, alheios a tudo e a todos – excepto uns aos outros, claro. Calculo que não lhes interesse estabelecer qualquer contacto com a &lt;strong&gt;chusma ignorante&lt;/strong&gt; que encara o &lt;em&gt;cosplay&lt;/em&gt; como uma mera mascarada. Contudo, e infelizmente para eles, é exactamente e apenas isso que o &lt;em&gt;cosplay&lt;/em&gt; é para o espectador comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até compreendo a atracção e o entusiasmo que um gajo, ainda que não sendo &lt;strong&gt;pago&lt;/strong&gt; para isso, possa sentir por vestir uma armadura de esponja mal pintada, enfiar na tola uma peruca reles de cabelo lilás todo espetado e carregar ao ombro uma espada de plástico muita fatela. &lt;strong&gt;A sério&lt;/strong&gt; que compreendo. O que não percebo é que depois esse gajo vá passear no meio de uma multidão que se esforça por &lt;strong&gt;ignorar&lt;/strong&gt;! Afinal, um gajo mascara-se para &lt;strong&gt;ser visto&lt;/strong&gt;, ou não? O mascarado &lt;strong&gt;deve&lt;/strong&gt; ao seu público, pois é a multidão espectadora quem &lt;strong&gt;valida&lt;/strong&gt; o seu trabalho. Por outras palavras, um mascarado &lt;strong&gt;sem&lt;/strong&gt; público não é &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt;. É apenas um gajo com uma &lt;strong&gt;tara marada&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me venham dizer que os &lt;em&gt;cosplayers&lt;/em&gt; fazem isto por simples &lt;strong&gt;gozo pessoal&lt;/strong&gt;. Muito bem. Nesse caso, se se estão a cagar para a assistência, se fazem isto para se divertirem &lt;strong&gt;entre eles&lt;/strong&gt;, não faz sentido que saiam para a rua. Porque esta cena é só &lt;strong&gt;deles&lt;/strong&gt;. E só &lt;strong&gt;para eles&lt;/strong&gt;. Assim sendo, é melhor ficarem em casa. Eu, quando me &lt;strong&gt;masturbo&lt;/strong&gt;, também é na intimidade do lar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110489176861791860?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110489176861791860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110489176861791860&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110489176861791860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110489176861791860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/mascaradas_30.html' title='MASCARADAS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110489068035614249</id><published>2004-10-30T20:53:00.000+01:00</published><updated>2005-01-05T02:35:08.753Z</updated><title type='text'>AMADORA BD 2004</title><content type='html'>&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/640/Amadora%20BD%202004.jpg'&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visito o &lt;strong&gt;Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora&lt;/strong&gt;, na sua &lt;strong&gt;15.ª edição&lt;/strong&gt;, desta feita instalado na novíssima Estação de Metro da &lt;strong&gt;Amadora Este&lt;/strong&gt; (Falagueira). Impressões gerais: o novo local é mais amplo que a atrofiada Escola Intercultural, local onde decorreram as últimas três edições do Festival, o que é uma &lt;strong&gt;boa notícia&lt;/strong&gt;. A &lt;strong&gt;má notícia&lt;/strong&gt; é que o espaço está retalhado em pedaços estreitos e disformes, entalados à força uns nos outros, num conjunto &lt;strong&gt;confuso&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;claustrofóbico&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;labiríntico&lt;/strong&gt;. Está visto que foi um &lt;strong&gt;arquitecto da tanga&lt;/strong&gt; que tratou do assunto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos de &lt;strong&gt;conteúdo&lt;/strong&gt;, é o mesmo de sempre: exposições temáticas, exposições individuais (de autores nacionais e estrangeiros), exibição dos trabalhos referentes ao concurso de Banda Desenhada e, claro, área comercial. A par disto, decorrem também conferências, sessões de autógrafos, &lt;em&gt;workshops&lt;/em&gt; e animações. Há sempre &lt;strong&gt;muito&lt;/strong&gt; a decorrer no FIBDA!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, a minha paciência já não é o que era e não me permite passar &lt;strong&gt;horas e horas&lt;/strong&gt; perdidas em deslumbramento, a ler quase cada prancha &lt;strong&gt;individualmente&lt;/strong&gt; (!), como costumava fazer quando era puto. Também já fiz alguma coisa (e vi muito mais!) na área e já não me impressiono facilmente com aquilo que vejo actualmente. É o que faz a &lt;strong&gt;idade&lt;/strong&gt;. Outra consequência é não aguentar estar muito tempo fechado num ambiente &lt;strong&gt;atravancado&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;barulhento&lt;/strong&gt; sem começar a dar em doido. No entanto, faço questão de ver sempre a exposição de fio a pavio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomendações? As exposições individuais de &lt;strong&gt;André Carrilho&lt;/strong&gt; (autor do cartaz deste ano e excelente ilustrador e caricaturista, cujo trabalho pode ser apreciado em &lt;a href="http://www.andrecarrilho.com"&gt;www.andrecarrilho.com&lt;/a&gt;), do servo-croata &lt;strong&gt;Gradimir Smudja&lt;/strong&gt; e do americano &lt;strong&gt;Seth Fisher&lt;/strong&gt; valem bem a pena, assim como a de &lt;strong&gt;BD Argentina&lt;/strong&gt; (que inclui nomes incontornáveis como &lt;strong&gt;Alberto Breccia&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Eduardo Risso&lt;/strong&gt; e, claro, o genial e inultrapassável &lt;strong&gt;Quino&lt;/strong&gt; – todos eles grandes mestres no domínio do preto e branco) e, a nível de curiosidade (muito embora não revele nenhuma grande surpresa), a grande exposição temática de &lt;strong&gt;100 BDs do Século XX&lt;/strong&gt;, com especial destaque para as instalações, adereços e apresentação geral desta exposição em particular, assim como de todo o festival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pontos baixos? A exposição &lt;strong&gt;Colectivo Serra da Estrela&lt;/strong&gt; (mas &lt;strong&gt;quem&lt;/strong&gt; é que ainda acha piada à &lt;strong&gt;BD histórica&lt;/strong&gt; feita nestes moldes tão clássicos e enfadonhos?! Que &lt;strong&gt;seca de morte&lt;/strong&gt;!) e também a de &lt;strong&gt;Luís Louro&lt;/strong&gt; (a exposição &lt;strong&gt;interdita a menores de 18&lt;/strong&gt; deste ano – todos os anos há uma – com direito a segurança à porta e tudo, a barrar a entrada às mentes mais jovens e impolutas). Infelizmente, desde a “&lt;strong&gt;Alice&lt;/strong&gt;” que o Louro não faz nada de jeito. Talvez tenha a ver com as suas recentes parcerias com o &lt;strong&gt;Rui Zink&lt;/strong&gt; como argumentista... Não sei, mas também não quero entrar por aí. O certo é que este seu último álbum de ilustrações comentadas (por &lt;em&gt;grandes&lt;/em&gt; nomes da nossa praça) é irrefutavelmente &lt;strong&gt;fraco&lt;/strong&gt;. Não traz nada de novo e quanto às ilustrações, enfim, um gajo até acha piada às primeiras duas ou três, mas depois... é mais do mesmo. A evitar. E é pena – eu que até gosto tanto de &lt;strong&gt;pornografia&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, e no geral, o saldo do festival é &lt;strong&gt;positivo&lt;/strong&gt;. Nem que seja apenas por me inspirar, como sempre, uma imensa e indomável vontade de voltar para casa a correr, para desenhar até ter &lt;strong&gt;cãibras nos dedos&lt;/strong&gt;. É &lt;strong&gt;isto&lt;/strong&gt;, sem dúvida, o que mais gosto nas exposições de Banda Desenhada e aquilo que me faz voltar todos os anos e sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110489068035614249?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110489068035614249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110489068035614249&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110489068035614249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110489068035614249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/amadora-bd-2004.html' title='AMADORA BD 2004'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110363856364717082</id><published>2004-10-23T23:40:00.000+01:00</published><updated>2004-12-21T14:24:47.126Z</updated><title type='text'>“CONFISSÕES DAS MULHERES DE 30”</title><content type='html'>“Os 30 anos são a idade do &lt;strong&gt;agora ou nunca&lt;/strong&gt;,” diz Maria Henrique. “É agora ou nunca que eu vou ter sucesso profissional, é agora ou nunca que vou ter o casamento perfeito, é agora ou nunca que vou ter filhos. E quero &lt;strong&gt;tudo&lt;/strong&gt; a que tenho direito! Se tiver sucesso profissional, mas &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; tiver marido, serei infeliz. Se tiver marido, mas &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; tiver sucesso profissional, serei infeliz. Ah, mas se tiver sucesso profissional &lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt; marido... provavelmente &lt;strong&gt;também&lt;/strong&gt; serei infeliz!...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Confisses.jpg'&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisto à peça “&lt;strong&gt;Confissões das Mulheres de 30&lt;/strong&gt;,” em exibição no &lt;strong&gt;Auditório Armando Cortez&lt;/strong&gt;, na &lt;strong&gt;Casa do Artista&lt;/strong&gt;. No palco, &lt;strong&gt;Maria Henrique&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;Fernanda Serrano&lt;/strong&gt; (bela grávida) e &lt;strong&gt;Margarida Marinho&lt;/strong&gt; (já com 41 anos, mas uma &lt;strong&gt;excelente febra&lt;/strong&gt;!) discorrem sobre os seus amores e desamores, os seus sonhos, as suas ilusões e desilusões, as suas inseguranças, as suas raivas e neuroses, as suas preocupações, as suas incongruências, as suas insatisfações, as suas tristezas e alegrias. Em suma, falam sobre a &lt;strong&gt;Vida&lt;/strong&gt;. A Vida vista pelo ponto de vista &lt;strong&gt;feminino&lt;/strong&gt;, claro está. Condimentado com muito &lt;strong&gt;sentido de humor&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;ironia&lt;/strong&gt;, a que não é estranha a consciência do papel &lt;strong&gt;patético&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;absurdo&lt;/strong&gt; que, não raras vezes, as mulheres desempenham no surreal teatro da vida. Mas estas três senhoras sabem que &lt;strong&gt;ninguém&lt;/strong&gt; está livre de fazer &lt;strong&gt;figuras tristes&lt;/strong&gt; e tomam a única atitude inteligente face a este facto: assumem os seus actos e &lt;strong&gt;riem-se&lt;/strong&gt; de si mesmas. Com muita &lt;strong&gt;sinceridade&lt;/strong&gt;, diga-se de passagem. E excelente resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ser bonita é muito &lt;strong&gt;difícil&lt;/strong&gt;,” confessa Fernanda Serrano. “Quando uma mulher bonita é rejeitada por um homem, pensa que isso aconteceu porque, apesar da beleza, no fundo, ela é uma &lt;strong&gt;pessoa terrível&lt;/strong&gt;. E quando &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; é rejeitada, ela pensa que o homem só gosta dela pela beleza, porque, no fundo, ela é uma &lt;strong&gt;pessoa terrível&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que amar a mulher, pois é um ser tão belo, único e extraordinário quanto &lt;strong&gt;complexo&lt;/strong&gt;. E é precisamente com essa ideia que uma pessoa abandona o teatro. Não há tratados ou fórmulas mágicas que expliquem a combinação – tantas vezes contraditória – que é a mulher. A sua beleza advém precisamente do facto dela ser &lt;strong&gt;complexa&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;contraditória&lt;/strong&gt; (o que não significa que seja desprovida de lógica) e, quando menos se espera, absolutamente &lt;strong&gt;imprevisível&lt;/strong&gt;. E só a compreende (e ama) &lt;strong&gt;verdadeiramente&lt;/strong&gt; aquele que percebe isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Então e o homem &lt;strong&gt;bom de cama&lt;/strong&gt;?” E elas riem-se, como se essa criatura fosse uma perfeita quimera, após terem classificado os diferentes tipos de homens consoante as suas prestações na cama. “Não, agora a sério... O homem &lt;strong&gt;bom de cama&lt;/strong&gt; são todos os homens que vieram ver esta peça!” Muitas palmas entre a assistência. E, não obstante a evidente nota bajuladora da afirmação, concordo. Porque o “homem bom de cama” é necessariamente um gajo que &lt;strong&gt;compreende&lt;/strong&gt; (ou &lt;strong&gt;procura compreender&lt;/strong&gt;) a mulher, ou seja, que se interessa &lt;strong&gt;genuinamente&lt;/strong&gt; pelo que ela tem a &lt;strong&gt;dizer&lt;/strong&gt;. E só um gajo desses quereria assistir a esta peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaque para uma citação final, um verdadeiro &lt;strong&gt;pensamento de Jacaré&lt;/strong&gt; (e, curiosamente, uma opinião que eu próprio já venho proclamando há uns tempos): “Ter 30 anos é uma posição de &lt;strong&gt;abrangência estratégica&lt;/strong&gt;: pode-se namorar homens de 20, 30, 50 anos... sem que ninguém lhe chame tarada.” Brindo a isso!... Embora, pessoalmente, não tenha nada contra as &lt;strong&gt;taradas&lt;/strong&gt;, note-se bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110363856364717082?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110363856364717082/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110363856364717082&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110363856364717082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110363856364717082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/confisses-das-mulheres-de-30.html' title='“CONFISSÕES DAS MULHERES DE 30”'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110363819759886222</id><published>2004-10-23T19:32:00.000+01:00</published><updated>2004-12-21T14:16:26.363Z</updated><title type='text'>O CROMO DO TANGO</title><content type='html'>No início da semana, apesar dos antibióticos que tenho andado a tomar, o furo que tenho na barriga, atravessado pelo cateter urinário, &lt;strong&gt;infectou&lt;/strong&gt;. No hospital Egas Moniz, onde agora vou semanalmente para mudar o penso, a enfermeira Emília (a tal dos &lt;a href="http://agoeladojacare.blogspot.com/2004_09_01_agoeladojacare_archive.html#109976368505458194"&gt;instrumentos de tortura&lt;/a&gt;) usou nitrato de prata para me &lt;strong&gt;cauterizar a carne&lt;/strong&gt; e parar a infecção. Estava a carne já tão &lt;strong&gt;purulenta&lt;/strong&gt; (segundo as próprias palavras da enfermeira), que ela queimou e queimou e eu não senti nada. A dor só veio depois. Passei uma semana dobrado em dois, com a barriga em &lt;strong&gt;carne viva&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, estou hoje de regresso à dança e à &lt;strong&gt;Academia Musical 1.º de Junho de 1893&lt;/strong&gt; (no Lumiar, Lisboa) – local onde ensinei Danças de Salão este ano até Julho passado – para participar em &lt;em&gt;workshops&lt;/em&gt; de &lt;strong&gt;Tango Argentino&lt;/strong&gt; e de &lt;strong&gt;Milonga&lt;/strong&gt;, ministrados pelos professores &lt;strong&gt;Gladys e Oscar&lt;/strong&gt; e os seus alunos &lt;strong&gt;Liliana e Fábio&lt;/strong&gt;, grupo do Porto que deu aulas na edição deste ano do Andanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o &lt;em&gt;workshop&lt;/em&gt;, divido-me para dançar com a &lt;strong&gt;Vi&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;Porto&lt;/strong&gt; (colegas das aulas de Danças de Salão) e a &lt;strong&gt;Vânia&lt;/strong&gt;, uma antiga colega, rapariga muito bonita e transbordante de sensualidade (e que, ao que parece, deixou o &lt;strong&gt;Kwenda&lt;/strong&gt; pelo beicinho – &lt;em&gt;tough luck&lt;/em&gt;, Douradinha!). A azáfama é tão intensa que me esqueço totalmente das minhas dores. Contudo, no intuito de evitar pares fixos e uma vez que são mais as senhoras que os homens (&lt;em&gt;so what else is new?&lt;/em&gt;), a Gladys baralha e torna a dar, pondo-me a dançar com uma senhora muito divertida, que está a aprender tango pela primeira vez. “Que &lt;strong&gt;sorte&lt;/strong&gt;!” exclama ela, “Já estive a deitar um olho para os dançarinos avançados e acho que você é um dos &lt;strong&gt;melhores&lt;/strong&gt;! E, ainda por cima, é um rapazinho &lt;strong&gt;todo jeitoso&lt;/strong&gt;... Que sorte a minha!” Olha-me p’a cota, hã?! E ela continua, clamando alto e bom som para o lado oposto do salão: “Ó mana! Vê só com &lt;strong&gt;quem&lt;/strong&gt; é que eu vou dançar! Que &lt;strong&gt;grande sorte&lt;/strong&gt;, hã?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, na verdade, a sorte é também &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt;, pois a dita senhora revela muita agilidade na pista de dança, deixando-se conduzir com tal leveza que consigo guiá-la facilmente em passos que ela nem sequer conhece. No final, ela está feliz: “Ah, foi muito bom! Muito obrigado! Até aprendi passos novos e tudo!” Eu sorrio largamente e retribuo o cumprimento. O Jacaré é um &lt;strong&gt;cavalheiro&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, os professores confirmam o excelente método de ensino de que deram mostras em Carvalhais, durante o Andanças, e a prova é que os &lt;em&gt;workshops&lt;/em&gt; decorrem muitíssimo bem. Pela minha parte, fico feliz ao descobrir que os professores ainda se &lt;strong&gt;lembram&lt;/strong&gt; de mim. A comprová-lo, está aquilo que me confidencia em surdina o próprio Oscar, depois de me corrigir alguns detalhes subtis na postura: “tenho que exigir &lt;strong&gt;mais&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;ti&lt;/strong&gt; do que dos outros,” revelando que me considera num patamar diferente dos demais (como já o tinha feito durante o Andanças, quando me &lt;strong&gt;convidou&lt;/strong&gt; a integrar o seu grupo de Tango). O Jacaré é um &lt;strong&gt;cromo&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é apenas o Oscar que se lembra de mim. O primeiro a cumprimentar-me, assim que entrei no salão acompanhado da Vi e da Porto, foi o &lt;strong&gt;Fábio&lt;/strong&gt;. Como não podia deixar de ser. Apesar de namorar a Liliana, a sua mui bela e simpática &lt;em&gt;partenaire&lt;/em&gt;, senhora de um voluptuoso &lt;strong&gt;corpo de pecado&lt;/strong&gt; que, seguramente, foi esculpido pelos Deuses, é a &lt;strong&gt;mim&lt;/strong&gt; que este gajo lança insistentes olhares de profunda lascívia, como aconteceu durante todo o Andanças, conforme testemunhado (entre sonoras gargalhadas) não só por toda a &lt;em&gt;party&lt;/em&gt; do Jacaré, como também pela própria &lt;strong&gt;Ruiva&lt;/strong&gt;, que sentiu da parte do rapaz uma certa acrimónia para com ela. Pois, pudera! Afinal, era &lt;strong&gt;ela&lt;/strong&gt; quem andava a comer o &lt;strong&gt;bonzão&lt;/strong&gt; a quem o tipo aparentemente queria ferrar o dente! No entanto, não posso deixar de o compreender, pois o gajo revela ter muito &lt;strong&gt;bom gosto&lt;/strong&gt;. Para além disso, o seu interesse coloca-me em competição ao nível da bela Liliana, a gaja boa e grossa, o que é um enorme &lt;strong&gt;elogio&lt;/strong&gt; para mim. No fundo, isto só prova que aqui o Jacaré é tão belo pedaço de homem que não deixa &lt;strong&gt;ninguém&lt;/strong&gt; indiferente. O Jacaré é um &lt;strong&gt;super cromo&lt;/strong&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110363819759886222?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110363819759886222/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110363819759886222&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110363819759886222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110363819759886222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/o-cromo-do-tango.html' title='O CROMO DO TANGO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110294597536625491</id><published>2004-10-19T23:36:00.000+01:00</published><updated>2004-12-13T13:52:55.366Z</updated><title type='text'>QUEM SAI AOS SEUS</title><content type='html'>Hoje o meu irmão completa 24 anos de existência. Está a ficar velho, o gajo, com quase &lt;strong&gt;um quarto de século&lt;/strong&gt; às costas. Parafraseando o meu pai, “já vai sendo tempo dele começar a &lt;strong&gt;ganhar juízo&lt;/strong&gt; e ir-se habituando a usar &lt;strong&gt;camisa&lt;/strong&gt;” (não confundir com camisinha), em vez de andar sempre vestido com as &lt;em&gt;t-shirts&lt;/em&gt; (rascas) da &lt;strong&gt;Meia Maratona de Lisboa&lt;/strong&gt;. Em defesa do meu irmão, eu replico que ele pode muito bem vestir fato, camisa e gravata quando tiver um emprego que assim o exija e continuar a usar as &lt;em&gt;t-shirts&lt;/em&gt; da Maratona nos seus dias de folga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para o meu pai, isso não cola. Ele defende que um &lt;strong&gt;homem sério e íntegro&lt;/strong&gt; é sempre o mesmo, dentro e fora do emprego. Esses gajos que mudam de pele consoante o ambiente são, claramente, pessoas falsas – &lt;strong&gt;inadaptados do sistema&lt;/strong&gt; que se recusam a aceitar as normas impostas pela sociedade e que, por necessidades pecuniárias (pois um gajo tem de meter comida na mesa, não é?), recorrem a &lt;strong&gt;máscaras&lt;/strong&gt; para fingirem ser aquilo que se escusam a ser. Se o meu pai mandasse (e ainda bem que &lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; manda!), usaríamos todos &lt;strong&gt;fato e gravata&lt;/strong&gt;. E andaríamos todos de &lt;strong&gt;barba feita&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;cabelo cortado&lt;/strong&gt;. Porque é isso que faz um &lt;strong&gt;homem sério&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este modo de encarar o mundo irrita-me sobremaneira (especialmente vindo do &lt;strong&gt;meu próprio pai&lt;/strong&gt;), porque acredito que o valor de uma pessoa, mais que pelo aspecto exterior, advém da &lt;strong&gt;qualidade&lt;/strong&gt; dos seus &lt;strong&gt;princípios morais e éticos&lt;/strong&gt; e da sua &lt;strong&gt;fidelidade&lt;/strong&gt; a eles (ou seja, não basta apenas &lt;strong&gt;ter&lt;/strong&gt; princípios, é acima de tudo necessário &lt;strong&gt;segui-los&lt;/strong&gt;). E isso é independente da aparência exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, esta disparidade de opiniões é causa de constante &lt;strong&gt;atrito&lt;/strong&gt; entre nós. Felizmente, nestas questões, aprendi a &lt;strong&gt;ignorar&lt;/strong&gt; o meu pai e deixá-lo arengar sozinho, caso contrário, já nos teríamos morto um ao outro há muito tempo. Mas ele não perde uma oportunidade para chatear um gajo e esta noite, durante o jantar de aniversário do meu irmão, com a família reunida, ele volta à carga: “Então, pá, quando é que tu me cortas esse cabelo e fazes essa barba?” Do outro extremo da mesa, volto-me calmamente na sua direcção e, com um sorriso nos lábios, pergunto-lhe: “Ouve lá, eu costumo emitir opiniões sobre o &lt;strong&gt;teu&lt;/strong&gt; cabelo e barba?” “Não,” responde ele. “Então não te &lt;strong&gt;admito&lt;/strong&gt; que faças qualquer tipo de comentário sobre o &lt;strong&gt;meu&lt;/strong&gt; cabelo e barba.” &lt;strong&gt;Pimbas!&lt;/strong&gt; Toma lá! 1-0!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele está atónito. “Não me &lt;strong&gt;admites&lt;/strong&gt;?! Quem és &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; para admitir ou não? Mas nós agora já estamos ao &lt;strong&gt;mesmo nível&lt;/strong&gt; ou quê?” Eu volto a sorrir: “Então, espera só até chegar a altura de ser &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; a tomar conta de &lt;strong&gt;ti&lt;/strong&gt;...” &lt;strong&gt;Tungas!&lt;/strong&gt; Vai buscá-la! 2-0! E ainda tem que gramar com a risota geral na mesa e a minha mãe a dizer que “cada um colhe aquilo que semeia...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estava &lt;strong&gt;bem arranjado&lt;/strong&gt; se fosses tu a tomar conta de mim!” Não o poupo: “Se calhar, eu deveria dizer o mesmo.” &lt;strong&gt;Tracatumbas!&lt;/strong&gt; Sem hipótese! 3-0! Nas calmas e a sorrir, volto a pôr a mesa inteira a rir e ele não tem outro remédio senão calar-se e bufar sozinho. Ainda o ouço resmungar para a minha mãe que, actualmente, aquilo que se colhe é &lt;strong&gt;bem diferente&lt;/strong&gt; daquilo que se semeia. Por outras palavras, creio que o que ele quer dizer é que os filhos de hoje são uns &lt;strong&gt;ingratos&lt;/strong&gt;, que não dão valor nenhum ao que os pais fazem por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu pai anda muito &lt;strong&gt;equivocado&lt;/strong&gt;. O seu grande problema é que já se &lt;strong&gt;esqueceu&lt;/strong&gt; dos seus tempos de juventude. Caso contrário, lembrar-se-ia que também ele só fez o que lhe deu na real gana, mesmo contra a vontade do seu velho. Não por uma questão de &lt;strong&gt;ingratidão&lt;/strong&gt; ou &lt;strong&gt;capricho&lt;/strong&gt;. Mas porque &lt;strong&gt;acreditava&lt;/strong&gt; naquilo que estava a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele deveria estar &lt;strong&gt;orgulhoso&lt;/strong&gt; de mim. Porque, aparentemente, “quem sai aos seus, não degenera.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110294597536625491?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110294597536625491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110294597536625491&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110294597536625491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110294597536625491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/quem-sai-aos-seus.html' title='QUEM SAI AOS SEUS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110294492283993905</id><published>2004-10-16T22:28:00.000+01:00</published><updated>2004-12-21T14:01:58.340Z</updated><title type='text'>CASAMENTO E SALSA</title><content type='html'>Hoje levanto-me cedo. E, para meu alívio, sinto-me bem de saúde. Ontem acordei com uma dor aguda junto à glande, como se tivesse um &lt;strong&gt;calhau rugoso&lt;/strong&gt; enfiado pela pila acima. Creio que aquilo que obstrui a minha uretra se deslocou. “&lt;strong&gt;Boas notícias&lt;/strong&gt;,” pensei eu, “Devo estar quase &lt;strong&gt;desentupido&lt;/strong&gt;.” Apesar de tudo, o meu dia foi passado com bastantes dores e também alguma febre. Hoje, apesar de me doerem um bocado os órgãos genitais, sinto-me bem e não tenho febre. Fosse como fosse, e ainda que estivesse às portas da Morte, não podia faltar a esta chamada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal, hoje casa-se o meu amigo &lt;strong&gt;Ti&lt;/strong&gt;. É dia de festa e alegria! Especialmente porque a &lt;strong&gt;Elite&lt;/strong&gt; vai estar de novo reunida! Desde que nos conhecemos, há mais de seis anos atrás, que a &lt;strong&gt;Evita&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Nino&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Ti&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; nos tornámos bons e inseparáveis amigos. E, apesar de cada um de nós ter seguido diferentes percursos de vida, a Elite continua a reunir-se regularmente para grandes &lt;strong&gt;mariscadas&lt;/strong&gt; e momentos de excelente convívio. E esta ocasião é um perfeito exemplo disso, já que a Evita veio &lt;strong&gt;expressamente&lt;/strong&gt; da &lt;strong&gt;Costa do Marfim&lt;/strong&gt;, onde reside actualmente com o noivo, para o casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O evento é o mesmo de sempre: o calvário da missa e de carradas intermináveis de fotografias só é suportável pela perspectiva da &lt;strong&gt;paparoca&lt;/strong&gt;. Contudo, não estou nada satisfeito com a companhia que me calhou em sorte na mesa do almoço. O Nino e eu aqui tão &lt;strong&gt;belos e solteiros&lt;/strong&gt; e logo havíamos de ficar encalhados nesta mesa cheia de &lt;strong&gt;casalinhos&lt;/strong&gt; quando, mesmo na mesa ao lado, estão &lt;strong&gt;três grossas febras&lt;/strong&gt; desacompanhadas! Não há direito! Alguém vai pagar por isto! O que nos vale é a companhia refrescante da Evita, senão estávamos agora bem agarrados ao pau!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após o almoço há animação: &lt;strong&gt;Salsa!&lt;/strong&gt; Um grupo de dançarinos executa uma exibição, seguida de &lt;em&gt;workshop&lt;/em&gt;. Assim que o professor solicita participantes para a contradança, apresento-me de imediato, arrastando a Evita pelo braço. Formando uma roda, os dançarinos seguem as instruções do professor, repetindo os passos aprendidos anteriormente. E, como não podia deixar de ser, não há rapariga que me passe pelas unhas que não pergunte se eu danço – é o domínio! Uma das alunas de Salsa vai mais longe: “Tu estavas no &lt;strong&gt;Andanças&lt;/strong&gt; deste ano, não estavas?” Eu confirmo. E sorrio. Não me lembro dela, mas, pelos vistos, ela lembra-se &lt;strong&gt;muito bem&lt;/strong&gt; de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, aproveito para meter conversa com as &lt;strong&gt;três grossas febras&lt;/strong&gt; da mesa vizinha, à medida que me vão passando pelas mãos durante a dança. A rapariga das calças pretas bem justas e farto peito que parece convidar a mergulhar naquela opulência carnal exibe uma cara de poucos amigos e reage cheia de indiferença às minhas investidas. A sua amiga do vestido com as costas tão descaídas que dá para ver a tanguinha está muito mais receptiva, mas tem ar de vaca e dança mal. Quanto à terceira menina, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;jackpot!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, tem um lindo sorriso e deixa-se conduzir muito bem. Enverga um elegante vestido rosa, que lhe salienta as graciosas curvas da anca e, curiosamente, é muito parecida com a &lt;strong&gt;noiva&lt;/strong&gt;. Pergunto-lhe se são &lt;strong&gt;irmãs&lt;/strong&gt; e ela confirma, mostrando-se extremamente simpática. Conversamos um pouco e, mais tarde, troco um demorado e significativo olhar com ela, que me cumprimenta sorridentemente do outro lado do salão. E eu retribuo o cumprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao comentar o assunto com o irmão mais novo do noivo, o meu grande amigo &lt;strong&gt;Ballistic&lt;/strong&gt;, ele avisa-me que a doce menina “tem dono.” “Se realmente &lt;em&gt;tem dono&lt;/em&gt;,” replico eu, “&lt;strong&gt;onde&lt;/strong&gt; diabos anda esse gajo, que não apareceu no casamento da cunhada?...” O Ballistic não me sabe responder, nem me parece muito interessado no assunto – as suas atenções estão centradas numa jovem prima &lt;strong&gt;gótica&lt;/strong&gt;, mui bela e dramática. De qualquer modo, pouco antes de abandonar as festividades, no momento das despedidas, aproveito para elogiar à noiva a beleza da sua jovem irmã. Ela mostra-se imensamente agradada e o Ti, aproveitando de imediato a deixa, tece longos elogios acerca da minha pessoa, enquanto me pisca o olho repetidas vezes. Mas a noiva permanece silenciosa sobre o assunto, o que me leva a dar crédito às palavras do Ballistic. Seja como for, o facto é que a primeira impressão que dei à menina de rosa foi &lt;strong&gt;altamente positiva&lt;/strong&gt;. E, de facto, o noivo comenta comigo mais tarde que as grossas febras ficaram com a ideia que a Evita e eu somos &lt;strong&gt;namorados&lt;/strong&gt;. Eu rio-me com gosto. Isto acontece-nos frequentemente. A Evita e eu partilhamos uma profunda amizade e intimidade de anos, que facilmente é confundida por &lt;em&gt;algo mais&lt;/em&gt; por quem nos observa de fora. Muito sinceramente, não me incomoda nada que isto aconteça, pois, sendo a Evita uma bela e maravilhosa rapariga, quaisquer especulações acerca de uma relação entre nós os dois apenas &lt;strong&gt;beneficia&lt;/strong&gt; a minha reputação. Além disso, o facto das grossas febras terem perdido tempo com estas considerações, revela que o assunto da minha disponibilidade amorosa as &lt;strong&gt;interesse&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é natural que assim seja. Porque, afinal, pertenço à &lt;strong&gt;Elite&lt;/strong&gt; e este grupo é, de longe, o mais elegante e distinto de todo o casório. Ou não fosse constituído por alguns dos meus &lt;strong&gt;melhores amigos&lt;/strong&gt;. E &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110294492283993905?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110294492283993905/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110294492283993905&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110294492283993905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110294492283993905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/casamento-e-salsa.html' title='CASAMENTO E SALSA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110173904982240077</id><published>2004-10-13T21:31:00.000+01:00</published><updated>2006-11-07T01:13:16.770Z</updated><title type='text'>LET THE GAMES BEGIN</title><content type='html'>Com o terminar da sua mais recente relação e o encerrar de mais um capítulo amoroso, o &lt;strong&gt;Jacaré Voador&lt;/strong&gt;, novamente &lt;strong&gt;livre e amorosamente desimpedido&lt;/strong&gt;, anuncia oficialmente o seu regresso ao sempre excitante e promissor &lt;strong&gt;Mundo dos Solteiros&lt;/strong&gt;! O filho pródigo a casa retorna! Desejemos-lhe, portanto, as mais sinceras e calorosas boas-vindas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que as mais belas meninas por esse mundo afora suspirem de ansiedade e alegria pela recém adquirida disponibilidade do nobre réptil, pois o lugar mais alto do seu coração está agora &lt;strong&gt;vago&lt;/strong&gt; e pronto a ser ocupado por nova inquilina, alguém que se revele &lt;strong&gt;merecedora&lt;/strong&gt; dessa elevada honra! Deste modo, e no sentido de afastar atropelos desnecessários e alguma violência evitável na comunidade feminina interessada, a excelsa criatura decidiu por bem realizar um rigoroso &lt;strong&gt;concurso&lt;/strong&gt; ao almejado lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O concurso consiste em quatro partes distintas: a &lt;strong&gt;Candidatura&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Primeiro Contacto&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;Contacto Aprofundado&lt;/strong&gt; e a &lt;strong&gt;Conclusão&lt;/strong&gt;. Toda e qualquer menina interessada em preencher a vaga no coração do nosso brioso Jacaré, deve enviar a sua &lt;strong&gt;Carta de Apresentação&lt;/strong&gt; para &lt;strong&gt;&lt;a href=mailto:jacarevoador@gmail.com title="Cartas de Amor"&gt;jacarevoador@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, anexando o seu &lt;strong&gt;currículo&lt;/strong&gt; e (no mínimo) &lt;strong&gt;duas fotos&lt;/strong&gt; de corpo inteiro, sendo uma delas em biquini. Em todas as fotos, a cara da candidata deve ser bem visível. Este procedimento corresponde à primeira parte do concurso: a &lt;strong&gt;Candidatura&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a recepção da candidatura, dá-se início à segunda parte do concurso, apelidada de &lt;strong&gt;Primeiro Contacto&lt;/strong&gt;, que consiste no &lt;strong&gt;encontro físico&lt;/strong&gt; entre as partes envolvidas e se divide em duas fases. A primeira fase, de &lt;strong&gt;Apreciação Individual&lt;/strong&gt;, consiste num encontro &lt;strong&gt;preliminar&lt;/strong&gt; (com a duração mínima de meia-hora), onde a candidata terá oportunidade de conhecer o ilustre Jacaré &lt;strong&gt;ao vivo&lt;/strong&gt; (tenham calma, minhas senhoras!) e provar no terreno as suas capacidades. Do resultado desse encontro será feita a &lt;strong&gt;primeira selecção&lt;/strong&gt;, que decidirá se a candidata passa à segunda fase, de &lt;strong&gt;Apreciação Social&lt;/strong&gt;. Em caso afirmativo, realizar-se-ão outros dois encontros, desta feita, em &lt;strong&gt;grupo&lt;/strong&gt;: um com os &lt;strong&gt;amigos da candidata&lt;/strong&gt; e outro com os &lt;strong&gt;amigos do Jacaré&lt;/strong&gt;. Após esta fase, nova selecção determinará quais as candidatas que ganharam o direito de passar à terceira parte do concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fase de &lt;strong&gt;Contacto Aprofundado&lt;/strong&gt; consiste numa série de encontros (tantos quanto necessário), a sós ou em grupo, no sentido de aprofundar o conhecimento e o relacionamento entre as partes interessadas. A quarta e última parte do concurso consiste na &lt;strong&gt;Conclusão&lt;/strong&gt;, onde o distinto Jacaré tomará a sua decisão final em relação a cada uma das candidatas resistentes, sabendo à partida que &lt;strong&gt;uma e apenas uma&lt;/strong&gt; ganhará o direito ao lugar mais alto do coração do insigne Jacaré.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela sua parte, o Jacaré Voador compromete-se a &lt;strong&gt;não se envolver fisicamente&lt;/strong&gt; com nenhuma das candidatas até ter chegado a uma conclusão definitiva, no sentido de evitar sentimentos de injustiça entre as pretendentes. Pelo seu lado, qualquer candidata é livre de &lt;strong&gt;desistir&lt;/strong&gt; da sua candidatura seja em que momento for. Caso nenhuma das candidatas reuna as caracterísiticas consideradas &lt;strong&gt;desejáveis e indispensáveis&lt;/strong&gt; para aceder ao posto ambicionado, o Jacaré Voador reserva-se o direito de as mandar passear a todas mais a esta porcaria de concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quaisquer situações inesperadas que surjam no decorrer do concurso e que não estejam contempladas neste regulamento serão resolvidas atempadamente pelo próprio Jacaré, de maneira o mais imparcial possível, no sentido de evitar injustiças e contentar todas as partes envolvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais, resta apenas desejar &lt;strong&gt;boa sorte&lt;/strong&gt; para todas as concorrentes! &lt;em&gt;Let the games begin!&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110173904982240077?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110173904982240077/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110173904982240077&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110173904982240077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110173904982240077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/let-games-begin.html' title='&lt;em&gt;LET THE GAMES BEGIN&lt;/em&gt;'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110173856568308507</id><published>2004-10-10T22:18:00.000+01:00</published><updated>2004-11-29T14:29:25.683Z</updated><title type='text'>FIM DE CAPÍTULO</title><content type='html'>Ao final do dia, de regresso a Lisboa, e depois de uma viagem mergulhado numa espiral de tristes pensamentos, chego a casa no mais abatido estado de espírito. Após um banho quente e reconfortante, tomo uma &lt;strong&gt;importante decisão&lt;/strong&gt;: tenho de &lt;strong&gt;falar&lt;/strong&gt; com a Ruiva. &lt;strong&gt;Tenho&lt;/strong&gt; de lhe dizer o que &lt;strong&gt;sinto&lt;/strong&gt; e o que &lt;strong&gt;penso&lt;/strong&gt; – rematar as tais &lt;strong&gt;pontas soltas&lt;/strong&gt;. Não o pretendo fazer movido por uma vã esperança de a reconquistar (só um gajo &lt;strong&gt;cego, surdo e estúpido&lt;/strong&gt; conseguiria ainda acreditar nessa possibilidade), mas sim porque acredito que me sentirei melhor &lt;strong&gt;comigo mesmo&lt;/strong&gt; depois de o fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respiro fundo antes de marcar o número do telemóvel dela. Ela atende. Parece cansada. Mas eu não planeio demorar-me e vou directo ao assunto: digo-lhe que estou &lt;strong&gt;desiludido&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;triste&lt;/strong&gt; por ela não ter demonstrado qualquer &lt;strong&gt;vontade&lt;/strong&gt; de fazer uns míseros 30 quilómetros para se encontrar comigo. O tom de voz dela muda radicalmente e denota bem a sua irritação. Diz-me rispidamente que, se não foi ter comigo, não o fez porque simplesmente não lhe apeteceu, mas sim porque estava muito &lt;strong&gt;constipada&lt;/strong&gt; e cheia de &lt;strong&gt;dores de cabeça&lt;/strong&gt;. Depois acrescenta que deixou de sair com os amigos dela na noite anterior para se levantar cedo esta manhã para ir ter comigo (coisa que não conseguiu devido à constipação) e remata ainda dizendo que teve uma semana &lt;strong&gt;cheia de trabalho&lt;/strong&gt; e que o dia de hoje foi o &lt;strong&gt;primeiro e único&lt;/strong&gt; em que ela pôde finalmente descansar um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneço em silêncio por alguns instantes. Fui apanhado em falso – ela não me dissera nada disto de manhã. Porém, isso não significa que seja mentira. E nem me passa pela cabeça duvidar da sua palavra, portanto, “Ainda bem que eu decidi ligar, porque assim isso fica esclarecido,” remato eu. E depois revelo que a razão porque estou desapontado por não nos termos encontrado se deve à &lt;strong&gt;necessidade&lt;/strong&gt; que eu tinha de estar com ela &lt;strong&gt;em pessoa&lt;/strong&gt; para encerrar o assunto da nossa separação. Porque há coisas que prefiro falar olhando &lt;strong&gt;na cara&lt;/strong&gt; das pessoas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que eu te queria dizer, no fim disto tudo, é que é &lt;strong&gt;lixado&lt;/strong&gt; chegar à conclusão que esta relação só funcionou enquanto &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; estive empenhado, porque, a partir do momento em que eu baixei os braços, &lt;strong&gt;tu não fizeste o mínimo esforço&lt;/strong&gt; para segurar as coisas.” &lt;strong&gt;Agora&lt;/strong&gt; ela está &lt;strong&gt;realmente&lt;/strong&gt; zangada! “Nós moramos a &lt;strong&gt;300 quilómetros&lt;/strong&gt; um do outro!!! Eu não te conheço a ti e tu não me conheces a mim e &lt;strong&gt;não há maneira&lt;/strong&gt; de nos conhecermos um ao outro com toda esta distância entre nós!! Que querias tu que eu fizesse?! Desculpa, mas eu &lt;strong&gt;não vou&lt;/strong&gt; correr até ao &lt;strong&gt;fim do mundo&lt;/strong&gt; por &lt;strong&gt;tua&lt;/strong&gt; causa!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, creio que isso é &lt;strong&gt;óbvio&lt;/strong&gt;. Por esta altura do campeonato, já eu o tinha adivinhado. Seja como for, não estaremos a exagerar um bocado? “Espera lá!” digo-lhe eu, “Eu &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; te pedi para correres até ao fim do mundo por minha causa! Aliás, eu &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; te pedi &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt;!” É sempre bom deixar estas coisas bem claras, só para prevenir. “O que estou a dizer é que gostaria de ter sentido alguma &lt;strong&gt;vontade&lt;/strong&gt; da tua parte em ver o que é que esta relação podia dar...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Temos 300 quilómetros a separar-nos!” rebate ela, “&lt;strong&gt;Como&lt;/strong&gt; é que nós podemos ter uma vida &lt;strong&gt;em comum&lt;/strong&gt; nestas condições?” “&lt;strong&gt;Sei lá!&lt;/strong&gt;” respondo, “Mas essa pergunta esteve presente na nossa relação &lt;strong&gt;desde o início&lt;/strong&gt;! E nós &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; encontrámos resposta para ela!” E, caramba, &lt;strong&gt;todos&lt;/strong&gt; sabiam as regras do jogo desde o início e não foi isso que impediu ninguém de jogar!... Mas, se calhar, uns sabiam as regras &lt;strong&gt;melhor&lt;/strong&gt; que os outros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Afinal, agora percebo porque é que tu, desde o início, puseste em dúvida a &lt;strong&gt;longevidade&lt;/strong&gt; do meu sentimento por ti,” disparo eu. “No fundo, a longevidade do &lt;strong&gt;teu&lt;/strong&gt; sentimento é que era de duvidar, mas estavas a projectar em mim o &lt;strong&gt;teu&lt;/strong&gt; carácter.” Quem não conhece o caso clássico do adúltero incorrigível que vive no medo paranóico de ser, ele próprio, encornado? No fundo, ele apenas projecta nos outros o &lt;strong&gt;seu&lt;/strong&gt; carácter e o &lt;strong&gt;seu&lt;/strong&gt; modo de agir e, por essa razão, reage como se todos à sua volta funcionassem como ele. “Se calhar,” acrescento, “&lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; é que devia ter posto em causa a longevidade do &lt;strong&gt;teu&lt;/strong&gt; sentimento.” Como é natural, ela não fica &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt; contente (e &lt;strong&gt;quem&lt;/strong&gt; ficaria, depois de ter sido chamado de &lt;strong&gt;volúvel&lt;/strong&gt;?). Diz que eu não a conheço o suficiente nem tenho o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; de tirar conclusões acerca da sua personalidade ou dos seus sentimentos, que não sei nada do que se passa na sua cabeça nem no seu coração e que não faço a mínima ideia do quanto lhe custou terminar a nossa relação. E acrescenta: “Posso até não saber bem aquilo que quero, mas, se há coisa que sempre soube na minha vida, é aquilo que &lt;strong&gt;não quero&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ouch!&lt;/em&gt; Essa doeu! Mas, e daí, creio que a mereci, pela &lt;strong&gt;provocação&lt;/strong&gt;. Admito que ela tenha razão quando diz que eu não a conheço há tempo suficiente. Contudo, e contrariamente a ela, eu não sou de opinião que esse facto por si só me retire o &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; de formar apreciações acerca do seu carácter. Enquanto reinar o &lt;strong&gt;livre arbítrio&lt;/strong&gt;, posso opinar o que muito bem entender! Aquilo que aqui pode ser discutido é, não o meu &lt;strong&gt;direito&lt;/strong&gt; a uma opinião, mas sim a &lt;strong&gt;validade&lt;/strong&gt; dessa opinião. Contudo, nem mesmo o facto de não a conhecer há tempo suficiente significa obrigatoriamente que a minha opinião esteja errada. Mas, seja de que modo for, não me interessa entrar em discussão com ela. Estou magoado, provoquei-a e recebi o troco – e deixemos as coisas por aqui. De qualquer maneira, já tenho aquilo que queria, as &lt;strong&gt;respostas&lt;/strong&gt; que procurava. Não vale a pena provocar o confronto e enervarmo-nos, para acabarmos realmente zangados, destruindo o respeito que temos um pelo outro. Portanto, “não te incomodo mais,” digo-lhe. E despeço-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao pousar o auscultador do telefone, sinto-me estranhamente leve e aliviado, mas, ao mesmo tempo, cheio de uma &lt;strong&gt;raiva latente&lt;/strong&gt;. Por ter sido eu &lt;strong&gt;o único&lt;/strong&gt; a assumir esta relação desde o início. Sinto que fiz papel de otário. Otário não por ter assumido a relação, mas &lt;strong&gt;otário&lt;/strong&gt; por ter compactuado com o facto dela não querer assumir. Sobre esse ponto, ela nunca me mentiu e devo dar-lhe crédito por isso. Mas devia tê-la mandado passear logo à partida, ah, isso devia – “Então, até para o ano! Cá nos veremos no Andanças outra vez!” Beijinho, beijinho e tchauzinho. Afinal, se era para não assumir, mais valia termos encarado a relação como aquilo que, no fundo, era – uma &lt;strong&gt;Curtição de Verão&lt;/strong&gt; –, em vez de andarmos para aqui enganados durante quase dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Mas estou a ser &lt;strong&gt;injusto&lt;/strong&gt;. No fim de contas, esta relação foi um grande equívoco para &lt;strong&gt;ambos&lt;/strong&gt;. Porque eu acredito que, tal como eu, também &lt;strong&gt;ela&lt;/strong&gt; queria mais desta relação – nenhum de nós se meteu nisto numa de &lt;strong&gt;curtição&lt;/strong&gt; (embora o pudéssemos ter feito). Infelizmente, havia muitas coisas contra nós. E estou em crer que, caso não houvesse distância a separar-nos, ter-nos-ia bastado &lt;strong&gt;uma ou duas semanas&lt;/strong&gt; para chegarmos à conclusão que, apesar dos interesses em comum, somos demasiado &lt;strong&gt;diferentes&lt;/strong&gt; para que uma relação amorosa pudesse resultar. Enfim, “o que tem de ser tem muita força,” não é o que se costuma dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo e, pela minha parte, não estou arrependido de ter vivido esta relação. Estou até &lt;strong&gt;orgulhoso&lt;/strong&gt; de mim mesmo e do papel que desempenhei em todo o caso. Por ter revelado uma enorme &lt;strong&gt;clareza de espírito&lt;/strong&gt; a analisar objectivamente a relação e uns &lt;strong&gt;tomates do caraças&lt;/strong&gt; ao terminá-la antes de me enterrar mais nela, apesar de gostar da rapariga. Se sofri? &lt;strong&gt;Ainda sofro!&lt;/strong&gt; Mas poderia ter sido &lt;strong&gt;muito pior&lt;/strong&gt;, caso me tivesse deixado conduzir cegamente pelo Coração e teimasse em persistir no engano. Conclusão: a Razão ao serviço do Sentimento só produz resultados &lt;strong&gt;benéficos&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final, fica-me a recordação de quase dois meses &lt;strong&gt;maravilhosos&lt;/strong&gt;. Fica-me a memória de uma cabeleira fulva e um profundo olhar azul que, por breves instantes, mantive entre as mãos. Ficam-me momentos como aquele em que, sentado na calçada duma esquina da Duque de Ávila com a Rua Marquês Sá da Bandeira, com o telemóvel colado ao ouvido e ela expectante do outro lado, eu desembrulhei o magnífico desenho que ela fizera especialmente para mim na noite anterior. Ou como aquele final de tarde no Porto em que, dentro do carro, nos abraçámos ao som de “Fico Assim Sem Você,” da Adriana Calcanhotto, instantes antes de eu a deixar para regressar a Lisboa. Porque são esses momentos de &lt;strong&gt;pura poesia&lt;/strong&gt; que interessa guardar. E são tudo o que se leva da Vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110173856568308507?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110173856568308507/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110173856568308507&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110173856568308507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110173856568308507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/fim-de-captulo.html' title='FIM DE CAPÍTULO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110173699000857824</id><published>2004-10-10T18:57:00.000+01:00</published><updated>2004-11-29T14:03:10.006Z</updated><title type='text'>DESILUSÃO</title><content type='html'>Na quarta-feira passada, quase uma semana depois de ter enviado à &lt;strong&gt;Ruiva&lt;/strong&gt; o longo &lt;em&gt;e-mail&lt;/em&gt; explicando os motivos pelos quais acredito estar condenada a nossa relação, ela &lt;strong&gt;ainda&lt;/strong&gt; não respondeu. Desconfio que este silêncio anormal não augure nada de bom... Temo que ela esteja &lt;strong&gt;magoada&lt;/strong&gt; e não me queira sequer falar... Mas também lhe cabe a ela uma palavra sobre o assunto e eu confesso que a parte mais irrecuperavelmente romântica de mim ainda não perdeu totalmente a esperança dela &lt;strong&gt;não querer&lt;/strong&gt; que a nossa relação termine. Seja de que maneira for, eu &lt;strong&gt;preciso&lt;/strong&gt; de uma resposta sua. Nem que seja para &lt;strong&gt;encerrar&lt;/strong&gt; de vez o assunto. E esta minha breve visita ao Porto apresenta-se como a oportunidade ideal para conversar com ela &lt;strong&gt;em pessoa&lt;/strong&gt;. Portanto, decido telefonar-lhe – “se Maomé não vai à montanha...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, contrariando as minhas (mais negras) expectativas, a voz que me atende é de uma &lt;strong&gt;doçura&lt;/strong&gt; extrema. Trata-me até por “&lt;strong&gt;fofinho&lt;/strong&gt;” e “&lt;strong&gt;amor&lt;/strong&gt;”! Estou atónito e não o escondo. “É &lt;strong&gt;claro&lt;/strong&gt; que eu quero continuar a &lt;strong&gt;ouvir a tua voz&lt;/strong&gt;,” responde ela. Diz que já escreveu há uns dias a resposta à minha missiva, mas não ma enviou porque queria certificar-se dos seus sentimentos sobre o assunto. “Envio-te a resposta hoje à noite ou amanhã.” Ao desligar, estou &lt;strong&gt;mais&lt;/strong&gt; confuso do que antes... Que significa esta conversa? Afinal, acabámos... ou &lt;strong&gt;nem por isso&lt;/strong&gt;?... Por um instante, o meu lado romântico permite-se sonhar... Até que, na noite do dia seguinte, recebo finalmente a sua resposta. Em resumo, diz que eu &lt;strong&gt;tenho razão&lt;/strong&gt; em todas as conclusões expostas. O seu discurso é pacífico e resignado. Creio que isto esclarece as minhas dúvidas. E &lt;em&gt;bye-bye&lt;/em&gt;, romantismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, combinamos “tomar cafezinho” no fim-de-semana. É bom, porque penso que uma separação pede sempre um confronto &lt;strong&gt;face a face&lt;/strong&gt; – para rematar &lt;strong&gt;pontas soltas&lt;/strong&gt;. Convido-a ainda para assistir à minha exibição de Danças de Salão de Sábado à noite, mas ela está ocupada. “Mas encontramo-nos no Domingo de manhã. Eu ligo-te e vou ter contigo,” diz-me ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa um pouco das dez horas desta manhã cinzenta e chuvosa de Domingo quando recebo o seu telefonema. No hotel, a comitiva da Associação da Faculdade de Economia de Luanda, que eu acompanho, prepara-se para sair, para visitar o &lt;strong&gt;Estádio do Dragão&lt;/strong&gt; e as &lt;strong&gt;Caves do Porto&lt;/strong&gt; antes do almoço. Quanto à Ruiva, percebe-se pela sua voz que acaba de acordar; imagino-a até deitada na cama enquanto fala comigo. “Está um tempo &lt;strong&gt;horrível&lt;/strong&gt;!” diz ela, “Apetece-me estar contigo, mas não me apetece nada conduzir &lt;strong&gt;30 quilómetros à chuva&lt;/strong&gt; para o Porto! Não sei o que fazer!” Suspiro fundo. Compreendo tudo imediatamente: se ela quisesse &lt;strong&gt;realmente&lt;/strong&gt; estar comigo, não me vinha com esta conversa. É transparente como a água que cai do céu que ela prefere ficar em casa... Só não quer dizer-mo &lt;strong&gt;abertamente&lt;/strong&gt; e magoar-me. Tarde demais. Porém, não sou &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; certamente quem a vai &lt;strong&gt;obrigar&lt;/strong&gt; a vir ter comigo, por isso, facilito-lhe a tarefa: “Então, se &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; não sabes o que fazer, sei &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt;: fica em casa e descansa, que o teu mal é sono. O café fica para outra vez.” Ela hesita um pouco: “E tu não ficas &lt;strong&gt;chateado&lt;/strong&gt;?” Asseguro-a que não. E é verdade. Não fico chateado, fico &lt;strong&gt;desiludido&lt;/strong&gt;. Fico &lt;strong&gt;triste&lt;/strong&gt;. Pouco depois, despedimo-nos, com a promessa de tomarmos o nosso “cafezinho” na sua próxima visita a Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo o resto do dia na &lt;strong&gt;merda&lt;/strong&gt;. Nem os constantes incitamentos do bom amigo Flogger ou das meninas me devolve a minha boa disposição natural. Como as coisas mudam rapidamente, hã? Pensar que há menos de um mês atrás a sua paixão era tanta que ela passava os dias a pensar em mim, e agora... nem sequer é suficiente para a levar a conduzir 30 quilómetros à chuva para estar comigo. De &lt;strong&gt;bestial&lt;/strong&gt; a &lt;strong&gt;besta&lt;/strong&gt; vai apenas um breve passo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que desilusão tremenda! Esta merda &lt;strong&gt;dói&lt;/strong&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110173699000857824?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110173699000857824/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110173699000857824&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110173699000857824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110173699000857824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/desiluso.html' title='DESILUSÃO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110173656122720317</id><published>2004-10-09T23:50:00.000+01:00</published><updated>2004-11-29T13:56:01.226Z</updated><title type='text'>O MENINO JÁ DÁ ESPECTÁCULO!</title><content type='html'>Estou na bela cidade do &lt;strong&gt;Porto&lt;/strong&gt;, a participar numa exibição de &lt;strong&gt;Danças de Salão&lt;/strong&gt; (juntamente com a minha amiga &lt;strong&gt;Vi&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;Porto&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;Flogger&lt;/strong&gt;) para a reunião anual da &lt;strong&gt;Associação dos Antigos Alunos, Professores e Funcionários da Faculdade de Economia de Luanda&lt;/strong&gt; (nome curtinho, hã?). Apesar de alguns enganos menores (não totalmente inesperados, tendo em conta que houve apenas &lt;strong&gt;um único&lt;/strong&gt; ensaio) a exibição corre bem e é um &lt;strong&gt;sucesso&lt;/strong&gt;. A assistência adora o espectáculo e não nos poupa elogios. Nem a nós, nem à &lt;strong&gt;Elsa Shamce&lt;/strong&gt; que, numa exibição a solo de &lt;strong&gt;Danças Orientais&lt;/strong&gt; (vulgarmente conhecidas como &lt;strong&gt;Danças do Ventre&lt;/strong&gt;), encanta a cotalhada presente, ou ao grupo de &lt;strong&gt;Danças Africanas&lt;/strong&gt; que também actua no espectáculo. Este grupo de Danças Africanas é composto, entre outros, pelo &lt;strong&gt;Zé Barbosa&lt;/strong&gt;, pelo &lt;strong&gt;Kwenda&lt;/strong&gt;, pelo &lt;strong&gt;Wati&lt;/strong&gt; e também pela &lt;strong&gt;Elsa&lt;/strong&gt;. Quem passou pelo &lt;strong&gt;Andanças&lt;/strong&gt; nos últimos anos com certeza se lembra deles, pois todos eles são professores de Dança e costumam ministrar alguns &lt;em&gt;workshops&lt;/em&gt; de dança no evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para fechar a noite em beleza, há baile, claro. É o &lt;strong&gt;primeiro&lt;/strong&gt; baile a que vou desde o acidente, mas, apesar de já estar livre (desde ontem!) do &lt;strong&gt;cruzado posterior&lt;/strong&gt;, ainda não me sinto suficientemente restabelecido para dançar até o Sol raiar. No entanto, insensível às minhas mazelas e ao cansaço, a Elsa não descansa enquanto não me arranca o cu da cadeira para dançar com ela uma bela &lt;strong&gt;kizomba&lt;/strong&gt;. Mas podem tirar já esses sorrisos malandros da cara, ó lúbricas criaturas! Porque a Elsa é &lt;strong&gt;comprometida&lt;/strong&gt;! Com o Zé Barbosa que, não só está presente no local, como está com os amigos! E eu cá não quero chatices – quando se está em &lt;strong&gt;desvantagem numérica&lt;/strong&gt;, convém não pisar calos a ninguém...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a dança, surpreendo a Elsa com um passo muito simples, que consiste em imobilizar a senhora, prendendo a sua perna direita entre as do cavalheiro. Ela ri-se muito, gosta. “&lt;strong&gt;Nunca&lt;/strong&gt; te tinham feito isto?” pergunto, algo incrédulo. “Não!” Fico siderado! Então esta gaja é a dama do &lt;strong&gt;famoso&lt;/strong&gt; Zé Barbosa, professor de Danças Cabo Verdianas e &lt;strong&gt;grande cromo&lt;/strong&gt; de kizombas, funanás, coladeras e afins, e não conhece um passo tão básico?! Na realidade, ninguém me ensinou este passo – eu mesmo o &lt;strong&gt;inventei&lt;/strong&gt;, a 11 de Outubro do ano passado, numa intensa noite de dança na discoteca africana &lt;strong&gt;En’ Clave&lt;/strong&gt;, em Lisboa. Contudo, o passo é &lt;strong&gt;tão simples&lt;/strong&gt; que eu sempre julguei ter descoberto a pólvora depois da guerra! A reacção da Elsa, no entanto, leva-me a crer que o passo é, afinal de contas, &lt;strong&gt;desconhecido&lt;/strong&gt;! E, assim sendo, &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; sou o seu digno inventor! É da &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt; autoria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que grande &lt;strong&gt;cromo de dança&lt;/strong&gt; que eu me saí! Até já invento passos assim à descarada! Não tarda nada ainda me dá na cabeça criar um &lt;strong&gt;estilo de dança pessoal&lt;/strong&gt;, tal como o &lt;strong&gt;Bruce Lee&lt;/strong&gt; criou o &lt;strong&gt;Jeet Kune Do&lt;/strong&gt;! Até já estou a ver a cena... Vou chamar-lhe &lt;strong&gt;Kizom Bori Zontal&lt;/strong&gt;!... E as aulas serão dadas ao &lt;strong&gt;domicílio&lt;/strong&gt;! Alguma menina interessada em aprender?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110173656122720317?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110173656122720317/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110173656122720317&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110173656122720317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110173656122720317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/o-menino-j-d-espectculo.html' title='O MENINO JÁ DÁ ESPECTÁCULO!'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-110048525612589800</id><published>2004-10-05T20:40:00.000+01:00</published><updated>2004-11-29T13:57:13.523Z</updated><title type='text'>O MENINO JÁ DANÇA!</title><content type='html'>Após um interregno de um mês, volto a &lt;strong&gt;dançar&lt;/strong&gt;. A minha amiga &lt;strong&gt;Vi&lt;/strong&gt; está a organizar um pequeno espectáculo de dança para o próximo Sábado, na cidade do &lt;strong&gt;Porto&lt;/strong&gt;, e pediu a minha participação no evento, juntamente com a minha amiga Porto e o meu amigo &lt;strong&gt;Flogger&lt;/strong&gt;. Infelizmente, dada a minha condição física actual, sou forçado a declinar o convite (com grande pena minha, diga-se de passagem), mas ofereço os meus préstimos para a preparação do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, aproveitando a tarde de feriado, reunimo-nos na Sala de Condomínio do prédio da Porto e, do &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt;, pomos de pé uma exibição de Danças de Salão. Ao fim de &lt;strong&gt;quatro horas&lt;/strong&gt; de trabalho esforçado, temos o espectáculo praticamente montado: “Depois, no dia da exibição, basta ensaiarmos um bocadito antes do espectáculo e isto fica &lt;strong&gt;um luxo&lt;/strong&gt;,” diz o Flogger. Todos nós, que já temos algum calejamento a este nível, sabemos que ele está a ser &lt;strong&gt;demasiado optimista&lt;/strong&gt; – daqui até Sábado, é mais que certo &lt;strong&gt;esquecermos&lt;/strong&gt; as coreografias que alinhavámos hoje! Por essa razão, apontámos as sequências de passos das várias danças numa &lt;strong&gt;cábula&lt;/strong&gt;, a que iremos recorrer constantemente no último ensaio. Mas ainda há &lt;strong&gt;pontas soltas&lt;/strong&gt; que deixámos para resolver no dia aprazado, sem falar que o gajo que me vai substituir tem de ser instruído! É muita coisa para resolver encima da hora e muito me admirarei eu se isto não der &lt;strong&gt;merda&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que o próprio Flogger está ciente do facto, mas a verdade é que isto não pode ser feito de outro modo – somos todos pessoas ocupadas (excepto eu, que actualmente estou de baixa e tenho passado os meus dias em casa) e torna-se &lt;strong&gt;impossível&lt;/strong&gt; voltarmos a encontrar-nos durante esta semana para ensaiar. Portanto, é andar para a frente, &lt;strong&gt;fazer figas&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;confiar&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, o problema é &lt;strong&gt;deles&lt;/strong&gt; e não meu, que não vou participar na exibição. “Ai vais, vais,” diz-me a Vi, “Não há tempo para pôr o &lt;strong&gt;Rui&lt;/strong&gt; ao corrente de tudo isto e, mesmo que houvesse, &lt;strong&gt;duvido&lt;/strong&gt; que ele conseguisse assimilar tudo.” “Tu sabes como ele é &lt;strong&gt;distraído&lt;/strong&gt;,” acrescenta a Porto, “não podemos confiar nele, especialmente tão em cima da hora. Sinto-me muito mais &lt;strong&gt;segura&lt;/strong&gt; se fores tu. Tens de ser &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; a dançar.” O Flogger corrobora: “E &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; é que és o meu parceiro, pá! Lembras-te de &lt;strong&gt;Angola&lt;/strong&gt;? Do &lt;strong&gt;Andanças&lt;/strong&gt;? &lt;strong&gt;Tens&lt;/strong&gt; de ir ao Porto! Vai ser só curtir!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, bem vistas as coisas, para quem já aguentou uma &lt;strong&gt;sessão intensiva&lt;/strong&gt; de quatro horas a dançar, não é perante uma exibição de menos de meia hora que recua! Afinal, eu sinto-me bem – cansado, sim, mas &lt;strong&gt;sem&lt;/strong&gt; dores. A minha clavícula não me incomoda nada e creio que já haja consolidação do osso – sexta-feira até já devo &lt;strong&gt;tirar&lt;/strong&gt; o cruzado posterior. Não me parece, portanto, que me seja prejudicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, quem consegue resistir a um apelo destes bons amigos, que reclamam a minha presença não só como &lt;strong&gt;profissional&lt;/strong&gt;, mas também como &lt;strong&gt;pessoa&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;amigo&lt;/strong&gt;? Ah, um gajo até fica &lt;strong&gt;comovido&lt;/strong&gt;, que diabo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-110048525612589800?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/110048525612589800/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=110048525612589800&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110048525612589800'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/110048525612589800'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/10/o-menino-j-dana.html' title='O MENINO JÁ DANÇA!'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109976412982890847</id><published>2004-09-30T21:22:00.000+01:00</published><updated>2004-11-06T18:30:43.063Z</updated><title type='text'>DUVIDAR OU ACREDITAR</title><content type='html'>Depois de dias a matutar no assunto, tomo uma dolorosa decisão. E &lt;strong&gt;termino o namoro&lt;/strong&gt; com a Ruiva... Sinto-me &lt;strong&gt;desesperadamente triste&lt;/strong&gt; porque &lt;strong&gt;gosto dela&lt;/strong&gt; (por muito paradoxal que seja, nesse ponto &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt; mudou) e tenho receio de estar a ser demasiado drástico. Porém, quanto mais penso no assunto, mais terrivelmente &lt;strong&gt;inevitável&lt;/strong&gt; me parece a conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Ruiva esteve em Lisboa toda a semana passada. Hospedada na minha própria casa. Convidada pela minha própria mãe (que, curiosamente, já a adoptara sem reservas!). E, se bem que, por um lado, tenha sido &lt;strong&gt;maravilhoso&lt;/strong&gt; tê-la comigo durante esses dias, nem tudo foi um mar-de-rosas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma noite em que saí com ela e o seu grupo de amigos mais próximos (e os vi a funcionar juntos), apercebi-me da aterradora verdade: a Ruiva e eu somos &lt;strong&gt;diferentes&lt;/strong&gt;. Pertencemos a &lt;strong&gt;mundos diferentes&lt;/strong&gt;. Este facto, por si só, não compromete necessariamente a nossa relação, pois a verdade é que, apesar das diferenças, também partilhamos muitos &lt;strong&gt;princípios&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;pontos de vista&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;interesses&lt;/strong&gt; em comum. E eu acredito que duas pessoas, por muito diferentes que sejam, podem ter uma relação feliz e saudável se, tendo consciência daquilo que as &lt;strong&gt;diferencia&lt;/strong&gt; (e &lt;strong&gt;separa&lt;/strong&gt;), apostarem naquilo que têm em &lt;strong&gt;comum&lt;/strong&gt; – e que as &lt;strong&gt;une&lt;/strong&gt;. Basta &lt;strong&gt;acreditar e assumir&lt;/strong&gt; a relação. Contudo, e infelizmente, não é esse o caso da Ruiva, pois, até ao momento, ela tem &lt;strong&gt;evitado&lt;/strong&gt; assumir a nossa relação. Enquanto eu tenho apregoado aos quatro ventos o meu amor pela bela Ruiva de olhar azul, ela, pelo seu lado, tem mantido a nossa relação em segredo, só a revelando a um ou outro amigo mais íntimo. Porque ela tem &lt;strong&gt;dúvidas&lt;/strong&gt;. E espera que, com o tempo, elas se &lt;strong&gt;dissipem&lt;/strong&gt;... “para poder anunciar ao mundo com &lt;strong&gt;toda a certeza&lt;/strong&gt; que és &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; o homem que eu amo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, eu não ponho em causa as suas dúvidas. Pelo contrário, compreendo-as, porque eu próprio as tenho. Afinal, a nossa relação é deveras complicada, devido à distância. Porém, penso que se ela já não acredita na relação &lt;strong&gt;agora&lt;/strong&gt;, ao início – quando habitualmente &lt;strong&gt;todas&lt;/strong&gt; as relações são &lt;strong&gt;perfeitas&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;cor-de-rosa&lt;/strong&gt; –, dificilmente o irá fazer mais tarde! Ao &lt;strong&gt;não assumir&lt;/strong&gt; a relação, devido às dúvidas, ela está automaticamente a concentrar a sua atenção nessas incertezas – e, consequentemente, em tudo o que nos separa. Desse modo, &lt;strong&gt;como&lt;/strong&gt; espera ela que as dúvidas se dissipem?... &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Not&lt;/strong&gt; gonna happen.&lt;/em&gt; Pelo contrário: concentrada como está nas dúvidas, é inevitável acabar sufocada por elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, que posso eu fazer? Preso nesta relação para a qual não vejo futuro, condenada a soçobrar sob o peso de todas as nossas diferenças?... Devo &lt;strong&gt;obrigar&lt;/strong&gt; a Ruiva a assumir a relação? Fora de questão. Mesmo que ela fosse pessoa &lt;strong&gt;influenciável&lt;/strong&gt; (que não é!) e se deixasse convencer pela minha argumentação, a relação tornar-se-ia numa bomba-relógio à espera de rebentar... Na &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt; cara. Uma pessoa só &lt;strong&gt;acredita verdadeiramente&lt;/strong&gt; em algo convencendo-se de &lt;strong&gt;dentro para fora&lt;/strong&gt;. Nunca de fora para dentro. Por outras palavras, é imprescindível &lt;strong&gt;sentir&lt;/strong&gt;. Se a Ruiva não sente &lt;strong&gt;dentro de si&lt;/strong&gt; a vontade de acreditar na nossa relação, toda e qualquer persuasão da minha parte é inútil. Estou de mãos e pés atados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, a realidade acerta-me entre os olhos com a potência de um aríete: o meu belo namoro é um tremendo &lt;strong&gt;engano&lt;/strong&gt;. Na verdade, &lt;strong&gt;não existe&lt;/strong&gt;. Só existe na minha cabeça. Não duvido que a Ruiva goste de mim, mas, para uma relação ser bem sucedida, isso não basta. E, com esta dolorosa tomada de consciência, torna-se &lt;strong&gt;impossível&lt;/strong&gt; para mim continuar a acreditar nesta relação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muito que me custe, não vale a pena adiar o &lt;strong&gt;inevitável&lt;/strong&gt;. Não vou ficar a ver a relação degradar-se inexoravelmente, agarrado a &lt;strong&gt;esperanças vãs&lt;/strong&gt;. Não vou viver uma relação à espera que a &lt;strong&gt;outra pessoa&lt;/strong&gt; tome uma decisão. Uma decisão que &lt;strong&gt;sei&lt;/strong&gt; que &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; se concretizará. Apenas &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; sou responsável pela &lt;strong&gt;minha&lt;/strong&gt; felicidade. E tenho nas minhas mãos o poder de a escolher. Cabe-me a &lt;strong&gt;mim&lt;/strong&gt; fazê-lo... Ou não. Ainda que isso me obrigue a tomar decisões dolorosas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109976412982890847?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109976412982890847/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109976412982890847&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109976412982890847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109976412982890847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/duvidar-ou-acreditar.html' title='DUVIDAR OU ACREDITAR'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109976368505458194</id><published>2004-09-30T13:45:00.000+01:00</published><updated>2004-12-21T14:00:55.993Z</updated><title type='text'>CYBORG UPGRADE</title><content type='html'>De manhã, bem cedo, estou &lt;strong&gt;de volta&lt;/strong&gt; ao Hospital Egas Moniz, para uma consulta de &lt;strong&gt;Urologia&lt;/strong&gt;. Acompanham-me o &lt;strong&gt;PP&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;Ballistic&lt;/strong&gt;. O PP tem sido o meu companheiro inseparável nestas andanças de consulta em consulta, de hospital para hospital. É ele quem me tem dado boleia (de carro!) para todo o lado (sempre muito devagarinho e cheio de cuidados para comigo, que eu não posso usar cinto de segurança, por causa da clavícula fracturada) e até mesmo aviado as receitas que os médicos me passam. Sei que ele se sente &lt;strong&gt;responsável&lt;/strong&gt; por mim, uma vez que era ele quem ia a guiar a mota aquando do acidente que causou tudo isto, mas sei também que a maior parte de toda esta solicitude é apenas porque ele é um dos meus melhores amigos e se &lt;strong&gt;preocupa&lt;/strong&gt; comigo. É um &lt;strong&gt;amigão&lt;/strong&gt;! Quanto ao Ballistic, com certeza não deve ter &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt; de melhor p’a fazer na vida, caso contrário não teria mostrado qualquer interesse em perder uma manhã no hospital!... Enfim, também não é por acaso que este gajo é um dos meus melhores amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após uma eternidade à espera na Sala, ou melhor, no &lt;strong&gt;Corredor&lt;/strong&gt; de Espera, ouço chamar o meu nome. Enquanto me dirijo ao &lt;strong&gt;Gabinete 1&lt;/strong&gt;, conforme indicado, não consigo evitar alguma &lt;strong&gt;ansiedade&lt;/strong&gt;. É que, contrariando todas as minhas expectativas de uma rápida recuperação, a &lt;em&gt;fonte&lt;/em&gt; secou. Por outras palavras, há mais de uma semana que deixei de mijar. De todo. O que quer que seja que está a obstruir a uretra deve ter-se deslocado e &lt;strong&gt;entupiu-a&lt;/strong&gt; completamente. E agora não sai nem uma &lt;strong&gt;gota&lt;/strong&gt; para amostra! Além disso, e para acrescentar algum colorido à situação, descobri que o cateter urinário &lt;strong&gt;desliza&lt;/strong&gt; no orifício – sempre que me sento na retrete e faço força para evacuar, o tubo desliza para fora, o que, apesar de ter uma certa &lt;strong&gt;piada&lt;/strong&gt;, não é nada simpático, porque o raio do tubo está preso à carne com o mesmo fio que usaram para coser o buraco que me abriram na barriga. Ora, quando o tubo desliza para fora, &lt;strong&gt;puxa&lt;/strong&gt; o fio... e este puxa a &lt;strong&gt;carne&lt;/strong&gt;! Creio que seria desnecessário dizê-lo, mas... isso &lt;strong&gt;DÓI&lt;/strong&gt;! Pergunto-me a mim mesmo, até, se não será lícito recear que o maldito tubo salte de vez do buraco e eu me veja a esguichar &lt;strong&gt;sangue e mijo&lt;/strong&gt; pela barriga!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não é provável,” responde-me, pensativamente, o médico. &lt;strong&gt;Provável?!&lt;/strong&gt; Isso não me deixa aliviado! O facto de &lt;strong&gt;não ser provável&lt;/strong&gt; não significa que &lt;strong&gt;não possa&lt;/strong&gt; acontecer! Pelo contrário, até indica que existe uma &lt;strong&gt;probabilidade&lt;/strong&gt;, por muito pequena que seja! &lt;strong&gt;Impossível&lt;/strong&gt;, sim, é que seria uma resposta satisfatória! No entanto, o médico toma uma resolução: “Vamos &lt;strong&gt;mudar-lhe&lt;/strong&gt; isso.” Fico confuso. Mudar? Mudar &lt;strong&gt;o quê&lt;/strong&gt;? O saco de mijo? Ele não pode estar a referir-se ao &lt;strong&gt;cateter&lt;/strong&gt;... Ou pode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de outra eternidade à espera, tenho a minha resposta, ao ser chamado para a &lt;strong&gt;Sala de Tratamentos&lt;/strong&gt;. Nervoso, deito-me na mesa de tratamento e exponho o baixo ventre. Depois de retirar o penso (feito por mim!) que resguarda o cateter, a enfermeira de serviço rapa-me &lt;strong&gt;a seco&lt;/strong&gt; os pêlos da zona (para que o novo penso adira bem à pele) e, seguidamente, passa-me pela barriga compressas atrás de compressas embebidas em todo o tipo de soluções desinfectantes. O que são, não faço ideia. Só sei que tudo &lt;strong&gt;arde&lt;/strong&gt; – tenho a barriga toda &lt;strong&gt;em fogo&lt;/strong&gt;! “Você tem aí tudo o que precisa para &lt;strong&gt;torturar&lt;/strong&gt; uma pessoa!” digo-lhe. Porém, pela cara, não creio que ela tenha achado grande piada à minha pobre graçola. Só espero que, por vingança, ela não me faça sofrer &lt;strong&gt;a sério&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Just in case&lt;/em&gt;, pergunto-lhe se vai &lt;strong&gt;doer&lt;/strong&gt;. “Sabe que, por nossa vontade, ninguém sofria nada.” Bonito! Isto faz-me lembrar aqueles filmes de &lt;strong&gt;mafiosos&lt;/strong&gt;, em que os tipos sempre mandam bocas destas antes de sacarem dos tacos de &lt;em&gt;baseball&lt;/em&gt;... Estou feito! Subitamente, a enfermeira puxa de uma tesoura e &lt;strong&gt;clip&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;clip&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;clip-a-clip&lt;/strong&gt;, lá se vão os pontos – bom, ao menos, isto resolve-me o problema do fio que puxava a carne. Depois, ela agarra o tubo com as duas mãos e &lt;strong&gt;puxa&lt;/strong&gt;: zuiiipt, zuuuiiiiiiipt... &lt;strong&gt;POP&lt;/strong&gt;! E, logo de seguida, &lt;strong&gt;plumpt&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;sguuuch&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;sguuuuuch&lt;/strong&gt;, enfia-me um novo tubo pela barriga adentro! Durante todo o processo, a minha bexiga &lt;strong&gt;contrai-se&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;expande-se&lt;/strong&gt; consoante a enfermeira puxa e empurra. “&lt;em&gt;Woah! Woooah! &lt;strong&gt;Woooooah!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; Que sensação tão estranha!” grito eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, vejo a enfermeira pegar numa seringa &lt;strong&gt;enorme&lt;/strong&gt; com, à vontade, &lt;strong&gt;um palmo&lt;/strong&gt; de comprimento. “&lt;strong&gt;Onde&lt;/strong&gt; é que ela vai &lt;strong&gt;enfiar&lt;/strong&gt; aquilo tudo?!” pergunto-me eu. Ela fixa a ponta da &lt;strong&gt;seringona&lt;/strong&gt; na extremidade do cateter recém-colocado e... dá à bomba! A minha bexiga parece que vai &lt;strong&gt;rebentar&lt;/strong&gt; e sinto uma pontada aguda no local onde a uretra encontra a bexiga. Tenho as mãos crispadas e as pernas torcidas de dor. “Relaxa... Respira fundo...” penso para comigo. Parece piada (e, &lt;em&gt;okay&lt;/em&gt;, &lt;strong&gt;também&lt;/strong&gt; é), mas a verdade é que um gajo sofre mesmo &lt;strong&gt;menos&lt;/strong&gt; se estiver mais relaxado. Ou, pelo menos, o tempo não custa tanto a passar. E, com efeito, pouco depois, tudo termina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de feito o penso, a enfermeira diz-me que “isto agora fica assim – &lt;strong&gt;não precisa&lt;/strong&gt; de pontos.” E remata: “Esse &lt;strong&gt;cateter de silicone&lt;/strong&gt; dá-lhe para três meses.” Ainda bem que já abotoei as calças, senão caía-me tudo aos pés: “Mas eu vou andar mais &lt;strong&gt;três meses&lt;/strong&gt; com isto enfiado na barriga?!” pergunto, desolado. “Não, isso é o seu &lt;strong&gt;prazo de validade&lt;/strong&gt;. O doutor pode bem mandá-lo tirar isso mais cedo.” Oh, que merda! E, entretanto, vou para casa tomar antibióticos e &lt;strong&gt;rezar&lt;/strong&gt; para que a tubagem desentupa por si só?... Que &lt;strong&gt;merda&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha única satisfação é o médico manter-me de baixa até dia &lt;strong&gt;10 de Outubro&lt;/strong&gt;. Na verdade, e por vontade dele, o gajo mandava-me trabalhar já &lt;strong&gt;amanhã&lt;/strong&gt;! Mas ele perguntou &lt;strong&gt;até quando&lt;/strong&gt; queria eu ficar de baixa e eu, claro, não me fiz rogado em sacar-lhe mais uma semana de &lt;em&gt;férias&lt;/em&gt;. Depois disso, quer queira, quer não, lá terei de voltar para o &lt;strong&gt;mundo real&lt;/strong&gt;, com cateter e tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, no meio destas tristes notícias, até me sinto mais &lt;strong&gt;alegre&lt;/strong&gt;. A verdade é que este novo cateter é bem mais &lt;strong&gt;confortável&lt;/strong&gt; que o antigo. E, caramba, ter um cateter de &lt;strong&gt;silicone&lt;/strong&gt; é do caraças! E &lt;strong&gt;sem&lt;/strong&gt; pontos, hã? Muito &lt;em&gt;&lt;strong&gt;fora&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;! &lt;em&gt;Welcome to the &lt;strong&gt;Age of Cyberpunk&lt;/strong&gt;!&lt;/em&gt; Se os meus pais me vissem agora!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109976368505458194?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109976368505458194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109976368505458194&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109976368505458194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109976368505458194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/cyborg-upgrade.html' title='&lt;em&gt;CYBORG UPGRADE&lt;/em&gt;'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109953385010551798</id><published>2004-09-25T10:34:00.000+01:00</published><updated>2004-11-06T18:03:37.416Z</updated><title type='text'>SABOR A PRENÚNCIO</title><content type='html'>“Quem diria&lt;br /&gt;Que um dia&lt;br /&gt;Voltava a ver Raquel,&lt;br /&gt;Fiquei parado e pouco lhe falei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há quanto tempo não te via,&lt;br /&gt;Julguei até já ter estancado a hemorragia&lt;br /&gt;Mas, ao que vejo,&lt;br /&gt;O tempo não passou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como era bom&lt;br /&gt;Contar-lhe o que eu sentia,&lt;br /&gt;Mas vejo que a conversa vai ficar para outro dia&lt;br /&gt;Por ora, só me sai&lt;br /&gt;Raquel”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;strong&gt;Raquel&lt;/strong&gt;,” &lt;strong&gt;Ornatos Violeta&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109953385010551798?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109953385010551798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109953385010551798&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109953385010551798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109953385010551798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/sabor-prenncio.html' title='SABOR A PRENÚNCIO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109953302875801564</id><published>2004-09-21T16:44:00.000+01:00</published><updated>2005-01-13T13:06:30.033Z</updated><title type='text'>O ELO PERDIDO E O ESTÁGIO SEGUINTE DA EVOLUÇÃO</title><content type='html'>Durante o Sábado passado, sentado ao computador, dei um jeito no ombro lesionado que me deixou a arfar de dores durante uns bons momentos. E ontem de manhã, depois do banho, ao levantar um pouco a ligadura do cruzado posterior para analisar a clavícula partida, reparei que esta estava muito mais saliente. Não facilitei: toca para o hospital. Podia nem ser nada, mas eu quero este braço &lt;strong&gt;recuperado a 100%&lt;/strong&gt;, para voltar a dançar sem problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;strong&gt;Hospital S. Francisco Xavier&lt;/strong&gt; (o meu hospital de residência e, calha bem, o local onde me ligaram os ombros) perguntam-me há quanto tempo foi o acidente e para quando está marcada a consulta de Ortopedia. “Para daqui a &lt;strong&gt;um mês&lt;/strong&gt;,” respondo. Os médicos estranham. Explico-lhes que foi a vaga que consegui arranjar no Hospital Egas Moniz, após ter recebido alta. “Não, não. Estamos a falar da &lt;strong&gt;consulta de acompanhamento&lt;/strong&gt;. Para quando é que o médico que lhe fez o cruzado aqui lhe marcou nova consulta?” &lt;em&gt;Uh-oh!&lt;/em&gt; “Não marcou,” respondo. Os dois médicos parecem siderados: “&lt;strong&gt;Não marcou?!&lt;/strong&gt;” “Não. Ligaram-me e disseram-me apenas que o meu ombro ‘nunca mais me ia dar problemas.’ E depois mandaram-me à minha vida...” Dirigindo-se à enfermeira, o médico pede-lhe que averigue quem era a equipa que estava de serviço na noite em que eu fui tratado. Após uns minutos, ela regressa com a informação pretendida e o médico passa-me uma guia de consulta para o dia seguinte (ou seja, &lt;strong&gt;hoje&lt;/strong&gt;) com a médica em causa, no &lt;strong&gt;Hospital de Sant’ Ana&lt;/strong&gt;, na Parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, hoje bem cedo, cá estou eu em novo hospital (e já é o &lt;strong&gt;quarto&lt;/strong&gt; que visito desde o início desta rica aventura!), para a consulta de acompanhamento que me era devida e que alguém se &lt;em&gt;esqueceu&lt;/em&gt; de me informar. Pergunto-me o que sucederia caso não tivesse acontecido ir ontem ao hospital, por descargo de consciência, e encontrado, por acaso, este &lt;strong&gt;elo perdido&lt;/strong&gt; da cadeia... Lá pelo &lt;strong&gt;Natal&lt;/strong&gt; ainda andaria com a mesma ligadura, a destilar um cheiro nauseabundo dos sovacos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há lição que aprendi com tudo isto é que, se um gajo se quer manter informado sobre o &lt;strong&gt;seu próprio caso&lt;/strong&gt;, tem de ser chato, fazer-se de parvo e perguntar &lt;strong&gt;tudo&lt;/strong&gt; aos médicos. Mas &lt;strong&gt;TUDO&lt;/strong&gt;, mesmo! Porque os gajos, sozinhos, não falam – e, muitas vezes, nem sequer informam um tipo do &lt;strong&gt;essencial&lt;/strong&gt;! Partem do princípio que um gajo sabe tudo – ou que não é digno de saber nada – e ala para a frente! Isto chega a ser kafkiano! &lt;strong&gt;Agora&lt;/strong&gt; percebo como K. se sentiu n’ “&lt;strong&gt;O Processo&lt;/strong&gt;”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, sinto-me feliz por tudo ter resultado como resultou. No Hospital de Sant’ Ana, tiro nova radiografia à clavícula (que pode ser apreciada mais abaixo – de notar como agora a &lt;strong&gt;fractura&lt;/strong&gt; se vê tão bem) e falo com a médica responsável (a &lt;strong&gt;tal&lt;/strong&gt; que se &lt;em&gt;esqueceu&lt;/em&gt; da minha consulta de acompanhamento – e que até é uma rapariga bem simpática, por sinal). Após analisar a radiografia, ela diz-me que ainda &lt;strong&gt;não há consolidação do osso&lt;/strong&gt;, mas que isso é normal, uma vez que só decorreram duas semanas desde o acidente. “Normalmente, a consolidação só se faz após &lt;strong&gt;um mês&lt;/strong&gt;. Entretanto, vai fazer novo cruzado posterior e volta cá para a semana, para o mudar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/640/RX%20-%20Clavcula.1.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/RX%20-%20Clavcula.1.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de duas semanas permanentemente ligado, é um &lt;strong&gt;tremendo alívio&lt;/strong&gt; ver-me livre do cruzado, ainda que seja apenas por breves minutos. Até se respira melhor! “Posso pedir-lhe um favor?” pergunto eu à enfermeira, “Os meus sovacos não vêm água nem sabão há &lt;strong&gt;duas semanas&lt;/strong&gt;, é possível &lt;strong&gt;lavá-los&lt;/strong&gt; antes de me fazer o novo cruzado?” A médica e a enfermeira riem-se e esta última, acedendo com entusiasmo ao meu pedido, lava-me afincadamente &lt;strong&gt;todo&lt;/strong&gt; o tronco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, abandono o hospital, mais &lt;strong&gt;limpo&lt;/strong&gt; e também mais &lt;strong&gt;aprumado&lt;/strong&gt; do que quando entrei. E, caramba!, &lt;strong&gt;agora&lt;/strong&gt; é que me sinto mesmo um &lt;strong&gt;&lt;em&gt;cyborg&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, com o tubo de borracha enfiado pela barriga adentro, a bexiga portátil e esta couraça à Robocop, que, de tão apertada, nem consigo baixar os braços! Onde é que já se viu um portento assim?! Tornei-me num ser tão avançado que até mijo por &lt;strong&gt;dois&lt;/strong&gt; sítios diferentes! Pasmem, ó gentes, perante este prodígio da simbiose da Natureza com a tecnologia do Homem – um &lt;strong&gt;Jacaré com &lt;em&gt;upgrade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;! O estágio seguinte da evolução!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Caramba, quem me ouvir falar até pensa que isto foi o &lt;strong&gt;melhor&lt;/strong&gt; que me aconteceu na vida! Quem sabe, continuando a falar desta maneira, também não me consigo convencer a &lt;strong&gt;mim mesmo&lt;/strong&gt;?... Não custa tentar!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109953302875801564?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109953302875801564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109953302875801564&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109953302875801564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109953302875801564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/o-elo-perdido-e-o-estgio-seguinte-da.html' title='O ELO PERDIDO E O ESTÁGIO SEGUINTE DA EVOLUÇÃO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109953257420211103</id><published>2004-09-17T11:35:00.000+01:00</published><updated>2004-12-16T16:53:28.013Z</updated><title type='text'>RECORDAÇÕES DO REGRESSADO</title><content type='html'>Acordo esta manhã depois da &lt;strong&gt;melhor noite de sono&lt;/strong&gt; que tive desde o dia do acidente. Não há nada como a nossa própria caminha! Mas também é de esperar que, depois de &lt;strong&gt;10 dias&lt;/strong&gt; a dormir sempre na mesma posição, o corpo se vá habituando, que raio! Com efeito, já não tenho tantas dores nas costas durante a noite e noto que a zona do sacro desenvolveu mesmo uma certa &lt;strong&gt;insensibilidade&lt;/strong&gt; ao toque! O corpo humano é uma &lt;strong&gt;máquina incrível&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi alta ontem de manhã e, pouco depois do almoço, o meu &lt;strong&gt;cunhado&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;PP&lt;/strong&gt; foram buscar-me ao hotel, perdão, ao &lt;strong&gt;hospital&lt;/strong&gt;. Apesar de feliz por regressar a casa, confesso que foi com alguma tristeza que abandonei o hospital... Já estava habituado àquela vidinha simples e despreocupada, à simpatia dos enfermeiros (e, sobretudo, das &lt;strong&gt;enfermeiras&lt;/strong&gt;) e custou-me deixar os meus novos colegas de quarto, o &lt;strong&gt;Sr. António&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;Sr. Zé Guerreiro&lt;/strong&gt;, ambos a recuperar de operações cirúrgicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me esquecerei da &lt;strong&gt;contenda do clister&lt;/strong&gt;, entre o &lt;strong&gt;nosso Sargento&lt;/strong&gt; (um enfermeiro gordo que o António e eu assim apelidámos devido à sua &lt;strong&gt;voz retumbante&lt;/strong&gt;) e o velho Zé Guerreiro, na noite anterior à operação deste: o velho Zé, &lt;strong&gt;surdo&lt;/strong&gt; como um calhau, adormecera &lt;strong&gt;sem&lt;/strong&gt; meter o clister. Ora o clister é imprescindível, para evitar &lt;em&gt;inconvenientes&lt;/em&gt; durante a operação. O António e eu tentámos acordá-lo, mas o gajo limitou-se a ressonar mais alto (e que &lt;strong&gt;talento&lt;/strong&gt; demonstrava – o Arménio e o velho Matos eram meros &lt;strong&gt;principiantes&lt;/strong&gt; ao pé dele!). Resolvemos então &lt;strong&gt;delatá-lo&lt;/strong&gt; a uma das enfermeiras, mas ela também não foi bem sucedida – ele virou-se simplesmente para o outro lado da cama. Mas eis que entra em cena o &lt;strong&gt;nosso Sargento&lt;/strong&gt;! E, depois de um berreiro de vários minutos, o velho Zé lá entendeu que tinha que ir para a casa-de-banho enfiar aqueles tubinhos pelo cu adentro, para expurgar a tripa. “Estes dois estão bem um para o outro,” diz o António, “um é &lt;strong&gt;surdo como uma porta&lt;/strong&gt; e o outro tem &lt;strong&gt;voz de comando&lt;/strong&gt; – entendem-se bem!...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me esquecerei também das conversas sobre &lt;strong&gt;sexo&lt;/strong&gt; que o António, volta e meia, se lembrava de puxar com o velho Zé Guerreiro, dizendo-lhe que era preciso “manter sempre &lt;strong&gt;a força&lt;/strong&gt;” e ilustrando o sentido da afirmação com o braço erecto e o punho fechado. O velho Zé respondia, com um sorriso desdentado, que não lhe valia de nada “a força,” pois a &lt;strong&gt;algália&lt;/strong&gt; o impedia de executar (que diria o &lt;strong&gt;Yoda&lt;/strong&gt; a isto, &lt;em&gt;I wonder&lt;/em&gt;?...). “E depois, o corpo também já não dá para isso, que eu já tenho 64 anos.” O António arrepiava-se: “Ó homem, eu só tenho &lt;strong&gt;menos dez anos&lt;/strong&gt; que você, mas quero fazê-lo até morrer, que isto é o &lt;strong&gt;maior prazer&lt;/strong&gt; que eu tenho na vida!” E, por momentos, eu tentava imaginar aquele homenzarrão de ar bruto e queixada larga, com a sua vetusta pança, a saltar em cima da esposa, alagado em suor e com o olhar estrábico vidrado ao atingir o clímax. E não podia evitar sorrir perante a singular e disforme &lt;strong&gt;poesia&lt;/strong&gt; da cena de amor protagonizada por alguém tão estranho aos cânones de beleza idolatrados pela nossa moderna e esclarecida sociedade ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem, porém, não suportava a &lt;strong&gt;solidão&lt;/strong&gt;. “Uma pessoa, aqui, tem muito tempo para &lt;strong&gt;pensar&lt;/strong&gt;... Pensa-se em &lt;strong&gt;demasiadas&lt;/strong&gt; coisas,” costumava dizer-me. Eu levantava os olhos do livro que estava a ler e via perfeitamente no seu olhar a &lt;strong&gt;angústia&lt;/strong&gt; que aquele homem sofria ao ser deixado demasiado tempo a sós com os seus próprios pensamentos. “Não serás o único,” pensava eu. Mas sentia pena deste excelente homem ter vivido meio século evitando confrontar-se a &lt;strong&gt;si mesmo&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi, portanto, com alguma tristeza que eu abandonei a &lt;strong&gt;cama B&lt;/strong&gt; do &lt;strong&gt;quarto 614&lt;/strong&gt; do Hospital Egas Moniz. Mas não me interpretem mal, pois, apesar de ainda não totalmente recuperado das mazelas e com um tubo enfiado na barriga e a carregar sacos de mijo, é &lt;strong&gt;excelente&lt;/strong&gt; estar de regresso a casa, ao seio da família. E este regresso torna-se especialmente &lt;strong&gt;doce&lt;/strong&gt; pelo facto de receber em minha casa, na próxima semana, a minha querida &lt;strong&gt;mais-que-tudo&lt;/strong&gt;, de visita a Lisboa. Ela bem quis vir &lt;strong&gt;antes&lt;/strong&gt;, mas eu dissuadi-a – tinha lá algum jeito ela vir a Lisboa estando eu enfiado no hospital...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109953257420211103?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109953257420211103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109953257420211103&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109953257420211103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109953257420211103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/recordaes-do-regressado.html' title='RECORDAÇÕES DO REGRESSADO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109931079557079089</id><published>2004-09-12T23:31:00.000+01:00</published><updated>2004-12-21T13:59:27.816Z</updated><title type='text'>HOTEL EGAS MONIZ</title><content type='html'>“Ouvi dizer que no outro dia &lt;strong&gt;desmaiou&lt;/strong&gt;,” diz-me a a minha nova amiga &lt;strong&gt;enfermeira Patrícia&lt;/strong&gt; – que, afinal, se chama &lt;strong&gt;Maria João&lt;/strong&gt; (o velho Matos é que lhe chamava Patrícia para a picar)! “É verdade,” assento. Aconteceu no dia em que fui à retrete &lt;strong&gt;mijar sangue&lt;/strong&gt;, jperto do final da hora de visita: farto de estar deitado na cama, levantei-me e, imediatamente, senti uma tontura. Prevendo o desmaio, sentei-me rapidamente na poltrona. “’Tás bem?” perguntou a minha irmã, “’Tás muita &lt;strong&gt;branco&lt;/strong&gt;...” E &lt;strong&gt;apaguei&lt;/strong&gt;. Momentos depois, recobro os sentidos para ver reunidas à minha volta um grupo de &lt;strong&gt;enfermeiras aos gritos&lt;/strong&gt;: “Como está? Sente-se melhor? Venha para aqui! Deite-se na cama!” Ainda não recomposto, levanto lentamente a mão direita e faço-lhes sinal para esperar. “Calma,” digo-lhes. Elas atiram-se ao ar: “&lt;strong&gt;Calma?!&lt;/strong&gt; Você é que precisa de calma! Olhe que se tem desmaiado de pé, ninguém o agarrava! Vá, venha deitar-se na cama.” Novamente restabelecido, obedeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hesitam em chamar o médico, mas, depois de me medirem a tensão, decidem não o fazer. “Agora está outra vez normal,” diz-me a enfermeira-chefe, “mas, quando desmaiou, estava baixíssima!” Depois, abrem a porta do quarto e deixam as visitas voltar a entrar. Os amigos já se foram, ficou só a família. &lt;strong&gt;Código azul&lt;/strong&gt;, está tudo bem. “Fogo, pregaste-nos um &lt;strong&gt;grande susto&lt;/strong&gt;,” diz o &lt;strong&gt;PP&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fora esse único susto, a vida decorre plácida e agradavelmente. Especialmente agora que estou sozinho no quarto. Não é que não gostasse dos meus companheiros. Pelo contrário, a vida com eles sempre era mais &lt;strong&gt;emocionante&lt;/strong&gt;. Especialmente à noite, quando ambos &lt;strong&gt;ressonavam à desgarrada&lt;/strong&gt;, cada um tentando superar o outro em quantidade e qualidade de roncos: o ressonar cheio e &lt;strong&gt;poderoso&lt;/strong&gt; do Arménio contra o ressonar &lt;strong&gt;exótico&lt;/strong&gt; do velho Matos, pontuado aqui e ali por &lt;strong&gt;gemidos&lt;/strong&gt; ocasionais. Contudo, sozinho no quarto, sou &lt;strong&gt;rei e senhor&lt;/strong&gt;. E a primeira coisa que faço é subir completamente os estores, para inundar o quarto da luz de poente, glorificada em pores-do-Sol de vibrante rosa sobre o azul profundo do céu. O meu quarto tem uma vista &lt;strong&gt;fabulosa&lt;/strong&gt; para Belém e para a foz do rio Tejo. Não muito longe vê-se o &lt;strong&gt;Museu da Electricidade&lt;/strong&gt; e, mais atrás, o &lt;strong&gt;Padrão dos Descobrimentos&lt;/strong&gt;. Ao fundo, o &lt;strong&gt;Mosteiro dos Jerónimos&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;Centro Cultural&lt;/strong&gt; espreitam por trás do contorno do casario.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo o meu tempo a ler e a ouvir música... quando não estou dormir ou a comer, claro. E penso. Penso &lt;strong&gt;muito&lt;/strong&gt;. Ocasionalmente, a enfermeira &lt;strong&gt;Maria João&lt;/strong&gt; vem ao meu quarto e gasta alguns minutos na conversa comigo. Por vezes, junta-se a nós outra enfermeira, que, por coincidência, é sua conterrânea (são ambas de &lt;strong&gt;Trás-os-Montes&lt;/strong&gt;) e colega de quarto em Lisboa. É óbvio que estas meninas vão com a minha cara – o que me deixa bastante &lt;strong&gt;surpreendido&lt;/strong&gt;! Porque, com a barba de uma semana e o cabelo desgrenhado e feito num novelo, eu pareço um &lt;strong&gt;sem-abrigo&lt;/strong&gt;! &lt;em&gt;I wonder...&lt;/em&gt; Ou é o meu &lt;strong&gt;charme&lt;/strong&gt; que transcende a minha &lt;strong&gt;aparência exterior&lt;/strong&gt;, ou elas gostam é de me ver de bata, porque me deixa o &lt;strong&gt;cu à mostra&lt;/strong&gt;. A propósito, existe uma outra enfermeira que, sempre que entra a serviço, me vem perguntar se tive “perdas &lt;strong&gt;hemáticas&lt;/strong&gt;.” Independentemente da minha resposta, a mulher não descansa enquanto não me olha para dentro das &lt;em&gt;boxers&lt;/em&gt;! Começo a desconfiar cada vez mais deste seu &lt;strong&gt;&lt;em&gt;interesse clínico&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, que não vejo em nenhuma outra enfermeira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, no geral, &lt;strong&gt;gosto muito&lt;/strong&gt; da vida de hospital. É uma vida incrivelmente &lt;strong&gt;simples&lt;/strong&gt;. Só me pedem que &lt;strong&gt;descanse&lt;/strong&gt;, enquanto tratam de tudo &lt;strong&gt;por&lt;/strong&gt; mim e &lt;strong&gt;para&lt;/strong&gt; mim. Não faço nada senão ficar de &lt;strong&gt;papo para o ar&lt;/strong&gt; o dia inteiro – e poderá lá haver algo melhor que isto? Se não fossem as &lt;strong&gt;mazelas&lt;/strong&gt;, eram umas férias do caraças! Mas a minha hora preferida – mais até que a hora da refeição, a hora de visita, o final da manhã ou o início da tarde – é quando já estou deitado na cama, para dormir, e ouço do outro lado do telefone a voz suave e meiga da &lt;strong&gt;Ruiva&lt;/strong&gt;, a dizer que tem muitas saudades minhas. Tenho pensado &lt;strong&gt;muito&lt;/strong&gt; nela e só quero pôr-me bem rapidamente, para poder estar com ela depressa... (Sim, que a &lt;em&gt;bandeira&lt;/em&gt; já se vai &lt;strong&gt;hasteando&lt;/strong&gt;!) Enfim, &lt;strong&gt;lamechices da treta&lt;/strong&gt;! Não liguem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109931079557079089?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109931079557079089/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109931079557079089&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109931079557079089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109931079557079089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/hotel-egas-moniz.html' title='HOTEL EGAS MONIZ'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109930982920729785</id><published>2004-09-10T19:04:00.000+01:00</published><updated>2004-12-21T13:58:53.100Z</updated><title type='text'>A RECUPERAÇÃO</title><content type='html'>Ao fim da manhã, recebemos no &lt;strong&gt;quarto 614&lt;/strong&gt; a visita de uma grave comitiva, formada pelo &lt;strong&gt;director&lt;/strong&gt; do hospital, um &lt;strong&gt;médico&lt;/strong&gt; e toda a equipa de &lt;strong&gt;enfermeiros&lt;/strong&gt;. Perfilado ao longo da parede oposta às camas, o grupo permanece muito circunspecto, enquanto o médico informa o director a propósito do caso clínico de cada um dos &lt;strong&gt;pacientes&lt;/strong&gt;. Como esperado, os meus dois companheiros de quarto, o &lt;strong&gt;Sr. Arménio&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;Sr. Matos&lt;/strong&gt;, recebem alta e ordem de saída. Quando chega a minha vez, ouço o médico sussurrar: “... Acidente de mota... traumatismo da uretra... tem estado a soro, na cama...” Entretanto, o director examina as radiografias. “Acha que ele já está pronto para se levantar?” pergunta o médico, em jeito de conclusão. O director nem hesita: “Basta olhar para ele! A avaliar pela sua posição tão &lt;strong&gt;espontânea&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;descontraída&lt;/strong&gt;, está &lt;strong&gt;mais que pronto&lt;/strong&gt; para se levantar!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, a &lt;strong&gt;enfermeira Patrícia&lt;/strong&gt; arfa e bufa enquanto me enfia umas meias muito apertadas pelas pernas acima. “Se não tivesse a sua clavícula fracturada, era &lt;strong&gt;você&lt;/strong&gt; quem as vestia sozinho,” queixa-se ela. O Arménio ri-se: “As meias estão &lt;strong&gt;trocadas&lt;/strong&gt;! Essas costuras que aí vê deviam ser para &lt;strong&gt;dentro&lt;/strong&gt;, junto aos tomates!” Pouco importa. As meias servem apenas para activar a circulação nas pernas, depois de tanto tempo passado deitado. Já livre do soro, enquanto tomo o meu primeiro duche desde o acidente, a Patrícia interrompe-me constantemente, a perguntar se me sinto bem, em cuidados para eu não desmaiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem de manhã, tomei um banho na cama, &lt;strong&gt;à gato&lt;/strong&gt; (e aproveitei para &lt;strong&gt;finalmente&lt;/strong&gt; limpar o sangue dos dedos!): o enfermeiro-chefe e a Patrícia esfregaram-me o corpo com esponjas ensaboadas, limparam-me, secaram-me, vestiram-me e fizeram a cama de lavado e &lt;strong&gt;sempre comigo em cima&lt;/strong&gt;! Espectacular!... Embora não muito eficaz, claro. Há sempre partes do corpo que ficam por lavar, como o cabelo, por exemplo – e agora, no duche, ainda tiro bocados de &lt;strong&gt;sangue seco&lt;/strong&gt; dos tomates.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou internado no &lt;strong&gt;Hospital de Egas Moniz&lt;/strong&gt; devido ao traumatismo na uretra e porque o Hospital S. Francisco Xavier não tem serviço de &lt;strong&gt;Urologia&lt;/strong&gt;. Basicamente, não consigo mijar direito. Mas o &lt;strong&gt;cateter urinário&lt;/strong&gt; (o tubo ligado à bexiga pela barriga) despeja a urina directamente num &lt;strong&gt;saquinho de mijo&lt;/strong&gt; que carrego sempre comigo. Tal como carrega toda a gente nesta ala do hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que recuperei a minha mobilidade, sinto-me muito melhor. Os dias anteriores foram mais difíceis (e as noites, então, é melhor nem falar!) – pregado à cama e impossibilitado pela clavícula fracturada de adoptar outra posição que não a deitada de costas, sofri de dores constantes nas costas e nas nalgas. A “posição &lt;strong&gt;espontânea&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;descontraída&lt;/strong&gt;” mais não é que o modo mais eficiente que encontrei de aliviar as dores – dobrando as pernas e descansando o peso do corpo sobre cada nádega, alternadamente. Regressado à posição erecta, sinto os &lt;strong&gt;intestinos&lt;/strong&gt; voltar ao activo. E, nessa tarde, ao sentar-me na retrete para evacuar, descubro que o meu corpo expele, às pinguinhas, não urina, mas sim o &lt;strong&gt;sangue&lt;/strong&gt; acumulado na bexiga, devido à hemorragia interna. &lt;strong&gt;Bom sinal!&lt;/strong&gt; Mais de &lt;strong&gt;meia hora&lt;/strong&gt; (!) depois, aliviado e muito convicto de uma rápida recuperação, deito-me na cama, mesmo a tempo de ver aparecer as primeiras visitas dessa tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E hoje vem muita gente! A minha &lt;strong&gt;mãe&lt;/strong&gt; traz a &lt;strong&gt;Filó&lt;/strong&gt;, uma amiga da família. Depois, aparece a &lt;strong&gt;Caracolitos&lt;/strong&gt; e a minha &lt;strong&gt;irmã&lt;/strong&gt; (o &lt;strong&gt;marido&lt;/strong&gt; dela fica no jardim, a tomar conta do seu rebento, que não pode entrar; depois revezam-se). Vem também a minha amiga &lt;strong&gt;Ana&lt;/strong&gt;, mestra de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reiki&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. A &lt;strong&gt;Chiquitita&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;Salex Go-Go&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;John&lt;/strong&gt; chegam juntos. Este último, ao entrar no quarto para me encontrar em tão agradável companhia, diz-me de imediato que “não tem pena nenhuma de mim, rodeado de tantas meninas.” E eu replico que também compreendo porque é que ele decidiu aparecer... Rimo-nos todos juntos. Eu sinto-me magnificamente bem na companhia dos amigos. E especialmente por  sentir que estou cada vez mais próximo da &lt;strong&gt;recuperação total&lt;/strong&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109930982920729785?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109930982920729785/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109930982920729785&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109930982920729785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109930982920729785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/recuperao.html' title='A RECUPERAÇÃO'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109881768059569919</id><published>2004-09-08T10:32:00.000+01:00</published><updated>2004-10-26T20:12:55.696+01:00</updated><title type='text'>FREAK SHOW</title><content type='html'>A sala de urgências deve ser a que acorda mais cedo em todo o hospital. Calado, e já sem sono, sigo da minha maca a azáfama do pessoal à minha volta. Apercebo-me – com alguma surpresa, devo confessar – que todos os pacientes na sala são do género &lt;strong&gt;masculino&lt;/strong&gt;. O que me leva a concluir que as urgências dos hospitais são separadas por &lt;strong&gt;sexo&lt;/strong&gt;. Interessante. Não fazia ideia nenhuma. Mas, pensando bem, é a primeira vez que passo por uma experiência destas e que paro para reflectir sobre o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À minha esquerda, está o homem que passou a noite inteira a gemer: é muito alto e negro e está completamente &lt;strong&gt;vestido&lt;/strong&gt;. De &lt;strong&gt;sapatos&lt;/strong&gt; e tudo. &lt;strong&gt;Deitado&lt;/strong&gt; na maca, com os pés de fora. Parece perdido. Periodicamente, os bombeiros entram na sala para trazer um novo paciente. Primeiro, um velhote raquítico que respira por meio de um tubo ligado directamente à garganta. A sua respiração é mais arrepiante que a do &lt;strong&gt;Darth Vader&lt;/strong&gt;. Por uma abertura no tubo, sai uma ranhoca nojenta, que lhe cai para o peito. Ele parece não reparar... ou não se &lt;strong&gt;importar&lt;/strong&gt;. Passado algum tempo, uma enfermeira repara: “Ó homem, está a sujar-se todo!” Ele nem reage, enquanto ela o limpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, entra um homem com os seus quarenta e tal anos – vítima de &lt;strong&gt;acidente de viação&lt;/strong&gt;, deu um jeito na coluna aquando do embate. Deitado na maca, traz a cabeça, o pescoço e os ombros imobilizados por um estranho aparelho. A sua cara contorce-se em espasmos de dor: “Não me podem tirar isto? É que me dá mais dores...” Após um certo lapso de tempo, alguém se digna responder-lhe: “Não, deixe-se estar. Tem de ficar imobilizado, senão pode ficar pior.” E ele remete-se à única (e pobre) defesa a que pode recorrer para suportar as dores que sente: as &lt;strong&gt;caretas&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, entra um rapaz – &lt;strong&gt;pedra nos rins&lt;/strong&gt;. Este dá verdadeiros urros de dor, agarrado ao baixo ventre e contorcendo-se encima da maca. Passados largos momentos desta formidável exibição de sofrimento, alguém decide encostar a maca a um dos cantos da sala, correndo a cortina à sua volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de todo este &lt;strong&gt;espectáculo de aberrações&lt;/strong&gt;, aquilo que me causa maior impressão é o comportamento do pessoal médico. Perante o mais acutilante sofrimento, permanecem inflexivelmente &lt;strong&gt;frios&lt;/strong&gt;, chegando mesmo por vezes a ser &lt;strong&gt;rudes&lt;/strong&gt;. Contudo, entendo-os. Por um lado, torna-se necessário manter uma certa &lt;strong&gt;distância emocional&lt;/strong&gt; dos pacientes, caso contrário sofre-se terrivelmente por todos. E, por outro lado, acredito que lidar todos os dias com o sofrimento acabe por tornar uma pessoa &lt;strong&gt;insensível&lt;/strong&gt;. Entendo-os, sim. O que não significa que &lt;strong&gt;aceite&lt;/strong&gt;. Ou que &lt;strong&gt;goste&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, um auxiliar entra na sala para servir o &lt;strong&gt;pequeno-almoço&lt;/strong&gt;. Eu estou faminto e &lt;strong&gt;devoro&lt;/strong&gt; o mísero pão com manteiga e o copo de leite que ele me entrega – que me sabem como o mais delicioso &lt;strong&gt;manjar dos Deuses&lt;/strong&gt;! “Quer mais um pãozinho?” pergunta o solícito auxiliar. Venha ele, caramba, que este corpinho sofreu muito e precisa de se restabelecer! Enquanto como, dou-me conta que ainda tenho os &lt;strong&gt;dedos sujos de sangue&lt;/strong&gt; do dia anterior. Mas quero lá saber! O sangue é meu e o pão é meu – fica tudo em família e não há-de ser nada. Não há-de um gajo que passou pelo que eu passei agora morrer disto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, com a barriguinha aconchegada, a vida é mais suave. Mesmo na sala de urgências de um hospital. Mas descubro rapidamente que também não fico aqui por muito mais tempo... “Então, está pronto para ir para o Egas Moniz?” pergunta um jovem bombeiro. &lt;strong&gt;Egas Moniz?!&lt;/strong&gt; Mas então não vou ficar instalado no S. Francisco Xavier?... Ao que tudo indica, a pergunta é de &lt;strong&gt;retórica&lt;/strong&gt;, pois, enquanto eu me interrogo, já me mudaram de maca e me enfiaram numa ambulância, para nova corrida em direcção a novo destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109881768059569919?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109881768059569919/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109881768059569919&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109881768059569919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109881768059569919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/freak-show.html' title='&lt;em&gt;FREAK SHOW&lt;/em&gt;'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109881740187230130</id><published>2004-09-08T05:04:00.000+01:00</published><updated>2004-10-26T20:10:12.286+01:00</updated><title type='text'>A PRIMEIRA NOITE</title><content type='html'>A sala de urgências do Hospital S. Francisco Xavier é um &lt;strong&gt;caos&lt;/strong&gt;. Várias macas, lado a lado, misturam pacientes sofredores dos males mais diversos. Como esta é a &lt;strong&gt;casa de partida&lt;/strong&gt; de todos aqueles que se dirigem ao hospital com problemas de saúde, e que aqui iniciam o seu percurso de cura, a sala está cheia de &lt;strong&gt;gemidos e sofrimento&lt;/strong&gt; até ao tecto. Médicos, enfermeiros e bombeiros entram e saem continuamente do local. E eu sou deixado numa maca a um canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto espero, recebo a visita do meu pai, que me traz artigos de higiene pessoal e alguma &lt;strong&gt;comida&lt;/strong&gt; à socapa. Estou &lt;strong&gt;faminto&lt;/strong&gt;, pois a última refeição que tive foi o almoço do dia anterior, mas ainda não me deixam comer. “Daqui a bocadinho vamos pô-lo a soro, a seguir vai dormir e depois logo come qualquer coisa, está bem?” diz-me uma médica morenita muito gira. &lt;strong&gt;Soro?!&lt;/strong&gt; Mas desde quando é que isso enche a barriga a alguém?! Eu quero é &lt;strong&gt;comida a sério&lt;/strong&gt;! &lt;strong&gt;Carnuça&lt;/strong&gt;, caramba! Daquela que puxa carroça! Bebe lá &lt;strong&gt;tu&lt;/strong&gt; o teu soro!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa da uma da manhã quando finalmente me levam para a &lt;strong&gt;sala de ortopedia&lt;/strong&gt;. Lá dentro, pedem-me para me sentar e pôr as mãos nas ancas, “à &lt;strong&gt;toureiro&lt;/strong&gt;.” Depois, ligam-me ambos os ombros com uma ligadura a cruzar nas costas e, finalmente, &lt;strong&gt;apertam&lt;/strong&gt; aquilo ao máximo – e sinto os ossinhos todos a ir ao sítio. Imediatamente (e pela terceira vez desde o acidente), sinto que vou &lt;strong&gt;apagar&lt;/strong&gt;. E aviso. “Não vai nada. Isto já está feito.” E, com efeito, terminaram. E eu não desmaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta à sala de urgências, despeço-me do meu pai e, depois de me furarem as costas da mão direita para me porem a soro (como prometido pela médica morenita), recebo a visita de outro médico, que me examina o ombro: “Já está imobilizado, fizeram-lhe um &lt;strong&gt;cruzado posterior&lt;/strong&gt;...” e, virando-se sorridentemente para mim, “Muito bem, esse ombro nunca mais lhe vai dar problemas!” Óptimo! Porreiro! Finalmente, boas – e &lt;strong&gt;convictas&lt;/strong&gt; – notícias! Já estava cansado de desgraças...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois de todas as provações pelas quais passei, sinto que &lt;strong&gt;finalmente&lt;/strong&gt; posso descansar. E bem &lt;strong&gt;mereço&lt;/strong&gt; o meu repouso! E assim, vestido apenas com as meias e coberto por um lençol, adormeço rapidamente, apesar da &lt;strong&gt;luz&lt;/strong&gt;, do &lt;strong&gt;barulho&lt;/strong&gt; e da &lt;strong&gt;movimentação&lt;/strong&gt; constantes na sala. A partir de determinada hora, contudo, a intensidade das luzes é reduzida, o barulho e a movimentação cessam e toda a sala mergulha num sono desejado, porém leve e &lt;strong&gt;dorido&lt;/strong&gt;, entrecortado por um gemido ocasional aqui e ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu sono é &lt;strong&gt;intermitente&lt;/strong&gt;. Não sinto grandes dores, mas incomoda-me a posição – não estou habituado a dormir de costas. Além disso, continuo (ainda e sempre) a expelir &lt;strong&gt;sangue&lt;/strong&gt; pela pila, o que está longe de ser confortável. Felizmente, por volta das quatro e meia da manhã, uma enfermeira, descobrindo a &lt;strong&gt;poça de sangue&lt;/strong&gt; em que durmo, apresta-se a limpar-me. Ainda me dói tudo na bacia, mas ela é &lt;strong&gt;meiga&lt;/strong&gt; comigo. Lava-me com um líquido estranho, que verte profusamente sobre a minha pele – o seu contacto é &lt;strong&gt;frio&lt;/strong&gt;, mas, ao escorrer pelas pernas, aquece rapidamente, chegando quase a &lt;strong&gt;queimar&lt;/strong&gt;. Que sensação tão esquisita...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já limpo e seco, volto a adormecer. Mas a noite é curta e o dia seguinte começa muito cedo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109881740187230130?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109881740187230130/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109881740187230130&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109881740187230130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109881740187230130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/primeira-noite.html' title='A PRIMEIRA NOITE'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109837366249144377</id><published>2004-09-07T23:59:00.000+01:00</published><updated>2004-11-06T17:44:30.116Z</updated><title type='text'>PRIMEIRAS VISITAS</title><content type='html'>Enquanto espero no corredor, recebo a minha primeira visita: a minha &lt;strong&gt;mãe&lt;/strong&gt;. Claro. Parece preocupada, mas eu estou bem disposto e as minhas piadas acabam por descontraí-la. Ela diz-me que falou com o médico (o cota), que a pôs ao corrente da minha situação. “Ele disse que tu te portaste &lt;strong&gt;muito bem&lt;/strong&gt;, que foste muito &lt;strong&gt;corajoso&lt;/strong&gt;.” Ah, orgulho de mãe não tem fim! Falando no Diabo, aparece o médico, que me esclarece acerca do meu estado: “Não há ruptura nem da bexiga, nem da uretra, mas há uma &lt;strong&gt;obstrução&lt;/strong&gt; qualquer do canal, que pode ter sido provocada pela hemorragia – um &lt;strong&gt;coágulo&lt;/strong&gt; qualquer que ficou aí. Agora é descansar e esperar que isso se dissolva. Se não acontecer, pode ter de ser &lt;strong&gt;operado&lt;/strong&gt;. Mas, por agora, é recuperar.” “Vou ser &lt;strong&gt;internado&lt;/strong&gt;?” pergunto. “Sim, pelo menos por alguns dias,” responde o médico, como quem dá notícias tristes. Mas eu estou &lt;strong&gt;feliz&lt;/strong&gt; – vou ter &lt;strong&gt;férias&lt;/strong&gt;! Além disso, nunca estive internado na vida; vai ser uma &lt;strong&gt;boa experiência&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, chega o meu &lt;strong&gt;amigo do &lt;em&gt;Kung Fu&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Terminou o turno e está de saída. “Quando estiveres bom, vamos todos tomar um copo, para comemorar.” Acedo, a sorrir, e despedimo-nos. “Este rapaz foi o teu &lt;strong&gt;anjinho-da-guarda&lt;/strong&gt;,” diz a minha mãe, “Assim que cheguei ao hospital, liguei-lhe, ele veio logo ter comigo, acalmou-me e explicou-me a situação. Gostei muito dele! Muito &lt;strong&gt;simpático&lt;/strong&gt;!” Sim, mas, acima de tudo, um tipo impecável, revelador de uma &lt;strong&gt;atenção e dedicação&lt;/strong&gt; muito para além do seu dever. Daqui te lanço o meu &lt;strong&gt;Obrigado&lt;/strong&gt;, meu amigo! Espero que tenhas sempre à tua volta o apoio e atenção que dedicaste a este gajo que não conhecias de lado nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, lembro-me: “Epá, as &lt;strong&gt;minhas coisas&lt;/strong&gt;! Ele pôs-me tudo num saco que deixou amarrado à maca! Recomendou-me que não o perdesse e nunca mais me lembrei disso!” A minha mãe acalma-me: “Não te preocupes, ele deu-me o saco.” Grande amigo! “Tens o meu telemóvel?” pergunto, “Quero ligar à &lt;strong&gt;Ruiva&lt;/strong&gt;.” No meio de todo aquele tormento, pensar nela faz-me sentir bem e calmo. Anseio por ouvir a sua bela &lt;strong&gt;voz doce&lt;/strong&gt;... &lt;em&gt;But, alas,&lt;/em&gt; não tenho rede no corredor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o meu &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt; aparece, vem com o seu ar de poucos amigos. Obviamente, está lixado, porque toda esta trapalhada podia ter sido facilmente evitada – mas não, o menino &lt;strong&gt;tinha&lt;/strong&gt; que sentar o seu cu na mota! Eu ignoro as suas trombas. Dada a frequência com que ando de mota, havia mais probabilidades de sofrer um acidente de mota caso fosse a caminhar no passeio e apanhasse com uma mota na mona! Se este acidente aconteceu, é porque &lt;strong&gt;tinha&lt;/strong&gt; de acontecer. &lt;em&gt;End of story.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus pais deixam-me e são substituídos pelo &lt;strong&gt;PP&lt;/strong&gt;, que mostra um ar abatido. Pede-me logo &lt;strong&gt;desculpas&lt;/strong&gt; e pergunta-me como estou. Estou &lt;strong&gt;eléctrico&lt;/strong&gt;! O pior já passou e agora sinto-me animado. E desato a contar-lhe as minhas peripécias desde que nos separámos, num tom leve de humor negro a que não falta nenhum dos pormenores &lt;em&gt;gore&lt;/em&gt;. “Fala mais baixo,” diz-me ele com dificuldade, enquanto rimos ambos às gargalhadas em pleno corredor do hospital. Pouco depois, aparece o meu &lt;strong&gt;irmão&lt;/strong&gt;, que, para não fugir à regra, também mostra uma cara apreensiva. Mas eu tenho boa disposição para dar e para vender! Comento com ele que perdi &lt;strong&gt;tudo&lt;/strong&gt; pelo caminho – só me deixaram... as &lt;strong&gt;meias&lt;/strong&gt;! Que simpáticos! Não basta estar fisicamente diminuído, como ainda por cima com um aspecto ridículo e humilhante. E não há &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt; mais ridículo no mundo que um &lt;strong&gt;homem nu e de meias&lt;/strong&gt;. Mas, vá lá, podia ser &lt;strong&gt;pior&lt;/strong&gt;! As meias podiam ser daquelas compridas e &lt;strong&gt;puxadinhas até aos joelhos&lt;/strong&gt;. E com &lt;strong&gt;losangos&lt;/strong&gt;!... Bem vistas as coisas, até nem estou tão mal como pensava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cerca de uma hora depois, lá se lembram os médicos de mim. E, depois de me fazerem entrar no gabinete de Ortopedia, chegam à conclusão que me vão transferir para o &lt;strong&gt;Hospital S. Francisco Xavier&lt;/strong&gt;, que é o meu &lt;strong&gt;hospital de residência&lt;/strong&gt;. Volto a sair para o corredor sem sequer me tocarem. Mudam-me de maca, quase arrancando o meu novo tubinho de mijar (por desatenção de uma enfermeira que “não reparou”) e, pouco depois da meia-noite, abandono finalmente o Hospital Fernando Fonseca. Após nova viagem de ambulância, chego ao meu novo destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109837366249144377?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109837366249144377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109837366249144377&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109837366249144377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109837366249144377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/primeiras-visitas.html' title='PRIMEIRAS VISITAS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109819156559070899</id><published>2004-09-07T22:44:00.000+01:00</published><updated>2004-10-19T14:23:43.726+01:00</updated><title type='text'>TORTURA NA SALA DE RAIO-X</title><content type='html'>“Vai &lt;strong&gt;doer&lt;/strong&gt;?” pergunto ao médico novo. “Não.” Mas não me sinto convencido – quando a dor é dos &lt;strong&gt;outros&lt;/strong&gt;, nunca custa nada. “Queres o &lt;strong&gt;bisturi&lt;/strong&gt;?” pergunta o médico cota, e passa a &lt;strong&gt;faca de trinchar&lt;/strong&gt; ao outro mesmo em frente aos meus olhos. “Sabes quanto precisas de cortar? É um bocado assim,” e o cota indica a distância com os dedos. Sinto-me como uma &lt;strong&gt;vaca no matadouro&lt;/strong&gt; – mas esta gente não se toca?! É o &lt;strong&gt;meu&lt;/strong&gt; corpo que se preparam para retalhar! E, sim, apesar da anestesia, um gajo sente a lâmina a &lt;strong&gt;agadanhar a carne&lt;/strong&gt;, sim! Se eu não estivesse de meias, os gajos podiam ter visto os meus dedinhos todos arrepiados de dor. Depois de feita a &lt;strong&gt;ligação directa&lt;/strong&gt;, tiram-me mais radiografias. O resultado é o que podem ver a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/640/RX%20-%20Bexiga.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/RX%20-%20Bexiga.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A bola brilhante é, claro, a bexiga. Mais abaixo, a pequena minhoca em arco é o interior da pila, iluminado pelo contraste. Como se pode ver, não existe &lt;strong&gt;ligação&lt;/strong&gt; entre a bexiga e a uretra – e, basicamente, é este o &lt;strong&gt;grande problema&lt;/strong&gt;. Só por curiosidade, nota-se à direita da bexiga o encaixe da cabeça do fémur esquerdo no osso ilíaco. Bonito, não é?... Eu sempre adorei &lt;strong&gt;ossos&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após analisarem as radiografias, os médicos passam à acção. Primeiro, pedem-me para urinar. A insistência deles leva-me a perceber que este ponto é de &lt;strong&gt;importância vital&lt;/strong&gt;, portanto, cerro os dentes e, evitando pensar na dor que se vai seguir, esforço-me ao máximo para mijar. Consigo apenas umas &lt;strong&gt;pingas&lt;/strong&gt;. De sangue. Os médicos não parecem satisfeitos. Resolvem então recorrer aos &lt;strong&gt;grandes meios&lt;/strong&gt;: e vai de escarafunchar outra vez a pila com a sonda! Desta vez, o médico novo não tem quaisquer contemplações – ele puxa e enfia e repuxa e empurra e dá-me dois e três e quatro &lt;strong&gt;nós&lt;/strong&gt; na pila, uns em cima dos outros. Nunca a minha pila fora tão maltratada, coitadita! “Relaxe. Respire fundo.” Começo a pensar que o gajo tira &lt;strong&gt;gozo&lt;/strong&gt; disto... “Pôça, doutor, você está a &lt;strong&gt;fazer de propósito&lt;/strong&gt;, diga lá!...” atiro eu. Ouço risos contidos de alguns dos auxiliares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, a minha propensão para as piadinhas acaba. As dores na pila são tantas que começam a afectar morbidamente todo o resto do corpo. Dói-me horrivelmente toda a zona da bacia e não sinto as pernas. Não consigo respirar. Sinto-me &lt;strong&gt;mal&lt;/strong&gt;. Sinto-me mal como &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; na minha vida me senti! É um mal-estar extremo, para o qual não existe redenção. É um mal-estar transbordante de &lt;strong&gt;desespero impotente&lt;/strong&gt; no seu paroxismo, provocado por uma &lt;strong&gt;insuportável e infinita dor&lt;/strong&gt;, a rebentar todos os limites de resistência. É um mal-estar do género estou-a-sofrer-há-horas-e-não-há-fim-para-esta-merda-e-NÃO-POSSO-FAZER-NADA-PARA-ACABAR-COM-ISTO! Tirem-me deste pesadelo! Acabem &lt;strong&gt;JÁ&lt;/strong&gt; com o meu sofrimento! Só não grito aos gajos que me &lt;strong&gt;cortem&lt;/strong&gt; de vez a pila &lt;strong&gt;bem rente&lt;/strong&gt; e me &lt;strong&gt;esmigalhem a cabeça&lt;/strong&gt; com uma marreta porque estou demasiado ocupado a ranger os dentes, desesperadamente agarrado à ínfima réstia de calma que o último pedaço de consciência, intocado pela dor, ainda mantém vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estou a sentir-me &lt;strong&gt;muita mal&lt;/strong&gt;!...” aviso. “Tenha calma e relaxe. Respire fundo.” “Estou a sentir-me &lt;strong&gt;MESMO muita mal&lt;/strong&gt;!” insisto, “&lt;strong&gt;não&lt;/strong&gt; estou a brincar!!” E logo a seguir: “Pronto! Aí está, eu &lt;strong&gt;vou-me embora&lt;/strong&gt;...” O médico cota pergunta: “Vai-se embora?! Vai-se embora para &lt;strong&gt;onde&lt;/strong&gt;?” “Vou &lt;strong&gt;desmaiar&lt;/strong&gt;...” respondo. “Você está &lt;strong&gt;deitado&lt;/strong&gt;, não pode desmaiar.” “Não interessa. Vou apagar...” “Tenha calma. Respire fundo. Isto está quase.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como, mas não chego a perder totalmente os sentidos. E, como prometido, pouco depois o martírio termina. Mas a dor &lt;strong&gt;perdura&lt;/strong&gt;. E mais uma vez me pedem para urinar. Tento fazê-lo, mas estou &lt;strong&gt;desfeito&lt;/strong&gt;. Não tenho forças para mais nada. “Há bocado estava a esforçar-se mais,” dizem-me os médicos. “Eu sei. Calma... Eu consigo... mas preciso de alguns momentos para &lt;strong&gt;recuperar&lt;/strong&gt;.” O médico cota aproxima-se de mim: “Não temos tempo. Como sabe, há outras pessoas que é preciso atender.” “Eu sei, doutor. Eu &lt;strong&gt;vou&lt;/strong&gt; urinar. Dê-me apenas uns minutos...” Após uma pausa, o médico decide conceder-me o meu desejo e dá-me &lt;strong&gt;dois minutos&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;tréguas&lt;/strong&gt;: “Vá, descanse um pouco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respiro fundo repetidas vezes e descontraio os músculos, ainda tensos pela provação. Depois, volto à liça. &lt;em&gt;Et voilá&lt;/em&gt;, os meus esforços são recompensados com uns pequenos jactos de urina mesclada de sangue. Os médicos parecem &lt;strong&gt;satisfeitos&lt;/strong&gt;. O médico cota sorri largamente para mim: “Isto é &lt;strong&gt;muito bom&lt;/strong&gt; sinal! Afinal, parece que você teve &lt;strong&gt;muita sorte&lt;/strong&gt;! Por momentos, vimos isto muito mau, sabe...” &lt;strong&gt;&lt;em&gt;No shit?!...&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Olha, as piadinhas voltaram. Parece que já estou bom e sorrio, aliviado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o meu novo tubo enfiado na barriga, mudam-me para nova maca e ala da sala de radiografias. No corredor, a minha vista apanha um relógio. Passa das dez e meia. &lt;strong&gt;Quatro horas&lt;/strong&gt; depois do acidente! Em breve estacionam a maca junto aos gabinetes de &lt;strong&gt;Ortopedia&lt;/strong&gt;. Na sala de radiografias, os médicos aproveitaram para tirar um raio-x da minha clavícula, que se vê abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/640/RX%20-%20Clavcula.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/RX%20-%20Clavcula.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bonita radiografia, não é? A clavícula está &lt;strong&gt;partida&lt;/strong&gt;, mas para o olho destreinado nem parece. Adoro o pormenor do &lt;strong&gt;pendente&lt;/strong&gt; do fio que uso ao pescoço, que se imiscuiu na foto à descarada. Gosto tanto desta radiografia que estou a pensar em &lt;strong&gt;emoldurá-la&lt;/strong&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109819156559070899?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109819156559070899/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109819156559070899&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109819156559070899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109819156559070899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/tortura-na-sala-de-raio-x.html' title='TORTURA NA SALA DE RAIO-X'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109819092040141291</id><published>2004-09-07T20:49:00.000+01:00</published><updated>2004-12-21T13:57:56.060Z</updated><title type='text'>COMPASSO DE ESPERA</title><content type='html'>Assim que entro na sala, deitam-me sobre a mesa e pedem-me para me deitar de lado, sobre o &lt;strong&gt;ombro direito&lt;/strong&gt;. Digo-lhes que é &lt;strong&gt;impossível&lt;/strong&gt;, porque é esse o ombro que tenho magoado do acidente. Mas, aparentemente, o lado esquerdo &lt;strong&gt;não presta&lt;/strong&gt;, porque insistem comigo para rodar as ancas o mais possível para a direita, evitando apoiar-me no ombro magoado. Assim o faço, dentro do que me é possível. “Agora, &lt;strong&gt;mantenha&lt;/strong&gt; essa posição,” diz o médico cota. E desaparece num nicho contíguo, de onde eu calculo que os gajos manipulem a maquineta de raio-x.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, todo &lt;strong&gt;torcido&lt;/strong&gt; naquela mesa e apenas de &lt;strong&gt;meias&lt;/strong&gt; vestidas (numa figura tão ridícula que eu próprio não consigo evitar sorrir), eu espero. E espero, e espero... Que seca monumental! A dada altura, farto de tanta espera e com o corpo dorido da posição, começo a tamborilar com os dedos no tampo frio da mesa, para me distrair. Depois, ponho-me a &lt;strong&gt;assobiar&lt;/strong&gt;. E, finalmente, também a &lt;strong&gt;cantar&lt;/strong&gt;. Excertos de músicas dos &lt;strong&gt;Iron Maiden&lt;/strong&gt;, se querem saber... Sempre gostei de assobiar o final de “&lt;strong&gt;The Prophecy&lt;/strong&gt;,” do excelente álbum “Seventh Son of a Seventh Son” – é calmante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um bom bocado, o médico reaparece. “Então, já está?” pergunto. “Agora é que vamos &lt;strong&gt;começar&lt;/strong&gt;. Tivemos um problema com a máquina, não estava a funcionar...” Belo! E eu para aqui preso nesta posição idiota! Ora, &lt;strong&gt;obrigadinho&lt;/strong&gt; por me avisarem! Mas agora já está tudo a postos e começam por me fazer uma ecografia à bexiga. Parece não haver ruptura (o que é bom), mas a bexiga está cheia. “Tem vontade de urinar?” Respondo que nem por isso, enquanto penso no &lt;strong&gt;carvão em brasa&lt;/strong&gt; dentro da pila. Pedem-me para tentar, e eu faço-o... mas não com grande empenho. Torna-se necessário fazer outro tipo de testes. O médico novo pega-me na pila e toca de enfiar outra vez a sonda lá para dentro (que &lt;strong&gt;fixação do prepúcio&lt;/strong&gt;, a destes gajos!)! Curiosamente, o suplício é de pouca duração (ou então, sou eu que já me estou a habituar a esta porcaria!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto tiram as radiografias necessárias (na tal posição incómoda), aproveito o intervalo para perguntar ao médico cota qual o meu estado. Obviamente, não quero ficar &lt;strong&gt;impotente&lt;/strong&gt; ou, pior ainda, &lt;strong&gt;estéril&lt;/strong&gt;. E para mais agora, que namoro uma bela Ruiva! Momentos antes, quando confessara os meus receios ao meu amigo do &lt;em&gt;Kung Fu&lt;/em&gt; e ele replicara que “impotente é que não!” ao que eu respondera que “nem pensar! Antes impotente que estéril, porque a impotência &lt;strong&gt;cura-se&lt;/strong&gt;!” E, de facto, dos casos de impotência cuja causa é &lt;strong&gt;física&lt;/strong&gt;, apenas uma pequena minoria é &lt;strong&gt;irreversível&lt;/strong&gt;. Portanto, mesmo ficando impotente, um gajo tem sempre &lt;strong&gt;boas hipóteses&lt;/strong&gt; de recuperar. Agora ficar estéril... Que ideia aterradora! Eu quero vir a ser &lt;strong&gt;pai&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico diz-me que acabam de fazer um teste de &lt;strong&gt;contraste&lt;/strong&gt;, onde me introduziram pela pila um líquido que aparece brilhante nas radiografias, que revelou não haver ruptura da uretra, o que é &lt;strong&gt;bom sinal&lt;/strong&gt;. Contudo, o canal está &lt;strong&gt;interrompido&lt;/strong&gt; por algo, provavelmente algum &lt;strong&gt;coágulo de sangue&lt;/strong&gt;, devido à hemorragia. Portanto, o que se preparam para me fazer é &lt;strong&gt;enfiar-me um tubo pela barriga&lt;/strong&gt; directamente à bexiga, para fazer o teste de contraste por esse lado também. Depois de esclarecido, quedo-me a pensar se não teria ficado melhor na &lt;strong&gt;ignorância&lt;/strong&gt;... E, enquanto os médicos se preparam para o passo seguinte, eu pondero até que ponto não teria sido bem melhor para mim se a sonda tivesse mesmo saído pelo olho do cu aquando da &lt;strong&gt;uretroscopia&lt;/strong&gt; (a tortura da sonda pela pila adentro)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109819092040141291?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109819092040141291/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109819092040141291&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109819092040141291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109819092040141291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/compasso-de-espera.html' title='COMPASSO DE ESPERA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109715919431983227</id><published>2004-09-07T20:26:00.000+01:00</published><updated>2004-10-07T15:26:34.320+01:00</updated><title type='text'>A SONDA</title><content type='html'>Um gajo novo pede-me para lhe explicar o que me aconteceu. Faço-o. “Então e urinou sangue, foi?” “E continuo a fazê-lo. Sinto-o a sair enquanto falamos,” digo-lhe. “Deixe-me ver isso...” Assim que baixo as calças, nova &lt;strong&gt;cascata de sangue&lt;/strong&gt; se abate no chão. As três ou quatro pessoas à minha volta parecem apreensivas. Ouço alguém dizer “Chamem o médico urologista!...” enquanto me deitam na mesa. Estou praticamente &lt;strong&gt;nu&lt;/strong&gt;, com as calças para baixo. Já não tinha a &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt; e, entretanto, tiraram-me também o casaco. Continuo a sangrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, chegam os médicos urologistas – um mais velho, que dá as ordens, e outro mais novo, que as executa. Mandam tirar-me os sapatos e as calças. E aqui começa o meu &lt;strong&gt;calvário&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, pedem-me para mijar. Consigo, em parte, mas torço-me de &lt;strong&gt;dores atrozes&lt;/strong&gt;. É como se tivesse um &lt;strong&gt;carvão em brasa&lt;/strong&gt; dentro da pila. Então, decidem &lt;strong&gt;jogar pesado&lt;/strong&gt; – e, sem qualquer aviso, enfiam-me uma sonda &lt;strong&gt;pela pila adentro&lt;/strong&gt;. “&lt;strong&gt;Isso DÓI!!!&lt;/strong&gt;” grito. “Relaxe. Respire fundo,” dizem os médicos. Tento acalmar-me: “Relaxa, &lt;em&gt;okay&lt;/em&gt;... respira fundo, sim... &lt;strong&gt;ARGH!!...&lt;/strong&gt; Isso é fácil de dizer!” Agarro o braço do médico mais cota e, imediatamente, sinto toda a gente paralisada naquela sala! “Largue o braço,” diz-me o médico, e o seu tom &lt;strong&gt;não é&lt;/strong&gt; para brincadeiras. Por um breve (e estranho) momento, sinto-me de volta aos meus tempos de &lt;strong&gt;escola secundária&lt;/strong&gt; – um &lt;strong&gt;piolhoso&lt;/strong&gt; qualquer tenta sacar-me alguns trocos e, quando lhe sustenho o braço, tentando impedi-lo de me tocar, o ambiente gela à minha volta: “&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Bad&lt;/strong&gt; move, dude...&lt;/em&gt;” “Largue o braço, por favor,” repete o médico. Eu obedeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, dou-me conta de duas ou três cabeças que pairam sobre a minha. O gajo à minha direita agarra o pendente do meu fio e esfrega-o entre os dedos. Tenta distrair-me: “Onde é que compraste isto?” “Foi uma ex-namorada que me ofereceu,” esclareço-o. “Uma &lt;strong&gt;ex-namorada&lt;/strong&gt;, pá?! Então não o devias usar!” “Porque não?! Ela deu-mo, agora é &lt;strong&gt;meu&lt;/strong&gt;! Gosto do pendente e uso-o quando quero e independentemente dela!” Ele ri-se. “Pensei que o usasses por praticar alguma &lt;strong&gt;arte marcial&lt;/strong&gt;... Eu faço &lt;em&gt;Kung Fu&lt;/em&gt;.” “Ah, compreendo. Mas não. Eu cá só &lt;strong&gt;danço&lt;/strong&gt;. Mas gostava de aprender uma arte marcial. Talvez a gente possa trocar aulas, um dia destes – tu ensinas-me &lt;em&gt;Kung Fu&lt;/em&gt; e eu ensino-te &lt;strong&gt;Danças de Salão&lt;/strong&gt;.” Ele ri-se: “Põe-te bom e a gente combina isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, mais dor. Sinto-me como se a sonda que me estão a enfiar pela pila fosse &lt;strong&gt;sair pelo cu&lt;/strong&gt;! Ranjo os dentes e urro de dor. “Relaxe. Respire fundo.” O auxiliar de enfermagem praticante de &lt;em&gt;Kung Fu&lt;/em&gt;, que (coincidência das coincidências) partilha ambos os meus primeiros nomes, só que na ordem inversa, continua a tentar distrair-me. A dor é tal que não o consigo ouvir. Sorrio: “Tens consciência que não estou a ouvir &lt;strong&gt;nada&lt;/strong&gt; do que estás a dizer, não tens?” Ele sorri de volta, mas continua a fazer o possível para me desviar a atenção da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, acaba. É necessário tirar-me umas radiografias e vou ser enviado para outra sala. Metem-me numa maca e lá vou eu. Quem me guia é o meu amigo do &lt;em&gt;Kung Fu&lt;/em&gt;. A meio do caminho o gajo encosta a maca a uma janela. “Aqui tens rede. Precisas de ligar a alguém, a avisar que estás no hospital?” “Preciso de ligar à minha &lt;strong&gt;mãe&lt;/strong&gt;.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E falo com ela. Apesar das minhas palavras calmas e reconfortantes, ela mostra-se &lt;strong&gt;preocupada&lt;/strong&gt;. Claro – mãe é &lt;strong&gt;mãe&lt;/strong&gt;. Mas o meu novo amigo dá-lhe o número de telemóvel dele, para ela lhe ligar directamente assim que chegar ao hospital. Depois, seguimos viagem. O meu novo destino é uma sala pequena, com uma máquina enorme montada sobre uma mesa onde um gajo se deita. Os médicos urologistas estão à minha espera. O meu amigo, ao despedir-se, diz-me: “As tuas coisas estão neste saco, que está identificado com os teus dados, nesta etiqueta. Vou amarrá-lo aqui à maca. Não o percas. E até já.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109715919431983227?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109715919431983227/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109715919431983227&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109715919431983227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109715919431983227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/sonda.html' title='A SONDA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109715872984990790</id><published>2004-09-07T19:31:00.000+01:00</published><updated>2004-10-07T15:18:49.850+01:00</updated><title type='text'>NAS URGÊNCIAS</title><content type='html'>Durante a viagem de ambulância, o Élvio preenche um monte de documentos com os meus &lt;strong&gt;dados vitais&lt;/strong&gt;: nome, idade, morada, telefone, essas coisas. Chegados ao Hospital Fernando Fonseca, ele senta-me numa cadeira de rodas e leva-me para o &lt;strong&gt;Serviço de Urgências&lt;/strong&gt;, onde dá entrada do meu caso. Enquanto esperamos pacientemente por passar pela &lt;strong&gt;triagem&lt;/strong&gt;, de onde nos remeterão para o serviço competente, chamo o meu fiel socorrista Élvio àparte: “Ouve, &lt;em&gt;man&lt;/em&gt;, isto é um bocado embaraçoso, mas eu estou-me a &lt;strong&gt;mijar&lt;/strong&gt; todo e não consigo evitá-lo, pá...” “A sério?... Queres ir à casa-de-banho?...” “Yá, julgo que é melhor. É que está a sair enquanto estou aqui a falar contigo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma breve hesitação, ele lá se decide a levar-me rapidamente à casa-de-banho. Eu estou apreensivo. Por um lado, sei que em alturas de &lt;strong&gt;enorme tensão e perigo&lt;/strong&gt;, as pessoas podem mijar-se ou borrar-se todas. É uma reacção fisiológica normal. Os animais também o fazem, para aliviar peso e poderem fugir mais &lt;strong&gt;levemente&lt;/strong&gt; do seu predador. Contudo, no meu caso, não me posso esquecer que magoei os tomates aquando do acidente. O que significa que posso muito bem não estar apenas a mijar urina...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que me vejo a sós na casa-de-banho, baixo as calças. As cuecas, originalmente brancas, estão &lt;strong&gt;vermelhas de sangue&lt;/strong&gt;... “Por vezes, &lt;strong&gt;detesto&lt;/strong&gt; ter razão!” penso eu. Baixo as cuecas e uma &lt;strong&gt;cascata de sangue&lt;/strong&gt;, líquido e já coagulado, espalha-se pela retrete, pintando tudo de vermelho. “Hmmm... &lt;em&gt;This is &lt;strong&gt;not&lt;/strong&gt; good!...&lt;/em&gt;” murmuro para mim próprio. Chamo o Élvio. Ele entra e dá de caras com aquela cena &lt;em&gt;gore&lt;/em&gt;. “Élvio, isto não é bom.” O gajo passa-se: “Isso aconteceu agora?!” “&lt;em&gt;Yep.&lt;/em&gt; Afinal, não era urina...” Num ápice, ele puxa-me as calças para cima, senta-me na cadeira e dispara comigo de volta para a triagem. Por um momento, tento imaginar a cara do gajo que decidiu usar a casa-de-banho depois de mim e deparou com aquele &lt;strong&gt;banho de sangue&lt;/strong&gt;... Depois, os meus pensamentos ficam bastante mais negros, enquanto me interogo acerca da gravidade do assunto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No exacto momento em que chegamos à triagem, estão a chamar o meu nome. O Élvio está um bocado excitado enquanto explica o sucedido à enfermeira de serviço, desde o momento em que me foram buscar de ambulância ao local do acidente até ao episódio na casa-de-banho. Eu tenho os dedos manchados de sangue e uma outra enfermeira dá-me algumas compressas para me limpar, enquanto a enfermeira de serviço me faz algumas perguntas, para complementar a informação dado pelo Élvio. Entretanto, continuo a mijar sangue às golfadas. Sinto-me exasperado e sem paciência para aquilo – toda a gente à minha volta me parece &lt;strong&gt;lenta e estúpida&lt;/strong&gt; – o que eu preciso é de um &lt;strong&gt;médico&lt;/strong&gt; que me resolva o meu problema! A outra enfermeira pergunta se preciso de mais compressas. &lt;strong&gt;Rosno-lhe&lt;/strong&gt; que não. Depois, mais controlado, acrescento, quase em surdina: “... Obrigado.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avaliado o meu caso, decidem enviar-me para a sala de &lt;strong&gt;Pequenas Cirurgias&lt;/strong&gt; (nome sugestivo, hã?). Antes de se despedir, o Élvio passa-me uma folha cheia de etiquetas autocolantes com os meus dados e o meu número de entrada no hospital – e é isto que eu vou passar a ser de agora em diante e enquanto estiver no hospital: o &lt;strong&gt;episódio n.º 4008371&lt;/strong&gt;. Depois, ele deseja-me as melhoras e desaparece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, enfiam-me numa sala fria, sombria e despojada, onde as paredes parecem revestidas a metal (ou serei eu que não estou a ver bem?). Ao centro, está aquilo que me parece uma mesa de operações, também metálica. Sento-me nela. A sua superfície polida está fria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109715872984990790?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109715872984990790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109715872984990790&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109715872984990790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109715872984990790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/nas-urgncias.html' title='NAS URGÊNCIAS'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109693807978157514</id><published>2004-09-07T18:59:00.000+01:00</published><updated>2004-10-07T15:13:48.356+01:00</updated><title type='text'>CRASH!</title><content type='html'>Durante escassos momentos, tudo é &lt;strong&gt;confusão&lt;/strong&gt;. Confusão que contrasta brutalmente com a calma que se instala quando paramos de &lt;strong&gt;arrastar pelo chão&lt;/strong&gt;. O meu primeiro pensamento é de &lt;strong&gt;auto-manutenção&lt;/strong&gt;: não sinto grandes dores, para além de alguns amassos, e parece-me tudo bem. Antes de me levantar do chão, ainda penso na mota – há apenas &lt;strong&gt;quinze dias&lt;/strong&gt; (!) saída do &lt;em&gt;stand&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta do pendura do carro abre-se e sai de lá uma cota que indaga: “Então?! Não nos &lt;strong&gt;viu&lt;/strong&gt;?!...” Soa-me estranha a pergunta... Apetece-me gritar-lhe: “Se não a &lt;strong&gt;vimos&lt;/strong&gt;?! &lt;strong&gt;Pôrra!!!&lt;/strong&gt; Vimo-la em &lt;strong&gt;todo o lado&lt;/strong&gt;! O seu carro &lt;strong&gt;eclipsou&lt;/strong&gt; o &lt;strong&gt;mundo inteiro&lt;/strong&gt;! Não havia maneira de lhe escapar!” Mas decido ignorar a mulher. Afinal, nem era &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; quem ia a conduzir a mota...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pé, avalio mais aturadamente os danos pessoais... Dói-me o cotovelo direito – por baixo da manga do casaco, devo ter um belo arranhão. Ao tentar ver se a manga se rasgou, apercebo-me que algo não está bem com aquele ombro – sinto &lt;strong&gt;peças fora do sítio&lt;/strong&gt;. “Devo ter o &lt;strong&gt;ombro deslocado&lt;/strong&gt;,” penso eu. Não me dói, mas imobilizo imediatamente o braço ao peito. Contudo, apercebo-me de uma dor que rapidamente se sobrepõe a todas as outras: uma valente dor nos &lt;strong&gt;tomates&lt;/strong&gt;. Lembro-me num repente de ter sentido as minhas calças a serem violentamente puxadas para cima, amassando os meus tintins, enquanto roçava o cu pelo chão, durante o acidente. Não sei se da dor, se do choque, sinto a cabeça tonta e a vista turva... vou &lt;strong&gt;desmaiar&lt;/strong&gt;. Sento-me calmamente no lancil à beira da estrada e a sensação passa. Mas a dor nos tomates continua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, o meu amigo PP já levantou a mota do chão e está em conversações com o pai da rapariga que guiava o carro (a cota pendura era, com certeza, a mãe). A jovem condutora, uma pitinha toda bem, &lt;strong&gt;chora desalmadamente&lt;/strong&gt;, em claro &lt;strong&gt;estado de choque&lt;/strong&gt;. O PP observa o meu ombro e vaticina uma &lt;strong&gt;luxação da clavícula&lt;/strong&gt;: “Aconteceu o mesmo ao Migas, naquela ocasião, lembras-te? E a mim também, da outra vez.” Chama-se a ambulância?... Chama-se a ambulância. Apesar de tudo, sinto-me &lt;strong&gt;feliz&lt;/strong&gt; – vou &lt;strong&gt;andar de ambulância&lt;/strong&gt; pela primeira vez na minha vida! Olarila!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que a ambulância chega, poucos minutos depois, trepo para o seu interior e descrimino o rol das minhas mazelas ao bombeiro socorrista. O gajo despe-me as calças, olha-me para os tomates e (enquanto eu penso se acaso este pode ser classificado como um momento muito &lt;em&gt;gay&lt;/em&gt;) conclui que, para além de alguma &lt;strong&gt;vermelhidão&lt;/strong&gt;, parece estar tudo bem. Fico muito mais aliviado... porque confesso que estava com medo de despir as cuecas e ver os tomates a &lt;strong&gt;vir atrás&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Élvio&lt;/strong&gt;, o bombeiro, diz-me que vai precisar de me cortar a &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt;, para tratar do meu ombro. Eu oponho-me – aquela &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt; é-me &lt;strong&gt;preciosa&lt;/strong&gt;, porque está ligada a um &lt;strong&gt;momento muito querido&lt;/strong&gt; do meu passado – sempre que a visto, lembro-me desse momento e dos &lt;strong&gt;excelentes amigos&lt;/strong&gt; com quem o partilhei. Não, não a quero cortar. O Élvio é um &lt;strong&gt;bacano&lt;/strong&gt; e facilita: ajuda-me a tirar a &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt; com jeitinho (é larga e fazêmo-lo sem problemas), mas pede-me que não conte a ninguém que ele fez aquilo: “Quando chegámos ao local, tu já estavas &lt;strong&gt;sem&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;okay&lt;/em&gt;?” “&lt;em&gt;No problem&lt;/em&gt;,” respondo. Depois, com a ajuda de uma ligadura, segura-me o braço ao peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Para que hospital vão?” pergunta o PP. “&lt;strong&gt;Amadora-Sintra&lt;/strong&gt;,” é a resposta. “Jacaré, vou ter contigo ao hospital assim que resolver a questão do acidente. Ficas bem?” “&lt;strong&gt;Na boeca&lt;/strong&gt;, man! Vou andar de ambulância!” Ao despedir-se de mim, o PP leva a minha &lt;em&gt;t-shirt&lt;/em&gt; consigo, mas aconchega-me o meu casaco sobre os ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, com todas as &lt;strong&gt;luzes e sirenes&lt;/strong&gt; a que tenho direito, lá sigo de ambulância para o &lt;strong&gt;Hospital Fernando Fonseca&lt;/strong&gt;, mais conhecido por Amadora-Sintra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109693807978157514?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109693807978157514/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109693807978157514&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109693807978157514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109693807978157514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/crash.html' title='&lt;em&gt;CRASH!&lt;/em&gt;'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109693208642755224</id><published>2004-09-07T18:45:00.000+01:00</published><updated>2004-10-07T15:12:15.966+01:00</updated><title type='text'>HONDA CBR600F4</title><content type='html'>Está um dia glorioso! O tempo está óptimo, o Sol brilha e o meu grande amigo &lt;strong&gt;PP&lt;/strong&gt; quer apresentar-me à sua nova &lt;em&gt;menina&lt;/em&gt;. Por isso, aproveitamos o meu dia de folga para ir dar umas curvas com ela. E ouvi-la ronronar sobre o asfalto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img border='0' style='border:2px solid #565; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/181/1369/400/Honda%20CBR600F4.jpg'&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é bela? Até eu, que nunca na minha vida liguei pevas a qualquer tipo de bicho com rodas (seja mota, seja carro), &lt;strong&gt;não consigo&lt;/strong&gt; ficar indiferente! Especialmente quando ela nos leva a &lt;strong&gt;dançar&lt;/strong&gt; pela estrada fora, ondulando o seu refulgente corpo metálico ao sabor das curvas do tapete negro que se desenrola à nossa frente e até onde a vista alcança, sentindo a textura do asfalto a vibrar sob as plantas dos pés, o vento a aconchegar-nos a roupa ao corpo, o cheiro dos pinheiros a envolver-nos numa &lt;strong&gt;voracidade de movimento&lt;/strong&gt; cujo único bálsamo é a saciedade dos quilómetros percorridos, que deslizam por nós fácil e habilmente devido à combinação da &lt;strong&gt;perícia do piloto&lt;/strong&gt; e da &lt;strong&gt;eficiência da máquina&lt;/strong&gt;!... Meta: &lt;strong&gt;Cabo da Rocha&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegados ao destino, deixamos a menina a descansar da corrida e descemos pelo flanco da falésia até à sua base, onde estamos mais perto daquele mar sem fim. Deitados ao comprido sobre os pedregulhos, gastamos alguns momentos a &lt;strong&gt;lagartar&lt;/strong&gt; ao Sol quente daquele fim de tarde de Verão, filosofando sobre a Vida... E sobre &lt;strong&gt;gajas&lt;/strong&gt; também. Evidentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, regressamos. Fazemos o caminho por Sintra, para terminar o dia em pleno com uns &lt;strong&gt;travesseiros&lt;/strong&gt; na Periquita (que o Jacaré é bicho guloso!). Mas há obras na estrada e encontramos o trânsito parado em muitos sítios... Coisa que não é problema para uma esguia máquina de duas rodas como a menina do meu bom amigo. E, com efeito, enquanto os carros, parados em fila, esperam e desesperam com os condicionamentos no trânsito, nós avançamos pela direita sem qualquer problema...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Até que um dos carros parados à nossa frente, de repente, mete o pisca para a direita e, no mesmo momento, se destaca da fila para se atravessar... &lt;strong&gt;mesmo&lt;/strong&gt; no nosso caminho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O horizonte que à nossa frente estava tão azul, num piscar de olhos ficou todo &lt;strong&gt;preto&lt;/strong&gt;! O meu último pensamento antes de embatermos no carro é aquela impotente tomada de consciência que normalmente anuncia a um gajo &lt;strong&gt;imediatamente antes&lt;/strong&gt; de um acidente que &lt;strong&gt;não há qualquer hipótese&lt;/strong&gt; de evitar a colisão. Depois, não há tempo para mais nada. Nem sequer para &lt;strong&gt;fechar os olhos&lt;/strong&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109693208642755224?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109693208642755224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109693208642755224&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109693208642755224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109693208642755224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/honda-cbr600f4.html' title='HONDA CBR600F4'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109434105723663528</id><published>2004-09-03T17:05:00.000+01:00</published><updated>2004-09-05T00:40:05.833+01:00</updated><title type='text'>“FAHRENHEIT 9/11”</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.michaelmoore.com/"&gt;Michael Moore&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, o escritor, produtor e realizador de “&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.fahrenheit911.com/about/"&gt;Fahrenheit 9/11&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;” (e também de “&lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.michaelmoore.com/books-films/bowlingforcolumbine/"&gt;Bowling for Columbine&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;,” a ver a todo o custo!) é um bom &lt;strong&gt;sacana&lt;/strong&gt;! Com aquele seu corpo anafado e o ar meio otário e de quem não quebra um prato, o gajo vai fazendo uns bons &lt;strong&gt;estragos&lt;/strong&gt;! Desta feita, o alvo visado é &lt;strong&gt;George W. Bush&lt;/strong&gt;, num filme/documentário que, tal como o &lt;strong&gt;jOhn&lt;/strong&gt;, um dos meus melhores amigos, diz, serve para os americanos abrirem os olhos. E eu digo: para abrirem os olhos para a &lt;strong&gt;merda&lt;/strong&gt; que comem todos os dias... e &lt;strong&gt;gostam&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme abre com uma exposição da polémica criada em torno das eleições que tornaram George W. Bush &lt;strong&gt;Presidente dos Estados Unidos da América&lt;/strong&gt;, revelando as ligações, os esquemas e as falcatruas que tornaram o facto possível. Depois, dá uma ideia da &lt;strong&gt;vida dura&lt;/strong&gt; deste Presidente ao longo do seu mandato, trabalhando arduamente nos campos de golfe e de papo para o ar no rancho do papá. E, finalmente, partindo do atentado de &lt;strong&gt;11 de Setembro&lt;/strong&gt; ao &lt;strong&gt;World Trade Center&lt;/strong&gt;, desvenda a verdade suja e escusa por trás do negócio da guerra do Iraque – as parcerias e as relações comerciais da &lt;strong&gt;família Bush&lt;/strong&gt; com os sauditas e a &lt;strong&gt;família bin Laden&lt;/strong&gt;. E a batelada de dinheiro que essa gente andou a ganhar &lt;strong&gt;antes&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;durante&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;depois&lt;/strong&gt; da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto leva um gajo a pensar... até que ponto é que não foi tudo &lt;strong&gt;planeado&lt;/strong&gt;. A começar pelo atentado ao WTC. Detesto teorias da conspiração, mas a verdade é que a guerra é, sem dúvida, o &lt;strong&gt;negócio mais lucrativo&lt;/strong&gt; de sempre. E estes gajos souberam aproveitá-lo. Demasiado bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E às custas de milhares de vidas. De inocentes? De &lt;strong&gt;ingénuos&lt;/strong&gt;, isso sim. De americanos de baixos estratos sociais, à procura de uma maneira (uma &lt;strong&gt;qualquer&lt;/strong&gt;!) de singrar na vida, engajados pelo Exército para serem deportados para o meio do deserto, no outro lado do Atlântico, num país que foram &lt;strong&gt;ensinados&lt;/strong&gt; a temer e odiar, e para, &lt;strong&gt;patrioticamente&lt;/strong&gt;, matar iraquianos (militares ou civis, pouco importa – &lt;strong&gt;&lt;em&gt;bad guy&lt;/em&gt; é &lt;em&gt;bad guy&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e eles parecem todos iguais!) ao som de “The Roof is on Fire,” porque querem “&lt;strong&gt;ver Bagdade a arder&lt;/strong&gt;.” Michael Moore fala com estes soldados e vemos uma cambada de putos imberbes enviados para a guerra a pensar que aquela merda é mais um &lt;strong&gt;jogo de computador&lt;/strong&gt;. Imaginem o choque quando descobrem que &lt;strong&gt;não é&lt;/strong&gt;. E imaginem o choque maior quando, finalmente, se apercebem que foram mandados para o Iraque para fazer o &lt;strong&gt;trabalho sujo&lt;/strong&gt; do Governo Americano, que, refastelado em casa, com os &lt;em&gt;rottweilers&lt;/em&gt; à porta, vai metendo o dinheirito ao bolso. Enquanto putos equivocados &lt;strong&gt;matam&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;morrem&lt;/strong&gt; numa guerra que não é deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é por acaso que o filme fecha com citações de &lt;strong&gt;George Orwell&lt;/strong&gt; do sublime “&lt;strong&gt;1984&lt;/strong&gt;” (um dos meus livros preferidos de sempre, a par do “&lt;strong&gt;Admirável Mundo Novo&lt;/strong&gt;,” de Aldous Huxley). Porque, meus amigos, isto &lt;strong&gt;é&lt;/strong&gt; “1984,” cuspido e escarrado – o controlo da população pela cultura do &lt;strong&gt;medo irracional&lt;/strong&gt; a um inimigo &lt;strong&gt;estranho e incompreensível&lt;/strong&gt; e a manutenção de um &lt;strong&gt;perpétuo estado de guerra&lt;/strong&gt; que tanto alimenta como é alimentado por esse medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sair da sala de cinema, uma pergunta pesa-me mais que todas as outras na cabeça: &lt;strong&gt;quanto&lt;/strong&gt; dinheiro e poder precisa um gajo para se sentir &lt;strong&gt;feliz&lt;/strong&gt;? Ou, por outras palavras, &lt;strong&gt;quantas pessoas&lt;/strong&gt; precisa um gajo de pisar e/ou matar para satisfazer a sua sede de dinheiro e poder?... Aparentemente, o céu é o limite (... ou deveria dizer “o &lt;strong&gt;Inferno&lt;/strong&gt; é o limite”?), para gajos como George W. Bush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o disse &lt;a href="http://agoeladojacare.blogspot.com/2004_03_01_agoeladojacare_archive.html#108885871878918974"&gt;antes&lt;/a&gt; e volto a dizê-lo: é por coisas destas que eu acredito que a raça humana está destinada à extinção. O homem tem medo do próprio homem. Vamos acabar por nos &lt;strong&gt;devorar&lt;/strong&gt; uns aos outros. Até o último de nós morrer de &lt;strong&gt;indigestão&lt;/strong&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109434105723663528?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109434105723663528/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109434105723663528&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109434105723663528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109434105723663528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/fahrenheit-911.html' title='“FAHRENHEIT 9/11”'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109417519069261707</id><published>2004-09-01T22:03:00.000+01:00</published><updated>2004-09-03T02:33:10.693+01:00</updated><title type='text'>BRUXO PALERMA</title><content type='html'>Sexta-feira passada, dia 27 de Agosto, vou à praia com a &lt;strong&gt;Chiquitita&lt;/strong&gt;, a &lt;strong&gt;Salex Go-Go&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;John&lt;/strong&gt;. Entre dois mergulhos na água gelada da &lt;strong&gt;Fonte da Telha&lt;/strong&gt;, recebo uma mensagem escrita &lt;strong&gt;inesperada&lt;/strong&gt;. Da &lt;strong&gt;Caracolitos&lt;/strong&gt;, uma ex-namorada. A pedir muitas desculpas por não dar notícias há tanto tempo e a convidar-me para sair na noite seguinte, para &lt;strong&gt;conversar&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;dançar&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deve estar de mal com o namorado,” penso. Detesto ser cínico, mas a verdade é que esta rapariga só me procura quando precisa de um ombro para chorar. Ou seja, quando lhe faltam &lt;strong&gt;ombros de namorado&lt;/strong&gt;. Há dois anos atrás, saída de fresco de uma relação falhada, procura o meu apoio. Durante largos meses, somos os &lt;strong&gt;maiores amigos&lt;/strong&gt;. Entretanto, ela arranja outro namorado e, a partir desse momento, deixa de me procurar. O caso entristece-me porque julguei que houvesse entre nós uma relação &lt;strong&gt;especial&lt;/strong&gt; de amizade. E, apesar dela demonstrar sempre muito &lt;strong&gt;entusiasmo &lt;/strong&gt;por me ver, a verdade é que lhe falta invariavelmente o &lt;strong&gt;tempo&lt;/strong&gt; para estar comigo. Portanto, deixo cair. Percebi imediatamente a onda dela.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ano e meio&lt;/strong&gt; depois, vindo do nada, recebo este convite para conversar e... &lt;strong&gt;dançar&lt;/strong&gt;. Dançar?! Há &lt;strong&gt;quanto tempo&lt;/strong&gt; não me convida ela para dançar! Fico logo com a pulga atrás da orelha. Mas recuso o convite – já tenho planos para passar &lt;strong&gt;todo&lt;/strong&gt; o dia seguinte com uma rapariga &lt;strong&gt;maravilhosa&lt;/strong&gt; (não é, Ruiva?). Mas combinamos voltar a falar no início da semana seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, ligo-lhe. E acordamos sair na próxima semana para dançar e pôr a conversa em dia. Contudo, antes de desligar, atiro a pergunta que me queima a língua: “E tu, como andam as coisas &lt;strong&gt;contigo&lt;/strong&gt;?...” “&lt;strong&gt;Diferentes...&lt;/strong&gt;” responde ela. (Já te apanhei!) “Ah... &lt;em&gt;Diferentes&lt;/em&gt;? A propósito, como está o teu &lt;strong&gt;namorado&lt;/strong&gt;?” Pausa. “... &lt;strong&gt;Não está&lt;/strong&gt;.” (Bingo!) “Ah, bom! Então é por isso que as coisas estão &lt;em&gt;diferentes&lt;/em&gt;...” “Sim... Nós temos muito que falar, depois eu conto-te tudo.” Mas eu ainda não estou satisfeito: “Mas então é recente? Há quanto tempo é que acabaram?” “Há cerca de &lt;strong&gt;um mês&lt;/strong&gt;.” Caramba, eu devo ser &lt;strong&gt;bruxo&lt;/strong&gt;! De vez em quando, o mundo funciona mesmo como um &lt;strong&gt;relógio suíço&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de todo este caso, acho interessante o facto desta rapariga invariavelmente &lt;strong&gt;me&lt;/strong&gt; procurar quando precisa de &lt;strong&gt;apoio emocional&lt;/strong&gt;. E não é a única! No geral, &lt;strong&gt;todas&lt;/strong&gt; elas o fazem. Tanto as &lt;strong&gt;ex-namoradas&lt;/strong&gt;, como as &lt;strong&gt;amigas&lt;/strong&gt; (embora, &lt;strong&gt;felizmente&lt;/strong&gt;, a maioria delas não me procure &lt;strong&gt;apenas&lt;/strong&gt; para isto). Mas, em relação às ex, é de notar que, na maior parte dos casos, eu sou &lt;strong&gt;o único&lt;/strong&gt; ex-namorado com quem elas continuaram a relacionar-se &lt;strong&gt;depois&lt;/strong&gt; de terminado o namoro! Gostaria de pensar que é pelos meus &lt;strong&gt;lindos olhos&lt;/strong&gt;, mas sei bem que não. É pelas minhas &lt;strong&gt;orelhas&lt;/strong&gt;! Porque, acima de tudo, sou um bom &lt;strong&gt;ouvinte&lt;/strong&gt;. E porque, acima de tudo, e paralelamente à relação amorosa, também estabeleço uma relação de &lt;strong&gt;amizade&lt;/strong&gt; com as minhas namoradas. E isso faz &lt;strong&gt;toda&lt;/strong&gt; a diferença. Porque, regra geral, a amizade perdura para &lt;strong&gt;além&lt;/strong&gt; do namoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso diz muito de mim, diz ainda &lt;strong&gt;mais&lt;/strong&gt; dos gajos por esse mundo afora. Diz que são uma &lt;strong&gt;cambada de palermas&lt;/strong&gt;! Palermas &lt;strong&gt;egoístas&lt;/strong&gt; que gastam o tempo todo preocupados com o próprio piço e depois se queixam que &lt;strong&gt;não compreendem as mulheres&lt;/strong&gt;! Pois se nem sequer se dão ao trabalho de as &lt;strong&gt;ouvir&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, se não as &lt;strong&gt;ouvem&lt;/strong&gt;, também não as &lt;strong&gt;aturam&lt;/strong&gt;... E, nesse caso, se calhar são &lt;strong&gt;eles&lt;/strong&gt; que são &lt;strong&gt;espertos&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt; que sou &lt;strong&gt;palerma&lt;/strong&gt;... &lt;em&gt;Oh, well...&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6730134-109417519069261707?l=agoeladojacare.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/feeds/109417519069261707/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6730134&amp;postID=109417519069261707&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109417519069261707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6730134/posts/default/109417519069261707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://agoeladojacare.blogspot.com/2004/09/bruxo-palerma.html' title='BRUXO PALERMA'/><author><name>Jacaré Voador</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05595906511369108375</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/82/355/1600/jacarevoador3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6730134.post-109383537465698297</id><published>2004-08-27T04:02:00.000+01:00</published><updated>2004-08-30T04:10:35.840+01:00</updated><title type='text'>CRÉDITO IMERECIDO</title><content type='html'>Quem tem conta no &lt;strong&gt;Millennium bcp&lt;/strong&gt; (com dois &lt;strong&gt;eles&lt;/strong&gt; e com dois &lt;strong&gt;enes&lt;/strong&gt;, hã? Aposto que foi um &lt;strong&gt;tio de Cascais&lt;/strong&gt; que inventou esta parolice!) com certeza já se apercebeu que o banco não é muito fiável. De facto, já me aconteceu o banco enganar-se e &lt;strong&gt;debitar-me duas vezes&lt;/strong&gt; a mesma mensalidade do plano de saúde que subscrevo. Por outro lado, também já me aconteceu &lt;strong&gt;creditar-me duas vezes&lt;/strong&gt; o salário do mesmo mês. Se a coisa ficasse &lt;strong&gt;ela por ela&lt;/strong&gt;, nem me chateava com o assunto. Mas isso &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt; acontece. Porque, quando o erro desfavoreve o &lt;strong&gt;banco&lt;/strong&gt;, a situação é rapidamente rectificada, ao passo que quando o desfavorecido sou &lt;strong&gt;eu&lt;/strong&gt;... o banco nunca é tão &lt;strong&gt;lesto&lt;/strong&gt; a corrigir o &lt;em&gt;engano&lt;/em&gt;. Na verdade, e se um gajo não se mantiver atento e não lhes apontar o erro, levam-lhe o guito e ainda se ficam a rir, essas &lt;strong&gt;sanguessugas do prepúcio&lt;/strong&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já alguma vez lhe aconteceu a &lt;strong&gt;si&lt;/strong&gt;, que agora lê estas linhas, o seu banco enganar-se e &lt;strong&gt;creditar dinheiro a mais&lt;/strong&gt; na
